BATISMO (SEGUNDO OS MONUMENTOS DA ANTIGUIDADE CRISTÃ)

BATISMO (SEGUNDO OS MONUMENTOS DA ANTIGUIDADE CRISTÃ)

IV. BATISMO SEGUNDO OS MONUMENTOS DA ANTIGUIDADE CRISTÃ. — I. Os monumentos. II. Seu valor teológico.

I. Os MONUMENTOS. — A ideia da ressurreição gloriosa domina a arte cristã primitiva. Para chegar a essa felicidade suprema, o batismo era necessário. Joa., 11, 5. Era, portanto, natural que este sacramento fosse representado nos antigos monumentos. As numerosas representações que eles reproduzem são de dois tipos: ou são reais ou mistas, ou simbólicas.

I. REPRESENTAÇÕES REAIS OU MISTAS. — 1° Há uma do final do século I na capela dos sacramentos A2: Moisés faz sair a água da rocha; ao lado, um pescador, sentado na borda do tanque no qual a água cai, retira um peixe com o anzol, e um homem verte água em abundância sobre um menino totalmente nu. De Rossi, Roma sotter., t. II, pl. XVI, 5; e melhor Wilpert, Malereien der Sakramentskapellen, p. 7, fig. 6.

Na capela A3, que é vizinha da precedente, as mesmas cenas são representadas, com a diferença que, no lugar do cristão comum, é Cristo quem é batizado por São João, símbolo de nosso próprio batismo; a cena do paralítico carregando seu leito ainda é adicionada. De Rossi, op. cit., pl. XV, 6; e melhor Wilpert, op. cit., p. 18, fig. 41.

Uma pintura mais antiga, do início do século II, existe na capela grega, na catacumba de Priscila: ela representa Moisés golpeando a rocha, o paralítico e, segundo o que ainda resta de pintura na abóbada quase completamente destruída, a administração do batismo. Wilpert, Fractio panis, édit. franç., Paris, 1896, p. 60 sq., pl. VI.

2° Após Constantino, as cenas reais do batismo tornam-se mais numerosas. As seguintes merecem uma atenção particular:

1. A pedra funerária de Aquileia (fig. 1), publicada, entre outros, por De Rossi, Bullett., 1876, pl. I, 2; Garrucci, Storia, 2e édit., p. 322, e mais exatamente por Wilpert, Die altchristl. Inschriften Aquileias, na Ephemeris Salonitana, 1894, fasc. IV, p. 39.

2. A colher de prata esmaltada, do século IV, encontrada também em Aquileia, em 1792. Garrucci, pl. 462, 8; Martigny, op. cit., p. 82; De Rossi, Bullett., édit. franç., 1868, p. 83, etc. Vê-se nela, de pé em um tanque, uma criança nua; a água desce sobre ela do bico de uma pomba; à direita e à esquerda estão diversos personagens.

3. Um fragmento de vidro ornamentado com figuras em baixo-relevo, encontrado em 1876 no monte chamado della Giustizia, em Roma, perto da estação atual. De Rossi, Bullett., 1876, pl. I, 4. No meio está uma jovem, de nome ALBA..; sobre sua cabeça apoia-se a mão de um personagem desaparecido devido a uma quebra do vidro. «De um vaso suspenso no ar por uma espécie de encarpo globoso, uma queda d’água cai em abundância sobre a cabeça da batizada e escorre por toda parte ao redor de sua pessoa.» À esquerda, vê-se a pomba carregando o ramo de oliveira. À direita, um homem nimbado, de nome Mirax, vestido com a túnica e o pálio, mostra com a mão esquerda a batizada a alguém que se aproxima vindo da direita. Segundo o Sr. De Rossi, loc. cit., p. 17, o batismo sendo realizado, a jovem sai do banho salutar, e o presbítero Mirax a entrega a seus pais.

4. Um sarcófago de Mas-d’Aire, Le Blant, Sarcophages chrét. de la Gaule, Paris, 1886, p. 98-99, pl. XXVI, 1; Pératé, Archéologie chrétienne, p. 323, mostra-nos, «com Lázaro ressuscitado e Daniel orando, de um lado Adão e Eva e o batismo de um adolescente, do outro uma jovem...»

5. Uma outra cena do batismo existia em uma pintura mais recente de Santa Pudenciana. Martigny, op. cit., p. 83, e alhures, segundo Ciampini, Vetera monimenta..., Roma, 1690-1699, t. I, p. 20, pl. VI, 4.

II. REPRESENTAÇÕES SIMBÓLICAS. — Os símbolos do batismo na arte cristã dividem-se em duas classes, conforme tenham ou não tenham protótipos bíblicos.

1° Protótipos bíblicos.

1. O dilúvio e a arca de Noé. — Segundo Corblet, Histoire du sacrement de baptême, t. II, p. 514, este símbolo significa a salvação proporcionada pelo batismo, enquanto a pomba e o oliveira indicam a paz comunicada pelo Espírito Santo neste sacramento. Devido à presença de certos detalhes, duvidamos que o artista tenha visado diretamente o batismo. É antes a Igreja que ele tinha em vista.

2. A passagem do Mar Vermelho. — Esta cena só se encontra nos sarcófagos (e nos mosaicos) posteriores ao ano 300; Garrucci publicou uma dúzia de representações. Cf. Le Blant, Étude sur les sarcophages d’Arles, Paris, 1878, n. 36, 42, 43, etc. Segundo o ensino dos Padres (ver mais acima), ela simboliza o batismo. Uma outra significação diretamente funerária, a saída da alma deste mundo, é mais frequentemente visada pelo artista, segundo Le Blant, op. cit., p. XXX, pelo menos nos monumentos funerários.

3. Moisés golpeando a rocha. — A significação geral desta cena muito antiga e muito frequente foi exposta, t. I, col. 2007-2008. A significação particular, como símbolo do batismo, é claramente expressa pelos artistas, por exemplo, na capela dos sacramentos A2, Wilpert, Malereien der Sakramentskapellen, p. 16, fig. 9, onde o pescador evangélico retira o peixe, símbolo do cristão, da própria água que sai diretamente da rocha (fig. 2). Sobre um sarcófago de Soissons, Le Blant, Sarcophages de la Gaule, p. 14, Moisés golpeando a rocha faz par com a cena real do batismo de Cristo.

4. O paralítico que carrega seu leito encontra-se desde o século II na capela grega, na capela dos sacramentos A3, etc. Os Padres falam sobretudo daquele que foi curado na piscina de Betesda, Joa., V, 1-16, na qual eles veem uma figura das águas salutares do batismo. Poder-se-ia talvez perguntar qual paralítico é representado nos monumentos; mas a dúvida cessa quando se vê aparecer, como sobre um sarcófago do Vaticano, hoje no Latrão, Garrucci, Storia, t. V, p. 28, pl. 314, 2. — O pescador retirando o peixe da água. Segundo Martigny, op. cit., p. 652, as águas ou os pórticos, onde jazem outros enfermos, «ou quando esta cena faz par com alguma outra composição batismal.»

5. O cego de nascença, cuja cura, segundo Corblet, op. cit., t. II, p. 515, simbolizaria a cura da cegueira espiritual pelo batismo. Este símbolo nos parece bem duvidoso. Ver SIMBOLISMO DA ARTE CRISTÃ.

6. O batismo de Cristo, segundo Nuovo bullett., 1897, t. III, p. 132; 1901, t. VII, p. 206-207; Wilpert, op. cit., p. 16, 17, etc. Os Padres gostam de aproximar o batismo de Cristo do batismo dos cristãos, seus discípulos. Os artistas cristãos estabelecem também essa aproximação por certos detalhes de composição não históricos e por cenas simbólicas justapostas.

Assim, na capela dos sacramentos A, na sequência do batismo de Jesus, veem-se cenas eucarísticas, ou então num sarcófago do século IV recentemente descoberto no fórum romano, onde a cena do batismo segue-se a uma pesca simbólica. Nuov. bullett., 1901, t. VII, p. 205-216, pl. VI.

Eis o tema ordinário: o Cristo, de pequena estatura e nu, está em parte mergulhado nas águas; são João, revestido da tunica exomis ou de um outro traje particular, está na margem do rio e procede ao batismo. Na pintura mais antiga, na cripta de Lucina, ele estende a mão a Jesus para ajudá-lo a sair da água. Noutros lugares, ele coloca a mão sobre a sua cabeça. Outras vezes a água desce do céu, ou escorre do bico da pomba mística planando acima de Jesus. No século V aparecem os anjos e o Jordão personificado; no século VI, o Pai eterno. J. Strzygowski, Iconographie der Taufe Christi, Munique, 1885; de Waal, Die Taufe Christi auf vorkonstantinischen Gemälden, em Römische Quartalschrift, 1896, t. X, p. 335-349.

2° Outras figuras simbólicas ou alegóricas.

1, O cervo. — É a imagem do catecúmeno que suspira pela regeneração. Ele tem esta significação quando se dessedenta nas águas do Jordão, por exemplo, no batistério da catacumba de São Ponciano, Garrucci, op. cit., t. I, p. 96-99, pl. 86-88; Perret, Les catacombes, t. III, pl. 52; ou quando se aproxima de um vaso de água, como num sarcófago de Ravena, Ciampini, op. cit., t. II, pl. 3; Corblet, op. cit., t. II, p. 517; Martigny, op. cit., p. 79, n. 7; Kraus, Real-Encyclopädie, t. II, p. 666; Paciaudi, De sacris christian. balneis, 2ª ed., Roma, 1758, p. 154. Este símbolo não aparece senão na última fase da arte cristã primitiva, em particular, nos batistérios. Cf. Kraus, Geschichte der christl. Kunst, t. I, p. 114-145.

2. A pesca. — Apoiando-se nas palavras de Jesus, Matth., IV, 19; XIII, 47, 48; Marc., I, 17; Luc., V, 10, os Padres concordam em ver no pescador «o apóstolo que converte, e especialmente Pedro, e em identificar o homem batizado com o peixe que é tirado da água». Clemente de Alexandria, Paedag., III, 11, P. G., t. VIII, col. 638, diz: «Se se vê representado um pescador, que nos recordemos do apóstolo e das crianças que são tiradas da água.» Cf. ibid., 12, col. 681. Da mesma forma Paulino de Nola, Epist., XX, ad Delph., 6, 7, P. L., t. LXI, col. 249, 250. Santo Ambrósio, Hexaem., V, 6, 7, P. L., t. XIV, col. 212, 218, exclama: «Não temas, ó bom peixe, o anzol de Pedro: ele não mata, ele consagra..., salta à superfície da água, ó homem, uma vez que és peixe: que as ondas deste século não te esmaguem mais...» É, portanto, sob a forma alegórica do pescador que se figura o sacerdote cristão administrando o batismo. Esta significação simbólica é indicada também pelos monumentos, onde a série das cenas não deixa qualquer dúvida sobre as intenções do artista, por exemplo, nas duas capelas dos sacramentos A e A em Domicila, sobre um fresco do século II, Bullett., 1865, p. 44, sobre o célebre sarcófago da Gayolle, do século III, Le Blant, op. cit., p. 157-160, pl. XIX, 1, e sobre um fragmento de sarcófago encontrado em São Valentim. Nuov. bullett., 1897, t. III, p. 103 sq., pl. IV.

— Quanto aos outros símbolos que citam Corblet, de Waal, etc., a sua significação parece-nos mais que duvidosa. Mais geralmente, estes símbolos explicam-se de outra forma, por exemplo, pelas necessidades da decoração. Kraus, Geschichte der christl. Kunst, t. I, p. 112. Notemos, enfim, que para julgar, com segurança, a significação destes símbolos, é preciso observar as regras indicadas alhures, t. I, col. 2004, 2005, e SYMBOLISME DE L’ART CHRETIEN.

II. VALOR TEOLÓGICO. — Estas representações reais ou figuradas do batismo dão lugar a importantes conclusões teológicas, que as inscrições vêm confirmar e corroborar.

1, NATUREZA DO BATISMO. — A ablução batismal é uma ação simbólica que, por uma virtude superior, produz um efeito sobrenatural na alma do batizado. Isso é indicado:

1° Pela origem da água de que se serve para a infusão. Nas duas capelas dos sacramentos A e A, e alhures, esta água sai da rocha mística, que é o Cristo, pela virtude ou pela potência sacerdotal do seu representante Moisés-Pedro, fundamento e chefe da sua Igreja; o pescador tira dela o peixe, símbolo do cristão batizado, e é nesta água que se administra o batismo (fig. 2). Esta conexão era certamente desejada pelo pintor destas duas capelas. — A mesma conclusão é fornecida pelas águas que descem do céu, como sobre a pedra de Aquileia (fig. 4), onde o céu é figurado pelo círculo preenchido de estrelas, ou pelas que saem do bico da pomba mística, como sobre a colher de Aquileia, e sobre um bom número de representações do batismo de Cristo, por exemplo, no batistério católico de Ravena, onde os raios partindo do bico da pomba têm a cor esverdeada da água. Crowe e Cavalcaselle, Histoire de la peinture italienne, ed. alemã de Jordan, 1869, t. I, p. 23. Sobre outros monumentos citados por de Rossi, é seguramente «da água que ela (a pomba) espalha sobre o Salvador e não de raios de luz como se supõe comumente. Sobre um baixo-relevo de Monza, do século VI, ela verte água por meio de um urceolus (galheta) que ela segura no seu bico.» De Rossi, Bullett., ed. franc., 1876, p. 15. A conclusão seria idêntica, se a pomba lançasse apenas raios, símbolo da graça, segundo o poeta Juvenco do século IV. P. L., t. XIX, col. 110 sq. Desta forma marca-se que a água do batismo não é uma água ordinária, mas um flumen coeleste, De Rossi, Inscript. christ., t. I, p. 185, 6; p. 247, 41, que tira do Espírito Santo e do céu a sua virtude geradora.

2° Pelo nimbo, que se encontra sobre alguns monumentos, por exemplo, a pedra de Aquileia (fig. 1). O nimbo simboliza «a autoridade divina em nome da qual o ministro do batismo pronuncia a fórmula e cumpre o rito da regeneração». Ele é reservado na arte cristã ao Cristo, aos anjos e, mais tarde, aos santos. De Rossi, Bullett., 1876, p. 14, encara, portanto, a personagem que dele é ornada como ministro do sacramento e, como tal, investido de uma potência sobrenatural e divina. Pois, qualquer que seja o ministro, é sempre o Cristo que batiza. Augustim, In Joa. evang. tract., VI, n. 7, P. L., t. XXXV, col. 1428.

3° Pelos efeitos que se atribuem a esta ablução e por certos símbolos que se empregam. Ao escolher o do paralítico, os artistas mostram o caráter augusto e miraculoso que reconhecem à ação do batismo.

Da mesma forma que o anjo descia à piscina para comunicar à água a virtude de curar, da mesma forma «o Espírito Santo penetra na água do batismo e lhe dá a virtude de curar o neófito de sua doença espiritual, o pecado», — 4º Pela justaposição das cenas do batismo a outras cenas representando real ou simbolicamente a eucaristia, como na cripta de Lucina, na capela grega, etc.

II. MODO DE COLLATION. — Durante os primeiros séculos, o batismo era administrado de duas formas, por imersão e por infusão. A primeira maneira era de uso mais difundido, provavelmente porque simbolizava mais sensivelmente a morte e a ressurreição do batizado com Cristo. Contudo, a infusão, cuja validade foi objeto de graves e ardentes discussões, também era empregada. Ver mais acima.

A imersão completa não está representada em sua realidade em lugar nenhum, se não em uma miniatura, de data posterior, de um pontifical da biblioteca Casanate, em Roma. D’Agincourt, Histoire de l'art par les monuments, Paris, 1823, t. v, pl. 39.

Mas faz-se provavelmente alusão a ela seja nas diferentes cenas da pesca, onde o peixe simbólico é retirado da água, seja na mão do batizador colocada sobre a cabeça do batizado, o que, segundo a interpretação comum, significa a imersão à qual o ministro vai proceder e não a imposição das mãos, que só ocorria no momento em que o batizado saía da água. Strzygowski, op. cit., p. 8.

— A simples infusão, pelo contrário, e a infusão com imersão parcial encontram-se frequentemente, por exemplo, nas capelas dos sacramentos A2 e A3, sobre o vidro de Roma e o mármore de Aquileia (fig. 1). Alguns, por exemplo, Kraus, Real-Encyclopädie, t. ii, p. 828, objetaram que as regras da arte se opõem à representação de uma imersão completa e que as representações de imersão parcial devem ser interpretadas como reproduzindo a imersão total. Mas a intenção do artista é evidente: quer represente o batismo de Cristo ou o de um fiel, ele quis indicar a infusão, quando faz a água descer seja do céu, seja do bico da pomba, seja de um vaso suspenso e invertido, ou bem quando a faz verter pelo ministro que segura a taça em sua mão. Semelhante cerimônia era totalmente inútil após uma imersão completa.

Outras provas podem ainda ser trazidas em favor da infusão. Segundo De Rossi, Bullett., édit. franç., 1881, p. 136 sq., um urceolus em terracota, encontrado em Cartago em 1880 e proveniente de um antigo batistério, teria servido para verter a água sobre a cabeça do neófito. Supõe-se que a taça em bronze do museu Kircher tinha o mesmo uso. Garrucci, op. cit., t. vi, p. 89, pl. 461, 1-3; de Rossi, Bullett., 1864, p. 58; 1867, p. 88. A água escorria de cima em certos batistérios, por exemplo, naquele de Milão descrito por Enódio. Epigr., ii, 149, édit. Sirmond, Veneza, t. i, p. 1145.

Esses monumentos, é verdade, estão fora da época que nos ocupa (o urceolus, por exemplo, é do fim do século V); mas as pequenas dimensões das pias desenhadas sobre os dois monumentos de Aquileia e sobre a pintura de Santa Pudenciana excluem por si mesmas a imersão completa. Quanto aos antigos batistérios visíveis ainda hoje nas catacumbas de Santa Felicidade, Marucchi, Éléments, t. ii, p. 804, e de Priscila, Nuov. bullett., 1901, t. vii, p. 73, e sobretudo na basílica de Santo Estêvão, sobre a via Latina, sua disposição e sua pouca profundidade parecem pouco favorecer a hipótese de uma imersão completa.

Sem recorrer a uma analogia com as taurobólias e as criobólias, onde não pode haver questão de imersão, podemos portanto dizer que os monumentos provam mais em favor da infusão ou da infusão unida à imersão parcial do que em favor da imersão total e mostram, ao menos de certa forma, «a importância dada à infusão da água em um tempo onde muitos se imaginam que se batizava somente por imersão; ponto muito importante na controvérsia com os gregos modernos.» De Rossi, Roma sotter., t. ii, p. 334.

— Na infusão, é preciso que a água escorra sobre uma parte essencial do corpo, de preferência sobre a cabeça, a pars in qua vigent omnes sensus et manifestantur opera animae. S. Thomas, Sum. theol., IIIa, q. lxvi, a. 7. Os monumentos justificam essa prescrição. O batizado não está apenas por vezes de pé na água que escorre, mas a infusão sobre a cabeça é frequentemente tal que todo o corpo, despido de vestes, é inundado por ela (fig. 1). Na capela dos sacramentos A2, a criança está de pé na água que acaba de passar em grande abundância sobre sua cabeça. Em tudo isso temos verdadeiramente a ablução de que fala a inscrição de dois esposos sobre um sarcófago de Tolentino: ... quos Probianus sacerdos LAVIT et unxit, De Rossi, Bullett., édit. franç., 1869, p. 23, e que mencionam outras inscrições pelos termos: unda, amnis, flumen, fluentum, lavacrum, liquor, etc.

III. O MINISTRO. — É o sacerdote, bispo ou simples sacerdote, por vezes o diácono. O sacerdote é ministro do batismo nos monumentos. Na mais antiga representação do sujeito da capela a2, o ministro traz o traje dos sacerdotes de então, a túnica e o pálio, sendo que os simples fiéis não tinham ordinariamente senão a túnica. Röm. Quartalschrift, 1896, t. x, p. 344; Wilpert, Mal. der Sakramentskapellen, p. 17, 19, 23.

O mesmo ocorre sobre duas outras cenas batismais, mencionadas por Wilpert, loc. cit., p. 19, e Röm. Quartalschrift, 1900, t. x, p. 330, sobre o mármore de Aquileia (fig. 1), o sarcófago de Mas-d'Aire (a pintura de Santa Pudenciana) e, se adotarmos o sentimento do Sr. De Rossi, sobre o vidro do monte della Giustizia. Na personagem nimbada da pedra de Aquileia, Wilpert, Ephemeris Salonitana, loc. cit., p. 40, vê Cristo; mas o nome de Mirax dado à personagem nimbada sobre o vidro de Roma (e a pintura de Santa Pudenciana) exclui essa interpretação. Segundo o Sr. De Rossi, esta personagem é o ministro, enquanto a outra personagem vestida diferentemente seria o padrinho. Esta primeira prova não tem, portanto, uma certeza absoluta.

Ocorre o contrário com o sarcófago de Tolentino, anteriormente mencionado: a intervenção do sacerdos Christi como ministro do batismo está aí claramente expressa. Uma inscrição de Priscila, hoje no Latrão (ix, n. 39), publicada, entre outros, por Marini, Atti e monum. de’ frat. Arvali, t. i, p. 171, e Perret, Les catacombes, t. v, pl. 15, 9, diz que se recorre à Igreja para fazer batizar uma criança prestes a morrer: D. M. S.

|| Florentius filio suo Aproniano || fecit titulwm bene merenti quixit (= qui viait) || annum et menses nove[m|] dies quin || que cum soldu (= solide) amatus fuisset a maiore (= avia) sua et vidit || hune morli const- [tu]twm esse petivit de aeclesia ut || fidelis de seculo recessisset (= recederet).

Os padrinhos e madrinhas, dos quais já fala Tertuliano, De bapt., 18, P. L., t. 1, col. 1221, devem ajudar o ministro e os batizados, tal como indicam os nomes de sponsores, fideijussores, susceptores ou d&va- doyxo:, etc., que lhes eram dados. Sua presença nos monumentos foi assinalada acima.

IV. O SUJEITO. — 1° As crianças. — O pedobatismo ou batismo das crianças, que a Igreja prescreve, é rejeitado por certas seitas religiosas. Os monumentos parecem-lhe favoráveis. O pequeno tamanho do batizado em vários dos monumentos mencionados o prova; pois não é possível explicá-lo unicamente como representação plástica, dizendo que os neófitos, mesmo adultos, recebiam após o batismo a denominação de infantes ou pueri no sentido espiritual. S. Zenão de Verona, 1. 1, tr. XXXVIII, P. L., t. x1, col. 483.

As inscrições são formais quanto ao pedobatismo. Sobre um mármore, Wilpert, Ephem. Salon., p. 49, a pequena PROCLINA tem apenas seis anos; alhures, ibid., p. 53, a criança ASCLEPIADOTE tem apenas um ano, éyiautov; alhures (museu de Latrão, 1x, n. 39), o batizado tem apenas dois anos, etc., etc. Essas inscrições falam não apenas de neófitos mortos pouco após seu batismo; falam ainda de outras crianças chamadas simplesmente fideles (= batizados), e nada indica que o batismo lhes tenha sido conferido in periculo mortis. O abade Corblet, op. cit., t. 1, p. 384, observa que, na prática, «uma grande liberdade reinou a este respeito antes que os cânones da Igreja tivessem regulado este ponto de disciplina... Em perigo de morte, batizavam-se sempre os recém-nascidos; nos outros casos, os ministros nunca recusavam conferir os sacramentos às crianças, não importa a que idade... Em geral, mal se batizavam as crianças que tivessem de um a quatro anos, e frequentemente mesmo mais tarde. As inscrições confirmam esses dados» (?).

2° O batismo dos adultos nunca apresentou dificuldades. Um número considerável de epitáfios menciona neófitos de 20, 30, 40, 50 anos, e além. Segundo a inscrição de seu sarcófago, De Rossi, Inscr. christ., t. 1, p. 80, o célebre Júnio Basso morre, em 3859, neófito, neofitus iit ad Dewm, após ter vivido annis XLV, men[sibus] um. Seguindo um hábito bastante difundido na Igreja, vários só recebiam o batismo em uma idade avançada, algumas vezes em um estado de enfermidade extrema. Chamavam-nos clinici (xdtvy), deitados. Esse costume abusivo da procrastinatio, sempre reprovado pela Igreja, explicaria um certo número de inscrições de neófitos mortos pouco tempo após seu batismo. Ver Fabretti, Inscript. antiq... explicatio, Roma, 1699, p. 563, n. 39, p. 577, n. 70; Renier, Inscr. de Algérie, Paris, 1885, n. 4041.

Certos mármores mencionam o catecumenato. Uma inscrição romana, De Rossi, Bullett., édit. frang., 1883, p. 86, diz: KIT€ BIKTOP KATHXOYMENOC || AITON €IKOCI TIAPOENOC || AOYAOC TOv KY PlOv €lHCOu De = (hic) jacet Victor catechwmenus annorum viginti, virgo, servus domini Jesu Christi. O título de servus Christi, que recebe Vítor, era geralmente reservado aos verdadeiros fiéis: é o que faz supor ao Sr. Marucchi, Di wna pregevole ed inedita iscrizione cristiana, Roma, 1883, p. 6, que Vítor foi do número daqueles que uma inscrição de Milão chama competentes in Christo, «que, preparados para o batismo pela instrução e pela prática da virtude, esperavam de um momento a outro a celebração do santo rito.»

Quanto às disposições requeridas nos adultos para a recepção do batismo, os monumentos são mudos, à exceção da inscrição seguinte (de um batistério) que fala da fé, De Rossi, Inser. christ., t. u, p. 240, 4: Crede prius veniens, Christi te fonte renasci || Sic poleris mundus regna videre Dei || Tinctus i hoe sacro mortem non sentiet unquan || Senper eninr vivit quenr senel unda lavit.

V. OS EFEITOS. — O batismo não é uma simples cerimônia, mas um rito que produz efeitos sobrenaturais. Os monumentos, tanto epigráficos quanto artísticos, o provam.

1° A infusão da água produz na alma a infusão da graça do Espírito Santo, em particular da graça santificante. A pomba mística sobre a pedra de Aquileia (fig. 4) e o vidro de Roma, etc., expressa bem esta ideia. Por causa disso, o batismo é chamado xnyy d&u6eotoc Qesnectwy vodtwv (fons immortalis aquarum [gratia] divinitus manantium), na inscrição de Autun, Wilpert, Fractio panis, édit. franc., p. 62; yxers tod Geo, em um epitáfio publicado (após Marini, Atti e mon. de’ frat. Arvali, xx), por De Rossi, Bullett., édit. franc., 1869, p. 27: ZWCIMOC KAI €YNEIKH TO@ IAEIO TEKN® EYNEIKG) KAA@C HEIOMENG® THN XAPIN TOY O€OY...; gratia, em várias inscrições das catacumbas que mencionam um Marcianus... qui gratiam accepit d[omini] n[ostri]... (no ano 268 ou 279); um Postumius Euthenion fidelis qui GRATIAM SANCTAM consecutus est. De Rossi, Bullett., 1869, p. 27, etc. Outra é ainda mais expressiva; ela traz: Qui accepit SANCTUM SPIRITUM. De Rossi, Bullett., 1892, p. 41.

Muito frequentemente a palavra gratia é omitida nas inscrições, e as expressões técnicas accipere, percipere, consequi (sine addito), assim como os substantivos acceptio, perceptio, etc. (cf. Tertuliano, De bapt., 18, P. L., t. 1, col. 1222), designam a recepção do batismo, De Rossi, loc. cit., p. 26-29; Nuovo bullett., 1900, t. v1, p. 73; Le Blant, Inscript. chrét., t. 1, p. 145, etc., como indicavam entre os pagãos a recepção do taurobolium ou criobolium, rito análogo ao batismo, do qual era talvez uma imitação. Tertuliano, De bapt., 5, P. L., t. 1, col. 1204, 1205; Corblet, op. cit., t. I, p. 66.

A graça esclarece, ilumina e fortifica a alma. Uma inscrição citada por Muratori, Nov. thes. inscript., 1819, dá: Aqui repousa Achillia NEO- PWTICTOC...; essa iluminação não é o ensinamento que precede o batismo, já que a criança viveu apenas um ano e três meses. No batistério de Priscila, sobre a via Salaria, lia-se, Nuov. bullett., 1901, t. vu, p. 82, e M. Thm, Danrasi epigrammata, Leipzig, 1895, p. 76: Sumite perpetuam sancto de gurgite vitam | Cursus hic est fidei, mors ubi sola perit || Roporar hic animos divino fonte lavacrum || Et dunt menbra madent, mens SOLIDATUR aquis.

Uma inscrição do batistério de Tipasa, na África, diz: Si quis ut vivat querit addiscere semper || Hic lavetur aqua et videat C#&LESTIA DONA. Mélanges d’hist. et darch., 1894, p. 290 sq.

2° Não podendo o pecado existir com a graça santificante, o batismo dá a sua remissão. Em diversas representações do batismo, como na capela grega, na capela dos sacramentos A, etc., nota-se a cena do paralítico curado que carrega o seu leito. Quer se trate do paralítico de Cafarnaum, Mt 9, 1-8, a quem esta remissão é concedida diretamente, ou daquele de Betsaida, a cura da paralisia simboliza a cura espiritual produzida pelo batismo, em razão do vínculo estreito que une esta cena às outras cenas batismais justapostas. Wilpert, Principienfragen der christ. Arch., 1889, p. 34.

Moisés ferindo a rocha simboliza o mesmo efeito do batismo, o qual é indicado de maneira bem palpável «quando esta cena se encontra em frente à queda do primeiro homem», como no sarcófago de Mas-d’Aire, ou sobre um arcossólio da catacumba dos Santos Pedro e Marcelino. Armellini, Antichi cimiteri, Roma, 1893, p. 337-338.

As inscrições confirmam a crença em um baptisma in remissionem peccatorum. São Dâmaso (?), falando dos mártires gregos enterrados em São Calisto, diz: post hunc (= Hippolytum), Adrias sacro mundatus in amne. De Rossi, Inscr. christ., t. 1, p. 67, n. 26.

Uma inscrição do século V, de um batistério desconhecido, hoje no Latrão, traz: Corporis et cordis maculas vitale [lavacrum] purgat et omne simul abluit und[a malum]. De Rossi, op. cit., p. 147, n. 10, 10 a.

— A remissão do pecado tem por consequência a pureza da alma, simbolizada pelas vestes brancas, Ap 1, 18, que os neófitos usam até o domingo in albis e que são algumas vezes mencionadas nas inscrições, pelas expressões in albis decessit, albas suas ad sepulcrum deposuit, etc. De Rossi, Bullett., édit. franç., 1869, p. 26; 1876, p. 19; Le Blant, Inscr. chrét., t. 1, p. 478.

3° O batismo confere uma vida nova, um segundo nascimento: o batizado morre para o velho homem e renasce para uma vida nova, sobrenatural. É o que é indicado no rito da submersão e da emersão. Daí, nos monumentos, essa nudez absoluta de que falam também os escritores eclesiásticos, nudez própria a fazer sobressair o despojamento do velho homem.

A cena tão antiga do pescador que retira o peixe da água da rocha mística (fig. 2) não é senão a «tradução gráfica» da célebre palavra de Tertuliano, De bapt., 1: Nos pisciculi secundum IXOYN nostrum Jesum Christum in aqua nascimur nec aliter quam in aqua permanendo salvi sumus. É o grande peixe, IXOYC ZWNTWN, como o chama uma inscrição do II século, no museu Kircher, Wilpert, Principienfragen, pl. 1, n. 3, que, na água batismal, comunica esta vida ao «consagrar nela os peixes», como diz Severiano de Gabala (+ por volta de 408). A inscrição de Autun chama os cristãos de «raça celeste do divino peixe», IXOYOC OYPANIY OEOY TENOC, e ela coloca esta filiação em relação com o batismo.

Segundo Santo Agostinho, Confess., l. VI, c. 11, n. 4, P. L., t. XXXII, col. 750, e diversas inscrições, Le Blant, op. cit., t. 1, p. 476; De Rossi, Inscr. christ., t. 1, p. 43 (a última data do ano 338), os novos batizados eram chamados pueri, infantes, qualquer que fosse a sua idade, porque tinham acabado de nascer para a vida da graça. Deve-se ver uma aplicação desta alegoria no batismo de Cristo, quando ele «é figurado de uma estatura infantil, apesar do texto positivo de São Lucas, III, 23»? Le Blant, Sarc. d’Arles, p. 27.

— Por este nascimento novo, o batizado torna-se ainda o filho adotivo de Deus. Numerosas inscrições chamam os novos batizados de neófitos, isto é, novas plantas, ou novos plantios em Jesus e seu Espírito Santo. Cf. Rom., XI, 17. Um mármore funerário de Santa Ciríaca, hoje no museu do Latrão, VIII, 4, reproduzido por Marucchi, op. cit., t. 1, p. 183, traz: NUNQUAM IN XK DEO INNOFITO (sic = neofito) || BENE MERENTI QUI VIXIT || AN. XXVI, M. V, D. III, DEC. (decessit) I NON. AUG.

4° O batismo imprime na alma um selo, que é nomeado alegoricamente, signum, sigillum, signaculum Christi, Trinitatis, fidei, porque imprime «a marca do soberano domínio que o Senhor toma sobre a nossa alma e que é o caráter que distingue os soldados de Cristo». Este sigillum é mencionado na célebre inscrição de Abércio, certamente anterior ao ano 216. Ver t. 1, col. 62. Falando de Roma, este bispo diz: πίστιν δὲ πάντη προαγοῦσαν ἐπέστησε καὶ παρέθηκεν τροφὴν πάντη ἰχθὺν ἀπὸ πηγῆς πανμεγέθη καθαρόν, ὃν ἐδράξατο παρθένος ἁγνή, καὶ τοῦτον ἐπέδωκε φίλοις ἔσθειν διηνεκές, οἶνον χρηστὸν ἔχουσα κέρασμα διδοῦσα μετ’ ἄρτου. G. de Sanc-lis, Die Grabschrift des Aberkios, em Zeitschrift für kath. Theologie, 1897, t. XXI, p. 678 sq. O sigillum é ainda considerado como um efeito da confirmação, que era conferida ao mesmo tempo que o batismo. Ver EPIGRAPHIE CHRÉTIENNE.

5° Pelo batismo, entra-se na Igreja. De pagão e de infiel, torna-se christianus e fidelis. Sobre a diferença entre estas duas denominações, ver S. Agostinho, In Joa., tr. XLIV, 2, P. L., t. XXXV, col. 1714. Esta verdade é atestada por uma inscrição de Catânia, hoje no Louvre. De Rossi, Bullett., édit. franç., 1868, pl. VI, 4, p. 74. Ela é anterior à morte de Constantino e traz: NILA FLORENTINA... que pridie nonas martias ante lucem PAGANA nata... mense octavo decimo et vicesima secunda die completis FIDELIS facta... supervixit horis quattuor...

Este título de fidelis é mencionado em numerosas inscrições. O pajem Alexamenos reivindica-o: para toda resposta ao insulto feito à sua fé por meio do crucifixo blasfemo traçado em um aposento do Palatino, ver t. 1, col. 2014, ele assina no aposento vizinho: Alexamenos fidelis. Orgulhava-se de ser cristão e de descender de pais cristãos, πιστοὶ ἐκ πιστῶν, etc., Perret, op. cit., t. V, pl. 21, n. 34, como se dizia consul ex consulibus.

— Cristão e fiel, o batizado é recebido como membro da comunidade dos irmãos, da Ecclesia fratrum, como a chama uma inscrição da África, anterior a Constantino, Renier, op. cit., n. 4025; De Rossi, Bullett., 1864, p. 27; ele pode dizer com aquele que a fez gravar: Salvete FRATRES puro corde et simplici||Euelpius vos [salutat] NATOS SANCTO SPIRITU.

— O batizado é admitido a receber os outros sacramentos da Igreja, em particular, a confirmação, a eucaristia. Estes dois sacramentos pressupõem o batismo. Não ousamos afirmar que a expressão desta verdade seja formal nos monumentos.

Mas a série das pinturas corresponde de fato à sucessão lógica das ideias representadas nos ciclos da capela grega, das capelas dos sacramentos, na inscrição de Autun, etc.

6° Enfim, o batismo confere um direito ao céu; quem quer que morra imediatamente após tê-lo recebido é bem-aventurado. Desde o segundo século, a arte cristã apresenta como paralelo a uma cena real ou simbólica do batismo (com ou sem a eucaristia) a ressurreição de Lázaro, figura da nossa própria ressurreição, ou então uma representação simbólica do céu e das suas alegrias, por exemplo, na capela dos sacramentos, na cripta delle peccorelle, nos sarcófagos da Gayolle, de Mas-d’Aire e no de Junius Bassus, etc. A mesma ideia é expressa pela presença do pavão nos batistérios. O texto e o desenho do mármore de Aquileia dizem que a batizada foi escolhida pelo Senhor, quem elegit Dominus, e que ela entrou na estância dos bem-aventurados, simbolizada pelas árvores e pelas ovelhas que se encontram sobre a pedra original. A ovelha do meio volta-se para a criança e a simboliza, segundo Wilpert, loc. cit., p. 40, gozando já da felicidade eterna (fig. 4).

Uma inscrição do cemitério de Ponciano, hoje na capela Borgia, em Velletri, traz, após o símbolo do peixe, estas palavras: Marcianus enonfitus (sic = neofitus) recess ( = recessit) cel tibi pal ten{t]. bisbes (= vives) in pace. Perret, op. cit., t. v, pl. 35, n. 105. A de Junius Bassus diz: neo/fitus ait ad Dewm. Poder-se-iam citar várias outras, por exemplo, a da Gayolle, publicada por Le Blant, Sarc. de la Gaule, p. 159, etc.

Terminemos com uma inscrição tão bela quanto importante para o simbolismo relativo ao batismo, De Rossi, Inscr. christ., t. I, p. 424; Grisar, Analecta romana, Roma, 1899, t. 1, p. 106, os versos de Sisto III (432-440), em São João de Latrão, que ainda se podem ler ali: Gens sacranda polis hic semine nascitur almo, Quam fecundatis spiritus edit aquis. Mergere peccator, sacro purgande fluento, Quem veterem accipiet, proferet unda novum. Nulla renascentum est distantia, quos facit unum Unus fons, unus spiritus, una fides. Virgineo fetu genetrix ecclesia natos Quos spirante Deo concipit, amne parit. Insons esse volens fisto mundare lavacro, Seu patrio premeris crimine, seu proprio. Fons hic est vitae qui totum diluit orbem, Sumens de Christi vulnere principium. Celorum regnum sperate hoc fonte renati, Non recipit felix vita semel genitos. Nec numerus quenquam scelerum nec forma suorum Terreat, hoc natus flumine sanctus erit.

VI. NECESSIDADE DO BATISMO. — O batismo é um: Unis fons..., diz a inscrição que precede. Uma outra colocada em um batistério e atribuída a São Dâmaso (?), De Rossi, Inscr. christ., t. II, p. 147, 10a; Ihm, op. cit., p. 9, traz: Una Petri sedes, UNUM VERUMQUE lavacrum; vincula nulla tenent (quem liquor iste lavat).

A Escritura e a tradição ensinam que o batismo é absolutamente necessário para a salvação. Os fiéis dos primeiros séculos não pensavam de outro modo. Tal é a convicção da avó que, vendo morrer o pequeno Apronianus, recorre à Igreja para lhe proporcionar a graça do batismo. Ver acima. O mesmo motivo levou outros pais a batizar os seus filhos em uma idade pouco avançada, alguns dias antes da sua morte, tal como mostram as numerosas inscrições de neófitos.

A arte cristã expressa ela também esta necessidade do batismo. Indica primeiro os seus efeitos, que são condições indispensáveis para a salvação. Depois, se é preciso acreditar em Monsenhor Wilpert, Fractio panis, p. 6, ela representa desde a mais alta antiguidade o batismo que Jesus recebeu, “a fim de nos mostrar a sua necessidade absoluta” (?).

Finalmente, a arte cristã dá ao batismo o primeiro lugar nos grandes ciclos das catacumbas: esta disposição das cenas não é fortuita; ela responde à importância atribuída ao batismo na religião de Cristo. Ele forma o ponto de partida da vida cristã que deve culminar no porto da eternidade, tal como indica o fragmento de sarcófago de São Valentim. Marucchi, Bullett. archeol. com. di Roma, 1897, pl. 1; Nuovo bullett., 1901, p. 40 s.

Obras mais importantes: P. Graniello, Il battesimo per immersione-infusione, rappresentato sul palliotto di san Ambrogio, em Giornale Arcadico, Roma, 1864, t. XXXVII; De Rossi, Bullett. di archeol. crist., edit. franc., 1876, p. 1-22, 68-70; edit. ital., p. 7-15, 54-57; Kraus, Real-Encyclopädie der christl. Altertümer, Friburgo em Brisgóvia, 1882, 1886, art. Taufe, Neophyt; Martigny, Dictionnaire des antiquités chrétiennes, 2ª ed., Paris, 1877, art. Baptême, Fidèles, etc.; Corblet, Histoire dogmatique, liturgique et archéologique du sacrement de baptême, Paris, 1882, t. 1, p. 518-578; as coleções epigráficas de De Rossi e Le Blant; Diction. d’archéol., t. II, col. 346.

Autor original: R.-S. Bour

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