4. BONIFÁCIO IV, papa, sucessor de Bonifácio III, consagrado em 15 de setembro de 608, falecido em 25 de maio de 615. Pontífice piedoso e zeloso, Bonifácio manteve boas relações com Constantinopla: Focas concedeu-lhe o Panteão, do qual ele expulsou a mãe dos deuses, Cibele, para torná-lo uma igreja consagrada à santa Virgem, primeiro exemplo conhecido e frequentemente seguido de uma destinação cristã dada a um templo pagão.
A Igreja da Inglaterra, que o papa Gregório acabara de fundar, foi objeto de seus cuidados: Melito, bispo de Londres, veio a Roma sob seu reinado a fim de consultar a Santa Sé; ele assistiu ao sínodo de fevereiro de 610, assinou os seus decretos e levou de volta as decisões, nomeadamente a permissão de elevar ao sacerdócio os monges que tivessem as qualidades requeridas. Ele foi encarregado também das cartas de Bonifácio IV para Lourenço, arcebispo da Cantuária, o clero, o rei Etelberto, Jaffé, 1998, e o povo inglês.
A Igreja da Inglaterra, impregnada dos usos romanos e de alguns usos francos, encontrava-se em dissidência com a dos bretões e dos escotos a respeito de vários usos ditos célticos, nomeadamente no que concernia à celebração da festa da Páscoa. São Columbano, escoto de origem, grande fundador de mosteiros na Gália, muito apegado aos usos celtas, escreveu em sua defesa ao papa Bonifácio IV uma carta vigorosa, e mesmo excessiva de tom. Ele parece reprovar ao papa o espírito conciliador que o pontífice acabara de mostrar ao imperador Heráclio com vistas a pacificar a Igreja e pôr fim aos transtornos causados pelos monofisitas.
Bonifácio IV é honrado como santo na Igreja em 25 de maio. Jaffé, Regesta pontificum, t. I, p. 220; Duchesne, Liber pontificalis, t. I, p. 317; Acta et epistole, em Mansi, t. x, col. 501-508, e P. L., t. LXXX; Paulo Diácono, Hist. Longobardorum, IV, 36; Beda, Hist. eccl. gentis Angl., II, 4; Hunt, A history of the english Church from its foundation to the Norman Conquest, 597-1066, Londres, 1901, p. 42; as obras indicadas para Bonifácio II, de Gregorovius, 3ª ed., t. II, p. 102, de Hefele, trad. Leclercq, t. III, p. 247, de Langen, p. 501.
Autor original: H. Hemmer
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