BERMAN Jean-Pierre, nasceu a 1º de janeiro de 1793, em Virming, paróquia de língua alemã, que pertenceu à diocese de Nancy de 1802 a 1874 e que agora faz parte da diocese de Metz. Desde a juventude manifestou o desejo de se tornar sacerdote; seus pais, de condição muito modesta, impuseram-se pesados sacrifícios para favorecer sua vocação. Iniciou seus estudos no pequeno colégio eclesiástico de Insming (cantão de Albestrof), concluiu-os no grande seminário de Nancy e recebeu a ordenação sacerdotal em 1816.
Foi sucessivamente vigário em Fénétrange, 1816-1819; cura de Niderstinzel, 1819-1824; missionário diocesano, sob a direção do abade Rohrbacher, 1824-1826; cura em Glonville e em Cirey, 1826-1828. Após esses doze anos de um ministério muito variado e sempre muito carregado, foi nomeado professor de teologia moral no grande seminário de Nancy. Exerceu essa função durante vinte e cinco anos, salvo dois anos de interrupção na sequência da revolução de 1830. Em 1853, ocupou uma vaga de cônego titular na catedral de Nancy, e faleceu em 15 de maio de 1855.
Havia fundado, em 1838, uma obra que ainda subsiste em Nancy, para a preservação das jovens sem ocupação. Como ela acolhia na origem sobretudo empregadas domésticas de língua alemã, chama-se: a obra de Santa Maria das Alemãs.
Quando Berman começou a lecionar no seminário de Nancy, seguia-se ali como manual clássico a Teologia de Bailly, colocada desde então no Index por decreto de 7 de dezembro de 1852, porque estava fortemente impregnada de jansenismo. Ver col. 27. As opiniões morais do autor, ordinariamente muito severas, não agradavam muito ao novo professor; ele as retificava e lhes opunha as soluções de santo Afonso de Ligório.
Logo julgou mais sensato renunciar completamente a Bailly e ditou aos seus alunos definições, teses novas, aplicações práticas, que ao fim constituíram tratados completos. Depois redigiu esses tratados em forma metódica, e os fez autografar em quatro fascículos para os distribuir no seminário e fora dele. Enfim, aproveitou os lazeres de seus últimos anos para os mandar imprimir. Sete volumes apareceram quase simultaneamente, sob este título geral: Theologia ex S. Liguorio et aliis probatissimis auctoribus methodice digesta et seminariorum cursui accommodata.
Eis o detalhe: De actibus humanis, de legibus, de peccatis, Paris e Nancy, 1854; De Decalogo, 1854; De jure et contractibus, 1854; De censuris et irregularitatibus, 1854; De penitentia, 1854; De matrimonio, 1854; De sacrosancta eucharistia, 1855.
Esses tratados são escritos em um espírito prudente e firme, realmente inspirado em santo Afonso de Ligório e nos melhores autores probabilistas. Todavia, não foram por muito tempo clássicos, mesmo no seminário de Nancy, por duas razões. Primeiro, são muito longos. Sete volumes para um manual clássico de moral, não é demais? Em seguida, esses tratados são difusos, sobrecarregados em excesso de distinções, de divisões, subdivisões, questões subsidiárias, corolários, etc., a tal ponto que as ideias gerais estão afogadas no detalhe. O espírito de síntese falta ao autor.
Os tratados de Berman, o De penitentia em particular, poderão sempre ser consultados com proveito, mas foram muito ultrapassados pelos manuais clássicos que foram editados desde então. O grande mérito do professor de Nancy, a nosso ver, é o de ter sido um dos primeiros a reagir com energia e constância contra as doutrinas de um rigorismo exagerado que tinham curso em muitos seminários da França, durante o primeiro terço do século XIX. Poirine, Les vertus d’un saint prêtre ou vie de M. Berman, Nancy, 1876,
Autor original: A. Beugnet
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