BENTO DE ANIANE (SANTO)

BENTO DE ANIANE (SANTO)

16. BENTO DE ANIANE (Santo). — I. Vida. II. Obras.

I. Vida. — Bento Wittiza, cognominado de Aniane, filho do conde de Maguelone, nasceu em 751. Após ter sido criado na corte de Pepino, o Breve, e ligado ao serviço de Carlos Magno, abraçou a vida monástica em Saint-Seine (774), de onde foi para as margens do Aniane (por volta de 780) fundar um mosteiro, que logo se tornou um foco intenso de vida religiosa e intelectual. Ali fez reviver a regra de São Bento e as melhores tradições monásticas. Graças ao seu exemplo, à sua ação pessoal e à proteção de Luís, o Piedoso, essa reforma estendeu-se a um grande número de mosteiros, da Aquitânia primeiramente, depois de todo o império.

Tornando-se imperador, Luís atraiu Bento para perto de si para obter seus conselhos e encarregou-o da reforma de todos os mosteiros. O concílio de Aix-la-Chapelle, reunido para esse efeito (817), foi um grande capítulo geral, cujos cânones tendiam a unificar em todos os mosteiros do império a prática da regra beneditina. O mosteiro de Aniane foi um centro de estudos, provido de uma rica biblioteca.

Bento de Aniane foi um dos primeiros a descobrir e a combater o adotianismo. Contribuiu para fazê-lo condenar no concílio de Francfort. Carlos Magno enviou-o a Urgel com Leidrade de Lyon e Nébride de Narbonne para tentar reconduzir à verdade católica o bispo Félix, um dos doutores do adotianismo. Bento de Aniane morreu a 11 de fevereiro de 821, em Cornelimünster, mosteiro que o imperador lhe fizera construir. Sua vida foi escrita pelo seu discípulo e sucessor Ardo Esmaragdo (+ 843). Mabillon, Acta sanct. ord. S. Benedicti, sec. IV, part. I, Veneza, 1735, p. 184-215; Vie de saint Benoit d’Aniane, traduzida do latim com notas por M. Classan, Montpellier, 1876.

II. Obras. — 1º São Bento de Aniane, vendo a vida monástica abandonada na prática ao arbítrio de cada um, quis fixar a prática tradicional. Foi com esse objetivo que ele reuniu o texto das regras escritas e observadas até a sua época no Oriente e no Ocidente. Essa coletânea forma seu Codex regularum monasticarum et canonicarum, quas SS. Patres monachis, canonicis et virginibus sanctimonialibus servandas praescripserunt, editado por Holsten, in-4°, Roma, 1661; Paris, 1663; e reproduzido por Migne, P. L., t. CIII, col. 393-702.

2º Para aumentar aos olhos dos monges a autoridade da regra de São Bento e dar-lhe um comentário útil, ele aproximou de cada um dos capítulos dessa regra as passagens dessas diversas regras que apresentavam com ela uma analogia. Essa Concordia regularum é, pelo fato, um verdadeiro comentário da regra beneditina. Dom Hugues Ménard publicou-a, a partir do ms. de Fleury, que é do IX século, acrescentando-lhe notas preciosas, in-8°, Paris, 1638; Migne reeditou-a, P. L., t. CIII, col. 703-1380.

3º Duas cartas escritas pelo santo a Jorge, abade de Aniane, e a Nébride, arcebispo de Narbonne, Ibid., col. 1739-1382. Baluze publicou sob seu nome opusculose de uma autenticidade mais que duvidosa. Eles foram reproduzidos por Migne, P. L., t. CIII, col. 1381-1420. Sua vida por Esmaragdo é reproduzida P. L., t. CIII, col. 353-384. Histoire littéraire de la France, edit. Palmé, t. IV, p. 447-459; dom Ceillier, Histoire générale des auteurs ecclésiastiques, edit. Vives, t. XII, p. 257-262; Von Nicolai, Der h. Benedikt, Gründer von Aniane und Cornelimünster, Reformator des Benedictinerordens, in-8°, Colônia, 1865-1877; Foss, Benedikt von Aniane, in-4°, Berlim, 1884; Seebass, Ueber das Regelbuch Benedikts von Aniane, em Briegers Zeitschrift für Kirchengeschichte, 1895, t. XV, p. 244-260; Paulinier, S. Benoit d’Aniane et la fondation du monastére de ce nom, in-4°, Montpellier, 1874.

Autor original: J. Besse

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