7. BASÍLIO DE ANCIRA, bispo desta cidade da Galácia, personagem célebre na história do arianismo. De início médico, segundo o relato de São Jerônimo, foi escolhido, em 336, pelos eusebianos para substituir o bispo Marcelo, deposto no sínodo de Constantinopla; a erudição e a eloquência de Basílio asseguravam ao partido um poderoso auxiliar. Sozomeno, H. E., II, 33, P. G., t. LXVII, col. 1030.
Mas os ortodoxos consideraram essa eleição ilegítima; em 344, no concílio de Sárdica, Marcelo foi reabilitado, e Basílio, retirado a Filipópolis com a minoria cismática, declarado intruso e excomungado; sentença cuja execução ocasionou um verdadeiro tumulto em Ancira. Sócrates, H. E., II, 23, P. G., t. LXVII, col. 258.
Basílio teve sua revanche em 350. Após a morte do imperador Constante, Marcelo foi expulso e seu competidor restabelecido. A partir dessa época, a vida de Basílio está tão estreitamente ligada à história do arianismo sob o reinado de Constâncio que se pode seguir toda a sua trama no artigo relativo a essa heresia. Ver t. I, col. 1825 sq.
Perto do fim de 351, ele assiste e toma parte importante no sínodo onde foi redigida a primeira das fórmulas de fé ditas de Sirmio. O discípulo de Marcelo de Ancira, Fotinio, anteriormente bispo de Sirmio, mas deposto por suas tendências sabelianas, quis se justificar nessa assembleia, e foi Basílio quem lhe deram como adversário; após uma discussão longa e encarniçada, Fotinio foi vencido e banido a perpetuidade. Sócrates, H. E., II, 30, P. G., t. LXVII, col. 290 sq. S. Epifânio, Haer., LXXI, P. G., t. XLI, col. 374 sq.
A coalizão anti-nicena tendo então se fragmentado, Basílio tornou-se o principal chefe do grupo moderado, oi αμφι Βασιλειον, os homéousianos ou semi-arianos. Após o manifesto lançado, em 357, em Sirmio por Ursácio de Singidunum, Valente de Mursa e outros arianos determinados, o bispo de Ancira aproveitou a consagração de uma igreja em sua cidade episcopal para nela realizar, durante a quaresma de 358, a famosa assembleia que, em sua carta sinodal, proclamou a carta magna do partido homéousiano. Ver ARIANISMO, t. I, col. 1022, 1824.
Basílio obteve então do imperador a reunião de um novo concílio; daí essa terceira fórmula de Sirmio, à qual se liga a questão da queda do papa Libério. Sozomeno, H. E., IV, 15, P. G., t. LXVII, col. 1150 sq.
Basílio e seu partido aproveitaram então de sua influência sobre o espírito de Constâncio e junto às damas da corte para fazer uma ativa propaganda em favor de sua doutrina e abater seus adversários; setenta anomeus, incluindo seu chefe Aécio, teriam sido banidos, se acreditarmos no historiador da seita, sujeito a cautela quando fala de Basílio. Filostórgio, Epitome historiae eccles., IV, 8-10; cf. III, 16; IV, 6, P. G., t. LXV, col. 522 sq., 508, 520.
Em seu projeto de reunir um concílio geral primeiro em Nicomédia, depois em Niceia, Constâncio teve como principal conselheiro o bispo de Ancira; mas os anomeus, retornados logo do exílio, conseguiram fazer substituir o projeto de um concílio geral pelo de duas assembleias, uma em Rímini para os Ocidentais, a outra em Selêucia para os Orientais. Por ordem do imperador, os chefes dos dois partidos tiveram até que chegar a essa espécie de compromisso dogmático que leva o nome de quarta fórmula de Sirmio ou de «credo datado».
Mas, subscrevendo ao ato após Valente de Mursa e posto em desconfiança por sua atitude, o chefe dos homéousianos fez seguir sua assinatura desta declaração: «Eu, Basílio, bispo de Ancira, creio e adiro ao que está escrito acima, confessando que o Filho é em tudo semelhante ao Pai. Em tudo, isto é, não somente quanto à vontade, mas também quanto à substância, e quanto à existência, e quanto ao ser, ου κατα την υποστασιν, ου κατα την υπαρξιν, και κατα το ειναι. E isto, porque, segundo o ensinamento das divinas Escrituras, ele é Filho, espírito de espírito, vida de vida, luz de luz, Deus de Deus, verdadeiro filho de um verdadeiro pai, sabedoria nascida do Deus sábio; em uma palavra, como filho, absolutamente semelhante ao Pai em tudo, καθαπαξ κατα παντα τον υιον ομοιον τω πατρι, ως υιον πατρι. Se alguém pretende sustentar que ele não lhe é semelhante em tudo, mas somente em alguma coisa, eu o tenho por separado da Igreja católica, como não crendo o Filho semelhante ao Pai segundo as Escrituras.» S. Epifânio, Haer., LXXIII, 22, P. G., t. XLII, col. 444.
Basílio não se contentou com essa declaração; de concerto com Jorge de Laodiceia e outros membros do partido homéousiano, ele desenvolveu sua crença mais longamente na dissertação teológica, relatada por São Epifânio após a carta do sínodo de Ancira. Ibid., col. 425-442. Ver ARIANISMO, t. I, col. 1825, e J. F. Bethune-Baker, The meaning of Homoousios in the «Constantinopolitan» Creed, p. 82-84, 80-81, em Texts and studies, Cambridge, 1901, t. VII, n. 1.
Apesar dessas reservas e dessas precauções, o compromisso político aceito pelos semi-arianos deveria ter para eles as mais graves consequências. Basílio triunfou, é verdade, no concílio de Selêucia e confirmou, com a maioria dessa assembleia, o símbolo eusebiano do concílio de Antioquia in encaeniis. Mas o bispo de Cesareia, o político e versátil Acácio, fez cisma; desprezando a sentença de deposição proferida contra ele, o novo chefe de grupo preveniu seus adversários e ganhou o imperador para sua causa.
Basílio não pôde ressair na corte sua antiga influência, nem fazer aceitar as representações que tentou fazer. Teodoreto, H. E., II, 27, P. G., t. LXXXII, col. 1045. Diante dos arrebatamentos e das ameaças de César, os deputados homéousianos de Selêucia sacrificaram seu ομοιουσιος, não menos que o ομοουσιος niceno, ao assinarem a fórmula de Rímini-Niceia. É também por essa época que parece ter ocorrido a disputa entre Aécio e Basílio de Ancira, da qual fala Filostórgio, IV, 12, P. G., t. LXV, col. 525.
O historiador anomeu atribui uma vitória brilhante ao chefe de seu partido, mas seu relato é inverossímil e encontra, de resto, um corretivo na narração toda diferente de Sozomeno, IV, 23, P. G., t. LXVII, col. 1188. A ruína de Basílio e de seus partidários completou-se em 360, no concílio acaciano de Constantinopla. Proferiram-se contra o bispo de Ancira diversas acusações, a maioria relativa à conduta arbitrária e violenta que teria tido na época de sua onipotência. Sozomeno, IV, 24, ibid., col. 1190 sq.
Acusações trazidas por inimigos, e que é impossível controlar; mas Acácio foi suspeito de ter se abandonado a ressentimentos pessoais. Filostórgio, V, 1, P. G., t. LXV, col. 528.
Outros historiadores falam do chefe dos semi-arianos como de um homem que devia à dignidade de sua vida a influência da qual desfrutou por muito tempo junto a Constâncio. Teodoreto, II, 20, P. G., t. LXXXII, col. 1062.
Basílio foi banido para a Ilíria. Como os bispos semi-arianos depostos com ele pelos acacianos, ele nos aparece em seguida nas fileiras dos macedonianos. Sozomene, IV, 27, P. G., t. LXVII, col. 1200; S. Jerôme, De viris illust., 89, P. L., t. XXIII, col. 695.
Seu nome encontra-se em primeiro lugar em uma petição, apresentada em 363 ao imperador Joviano pelos bispos deste partido; eles pediam que se expulsasse os anomeus das igrejas que possuíam, e que se colocassem eles mesmos em seu lugar; falavam também de um concílio geral, e declaravam-se prontos a se dirigir à corte, se recebessem ordem para tal. Sócrates, III, 25; Sozomene, VI, 4, P. G., t. LXVII, col. 454, 1302.
Parece, portanto, que, graças à anistia concedida por Juliano, o Apóstata, Basílio havia retornado do exílio, como os outros bispos, mas que não havia recuperado sua igreja ocupada por aquele Atanásio que os acacianos lhe haviam dado por sucessor. Sócrates, ibid., col. 456.
A petição dos bispos macedonianos restou sem efeito, e não se fala mais na história de Basílio de Ancira. É possível que, no início do reinado de Valente, ele tenha tomado parte no sínodo de Lâmpsaco, que tenha sido enviado novamente ao exílio e que lá tenha morrido.
Além da carta sinodal e da dissertação dogmática das quais se falou, Basílio havia, como nos informa São Jerônimo, composto várias obras: um escrito contra Marcelo, seu predecessor, um tratado sobre a virgindade e diversas outras coisas, das quais nada nos chegou.
O chefe dos homeousianos foi muito diversamente apreciado. Uns viram nele, como em todos os de seu partido, um verdadeiro ariano, dissimulando o veneno de seu erro para melhor enganar os simples; tal, em particular, Santo Epifânio. Haer., LXXIII, n. 1, P. G., t. XLII, col. 400 sq.
Santo Hilário e Santo Atanásio foram menos severos, como se pode ver pelo artigo ARIANISME, t. I, col. 1831 sq. Mas não se tem o direito de dizer que esses dois grandes doutores falaram de Basílio de Ancira como de um homem plenamente ortodoxo; falta muito, sobretudo, para que se possa, com certos protestantes de nossos dias, ver nele «o pai da doutrina oficial da Trindade».
O chefe dos homeousianos permaneceu na similitude de essência, e não admitiu ou não compreendeu a identidade de substância entre o Pai e o Filho; por isso se explica que o encontremos, ao fim de sua carreira, no campo dos macedonianos. Ver sobretudo as Histórias eclesiásticas e os escritos patrísticos, citados no curso deste artigo.
Para a síntese histórica desses documentos: Tillemont, Mémoires, Paris, 1704, t. VI, p. 290 sq.; dom Ceillier, Hist. gén. des auteurs sacrés, Paris, 1865, t. IV, p. 320 sq.; Hefele, Histoire des conciles, trad. Leclercq, t. I e II, passim.
Autor original: X. Le Bachelet
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