BERNARDO DE ARRAS

BERNARDO DE ARRAS

2. BERNARD D’ARRAS, cuja biografia nos é desconhecida, pertencia aos capuchinhos da província de Paris; sabemos que foi guardião do convento de sua cidade natal e leitor de teologia. Distinguiu-se na luta contra os jansenistas, o que lhe deu ocasião de escrever as seguintes obras: Le grand commandement de la loi, ou le devoir principal de l’homme envers Dieu et envers le prochain, exposé selon les principes de S. Thomas, in-12, Paris, 1784. (Quérard, bibliographie, indica erroneamente uma edição de 1731.) Esta obra foi escrita contra a doutrina jansenista sobre a caridade.

L’ordre de l’Eglise ou la primauté et la subordination ecclésiastique, selon S. Thomas, in-12, Paris, 1735. Este livro foi suprimido por decreto do Conselho de Estado de 28 de julho de 1736, porque se temia que desse ensejo a renovar disputas sobre questões muito vivamente agitadas na época. Os jansenistas triunfaram com este decreto do Conselho (Nouvelles ecclésiastiques de 1736 a 1738) e um deles, Travers, padre da diocese de Nantes, tomou-o como alvo em sua Défense de la Consultation sur la jurisdiction et approbation nécessaires pour confesser. (A Consultation surgiu em 1734, a Défense em 1736.)

O Pe. Bernard refutou este autor ao publicar: Le ministère de l’absolution ou le pouvoir de confesser selon S. Thomas, in-12, Paris, 1740. Em seguida, acrescentou um Avis au lecteur no cabeçalho dos exemplares deste livro que permaneceram em livraria após Travers ter publicado sua obra Des Pouvoirs légitimes du premier et du second ordre dans l’administration des sacrements et le gouvernement de l’Eglise (1744), obra contra a qual dirigia em boa parte seu novo livro: Le code des paroisses ou recueil des plus importantes questions sur les curés et leurs paroissiens... précédé de quelques dissertations contre le livre intitulé : Les pouvoirs légitimes..., 2 in-12, Paris, 1746. Esta obra foi louvada pelo Journal de Trévoux, setembro de 1746.

Não somente o Pe. Bernard vigiava os jansenistas, mas também aqueles que caíam no excesso oposto ao seu rigorismo. Em 1745, o Pe. Pichon, jesuíta, publicava um livro sobre a Fréquente communion; acolhido muito favoravelmente em seu aparecimento, este livro foi logo justamente censurado (o autor o desavou em 1748). O Pe. Bernard foi do número daqueles que o atacaram, mas, como os Appelants não estavam isentos de erros em suas críticas, publicou sem assinar um opúsculo intitulado: Les écarts des théologiens d’Auxerre sur l’Eglise, la pénitence et l’eucharistie manifestés dans la troisième partie principalement de l’Ordonnance et instruction pastorale de monseigneur leur évêque portant une condamnation d’un livre intitulé : esprit de Jésus-Christ et de l’Eglise sur la fréquente communion par le P. Jean Pichon de la Compagnie de Jésus, in-4°, Liège (Paris), 1748.

Finalmente, nosso autor publicou: Le ministère primitif de la pénitence enseigné dans toute l’Eglise gallicane, ou l’administration de ce sacrement, selon les principes de la plus ancienne discipline suivis unanimement par le clergé de France, in-12, Paris, 1752. Ele terminava de imprimir este livro quando teve em mãos uma obra intitulada: La fin du chrétien, Avignon, 1751; reformulação de outra obra publicada em Rouen em 1701 e 1728 sob o título: La science des saints renfermée dans ces deux paroles : Il y a peu d’élus, e publicado por um ex-oratoriano chamado des Bordes, sob o pseudônimo de Amelincourt. Sem perder tempo, acrescentou uma crítica a este livro ao volume que imprimia.

O Pe. Bernard, tendo feito homenagem do Ministère primitif a Bento XIV, recebeu dele uma carta muito elogiosa, onde vemos que seus superiores o haviam fixado no convento de Saint-Honoré, em Paris, para lhe dar mais facilidade de se consagrar aos seus estudos. A biblioteca franciscana provincial dos capuchinhos de Paris possui um manuscrito, provavelmente autógrafo, do Pe. Bernard, intitulado: L’antihiérarque, ou l’ennemi de la hiérarchie ecclésiastique, manifesté dans le livre intitulé Les pouvoirs légitimes... et réfuté par le Pe. Bernard d’Arras, 1744. Nosso capuchinho teria tido, dizem, a consolação de reconduzir a Deus o célebre Fontenelle, morto em 1757; mas ignoramos quando ele mesmo morreu.

Mémoires pour servir à l’histoire ecclésiastique du XVIIIe siècle, 2ª ed., Paris, 1816, t. IV, p. 274; Bernard de Bologne, Bibliotheca script. ord. min. cap.; Michel de Zug, Bullarium ord. min. cap., Roma, 1752, t. VII, p. 412; Hurter, Nomenclator, t. II, col. 1067. P. ÉDOUARD D’ALENÇON.

Autor original: P. Édouard d'Alençon

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