BASÍLIO (ARCEBISPO DE SELÊUCIA)

BASÍLIO (ARCEBISPO DE SELÊUCIA)

3. BASÍLIO, arcebispo de Selêucia, na Isáuria, desde o ano 431, desempenhou no caso do eutiquianismo um papel equívoco e manchou sua reputação por sua inconsistência. No seio do concílio de Constantinopla de 448, ele havia, como São Flaviano, excomungado Eutiques e anatemizado a nova heresia. No ano seguinte, no Latrocínio de Éfeso, seja por leviandade de espírito, seja, mais provavelmente, por medo de Dióscoro, ele aderiu ao monofisismo e votou pela reabilitação de Eutiques ao mesmo tempo que pela deposição de São Flaviano. Mas, no concílio de Calcedônia de 451, ele preveniu a deposição da qual estava, por sua vez, ameaçado, subscrevendo a carta dogmática de São Leão Magno e condenando Eutiques e Dióscoro. Não mais saiu, desde então, do caminho da ortodoxia. Possuímos, em Mansi, Concil., t. vii, col. 559-563, o texto latino de uma carta sinodal que Basílio escreveu em 458 ao imperador Leão I, para sustentar a autoridade do concílio de Calcedônia e protestar contra a intrusão recente do monofisita Timóteo Eluro na sé de Alexandria. Basílio morreu nos primeiros meses do ano 459.

Restaram-nos dele, além da carta sinodal supramencionada, por um lado, 41 discursos, λόγοι, sobre passagens do Antigo e do Novo Testamento, P. G., t. LXXXV, col. 27-474; por outro lado, uma história em dois livros e em prosa da vida e dos milagres da pretensa protomártir Santa Tecla, P. G., ibid., col. 474-618, relato ao qual os Atos apócrifos de Paulo e Tecla serviram de base e do qual mais de um crítico negou a Basílio a paternidade.

A origem de alguns discursos, notadamente a do 1º, do 8º, do 39º e do 41º, parece muito suspeita. Eles são de Nestório. Revue biblique, 1900, p. 344-349. Estas questões de autenticidade, assim como a teologia de Basílio, mereceriam um estudo aprofundado.

Fócio, que conhecia quinze desses discursos, censura neles, Biblioth., cod. 168, P. G., t. CIII, col. 491, o abuso da retórica, o luxo das metáforas, um estilo por vezes teatral e, consequentemente, a falta de simplicidade e de naturalidade. A exegese bíblica de Basílio parece calcada na de São Crisóstomo. Basílio, segundo Fócio, ibid., havia celebrado em versos as obras, os combates e os triunfos de Santa Tecla. Este poema há muito está perdido.

Hefele, Histoire des conciles, tradução Leclercq, Paris, 1907-1908; t. II e III, passim; Tillemont, Mémoires, t. XV, p. 340-347; Fabricius, Bibliotheca græca, edit. Harless, t. IX, p. 90-97, e P. G., t. LXXXV, col. 9-18; Fessler, Institutiones patrologiæ, edit. Jungmann, Innsbruck, 1896, t. I b, p. 290-293; Bardenhewer, Les Pères de l’Eglise, trad. franc., Paris, 1899, t. III, p. 5-7.

Autor original: P. Godet

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