BONDADE. A palavra bondade exprime de maneira abstrata a qualidade de ser bom que a palavra bem exprime de maneira concreta e subsistente. Não temos, portanto, a respeito da significação deste termo, senão que nos referir à palavra BEM.
Quanto ao emprego teológico dos três termos: bom, bondade, bem, ele está submetido a certas regras que convém enunciar. O termo bem aplica-se propriamente ao ser universal concebido como subsistente, ὄν, ao qual o bem é idêntico substancialmente. De onde ele é precedido em grego e em francês pelo artigo. Diz-se o bem, τὸ καλὸν τἀγαθόν. É a este título que ele se aplica a Deus, o ser subsistente por excelência.
O termo bondade designa a qualidade de ser bom, concebida como uma essência pela qual, como por um princípio formal, alguma coisa é boa. Daí advém que nenhuma criatura é a sua bondade, porque em nenhuma criatura a essência é idêntica ao indivíduo existente. De Deus, pela razão oposta, diz-se igualmente que Ele é a Bondade ou o Bem. Estas denominações não são, contudo, indiferentes. O nome abstrato desperta a ideia da simplicidade divina, o nome concreto a da sua subsistência e da sua perfeição. S. Thomas, Summa theol., Iª, q. VI, a. 1, ad 2m.
Além deste sentido ontológico, o termo bondade tem um sentido moral, precisamente porque ele designa diretamente as essências ou formas pelas quais as coisas são ou são tais. Pois a virtude de bondade (benignitas) é uma dessas formas. Em Deus, ela significa menos a bondade ontológica do que a perfeição da vontade divina que se difunde para fora sobre os outros seres. Sendo perfeição de vontade, ela é, portanto, analogicamente uma virtude moral divina. No homem, ela é uma virtude moral formal (benignitas, misericordia, etc.).
O adjetivo bom emprega-se, como todo adjetivo, para exprimir uma qualificação acidental. De onde o pseudo-Dionísio recusará, por exemplo, dizer que Deus é bom, porque é preciso dizer que Ele é o Bem. Do mesmo modo, ao ser concebido universalmente, não se deve, rigorosamente falando, aplicar o termo bom. Aos seres especiais, que não têm a sua perfeição pelo próprio fato de ser, o termo bom aplica-se formalmente. Praticamente, estas regras não são observadas e diz-se que Deus, o ser, os seres são bons, subentendendo: cada um à sua maneira.
Autor original: A. Gardeil
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