BRUNO DE ASTI OU DE SEGNI (SANTO)

BRUNO DE ASTI OU DE SEGNI (SANTO)

BRUNO DE ASTI ou DE SEGNI (Santo), um dos mais enérgicos defensores da liberdade da Igreja na querela das investiduras, ao mesmo tempo que um dos espíritos mais cultos do seu século, emulador pela firmeza de caráter, bem como pela ciência, de Ivo de Chartres, de Anselmo de Cantuária, de Anselmo de Lucca, era originário, provavelmente, de Asti, no Piemonte, por volta do ano 1044 ou 1048, e de nascimento nobre. O cuidado da sua educação foi confiado aos beneditinos do mosteiro de Saint-Perpet, nas cercanias de Asti; após o que, Bruno concluiu os seus estudos em Bolonha com brilho particular.

Cônego regular primeiramente na sua cidade natal, depois talvez em Siena, dirigiu-se em seguida a Roma e adquiriu ali prontamente uma reputação tal que foi encarregado de argumentar, perante o concílio que se abriu no Latrão a 11 de fevereiro de 1079, contra Berengário de Tours. A consequência da discussão foi, ao mesmo tempo, que Berengário retratou os seus erros e que Bruno, no ano seguinte, subiu à sede episcopal de Segni, na terra dos volscos. Tinha ele recusado, segundo se diz, por humildade, o chapéu de cardeal.

Na sede de Segni, Bruno seria o confidente, o conselheiro, o braço direito de São Gregório VII e dos seus sucessores, Vítor III, Urbano II e Pascoal II. Assim, em 1095, acompanhará Urbano II àquele concílio de Clermont onde foi aclamada a primeira cruzada; e, com o título de legado da Santa Sé, presidirá em 1106 concílios na França, trabalhará em 1110 na reforma da Sicília, intervirá aqui e ali como árbitro numa multidão de conflitos locais.

Em 1105, para cumprir o voto que fizera numa doença de abraçar a vida monástica, Bruno tinha entrado no Monte Cassino e, desde 1108, tornara-se o seu abade, sem renunciar, contudo, graças a um indulto de Pascoal II, ao seu bispado de Segni. Mas, em 1111, vê-se Bruno, gregoriano determinado, marchar à frente dos cardeais e dos bispos que protestam violentamente contra as concessões extorquidas a Pascoal II pelo imperador Henrique V, e, numa carta ao soberano pontífice, esquece-se ao ponto de taxar o papa de heresia. Pascoal II, a fim de diminuir, se não de arruinar a influência deste adversário, recordou-se a propósito do cânon 12 do concílio de Clermont e, retirando a Bruno a abadia do Monte Cassino, ordenou-lhe que se retirasse para a sua diocese, que, aliás, o tinha pedido muitas vezes e suspirava pelo seu regresso.

Bruno viveu ainda doze anos em Segni, cumprindo com um zelo exemplar todos os deveres do seu cargo, sem mais intervir pessoalmente, sob Calisto II, seu amigo, na querela das investiduras. Morreu em odor de santidade a 18 de julho de 1123, e foi canonizado em 1183 pelo papa Lúcio III.

Teólogo, polemista, hagiógrafo, São Bruno fez um nome sobretudo na exegese. Restaram-nos dele discursos e homilias, seis livros de Sentenças ou Sermones de diversis, e três pequenas dissertações teológicas. O opúsculo De symoniacis, escrito durante a vida e quase sob o olhar de Urbano II, testemunha também em particular o zelo, por vezes exacerbado, de Bruno pela reforma eclesiástica de São Gregório VII; com os gregorianos da extrema-direita, o autor sustenta ali, não obstante o sentimento do papa e a prática da Igreja, a invalidade radical dos sacramentos administrados pelos simoníacos, pelos cismáticos e pelos heréticos. Encontra-se nos Monumenta Germaniae, Libelli de lite imperatorum, etc., Hanôver, 1892, t. I, p. 546-562. Ver Gigalski, na Thüb. Quartalschrift, 1897, p. 215-258.

O bispo de Segni deixou-nos duas biografias, a de São Pedro de Agnani e, sob a forma de um sermão, a do papa São Leão IX. Na história da exegese, Bruno conta entre os mais sólidos espíritos e as penas mais elegantes do seu tempo; na Itália, do século XI, não teve rival. Como o B. Roberto de Deutz, sem negligenciar o sentido literal, procura de preferência e põe em relevo o sentido místico e alegórico. Possuímos os seus comentários sobre o Pentateuco, sobre o livro de Job, sobre o Saltério, sobre o Cântico dos Cânticos, sobre os quatro Evangelhos e sobre o Apocalipse. A explicação de Isaías, os comentários sobre os livros de Josué e de Judite estão perdidos ou pelo menos permaneceram manuscritos. O comentário sobre os Evangelhos forneceu a matéria e quase sempre o texto de uma coletânea de 142 homilias latinas atribuídas outrora a Eusébio de Emesa; esta coletânea é provavelmente da mão mesma de São Bruno. Ver Fessler-Jungmann, Inst. patrologiae, Innsbruck, 1892, t. II a, p. 3.

A vida de São Bruno foi contada, na Alta Idade Média, pelo cardeal Leão de Óstia e por Pedro Diácono, Chronicon Casinense, l. IV, c. XXXI-XLIII, nos Monumenta Germaniae, Scriptores, t. VI, p. 776-783; no século XIV, por um cônego de Segni anônimo; em 1783, por Angelo Toti. A primeira edição das suas obras é devida a dom Marchesi, monge do Monte Cassino, 2 in-fol., Veneza, 1651. Bruno Bruni publicou em Roma, 1789-1791, uma segunda edição, que Migne reproduziu, P. L., t. CLXIV, CLXV. Ziegelbauer, Hist. rei litt. ord. Ben., t. I-IV; Acta sanctorum, julii t. IV, p. 471; D. Ceillier, Hist. générale des auteurs sacrés et eccl., Paris, 1863, t. XII, p. 499-505; Gigalski, Bruno, Bischof von Segni, Abt von Monte-Cassino, Münster, 1898; Robotti del Fiscale, Storia della vita di S. Brunone vescovo di Segni ed abbate di Monte-Cassino, Alexandria, 1859; Sackur, Monumenta Germaniae, Libelli de lite imperatorum et pontificum saeculis XI et XII conscripti, Hanôver, 1892, t. I, p. 543-546; A. Potthast, Bibliotheca historica medii aevi, 2ª edit., Berlim, 1896, t. I, p. 473 sq. P. Gover.

Autor original: P. Godet

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