BERYLLE, bispo de Bostra na Arábia Pétrea, foi, de 218 a 244 aproximadamente, a personalidade mais importante do país, seja por sua erudição, seja pela eminência de sua sede. Sabe-se muito pouco a seu respeito.
Segundo Eusébio, cujo texto não deixa de oferecer alguma dificuldade, H. E., vi, 33, P. G., t. xx, col. 594, e segundo São Jerônimo, De vir. ill., c. lx, P. L., t. xxiii, col. 669-671, Bérylle passou a contestar a preexistência pessoal do Filho de Deus antes da encarnação e, após a encarnação, reconheceu em Jesus Cristo, não uma divindade própria, mas somente a do Pai. Grande foi o desconcerto dos bispos da província. Após "número de inquéritos e de discussões", eles chamaram de Cesareia Orígenes e, no concílio árabe de 244, Orígenes conseguiu tirar Bérylle de seu erro.
Pelo fato de o concílio de 244 ter reconhecido solenemente ao Cristo uma alma humana, Sócrates, H. E., ii, 7, P. G., t. lxvii, col. 190, infere que Bérylle, de quem, aliás, faz um bispo de Filadélfia, havia igualmente negado essa verdade. Os historiadores modernos do dogma, conforme se apoiam no relato de Sócrates ou na imprecisão e incoerência das ideias cristológicas de Eusébio, classificam o bispo de Bostra, ora entre os monarquistas dinamistas, ora entre os patripassianos.
Do tempo de Eusébio, H. E., vi, 20, P. G., t. xx, col. 567, conservavam-se na biblioteca de Jerusalém as cartas e os opúsculos que Bérylle havia deixado. São Jerônimo, loc. cit., além disso, assegura-nos, mas sem indicar suas fontes, que Bérylle agradecia em suas cartas a Orígenes por sua feliz intervenção, e que se possuía ainda no século IV uma carta de Orígenes a Bérylle com a ata de sua discussão. Opúsculos e cartas, tudo pereceu.
Kober, Beryll von Bostra, em Tüb. Quartalschrift, 1848, fasc. 4; Ginoulhiac, Hist. du dogme catholique, Paris, 1852, t. ii, p. 228-229; Ullmann, De Beryllo, Hamburgo, 1855; Harnack, Geschichte der altchrist. Litteratur, Leipzig, 1893, part. i, p. 514; Id., Lehrb. der Dogmengeschichte, 3ª ed., Friburgo e Leipzig, 1894, t. i, p. 679-680; Batiffol, La littérature grecque, Paris, 1897, p. 138.
Autor original: P. Godet
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