BARSUMAS (BAR-SAUMA, ARQUIMANDRITA MONOFISITA)

BARSUMAS (BAR-SAUMA, ARQUIMANDRITA MONOFISITA)

2. BARSUMAS (Bar-Sauma), presbítero e arquimandrita monofisita, o mais sólido apoio de Dióscoro, arcebispo de Alexandria, nascido perto de Samósata, morto em 1º de fevereiro de 458.

Barsumas retirou-se para uma caverna para levar a vida eremítica; teve depois muitos discípulos, que narraram sobre ele fatos do maior ascetismo: teria feito dispor suportes de modo a ser mantido constantemente em pé e a não poder jamais sentar-se; teria jejuado semanas inteiras. Esses relatos, somados às suas lutas ardentes contra o nestorianismo que invadia o Oriente, tornaram-no célebre e colocaram-no em posição de destaque entre os arquimandritas.

As lutas religiosas versavam então sobre o mistério da encarnação. Nestório tinha sido condenado em Éfeso (431) e Eutiques em Constantinopla (448). Barsumas queixou-se a Teodósio II de que o nestorianismo estava invadindo o império, por isso o imperador convocou um novo concílio em Éfeso (Latrocínio de Éfeso, 449) e escreveu a Barsumas para que ali comparecesse «para representar todos os arquimandritas orientais»; escreveu nos mesmos termos a Dióscoro e a Juvenal, bispo de Jerusalém. Cf. Mansi, t. VI, col. 593.

Barsumas prestou testemunho, por seu intérprete Eusébio, à fé católica de Eutiques e subscreveu-a, Ibid., col. 862; condenou Flaviano, bispo de Constantinopla. Ibid., col. 927. Não se deve esquecer, todavia, que os monofisitas, discípulos de Dióscoro e de Barsumas, condenaram posteriormente os eutiquianos assim como os nestorianos.

Mais tarde, no concílio de Calcedônia (451), Diógenes, bispo de Cícico, que tinha aderido a tudo o que fora feito contra Flaviano, ibid., col. 911, e tinha absolvido Eutiques, ibid., col. 838, e todos os reverendíssimos bispos, dos quais a maioria tinha imitado Diógenes, narraram que Barsumas tinha matado Flaviano, que presidia ao assassínio e dizia: mata, que tinha transtornado toda a Síria e tinha trazido mil monges contra os bispos. Mansi, t. VI, col. 68.

Eusébio de Dorileia, condenado assim como Flaviano no conciliábulo de Éfeso, e que apelava dessa condenação, narrava por sua vez que Flaviano tinha sido empurrado e pisoteado por Dióscoro. Evágrio, H. E., II, 28, P. G., t. LXXXVIb, col. 2492.

Seja como for em relação a esses arrependimentos tardios e a essas recriminações, é certo que Flaviano, preso e condenado ao exílio, morreu três dias após o Latrocínio de Éfeso, Acta sanctorum, februarii, t. II, p. 17, e que Barsumas foi processado por Pulquéria como se fosse responsável por essa morte. Reapareceu no concílio de Calcedônia e apresentou, com outros arquimandritas, uma súplica em favor de Dióscoro, mas foi expulso. Mansi, t. VII, col. 65-68.

Deram-lhe trinta dias para subscrever ao concílio de Calcedônia; provavelmente não subscreveu; e morreu assim anatematizado como o assassino de Flaviano e o satélite de Dióscoro, em 1º de fevereiro de 458. É honrado como um santo pelos monofisitas. Os armênios celebram sua festa em 1º de fevereiro, dia de sua morte, e os monofisitas sírios e egípcios, no dia 3.

Escreveu algumas cartas. Mas não foi por escritos que agiu sobre o seu tempo, foi pela reputação de ascetismo que lhe criaram seus discípulos e pelo zelo feroz e selvagem que demonstrou contra os nestorianos e contra todos aqueles que acreditou poder assimilar a esses heréticos. Não deu seu parecer no conciliábulo de Éfeso senão pela boca de um monge intérprete, Mansi, t. VI, col. 862, 927, o que nos autoriza a crer que não sabia grego e que devia ter dificuldade em acompanhar as discussões dogmáticas ocidentais nas quais o imperador o tinha envolvido. Assemani, Bibl. orientalis, Roma, 1719-1728, t. III, p. 1-40; Bar-Hebraeus, Chron. eccl., Lovaina, 1872, t. I, p. 162, 180-182.

Autor original: F. Nau

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