BEATA DE CUENCA, A

BEATA DE CUENCA, A

BEATA DE CUENCA (ca), alcunha de Isabelle-Marie Herraiz, iluminada espanhola, que em Villardel-Aguila, em 1803, pretendeu que Jesus Cristo habitava em seu coração e que a majestade divina havia consagrado seu corpo. A santa Virgem e toda a corte celeste residiam também nela. Como ela era o santuário de Deus, declarava-se impecável e permitia-se liberdades com pessoas de outro sexo. Ela não precisava receber a absolvição e, quando comungava, dizia ver uma bela criança fundir-se em sua boca. Deus a dispensara dos preceitos eclesiásticos. Ela fez o papel de profetisa, anunciou a regeneração do mundo, uma nova pregação do Evangelho, um novo apostolado.

II. — Ela predisse também que morreria em Roma e que, três dias após sua morte, subiria ao céu na presença de uma multidão numerosa. Seus compatriotas acreditaram que era inspirada e seus devaneios causaram grande rumor em toda a região. Logo, o povo crédulo rendeu à inspirada honras religiosas: conduziram-na em procissão com círios acesos. Vários eclesiásticos compartilhavam a crença popular. O tribunal da inquisição de Cuenca convocou a beata ao seu tribunal. Ela sustentou seu papel e suas pretensas revelações. A inquisição condenou a visionária, impediu-a de continuar seus devaneios extravagantes e deteve a superstição popular. Dictionnaire des sciences ecclésiastiques, Paris, 1868, t. 1, p. 244. H. MANGENOT.

Autor original: E. Mangenot

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