BASÍLIO (SANTO) — VIDA, ESCRITOS, DOUTRINA

BASÍLIO (SANTO) — VIDA, ESCRITOS, DOUTRINA

4. BASÍLIO (São). Estudaremos separadamente: I. Sua vida, seus escritos, sua doutrina. I. Sua regra. I. BASÍLIO (São). — I. Vida. II. Escritos. II. Doutrina.

I. Vida. — Basílio nasceu em Cesareia da Capadócia, em 329. Sua família era originária do Ponto. Durante a perseguição de Diocleciano, seu avô e sua avó paternos tinham vivido como fugitivos nas florestas desta província durante sete anos. Seu pai, chamado também Basílio, foi advogado e professor de retórica em Cesareia, e teve de Emélia dez filhos, dos quais quatro são particularmente célebres: o mais velho dos filhos, que é o nosso Basílio, Gregório, futuro bispo de Nissa, Pedro, futuro bispo de Sebaste, e a virgem Macrina.

Basílio estudou em Cesareia a retórica e a filosofia. Passou depois para as escolas de Constantinopla. Foi finalmente a Atenas, para lá completar e aperfeiçoar sua educação. Nesta cidade, estreitou com Gregório de Nazianzo uma amizade que deveria durar toda a vida deles. Lá conheceu outro estudante, o futuro imperador Juliano. Basílio deixou Atenas por volta dos vinte e seis anos, em 355.

Retornado à Capadócia, professou durante algum tempo a retórica em Cesareia. Foi então que, cedendo aos conselhos de sua irmã Macrina, que vivia como asceta com sua mãe tornada viúva e algumas companheiras num domínio familiar do Ponto, resolveu consagrar-se a Deus. Não mais que seu amigo Gregório, ele não estava ainda batizado. Recebeu o batismo das mãos de Dianio, bispo de Cesareia. Seus pensamentos voltaram-se então para a vida monástica. Dando o exemplo com o preceito, Basílio, durante este período de sua vida, despojou-se pouco a pouco de seus bens, que foram distribuídos aos pobres. Basílio pertencia já ao clero, tendo recebido do bispo Dianio, pouco após seu batismo, o grau de leitor.

Após a morte de Dianio, os bispos reunidos em Cesareia, cedendo à pressão popular, elegeram em 362 para sucedê-lo o leigo Eusébio. Este, desejoso de anexar à sua Igreja, neste momento sobretudo em que grassava a perseguição de Juliano, um homem do valor de Basílio, apressou-se a ordená-lo presbítero. Mas desentendimentos surgiram logo entre o bispo e seu novo colaborador, cuja influência parece ter excitado sua inveja. Basílio deixou Cesareia e retomou sua solidão do Ponto.

Contudo, a ortodoxia estava de novo em perigo, não mais pela perseguição de Juliano, mas pelo favor que o imperador Valente dedicava ao arianismo. Precisamente uma viagem de Valente a Cesareia estava anunciada. Gregório de Nazianzo reconciliou o bispo e seu presbítero, e, no decorrer de 365, Basílio retornou a Cesareia. Durante cinco anos, ele foi o auxiliar devotado de Eusébio. Foi então que compôs sua segunda coleção de Regras monásticas. Contribuiu eficazmente para a reforma da liturgia. Suas homilias sobre o Hexaemeron, sobre os Salmos, muitos de seus discursos são desta época. Seu livro Contra Eunômio pertence também ao tempo de seu presbiterado.

Durante uma fome que afligiu a Capadócia em 367 ou 368, Basílio, a quem a sucessão de sua mãe acabava de enriquecer de novo, vendeu ainda uma vez seus bens, provocou subscrições, abriu cantinas populares e socorreu os famintos. Apesar de uma oposição bastante viva, Basílio foi chamado em 370, após a morte do bispo Eusébio, a substituí-lo nesta grande sede de Cesareia, que não era somente a metrópole eclesiástica da Capadócia, mas cuja jurisdição parece ter se estendido sobre cinquenta sufragâneos, repartidos em onze províncias.

Um ano mais tarde, o protetor declarado dos arianos, o imperador Valente, dirigiu-se de novo para Cesareia. Conhece-se a célebre resposta de Basílio ao prefeito da Capadócia, que, fracassando em seus esforços para levá-lo a dobrar-se aos caprichos religiosos de seu senhor, admirava-se da liberdade de sua linguagem: "É que talvez nunca tenhas encontrado um bispo." Vis-à-vis de Valente, Basílio mostrou a mesma firmeza, sem esquecer as deferências devidas ao príncipe. Atingido por respeito, o imperador, que naquele mesmo momento perseguia cruelmente as Igrejas orientais, não ousou empreender nada contra a de Cesareia.

Mas outros cuidados oprimiam Basílio. A Capadócia tinha sido, em 371, dividida em duas províncias. Basílio tentou em vão fazer revogar esta medida, que humilhava e arruinava os habitantes de Cesareia. Antimo, bispo de Tiana, tornada a capital da Segunda Capadócia, pretendeu então substituir-se a Basílio como metropolita de todo o território destacado da antiga província. Basílio, atento a defender os direitos de sua Igreja, acreditou assegurar-se um útil auxiliar ao nomear seu amigo Gregório bispo de Sásima, povoado que comandava as estradas por onde eram trazidos os tributos devidos à sé de Cesareia. Houve, nesta ocasião, um penoso desentendimento entre os dois amigos. Gregório não se resignou senão com dificuldade a receber a consagração episcopal, protestou contra a coação moral que sofria e protelou o momento de tomar posse de seu bispado, do qual Antimo teve tempo de se apoderar. Uma transação acabou por intervir entre este e Basílio: não se conhecem os detalhes, mas é provável que o bispo de Cesareia tenha cedido ao usurpador todo ou parte de seus direitos sobre o que se tinha tornado a Segunda Capadócia.

Mutilada ou não, a província eclesiástica confiada aos cuidados de Basílio teve nele um administrador de primeira ordem. Sob sua mão firme, que corrigia os escândalos e mesmo as bizarrias, os presbíteros e os monges tornaram-se modelos de regularidade. Abusos, dos quais se tinham tornado culpados certos corepíscopos, foram reprimidos. Basílio não se mostrou menos atento a fazer prevalecer frente ao poder civil as imunidades eclesiásticas. Reclamou para o clero secular e regular a isenção de impostos, e para si mesmo a jurisdição sobre os delitos cometidos em prejuízo das igrejas ou em seu recinto.

Sua solicitude estendeu-se a todos os fracos. Numerosas são suas cartas pedindo isenções ou remissões de impostos, de encargos, de tributos, em favor seja de pobres gente, seja mesmo de povoados ou cidades, defendendo diocesanos injustamente acusados, suplicando a um senhor para perdoar a um escravo, a um pagão para reconciliar-se com seu filho convertido à fé cristã. Ele desafia o perigo e a calúnia para proteger uma viúva, que um magistrado, sustentado pelo prefeito da província, quer esposar apesar dela. É sobretudo na organização da caridade que ele manifesta seu zelo.

Em cada circunscrição administrada por um corepíscopo, ele estabelece um hospício; ele constrói em Cesareia um grande estabelecimento caritativo, ao mesmo tempo estalagem, hospício, hospital, leprosaria. Embora esta fundação, que se assemelhava, dizem, a uma nova cidade, tenha despertado as desconfianças do poder civil, Basílio obteve tal ascendência que, apesar de suas dissidências religiosas, Valente o encarregou de restabelecer na Armênia a concórdia entre os bispos e de prover as sedes vacantes.

Basílio teve caros e ilustres amigos, Gregório de Nazianzo, Eusébio de Samósata, Anfilóquio de Icônio. Mas teve também adversários. Vários de seus sufragâneos, invejosos de sua elevação, furtaram-se às suas propostas e buscaram mesmo espalhar dúvidas sobre sua ortodoxia. Foi para repelir uma suspeita desse gênero que ele escreveu o tratado Do Espírito Santo. Mas, entre as deserções das quais mais sofreu, esteve a de Eustácio, bispo de Sebaste, que tinha sido um dos iniciadores da vida monástica na Ásia e com quem manteve por muito tempo relações afetuosas. A correspondência de Basílio relata em detalhe o rompimento deles, as imputações caluniosas pelas quais foi enegrecido nessa ocasião, ao mesmo tempo que mostra sua coragem em sofrer em silêncio.

Mais doloroso ainda foi para Basílio o mal-entendido que pesou por muito tempo sobre suas relações com o Ocidente. Em diversas ocasiões, de 371 a 376, Basílio e seus amigos corresponderam-se ora com os bispos ocidentais, ora com o papa São Dâmaso, para pedir-lhes que interviessem nos assuntos do Oriente, desolado ao mesmo tempo pela competição de Melécio e Paulino em Antioquia, e pela difusão da heresia. Mas, em Roma e no Ocidente, apoiava-se Paulino, enquanto os mais ilustres orientais eram partidários declarados de Melécio: via-se também com desconfiança certas condescendências, de pura forma, que usavam frequentemente Basílio e aqueles que caminhavam com ele, com o objetivo de levar à unidade os melhores dentre os semiarianos. «Dâmaso, escreve a este propósito Monsenhor Duchesne, estava muito mal informado sobre os assuntos religiosos da Síria e da Ásia Menor; servindo sem o saber a certas rancores alexandrinos, mostrava-se demasiado favorável a pequenas coterias e não apreciava em seu valor os grandes bispos aos quais era devido, afinal, o movimento que trazia o Oriente de volta à fé de Niceia. Basílio tentou várias vezes interessá-lo por essa reação salutar. Recebeu dele apenas um acolhimento frio e desencorajador.» Duchesne, Églises séparées, 1896, p. 186. Cf. do mesmo, L’Eglise d’Orient, de Dioclétien a Mahomet, na Revue du monde catholique, 1881; tiragem à parte, p. 17.

Basílio queixa-se disso em várias cartas, com uma amargura cuja expressão parece por vezes excessiva. Foi um dos episódios dolorosos de sua vida. A morte de Valente, derrotado e morto em 378 pelos godos perto de Adrianópolis, trouxe finalmente o relaxamento pelo qual suspirava Basílio. Já mesmo, desde os últimos meses de Valente, a perseguição tinha abrandado. Uma lei de seu sucessor Graciano restabeleceu a liberdade religiosa. Em Constantinopla, os católicos, oprimidos durante trinta e oito anos, chamaram, ao final de 378, Gregório de Nazianzo para reerguer sua Igreja: a resposta favorável que ele deu às suas instâncias foi concertada com Basílio. Foi o último ato e a última alegria deste último.

Embora com apenas quarenta e nove anos de idade, Basílio, exausto pelo trabalho, pelas preocupações e pelas austeridades, estava perto de seu fim. Morreu em 1º de janeiro de 379. Seus funerais em Cesareia foram um triunfo. Quase imediatamente após sua morte, celebrou-se publicamente este aniversário. Possuímos dois discursos pronunciados em sua honra no dia 1º de janeiro, um por seu irmão, São Gregório de Nissa, o outro atribuído mais ou menos exatamente a São Anfilóquio. A Igreja do Oriente continuou a fazer, no dia 1º de janeiro, a festa de São Basílio; desde o século XI, encontra-se a comemoração de sua morte marcada nesta data pelos martirológios latinos; mas sua festa, desde essa época, celebrava-se no Ocidente em 14 de junho, como se celebra ainda nos dias de hoje.

As principais fontes para a história de São Basílio são: suas próprias obras; os discursos, IX, X, XI, XVII, e sobretudo XLII, de São Gregório de Nazianzo, P. G., t. XXXV, XXXVI; diversas cartas do mesmo Pai, e o poema De vita sua, P. G., t. XXXVI; o discurso de São Gregório de Nissa, In laudem fratris Basilii, seu De vita Macrinae, e o l. I de seu Adversus Eunomium, P. G., t. XLIV, XLV; o c. CXVI do De viris illustribus de São Jerônimo, P. L., t. XXIII; alguns capítulos das Histórias eclesiásticas do ariano Filostórgio, VIII, 14-18, P. G., t. LXV; de Teodoreto, IV, 19, P. G., t. LXXXIV; de Rufino, II, 9, P. L., t. XXI, col. 517-520; de Sócrates, IV, 26, P. G., t. LXVII, col. 528-536; de Sozomeno, VI, 15 sq., P. G., t. LXVII, col. 1329 sq. Ver a vida de São Basílio por Maran, P. G., t. XXIX, col. IV-CLXXVII.

II. ESCRITOS. — Como se pôde ver, São Basílio é sobretudo um homem de governo e de ação. Por isso, a maior parte de sua obra escrita é oratória; uma outra parte considerável é sua correspondência; os livros compostos em lazer, lentamente meditados, são raros sob sua pena. Ele se mostra metafísico e teólogo quando as circunstâncias o levam ou a defender o dogma católico contra adversários, ou a defender a integridade de sua própria fé contra caluniadores; mas a inclinação natural de seu espírito parece levá-lo primeiro ao ensino da moral cristã, àquilo que se traduz sobretudo em aplicação prática e em atos.

Em L’Eglise et l’empire romain au IVe siecle, t. IV, p. 230, o Sr. de Broglie colocou em relevo este duplo aspecto de São Basílio. Falando de seus escritos mais especialmente dogmáticos, «desde que se lança os olhos sobre eles, diz ele, sente-se transportado, por assim dizer, ao mar aberto da filosofia: o platonismo, o peripatetismo, o ecletismo de Alexandria, todas essas variedades do pensamento metafísico da antiguidade são evidentemente familiares ao espírito do escritor; ele empresta delas a todo instante ideias, explicações, definições. Sobre a natureza divina, sobre as relações das diversas hipóstases das quais ela se compõe, sobre o papel de cada um desses elementos da indivisível Trindade, luzes são colhidas alternadamente nesses focos diversos.

Mas uma filosofia do dogma própria a Basílio, e seguida por ele em todos os seus pensamentos, mais de um comentarista a buscou, enganado por esse nome de Platão cristão que os contemporâneos lhe tinham conferido. A pesquisa sempre foi infrutífera. Nada de semelhante foi e nem será encontrado. A arma da filosofia está nas mãos de Basílio puramente defensiva. Quando os inimigos da fé atacam o dogma ou o desnaturam em virtude de um argumento tirado de um sistema filosófico, Basílio entra em seu encalço no sistema que eles adotaram, para provar-lhes que seu argumento é sem força e não carrega a consequência que eles dele fazem sair. Então, uma vez repelido o ataque, ele entra na cidadela do dogma e a fecha sobre si.

A propósito da parte oratória de sua obra, o mesmo historiador se expressa assim: « Basílio é o primeiro orador que a Igreja contou. Antes dele, Atanásio havia discursado aos soldados da fé, como um general que sobe à brecha; Orígenes havia dogmatizado diante de discípulos; Basílio, o primeiro, falou a toda hora, diante de todo tipo de homens, uma linguagem ao mesmo tempo natural e sábia, cuja elegância não diminui jamais nem a simplicidade nem a força. Nenhuma facúndia mais ornada, mais nutrida de lembranças clássicas que a sua; nenhuma, todavia, que seja mais à mão, fluindo mais naturalmente da fonte, mais acessível a todas as inteligências. O estudo não fez senão preparar-lhe um tesouro sempre aberto, onde a inspiração colhe, sem contar, para as necessidades do dia. Por este mérito de facilidade ao mesmo tempo brilhante e habitual, seu condiscípulo Gregório ele mesmo não pode ser comparado a ele. A imaginação é talvez mais viva em Gregório, mas ela se compraz em si mesma, e aquele que fala, arrastado na perseguição ou da expressão que encontrou, ou da ideia que vislumbra, esquece por vezes e deixa pelo caminho aquele que o escuta. A palavra é ainda um ornamento para Gregório; para Basílio, ela não é senão uma arma, cujo punho, por mais cinzelado que seja, não serve senão para enterrar a ponta mais adiante. Há do retórico frequentemente, e sempre do poeta em Gregório. O orador apenas respira em Basílio. » Ibid., t. V, p. 90.

Fénelon havia expressado os mesmos pensamentos de uma maneira mais simples e ainda mais forte: após ter aproximado São João Crisóstomo e São Gregório, e dito deste último que ele é « mais conciso e mais poético, mas um pouco menos aplicado à persuasão », ele acrescenta sobre São Basílio: « Este é grave, sentencioso, austero mesmo na dicção. Ele havia meditado profundamente todo o detalhe do Evangelho; ele conhecia a fundo as doenças do homem, e é um grande mestre para o regime das almas. » Dialogues sur l’éloquence, II.

Monsenhor Batiffol faz observar que Basílio é o único dos Padres a quem os Gregos deram o sobrenome de « grande ». Talvez, acrescenta ele, « deva-se ver aí o benefício que Basílio tirou da excepcional maestria de seu estilo. Photius, cod., 141, 143, 191, P. G., t. ci, col. 420, 421, 633, o coloca entre os escritores de primeiro nível pela ordem e a nitidez dos pensamentos, pela pureza e a propriedade da linguagem, pela elegância e o natural; Basílio é para ele o escritor clássico. Os críticos modernos, menos sensíveis a estas qualidades de forma, comprazem-se em admirar nele o equilíbrio de dons variados de especulação, de erudição, de retórica e de governo. » Anciennes littératures chrétiennes : la littérature grecque, 1897, p. 286.

4° Escritos exegéticos. — A obra exegética de São Basílio compreende nove homilias sobre o Hexaêmeron, P.G., t. XXX, col. 3-208, e treze homilias sobre os Salmos. Ibid., col. 209-494. Vai sem dizer que a palavra « exegese » não tem aqui o sentido moderno de crítica dos textos, mas o de comentário religioso.

As homilias sobre o Hexaêmeron, ou criação do mundo em seis dias, Gen., 1, 1-26, foram pronunciadas por Basílio, ainda simples sacerdote, durante uma semana de quaresma, onde quase todos os dias ele pregou duas vezes: por uma causa que se ignora, ele parou após ter descrito a obra do quinto dia, e não fez o discurso sobre a criação do homem, que São Gregório de Nissa compôs mais tarde, a fim de completar a obra de seu irmão. Nesta série de discursos, São Basílio se apega sobretudo a fazer o quadro da criação, desenvolvendo e explicando o texto do Gênese. Ele toma este ao pé da letra, e eleva-se mesmo de passagem, Homil., III, contra o abuso das explicações alegóricas da Sagrada Escritura.

Ele atrela ao seu assunto excelentes lições de filosofia popular: seja que, Homil., I, ele oponha a imutabilidade da palavra divina aos sistemas contraditórios dos filósofos, que se destroem uns aos outros; seja que, Homil., II, ele ataque os sofistas que sustentavam a eternidade da matéria, e às heresias gnóstica ou maniqueísta que personificavam o princípio mau para opô-lo a Deus; seja ainda que, Homil., VI, ele assinale a puerilidade e o perigo da astrologia, e defenda contra ela a liberdade e a responsabilidade humanas; seja enfim que, pela observação dos animais, ele estabeleça a teoria das causas finais e das harmonias providenciais, Homil., VII, VIII, IX, ou mostre na infalibilidade de seu instinto uma imagem obscura da lei natural e da consciência moral, igualmente isentas de erro. Homil., IX. É assim que, de conhecimentos científicos muito imperfeitos, como eram os de seu tempo, Basílio faz sair o espiritualismo cristão o mais elevado e o mais delicado.

A eloquência destes discursos é ao mesmo tempo familiar e brilhante; encontra-se neles, diz M. Villemain, « o gênio grego, quase em sua beleza nativa, suavemente animado de uma tinta oriental, mais abundante e menos ático, mas sempre harmonioso e puro. » Tabl. de l’éloquence chrét. au IVe siècle, 1849, p. 114. São Ambrósio fez das homilias sobre o Hexaêmeron o mais belo elogio, ao imitá-las. P. L., t. XIV, col. 123-294. Cruice, Essai critique sur l’Hexaméron de S. Basile, Paris, 1844.

As homilias sobre os Salmos são provavelmente, elas também, anteriores ao episcopado de Basílio. Treze somente são consideradas como autênticas: aquelas que se referem aos Ps. I, VII, XIV, XXVIII, XXIX, XXXII, XXXIII, XLIV, XLV, XLVIII, LIX, LXI, CXIV. Isto não é provavelmente senão uma parte de seu comentário do Saltério. Possuir-se-iam alguns outros destroços, se os fragmentos publicados em 1888 pelo cardeal Pitra, Analecta sacra, t. I, p. 76-103, são autênticos. Nos discursos que possuímos, Basílio comenta, versículo por versículo, o texto de um salmo.

Ele tira deles sobretudo aplicações morais, e o faz por vezes com uma grande audácia. É uma série de pregações populares, em parte improvisadas, como o comentário do Hexaêmeron. Contam-se ainda, entre as obras atribuídas a São Basílio, um comentário muito estendido dos dezesseis primeiros capítulos de Isaías. P. G., t. XXX, col. 118-666. Mas sua autenticidade é contestada. São Jerônimo não o cita, De viris illustribus, 116, entre as obras de São Basílio. Tillemont, Mémoires pour servir à l’histoire ecclésiastique des six premiers siècles, a. 137 e nota 85ª sobre São Basílio, t. IX, p. 292, 683, o crê autêntico. Certos detalhes deste tratado fazem crer que ele foi escrito na segunda metade do século IV, e provavelmente por um capadócio.

2° Escritos ascéticos. — O conjunto dos escritos ascéticos atribuídos a São Basílio, P. G., t. XXX, compreende: uma sorte de prefácio geral sobre a vida cristã, col. 620-625; um discurso sobre a renúncia ao mundo, col. 625-648; um discurso sobre a vida ascética, col. 648-652; um discurso sobre o juízo de Deus, col. 653-676; um discurso sobre a fé, col. 676-692; uma coletânea de 80 preceitos de moral, col. 692-869; dois outros hoyot aoxntixof, col. 869-888; uma coletânea de 55 regras monásticas, 6p01 xat& mA&toc, col. 889-1052; uma coletânea de 313 regras monásticas, 6901 xat’ émitouyy, col. 1052-1305; uma espécie de penitencial monástico, énuitiwta, col. 1305-1320; uma coletânea de constituições monásticas, Koxntinar Srataéerc, col. 1321-1328. Nem tudo é autêntico. Algumas peças são de bom quilate, como as doxntixa Sratc&éerc, mas não pertencem a Basílio. Outras são manifestamente apócrifas, como a énuitiwta.

Fócio possuiu, cod. 144, 191, P. G., t. ciii, col. 421, 433, um ’Acxqtixov de Basílio, em dois livros: o I contendo o discurso sobre o juízo de Deus, rept xpfuatog @eod, e o discurso sobre a fé, mept mtotews; o II contendo os 70a, os Gpor xat& mr&tO¢ e os Gpor xar’ Emtowry. Muitos críticos reconhecem neles a coletânea dos verdadeiros escritos ascéticos do santo doutor. É certo que ele compôs um ’Acxatixdv; São Jerônimo diz isso desde 392. De viris illustribus, 116. Rufino dá sobre este fato, em 397, outro atestado, adaptando livremente, sob o título comum de Regulz sancti Basilii episcopi Cappadociae ad monachos, P. L., t. xxi, col. 483-554, os Spor xate Tr&TOG e os Gpot xar’? émttouny. Não parece que contra essa tradição possa prevalecer a passagem de Sozomeno, escrevendo, no século V, que "muitos dizem que a Acxntixy Bi6d0¢ atribuída a Basílio da Capadócia é de Eustácio de Sebaste". H. E., I, 4, P. G., t. LXVII, col. 1080.

Menos ainda pode-se argumentar (cf. Batiffol, Anciennes littératures chrétiennes: la littérature grecque, p. 255) contra a existência de regras compostas por São Basílio, a partir de uma palavra de uma de suas cartas, onde ele remete um futuro monge "às máximas dos santos Padres e às suas exposições escritas"; tanto mais que ele acrescenta que é preciso propor-lhe, em seguida, tudo o que possa ensinar-lhe o ascetismo, mostrando assim que outros ensinamentos não estão excluídos. Epist., XXII, P. G., t. XXXII, col. 295. Deve-se ir mais longe e acrescentar o testemunho direto de São Gregório de Nazianzo; em uma carta a Basílio, ele o lembra que, enquanto habitavam juntos o eremitério do Ponto, trabalharam em comum para compor "regras escritas e cânones", Spots yparrots xat xaveaw, Epist., VI, P. G., t. XXXVII, col. 30; em seu panegírico de São Basílio, ele diz que este, sacerdote em Cesareia, "deu de viva voz e por escrito regras monásticas", vouolec!ar povactiy, Eyypapot te xat &ypagot, Orat., XLIII, 30, P. G., t. XXXVI, col. 542. É difícil não ver nessas passagens uma alusão às duas coletâneas de regras redigidas por Basílio.

A primeira (S901 xat& mhatoc, regulae fusius tractatae) é, como recorda o prólogo, do tempo em que Basílio residia "em um lugar silencioso, afastado dos ruídos do mundo", isto é, no retiro. Ela se compõe de cinquenta e cinco regras, ou melhor, de um resumo de cinquenta e cinco entrevistas sobre as questões mais importantes da vida religiosa. A segunda (ég01 xat’ énitouryy, regulae brevius tractatae) contém trezentas e treze regras, muito menos extensas, versando quase sobre os mesmos pensamentos que a primeira, mas entrando mais nos detalhes; ela recebeu aparentemente sua forma definitiva no tempo ao qual São Gregório atribui as regras faladas e escritas dadas por São Basílio aos monges, isto é, enquanto exercia as funções sacerdotais em Cesareia. É preciso notar que uma e outra coletânea não são senão o desenvolvimento das ideias expressas por São Basílio, em uma carta onde ele descreve ao seu amigo Gregório a vida levada por ele no Ponto com os primeiros companheiros de seu retiro. Epist., II, P. G., t. XXXII, col. 223-233.

Estas regras (sobretudo as primeiras, dot xat& mAdtoc, onde o pensamento de Basílio se espalha em toda a sua plenitude) dão a forma da vida monástica tal como se propagou por essa época na Capadócia e de lá por toda a Ásia romana. Basílio não recomenda a existência isolada do anacoreta, que ele considera como perigosa; ele não busca reproduzir as grandes colônias religiosas, de várias centenas de indivíduos, que ele observou no Egito; ele preconiza os conventos de dimensão medíocre, de população pouco numerosa, onde cada um possa conhecer seu superior e ser conhecido por ele.

O trabalho manual será obrigatório, mas cortado por orações comuns, retornando a horas fixas: além das da manhã (laudes) e da meia-noite (noturno), cinco vezes ao menos durante o dia, à terça, à sexta, ao meio-dia, à nona, ao crepúsculo (vésperas), ao início da noite (completas; cf. Revue d’histoire et de littérature religieuses, 1898, p. 466), os monges deverão se reunir para louvar a Deus. Regras de extrema prudência são estabelecidas para os casos, frequentes na sociedade antiga, onde homens casados pedem para serem recebidos no mosteiro, onde escravos procuram nele um asilo, ou onde pais apresentam nele seus filhos. Basílio parece também impor aos monges que se despojem de seus bens antes de abraçar a vida religiosa. Contudo, por mais detalhadas que sejam, as regras de São Basílio, por sua própria forma de entrevistas, de questões e de respostas, não possuem a precisão de um código. Elas estabelecem sobretudo princípios. "A regra basiliana impressiona sobretudo por sua discrição e sua sabedoria.

Ela deixa aos superiores o cuidado de determinar os mil detalhes da vida local, individual e diária... Evitando condensar toda a prática da vida religiosa em um certo número de fórmulas inflexíveis, que não podem prever todos os casos e que é sempre fácil de eludir, o prudente legislador aproxima-se docemente do monge, apodera-se dele e enlaça-o tão bem através de todas as vicissitudes de sua existência e das mudanças de seu caráter, que acaba por colocá-lo e mantê-lo por inteiro sob o jugo divino... Por causa desta discrição, a regra basiliana aplica-se às mulheres tanto quanto aos homens. As regras grandes e curtas ocupam-se das relações que podem existir entre uns e outros. Algumas das pequenas são feitas unicamente para as religiosas." J.-M. Besse, Les moines d’Occident antérieurs au concile de Chalcédoine, 1900, p. 90-91.

3° Escritos dogmáticos. — São Gregório de Nazianzo, em seu panegírico de São Basílio, Orat., XLIII, 67, P. G., t. XXXVI, col. 687, diz que o ilustre doutor compôs "livros para refutar os dos heréticos". Ele cita aquele que ele escreveu sobre o Espírito Santo, e remete com uma palavra a "seus outros tratados", tats Ydrxts LEnynoeory, sem dar sobre eles explicações. Possuímos um só desses, os livros contra Eunômio. Santo Agostinho, Contra Julianum, I, 16, P. L., t. XLIV, col. 650, atribui a São Basílio uma obra Contra os maniqueus, que não chegou até nós.

O escrito contra Eunômio, ’Avatpentixòv toũ ’Apoλoyntixoũ toũ δυσσεβοῦς ’Evνοµίου, P. G., t. XXIX, col. 497-773, é anterior ao episcopado de Basílio. Este último fala dele em uma carta ao sofista Leôncio, Epist., XX, P. G., t. XXXII, col. 286, escrita em 364. Desta obra, apenas os três primeiros livros, de cinco, são de São Basílio. Os dois últimos foram, sem provas, atribuídos a Apolinário. Cf. Voisin, L’apollinarisme, 1901.

No Iº livro, Basílio refuta a tese principal contida no Apologeticus do heresiarca (reproduzido P. G., t. XXX, col. 837-868), que fazia consistir no τὸ ἀγέννητον εἶναι a essência da divindade, reservando-a assim ao Pai apenas, e recusando-a às duas outras pessoas da Santíssima Trindade. O IIº livro demonstra que o Filho, embora sendo «nascido», tem a mesma substância e a mesma divindade que o Pai. O IIIº livro defende contra o heresiarca a divindade do Espírito Santo.

Eunômio respondeu à obra de Basílio em uma ’Aπoλογία ἀπολογία, hoje perdida. Filostórgio, H. E., VIII, 12, P. G., t. LXV, col. 565, conta a este respeito uma fábula: Basílio, tendo lido este livro, e sentindo-se incapaz de responder, teria morrido de desespero. Fócio, cod. 138, P. G., t. CIII, col. 416 sq., nos informa, pelo contrário, que Eunômio, depois de ter empregado longos anos na composição de sua resposta, renunciou a publicá-la durante a vida de Basílio.

O que se pode dizer é que Basílio ocupou-se frequentemente das teses de Eunômio. O fundo da doutrina deste último era o absoluto racionalismo. Afirmava ele que a razão humana pode conhecer perfeitamente a essência divina, e é assim que, tendo declarado que na «inascibilidade» consistia esta essência, tirava daí conclusões contrárias à divindade do Filho e do Espírito Santo.

Não se tem certeza de que a carta XVI, P. G., t. XXXI, col. 279-281, atribuída pelos beneditinos ao reinado de Juliano, o Apóstata, e, portanto, anterior aos livros contra Eunômio, seja de São Basílio. Certos críticos veem nela um fragmento do l. V de São Gregório de Nissa contra o mesmo heresiarca. O autor, quem quer que seja, refuta assim as pretensões racionalistas deste último: Como o homem conheceria a natureza incompreensível de Deus, quando não conhece nem mesmo a da formiga?

Mas, em 375, isto é, perto do fim da vida de Basílio, vemos o bispo de Cesareia ocupado em discutir a fundo a tese fundamental dos eunomianos; respondendo a questões colocadas por Anfilóquio a respeito da doutrina destes: «A própria verdade, diz ele, é o nosso Deus. É por isso que a principal função da nossa inteligência é conhecer o nosso Deus, mas conhecê-lo como a potência infinita pode ser conhecida pelo muito pequeno.» Epist., CCXXXIII, col. 863-868.

«Nós dizemos, escreve ele em outra carta, que são conhecidas de nós a majestade de Deus, e a sua potência, e a sua sabedoria, e a sua providência, e a sua justiça, mas não a sua essência, οὐκ αὐτὴν τὴν οὐσίαν... A fé basta para saber que Deus é, não para conhecer o que ele é, ὅτι ἔστι ὁ Θεός, οὐχὶ τί ἐστι.» Epist., CCXXXIV, col. 868, 869. E precisando ainda a sua doutrina, na carta seguinte: «Na fé em Deus, escreve ele, encontra-se primeiro este pensamento, que Deus é: nós o aprendemos das criaturas.» Epist., CCXXXV, col. 872. Estas três cartas podem ser consideradas como um complemento dos livros contra Eunômio.

O segundo escrito dogmático que temos de São Basílio é o seu tratado Do Espírito Santo, Περὶ τοῦ ἁγίου Πνεύματος, P. G., t. XXXII, col. 67-218. Foi composto por volta de 375. É uma obra de circunstância: Basílio a escreve para se defender. Em 371, inimigos acusaram-no de ter, em um discurso, falado em termos equívocos da divindade do Espírito Santo. S. Gregório de Nazianzo, Epist., LVI, LX, P. G., t. XXXVII, col. 113-120.

Três anos mais tarde, incriminaram-no porque, concorrentemente à antiga doxologia em uso na Igreja de Cesareia: «Glória ao Pai pelo Filho no Espírito Santo», ele havia empregado esta: «Glória ao Pai com o Filho e com o Espírito Santo.» De Spiritu Sancto, I, 3, P. G., t. XXXII, col. 72. Seu amigo Anfilóquio, bispo de Icônio, advertiu-o das acusações que, a este propósito, estavam espalhadas contra ele: a Anfilóquio ele dedicou o livro composto para responder a elas.

Como é primeiro uma querela de palavras que lhe foi suscitada, ele dedica vários capítulos a dissertar sobre a importância que convém dar às palavras nas questões de teologia e de filosofia, como também sobre o abuso que é feito delas: depois, examinando por todas as faces, discutindo, desmontando de certa maneira a dupla fórmula que deu ocasião à controvérsia, e elevando-se constantemente das palavras às ideias, ele chega a expor em todos os detalhes a teologia do Espírito Santo.

O livro termina por dois capítulos de grande valor histórico: um, XXIX, onde ele passa em revista todos aqueles dos Padres que empregaram as expressões que lhe reprovam; o outro, XXX, no qual ele expõe, em palavras amargas, o estado presente das Igrejas.

49 Discursos diversos. — Numerosas são as homilias pronunciadas, em diversas épocas da sua vida, por São Basílio.

Já relacionamos à exegese aquelas que ele dedica a comentar o começo do Gênesis ou os Salmos. Além destas duas séries, possui-se vinte e quatro discursos considerados autênticos. P. G., t. XXXI, col. 163-617.

Podem dividir-se em três classes. Umas, como a homilia sobre a fé, a homilia sobre as primeiras palavras do Evangelho segundo São João, a homilia «contra os sabelianos, Ário e os eunomianos», XV, XVI, XXIV, poderiam ser classificadas entre as obras dogmáticas.

A segunda classe de discursos, de muito a mais numerosa, tem sobretudo por objeto a moral cristã, ἠθικοῖς λόγοις καὶ πρακτικοῖς, segundo a expressão de São Gregório de Nazianzo, Orat., XLIII, 67, P. G., t. XXXVI, col. 585: seja que Basílio se eleve contra os retardos trazidos para receber o batismo (XI), seja que ele dê conselhos aos seus concidadãos provados por uma fome (VI), seja que ele demonstre «que Deus não é o autor dos males» (IX), seja que ele fulmine contra a avareza ou trate do uso e do abuso das riquezas (VI, VII). Estas homilias abundam em traços interessantes: elas refletem as ideias econômicas de São Basílio e do seu tempo: elas se elevam contra espantosos abusos, como a venda dos filhos pelo pai para serem escravos. A homilia VI, onde isso é denunciado, foi livremente traduzida por Santo Ambrósio, De Nabuthe Jezraelita, V, 21-24, P. L., t. XIV, col. 731-756. Outra homilia (XXII) é célebre: é o «Discurso aos jovens sobre a maneira de ler com proveito os autores pagãos». Fénelon o resume assim: « Quand on a bien fait ces études, on en peut tirer un grand fruit pour l’intelligence même de l’Ecriture, comme saint Basile l’a montré dans un traité qu’il a fait exprès pour ce sujet. » Dialogues sur l'éloquence, III.

Uma terceira classe de homilias refere-se à história dos mártires: ela compreende os panegíricos de quatro santos ou grupos de santos particularmente honrados na Capadócia: Julitta, Gordius, os quarenta mártires de Sebaste, Mamas (V, XVI, XIX, XXII). A homilia XV, sobre São Barlaão, foi atribuída erroneamente a São Basílio: ela é provavelmente de São João Crisóstomo. As homilias de São Basílio sobre os mártires excitaram o entusiasmo de São Gregório de Nazianzo: « Quand je le lis, dit-il, je méprise mon corps, je deviens par l’âme le compagnon de ceux qu’il a loués, et je brûle de combattre comme eux. » Orat., XLIII, 67, P. G., t. XXXVI, col. 585. Cf. Fialon, Étude littéraire sur saint Basile, Paris, 1861, p. 115-122.

5º Liturgia. — São Gregório nos ensina que Basílio, sendo presbítero em Cesareia, ali regulou « l'ordre des prières », εὐχὴν διατάττειν. Orat., XLII, 34, col. 541. Possui-se uma liturgia atribuída a São Basílio. P. G., t. XXXI, col. 1630-1684. Em que medida ela conserva a obra do santo doutor? É o que é difícil de saber. A única coisa que se pode dizer é que Basílio parece ter tomado emprestado da Igreja de Antioquia o uso das vigílias santas e das salmodias a dois coros, que da mesma fonte se espalhou por todo o Oriente: algumas Igrejas, contudo, como a de Neocesareia, foram a princípio refratárias. Epist., CCVII, P. G., t. XXXII, col. 764. A liturgia que porta o nome de São Basílio, e cujo texto atual é atestado desde o início do século VI, ainda está em uso em certos dias em todos os patriarcados do Oriente. Duchesne, Origines du culte chrétien, 1889, p. 70-72.

6º Correspondência. — Os editores beneditinos dividiram em três classes a correspondência de São Basílio: cartas escritas antes de ele ser bispo; cartas escritas durante seus oito anos de episcopado; cartas de data incerta. P. G., t. XXXII, col. 219-1412. Poder-se-ia fazer outras divisões: muitas se referem aos negócios gerais da Igreja; outras tratam da vida monástica; algumas são verdadeiros tratados sobre a teologia e a disciplina; um número muito grande refere-se à multidão de interesses públicos e privados que a atividade incansável de Basílio se encarregou de proteger. Há cartas belíssimas de consolação dirigidas a pais ou a esposos em luto. Há cartas muito tocantes escritas a pecadores, particularmente a religiosos infiéis. « On ne peut rien voir de plus éloquent, dit Fénelon, que son épitre (XLVI) à une vierge qui était tombée. A mon sens, c’est un chef-d’oeuvre. » Dialogues sur l'éloquence, II. Alguns críticos duvidaram erroneamente da autenticidade das três epístolas ditas canónicas, CLXXXVIII, CXCIX, CCXVII, dirigidas a Anfilóquio. São respostas a consultas do bispo de Icônio. Poucos escritos de São Basílio são mais curiosos. Elas nos iniciam na disciplina e na casuística do tempo, e nos informam sobre as regras da penitência canônica no Oriente cristão do século IV. Os beneditinos publicaram 366 cartas de Basílio ou de seus correspondentes. Desse número, várias são apócrifas: por exemplo, a correspondência com Libânio, Epist., CCCXXXV-CCCLIX, e a correspondência com o imperador Juliano. Epist., XXXIX-XLI, CCCLX. Duvidou-se também da de Basílio com Apolinário de Laodicéia. Epist., CCCLXI-CCCLXIV. M. Dreseke, Apollinaris von Laod., Leipzig, 1902, a crê autêntica; M. Béthune-Baker, The meaning of Homoousios in the Constantinopolitan creed, Cambridge, 1901, hesita em se pronunciar; M. Voisin, L’apollinarisme, Louvain, 1901, a rejeita como apócrifa. Como se verá, são razões de fundo, mais do que de forma ou de tradição literária, que influenciaram, em um ou outro sentido, esses diversos críticos. As obras de São Basílio foram várias vezes impressas, em 1520, 1528, 1582, 1535, 1551, 1648. A melhor edição é a dos beneditinos, 3 in-fol., Paris, 1721-1730; os dois primeiros volumes foram preparados por dom Garnier, o terceiro por dom Maran. Eles são reproduzidos, com algumas adições, em Migne, P. G., Paris, 1857 (reimpressão, 1886-1888), t. XXIX-XXXII.

III. Doutrina. — Os caracteres gerais do ensinamento doutrinal de São Basílio parecem-nos suficientemente explicados pela análise detalhada que acaba de ser feita de suas obras. Assinalaremos especialmente alguns pontos principais.

1º A razão e a revelação. — De sua polêmica com Eunômio, tal como a resumimos, resulta que, a seus olhos, a fé pela revelação, a razão pela contemplação das criaturas, fazem-nos conhecer a existência de Deus, mas não nos fazem compreender a sua essência. Cf. Fialon, Étude littéraire sur saint Basile, p. 136-145. A revelação nos é transmitida por duas vias, a Escritura sagrada e a tradição.

Basílio, no tratado Do Espírito Santo, eleva-se por várias vezes contra aqueles « que exigem aos gritos provas tiradas das Escrituras, e não fazem caso do testemunho não escrito de nossos pais ». C. X, P. G., t. XXXII, col. 112. « Dos dogmas e dos ensinamentos guardados pela Igreja, diz ele, há os que nos foram transmitidos pela Escritura, outros que recebemos da tradição misteriosa dos apóstolos: uns e outros têm a mesma força para a piedade. » C. XXVII, ibid., col. 188. Após essa passagem, São Basílio enumera, a título de exemplos, um certo número de práticas vindas, segundo ele, dessa tradição, como o sinal da cruz, o costume de rezar voltando-se para o Oriente, as palavras da consagração no santo sacrifício, a tripla imersão do batismo, os ritos da extrema-unção.

2º A Trindade. — Para enfrentar os heréticos de seu tempo e manter a doutrina católica sobre o mistério da santa Trindade, São Basílio devia demonstrar, contra o erro sabeliano renovado por certos arianos, que em Deus há três pessoas distintas e não uma só e mesma pessoa que desempenharia três papéis distintos; contra os arianos, que o Filho é consubstancial ao Pai e não é sua criatura; contra os eunomianos e os macedonianos, que o Espírito Santo é igual às outras duas pessoas, das quais ele PROCEDE, e que ele não é a criatura do Filho.

4. A Trindade das pessoas na unidade de natureza. — Como os outros Padres gregos, São Basílio considera diretamente na Trindade divina as pessoas, e mostra que elas têm a mesma e única natureza divina e que as três pessoas não são senão um só Deus. Em Deus, há três hipóstases realmente distintas, e seria uma grave calúnia deixar dizer que alguns católicos admitem uma única hipóstase do Pai, do Filho e do Espírito Santo, ao mesmo tempo em que reconhecem a distinção das pessoas. Sabélio mantinha essa distinção e dizia que Deus é realmente um em hipóstase, embora tenha querido προσωποποιεῖσθαι, manifestar-se na Escritura sob as diferentes figuras de Pai, de Filho e de Espírito Santo. «Se, portanto, acrescenta ele, alguns de nós dizem que o Pai, o Filho e o Espírito Santo são um como sujeito, ἓν ὑποκείμενον, reconhecendo ao mesmo tempo apenas três pessoas perfeitas, τρία πρόσωπα τέλεια, não parecerão eles fornecer uma prova irrefragável à calúnia dos arianos (que pretendiam que os católicos ensinavam que o Filho era consubstancial κατὰ τὴν ὑπόστασιν)?» Epist., ccxiv, 3, P. G., t. XXXII, col. 788-789.

Em 375, ele havia escrito aos notáveis de Neocesaréia, Epist., ccx, 5, ibid., col. 776: «Não basta contar as pessoas diferentes, é preciso ainda confessar que cada pessoa existe em uma verdadeira hipóstase.» Aqueles que rejeitam as hipóstases renovam o erro de Sabélio. É para manter a fórmula das três hipóstases que ele sustentou constantemente e com força o partido de Melécio.

A doutrina do ilustre Capadócio sobre a santa Trindade já estava exposta assim, em uma carta de 360: «É preciso confessar Deus o Pai, Deus o Filho, Deus o Espírito Santo, como ensinaram as divinas Escrituras e aqueles que as compreenderam mais profundamente. Quanto àqueles que nos reprovam por adorar três Deuses, que esta resposta baste: nós confessamos um só Deus, não pelo número, mas pela essência», ἓν Θεὸν οὐ τῷ ἀριθμῷ, ἀλλὰ τῇ οὐσίᾳ. Epist., VIII, P. G., t. XXXII, col. 248. As três pessoas têm a natureza divina e dão o que têm. O Pai, uma vez que é Pai, dá ao seu Filho toda a sua natureza e o Filho a transmite ao Espírito Santo.

A unidade de natureza resulta, portanto, das PROCESSÕES do Espírito Santo divinas. Ela resulta também da comunidade das operações. Cf. Epist., CLXXXIX, 6, 7, P. G., t. XXXII, col. 692-693. Ora, o Verbo de Deus é o cooperador de Deus na produção dos seres materiais, Homil., II, in Hexaem., 2, P. G., t. XXIX, col. 56, e na criação do homem. Homil., IX, in Hexaem., 6, ibid., col. 204-205. O Espírito Santo é o sopro de Deus que era levado sobre as águas, Gen., 1, 2, ou melhor, segundo a significação mais expressiva do texto siríaco, que aquecia e fecundava a natureza das águas como um pássaro choca os seus ovos e lhes comunica, por seu calor, a força vital. Homil., II, in Hexaem., 6, ibid., col. 44.

São Basílio caracteriza ainda melhor a intervenção das pessoas divinas na criação dos anjos. O Pai é a causa primordial de tudo; o Filho, a causa operadora, e o Espírito Santo, a causa aperfeiçoadora. Todavia, as três hipóstases não são três princípios; não há senão um único princípio dos seres, operando pelo Filho, aperfeiçoando pelo Espírito. A operação de cada pessoa não é imperfeita. O Pai opera por seu único querer, mas ele quer pelo Filho; e o Filho age com o Pai e quer aperfeiçoar pelo Espírito. É preciso considerar juntos os três: o Senhor decretando, o Verbo operando, o Espírito consolidando. De Spiritu Sancto, 16, P. G., t. XXXII, col. 136.

As três pessoas divinas possuem de tal modo a unidade de natureza que o conhecimento de uma conduz a inteligência humana ao conhecimento das duas outras. A Trindade das pessoas não destrói a unidade de natureza, nem o dogma da monarquia. Com efeito, as pessoas divinas não são subnumeradas, e os cristãos não contam três deuses como fazem os pagãos. De Spiritu Sancto, 18, ibid., col. 148-153. O santo doutor havia se perguntado anteriormente, ibid., 17, col. 144, em que consistiria essa subnumeração, e ele rejeita toda espécie de subdivisões. Se há em Deus três hipóstases, nós não reconhecemos três deuses. O Pai e o Filho são distintos sob o aspecto das propriedades pessoais; mas, sob o aspecto comum da natureza, eles são um só ser. Como não há dois deuses? Porque o rei e a imagem do rei não fazem dois reis, em potência partilhada, em glória dividida. O Filho é imagem de seu Pai por natureza; e o Espírito Santo é um, tanto unido ao Pai e ao Filho quanto a unidade é própria à unidade.

É aqui que o doutor capadócio encontrava o mistério: Como pode haver três hipóstases em uma única substância? Eunomio pretendia que o número três introduzia em Deus a multiplicidade. A fim de explicar que três hipóstases não constituem três seres, São Basílio escreveu uma carta sobre a diferença entre a essência e a hipóstase. Epist., XXXVIII, P. G., t. XXXII, col. 325-340. Ele estuda a questão como filósofo e adota a definição do indivíduo, dada por Amônio, discípulo de Porfírio, como base dessa distinção. Distinguindo entre o comum e o singular, ele declara que a essência responde ao conceito do comum, e a hipóstase ao do singular.

Ele faz a aplicação disso à história de Job, tal como é relatada na Escritura, e assegura que não se errará ao transportar essa distinção para o dogma trinitário. Tudo o que pensarmos da essência do Pai, nós o diremos do Filho e do Espírito Santo; todos três, por exemplo, são incriados e incompreensíveis. Mas se a essência é comum, as hipóstases são distintas. São Basílio reproduz várias vezes essa distinção, e ele faz consistir a distinção das hipóstases divinas na paternidade, na filiação e na potência santificadora. Epist., CXXV, 1, ibid., col. 544; Epist., CCXIV, 4, ibid., col. 789; Epist., CCXXXVI, 6, ibid., col. 884.

Por essa doutrina, o bispo de Cesareia concebe em Deus um mistério inefável de comunidade e de distinção: a diferença das hipóstases não destrói o contínuo da natureza, e a comunidade de substância não confunde as características pessoais. E ele se serve do exemplo do arco-íris que, segundo ele, é ao mesmo tempo contínuo e dividido, para fazer compreender de uma certa maneira que um mesmo sujeito é ao mesmo tempo conjunto e distinto. Epist., XXXVIII, 4, 5, ibid., col. 332-333.

2. O Verbo. — São Basílio foi toda a sua vida o defensor do «consubstancial». No concílio de Niceia, diz ele, «os trezentos e dezoito Padres só falaram pela inspiração do Espírito Santo.» Epist., CXV, P. G., t. XXXII, col. 529. Quando o prefeito da Capadócia o intimou a obedecer a Valente, suprimindo do símbolo a palavra ὁμοούσιος, ele respondeu «que ele estava tão longe de tirar ou de acrescentar alguma coisa ao símbolo da fé, que não ousaria sequer mudar a ordem das palavras».

Suas duas obras dogmáticas e muitas de suas cartas contêm a demonstração da «consubstancialidade» do Verbo. A epístola 9, P. G., t. xxxii, col. 393, expõe as razões que fizeram adotar to óµoovotov pelo concílio. Basílio explica alhures por que não pode haver questão, a propósito do Pai e do Filho, de «similitude» ou de «dissimilitude», ovte öµoιov ovte ávóµoιον, mas somente de «consubstancialidade», to óµoovotov. Epist., 7, ibid., col. 249.

Contudo, para não contrariar o movimento que arrastava os semiarianos para a fé de Niceia sem apagar ainda as suas prevenções contra o termo «consubstancial», São Basílio contenta-se voluntariamente com equivalentes, contanto que não possa haver dúvida sobre o sentido. Assim, declara aceitar a expressão «semelhante em essência», öµoιον κατ’ οὐσίαν, com a condição de que se adicione: «sem diferença alguma», ἀπαραλλάκτως, como significando a mesma coisa que «consubstancial», ως εις ταυτον τω ομοουσίω φέρουσαν. Epist., 9, ibid., col. 272.

Teria ele ido mais longe nas suas concessões de linguagem, e terá ele realmente escrito a Apolinário que o termo «semelhante sem nenhuma diferença», η του ἀπαραλλάκτως ομοίου φωνή, é mais conveniente que o termo «consubstancial», μᾶλλον ρεῖ η του ομοουσίου αρμόττειν? Epist., 361, ibid., col. 1101. Compreende-se que excelentes críticos tenham hesitado em lhe atribuir esta frase, e tenham desde então considerado como apócrifa a sua correspondência com Apolinário. Mas talvez o argumento não seja bom, pois, mesmo alhures, São Basílio, nestas matérias delicadas, não parece ter sempre evitado a impropriedade ou a imprecisão da linguagem. Cf. Revue d'histoire et de littérature religieuses, 1901, p. 534.

3. O Espírito Santo. — Sobre a doutrina do Espírito Santo, Basílio não se mostrou menos conciliador na forma, mantendo-se ao mesmo tempo firme quanto ao fundo. Ele considerava a terceira pessoa da santa Trindade como «consubstancial e igual em dignidade», óµoovσιον και ὁμότιμον, às duas primeiras. S. Gregório de Nazianzo, Orat., 31, 69, P. G., t. xxxvi, col. 590. O III livro do seu Contra Eunomium e o tratado De Spiritu Sancto são consagrados a estabelecê-lo. O nome de Deus, seja ele um nome de natureza ou de operação, convém ao Espírito Santo, porque há identidade de natureza e de operação no Pai, no Filho e no Espírito Santo. Epist., 8, 14, P. G., t. xxxii, col. 264-265; 189, 7, col. 683.

Contudo, aconteceu a Basílio, em suas pregações, omitir de propósito o nome de Deus ao falar do Espírito Santo. Ele empregava então expressões equivalentes, a fim de poupar ouvintes cuja fé hesitante não estava ainda sustentada, sobre este ponto, por uma definição conciliar. Cf. S. Gregório de Nazianzo, Orat., 43, 68, col. 588. Esta reserva encontrou censores. S. Gregório de Nazianzo, Epist., 58, P. G., t. xxxvii, col. 113; S. Basílio, Epist., 171, P. G., t. xxxii, col. 436.

Atento, no estado de crise em que estavam então as Igrejas da Ásia, a afastar os obstáculos do caminho dos homens de boa vontade, recebia na sua comunhão todos os que confessavam que o Espírito Santo não é uma criatura. Epist., 110, 114, P. G., t. xxxii, col. 525, 528, 529. Cf. Epist., 257, 2, col. 949. Sobre esta conduta de São Basílio face aos semiarianos, ver as reflexões de M. de Broglie, L’Église et l’empire romain, t. IV, p. 121-128.

No que concerne à «PROCESSÃO» do Espírito Santo, basta, cremos, ler sem preconceitos os dois tratados dogmáticos de São Basílio para reconhecer que, no seu ensinamento, a terceira pessoa da Santa Trindade procede do Pai e do Filho, ou, segundo a fórmula oriental, do Pai pelo Filho. Mesmo se não se usa do texto contestado no concílio de Florença pelos Gregos, e reproduzido somente em nota na edição dos beneditinos, P. G., t. xxix, col. 655, nota 79, o pensamento de Basílio ressalta de outras passagens dos seus escritos. Após ter dito, na homilia 24: «O Espírito procede do Pai», το Πνευμα εκ του Πατρος εκπορευεται, ele completa esta palavra com a frase seguinte: «O Filho é do Pai pela geração, o Espírito, de uma maneira sagrada e misteriosa, é de Deus», αλλ’ ο μεν υιος εκ του Πατρος γεννηται, το δε Πνευμα αρρητως εκ του Θεου. P. G., t. xxxi, col. 616.

«A bondade essencial, a santidade essencial e a dignidade real, diz ele alhures, decorrem do Pai pelo Filho único sobre o Espírito», η ενοειδης αγαθοτης, και ο κατα φυσιν αγιασμος, και το βασιλικον αξιωμα εκ Πατρος δια του Μονογενους επι το Πνευμα διηκει. De Spiritu Sancto, 18, P. G., t. xxxii, col. 153. E ainda: «O Espírito é um, ligado ao Pai pelo Filho, e completando por si a gloriosa e bem-aventurada Trindade», εν δε και το αγιον Πνευμα, και αιδιον μοναδικως εξαγγελλομενον, δι’ ενος Υιου τω ενι Πατρι συναπτομενον, και εξ εαυτου συμπληρουν την τρισμακαριον και μακαριαν Τριαδα. Ibid., col. 152. Sobre a doutrina trinitária de São Basílio, ver Th.

de Régnon, Études de théologie positive sur la sainte Trinité, 1ª série, Paris, 1892, passim; Schwane, Histoire des dogmes, trad. Degert, Paris, 1903, t. II, p. 282 sq.; Revue d’histoire ecclésiastique, Louvain, 1903, p. 687-689.

Baert, em Acta sanctorum, 1698, junii t. II, p. 807-938; Tillemont, Mémoires pour servir à l’histoire ecclésiastique des six premiers siècles, 1703, t. IX, p. 1-804, 628-691; Garnier, 1724, em Migne, P. G., t. XXIX, col. CLXXVII-CCXLI; Fabricius, ibid., col. CCXLI-CCLXXV; Ceillier, Histoire générale des auteurs sacrés et ecclésiastiques, 1737, t. VI, p. 66-433; A. Jahn, Basilius platonizans, Berne, 1838; E. Fialon, Étude littéraire sur saint Basile, Paris, 1861; A. de Broglie, L’Église et l’empire romain au IVe siècle, 1866, t. V, p. 1-234; Bayle, Saint Basile, archevêque de Césarée, 1898; Venables, Basilius of Cesarea, em Dictionary of christian biography, 1877, t. I, p. 282-297; Bardenhewer, Les Pères de l’Église, leur vie et leurs œuvres, trad. Godet et Verschaffel, Paris, 1899, t. III, p. 69-89; Paul Allard, Saint Basile (collection «Les Saints»), 4ª edit., Paris, 1903.

Autor original: P. Allard

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