BONJOUR (Os irmãos), fundadores da seita dos fareinistas ou flagelantes, nascidos em Pont-d’Ain, na Bresse, na segunda metade do século XVIII, são conhecidos pelo curioso caso de patologia mística que suscitaram. O mais velho, pároco no Forez, pregou ali uma heresia análoga à de Pierre Valdo: a obrigação de compartilhar seus bens com os pobres; por isso, foi transferido em 1775 como pároco para Fareins, perto de Trévoux, e seu irmão tornou-se ali seu vigário.
Graças à sua vida austera, à sua doçura e à sua eloquência, fizeram numerosos discípulos, sobretudo entre as mulheres. Eles as fustigavam frequentemente, enfiavam-lhes facas nos braços e nas pernas, sem que elas parecessem sofrer: imaginaram até mesmo crucificar uma jovem da paróquia, Stéphanie Thomasson. Em 1788, o mais velho declarou que se sentia indigno de celebrar a missa e de dirigir sua paróquia, e tornou-se mestre-escola; contudo, permaneceu com seu irmão, que o sucedeu como pároco.
A seita, que praticava a comunidade de bens, tinha também adversários em Fareins; um deles morreu um dia devido à picada de uma agulha encontrada em sua cama. Acusaram os Bonjour. Após um inquérito feito pelo arcebispado de Lyon, o mais velho dos irmãos foi exilado, o mais jovem encerrado em um convento, de onde logo escapou. Durante a Revolução, tentou retornar a Fareins, mas a força policial de Trévoux opôs-se; foi então a Paris, onde seu irmão o reencontrou com seus principais adeptos; as flagelações recomeçaram.
O cônsul Bonaparte exilou em 1806 os Bonjour para Lausanne; foi lá que morreram muito idosos. A seita sobreviveu-lhes por algum tempo; ainda existia sob a Restauração. Michaud, Biographie universelle (art. d’Ozanam); Ami de la religion, t. XXV, p. 179; Grégoire, Histoire des sectes religieuses, t. II, p. 169; Kirchenlexikon, 2ª édit., t. II, col. 1089-1090. L. LAVE NBRUCK.
Autor original: L. Lœvenbruck
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