BRUNI (FRANCISCO)

BRUNI (FRANCISCO)

BRUNI, François, lazarista, nascido em Bisceglia, no reino de Nápoles, a 12 de julho de 1802, professor de teologia no escolasticado de sua congregação em Nápoles, foi nomeado em 1837 para o bispado de Ugento. Faleceu em 1863. Fez-se notar no clero napolitano por seus conhecimentos teológicos, nomeadamente ao tomar parte ativa na controvérsia sobre o empréstimo a juros contra o retumbante livro do abade Mastrofini.

Sua obra intitula-se: Analisi ragionata e critica dei libri tre sulle usure dell’ abate Marco Mastrofint, in-8°, Nápoles, 1835. Acusa Mastrofini e seus aderentes de favorecer os erros dos protestantes: é sem dúvida uma alusão à célebre carta de Calvino, na qual este declara legítimo em si mesmo o empréstimo a juros. Monsenhor Bruni repreende seus adversários por ultrapassarem os limites traçados pelas decisões da Igreja, que declaram o empréstimo a juros legítimo por causa de títulos extrínsecos, se os houver, mas, de per si, permanecendo um contrato gratuito.

A obra de Monsenhor Bruni obteve sucesso na Itália; mas tendo um cônego de Montepulciano atacado a obra em uma série de dissertações, Monsenhor Bruni defendeu-se publicando a seguinte resposta: L’abate ed il priore, dialogo per servire di risposta alle Dissertazioni sul mutuo e sulle usure d’un canonico Poliziano, in-8°, Nápoles, 1856.

Alguns anos mais tarde, Monsenhor Bruni prosseguiu sua polêmica em uma carta endereçada ao bispo de Teramo: Lettera pastorale di Mons. Fr. Bruni della Cong. della Missione, vescovo di Ugento, a Monsign. Taccone, vescovo di Teramo, intorno all’abuso, che taluni fanno delle risposte date dalla S. Sede sopra le usure, in-8°, Roma, 1854. O autor explicava nela em que sentido e em que medida, a seu ver, deveriam ser entendidas as recentes decisões dadas por Roma sobre o empréstimo a juros.

Monsenhor Bruni redigiu um curso de filosofia: Elementa philosophie eclectice ad usum semrinarii Uscentini, in-8°, Nápoles, 1839.

Sob a forma de cartas pastorais, publicou estudos sobre diversos temas de piedade e sobre questões atuais de seu tempo: 1° Gli eccessi del liberalismo, in-8°, Nápoles, 1848; 2° Sull’ uso ed abuso del magnelismo animale, Lecce, 1856; 3° por ocasião da invasão da Itália pelo Piemonte, Lettera sulle emergenze alluali della Chiesa, in-8°, Lecce, 1860; 4° contra os adversários da definição do dogma da Imaculada Conceição, escreveu: Breve risposta alle principali obbiecioni che si oppongono alla definizione dogmatica del mistero dell immacolata concezione di Maria SSma, Nápoles, 1852.

Citemos ainda as dissertações: Lettera sull’ ipotesi degli abitanti de pianeti, Nápoles, 1836; L’ultima epoca della Chiesa, in-8°, Nápoles, 1845; Riflessioni intorno alla necessita ed all influenza della parola, in-16, s. l. n. d.; Altre omelie, in-8°, Nápoles, 1857. Notices bibliographiques sur les écrivains de la congrégation de la Mission, par un prêtre de la même congrégation, Angoulême, 1878, p. 23-26; Salv. Stella, La congregazione della Missione in Italia, Paris, 1884, p. 594.

Autor original: A. Milon

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