BAGNOLENSES

BAGNOLENSES

BAGNOLAIS. Entre as numerosas seitas que proliferaram nos séculos XII e XIII, conhecidas sob o nome geral de valdenses, cátaros e, a partir de 1208, de albigenses, é por vezes difícil definir a característica de cada uma delas e indicar a origem de seu nome.

Devemos, contudo, informações precisas sobre os bagnolais a Reinerus, autor do século XIII, particularmente informado sobre os erros de seu tempo; pois ele os havia compartilhado durante dezessete anos antes de entrar na ordem de São Domingos. Ora, em sua obra Contra valdenses, c. VI, composta por volta de 1254, ele divide os cátaros da Lombardia em três seitas principais, as dos albaneses, dos concorozenses e dos bagnolais. Biblioth. max. Patr., Lyon, 1677, t. XXV, p. 267.

Estes últimos tiravam o seu nome da cidade de Bagnolo, p. 269. Habitavam Mântua, Bréscia, Bérgamo e os arredores de Milão, mal chegando ao número de duzentos, p. 269; aproximavam-se dos concorozenses, sem compartilhar todos os seus erros; pois acreditavam, em particular, que as almas foram criadas antes da constituição do mundo e que pecaram imediatamente; que a santa Virgem era um anjo; que Jesus Cristo tinha um corpo celeste e não tinha recebido de Maria a natureza humana, p. 271.

Santo Antonino escreve: Fuerunt tres secte hereticorum, scilicet albanensiun, bagno- lensium et concordentium, qui in nrultis erroribus conveniunt, licet in paucis discordent. Sum. theol., Veneza, 1581, t. IV, p. 184. Hergenröther coloca os bagnolais entre os cátaros que não professavam um dualismo rígido. Hist. de l'Église, trad. Belet, Paris, 1888, t. IV, p. 245.

(O Dictionnaire) catholique e U. Chevalier, Répertoire des sources hist., topo-bibliog., p. 292, assinalam heréticos deste nome no século VIII. O autor responsável por tal indicação não pode ser, verossimilmente, senão Prateolus (ou Préau, 1511-1588), que pretende, mas sem a menor prova e sem qualquer referência, que bagnolais viviam por volta de 796 sob o imperador Constantino VI e o papa Leão III. De vitis, sectis,... elenchus, Colônia, 1581, p. 80. Já Gretzer havia observado este erro de data. Biblioth. max. Patr., Lyon, 1677, t. XXV, p. 255.

Pluquet, no Dict. des hérésies de Migne, t. I, col. 475, fazia derivar o nome de bagnolais da cidade de Bagnols-sur-Cèze, na diocese de Uzès em Languedoc, atualmente no departamento do Gard e diocese de Nîmes; é um outro equívoco, pois nem dom Vic nem dom Vaissette, em sua Histoire du Languedoc, nem Percin, em seus Monumenta conventus tolosani, Toulouse, 1693, De heresi, part. I, p. 14-15, assinalam uma seita deste nome em Languedoc.

Não há, portanto, de fato, heréticos bagnolais, senão aqueles do começo do século XIII, confinados em algumas cidades da Lombardia ao redor de Milão. Reinerus, Contra valdenses, c. VI, em Bibliotheca maxima Patrum, Lyon, 1677, t. XXV, p. 267 sq., e em Martène, Thesaurus nov. anecd., Paris, 1717, t. V, col. 1761 sq.; S. Antonin, Sum. theol., part. IV, tit. XI, c. VII, Veneza, 1581, t. IV, p. 184. Ver Muratori, Antiq. Ital. med. aevi, Milão, 1738-1742, t. V, col. 93, onde são indicados os erros dos bagnolais, segundo os manuscritos de Peregrini Prisciani.

Autor original: G. Bareille

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