BROWNISTAS, discípulos de Robert Brown. Esta seita difundiu-se por volta do fim do século XVI; em 1592, estimava-se o seu número em cerca de 20.000. Eles não queriam comungar com nenhuma Igreja reformada, porque não tinham certeza da santidade dos seus membros. Pretendiam que a Igreja estabelecida era anticristã, da mesma forma que a Igreja romana.
A sua doutrina reduzia-se aos seguintes pontos: consideravam uma impiedade comungar com os pecadores; reprovavam a celebração do matrimônio religioso, porque viam o casamento como um contrato puramente político, com o qual a Igreja nada tem a ver; recusavam o batismo aos filhos daqueles que não eram membros da Igreja; rejeitavam toda forma de orações e sustentavam que a oração dominical não deve ser recitada como uma prece, porque foi dada como uma regra ou um simples modelo de todas as nossas orações; a sua forma de governo eclesiástico era democrática; quando formavam uma comunidade, aqueles que desejavam tornar-se membros faziam uma confissão e assinavam uma convenção pela qual se obrigavam a caminhar juntos nos caminhos do Evangelho; todo o poder residia na comunidade; os oficiais da Igreja, encarregados da pregação e do cuidado dos pobres, eram escolhidos entre os fiéis e eram investidos das suas funções pelo jejum, pela oração e pela imposição das mãos de certos irmãos; da mesma forma, o oficial podia ser deposto pela comunidade; o seu poder era localmente limitado: o pastor de uma Igreja não podia celebrar a ceia em outra, nem batizar as crianças de uma comunidade diferente da sua; todo irmão tinha o direito de profetizar ou de dirigir uma exortação ao povo; após o sermão, alguns tinham o costume de fazer perguntas e solicitar explicações; em suma, cada Igreja governava-se por si mesma e não possuía presbitério, nem sínodo, nem assembleia, nem convocação, nem qualquer tipo de jurisdição.
Tratados severamente na Inglaterra, os brownistas refugiaram-se em grande parte na Holanda, onde não tardaram a dividir-se e a formar dois grupos: os Separatistas, sob a direção de Smith, e os Independentes, sob a de Robinson. Grupos destes Independentes fundaram as colônias da Nova Inglaterra, a fim de aplicar ali estritamente os seus princípios sobre a Igreja que, na sua totalidade, não era senão a soma das comunidades particulares. Encyclopedia britannica, 9ª ed., in-4°, Edimburgo, 1876, t. IV, p. 392-393.
Autor original: V. Ermoni
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