BOUHOURS Dominique, jesuíta francês, nascido em Paris em 15 de maio de 1628, falecido em 27 de maio de 1702. Tinha apenas dezesseis anos quando passou dos bancos do colégio de Clermont para o noviciado. Depois de ter sido sucessivamente professor de gramática e de retórica em Paris, Tours e Rouen, foi encarregado de concluir a educação dos filhos do duque de Longueville e, mais tarde, a do marquês de Seignelay, filho do ministro Colbert.
Apesar de contínuas dores de cabeça, não deixou de compor numerosos escritos, que tiveram grande voga em seu tempo e lhe asseguraram um dos primeiros lugares entre os humanistas e os críticos do século XVII. «O espírito lhe sai de todos os lados», dizia dele a Sra. de Sévigné. Sua obra pertence à teologia por meio de obras de piedade e de polêmica contra os jansenistas e Richard Simon.
Eis a lista das principais: Lettre a un Seigneur de la cour sur la Requeste présentée au Roy par les ecclésiastiques qui ont esté a Port-Royal pour répondre a celle que M. l'archevêque d’Ambrun a présentée contre eux a Sa Majesté, Paris, 1668; Lettre a Messieurs de Port-Royal, contre celle qu’ils ont écrite a M. l'archevêque d’Ambrun, pour justifier la Lettre sur la constance et le courage qu’on doit avoir pour la vérité, Paris, 1668: a Lettre sur la constance... tinha por autor G. Le Roy, abade de Hautefontaine, devotado ao jansenismo; Sentiment des jésuites touchant le péché philosophique. Première, seconde et troisième Lettre a un homme de la cour, Paris, 1690.
A controvérsia que deu lugar a estas cartas foi suscitada por uma tese defendida em Dijon, em 1686, pelo Pe. Musnier, jesuíta. Esta tese, apontada com estardalhaço como uma «nova heresia dos jesuítas» pelos jansenistas, mais especialmente por Antoine Arnauld, que lançou golpe após golpe cinco «denúncias do pecado filosófico», foi condenada pelo papa Alexandre VIII, no Santo Ofício, em 24 de agosto de 1690, como «escandalosa, temerária, ofensiva aos ouvidos piedosos e errônea». O Pe. Bouhours tinha procurado, não justificá-la, mas explicá-la. Sua segunda carta, anterior à censura, é seguida por uma explicação do próprio Pe. Musnier sobre o sentido que ele tinha em vista.
— Le Nouveau Testament de N.-S. J.-C., traduit en français selon la Vulgate, Paris, 1697. Esta tradução, feita em colaboração com os PP. Besnier e Mich. Le Tellier, foi criticada por R. Simon em 4 cartas sob o título de Difficultés proposées au R. P. Bouhours, sur sa traduction française des quatre Evangiles, Roterdã, 1697. O Pe. Bouhours replicou por uma Lettre a Monsieur Simon. O Pe. Lallemant adotou esta tradução em suas Réflexions morales, Paris, 1713.
— Pensées chrétiennes pour tous les jours du mois, Paris, 1669. Esta obra teve numerosíssimas edições e foi traduzida em quase todas as línguas da Europa.
— La vie de S. Ignace fondateur de la Cie de Jésus, Paris, 1679; La vie de S. François-Xavier de la Cie de Jésus, Paris, 1682.
G. Doncieux, Un jésuite homme de lettres au XVIIe siècle, Paris, 1886; Sommervogel, Bibliothèque de la Cie de Jésus, t. I, col. 1886-1920; Moreri; Biogr. univ.; Kirchenlexikon, t. I, col. 1153; Les illustres modernes, in-fol., Paris, 1788, t. I, p. 3, com retrato; Reusch, Der Index, t. II, p. 538, 670. H. DURUQUET.
Autor original: H. Dutouquet
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