BADEN (COLÓQUIO DE)

BADEN (COLÓQUIO DE)

BADE (Colóquio de). Dá-se este nome, na história da reforma protestante, a uma conferência religiosa que se realizou, de 21 de maio a 8 de junho de 1526, em Bade, na Argóvia. Levados por Zuínglio, os zuriquenses acabavam de romper com a antiga Igreja, e os outros cantões, ressentidos contra eles, reclamavam uma discussão pública na qual participariam os teólogos de ambas as partes e onde se esforçaria por restabelecer a unidade religiosa. Após muitas delongas e atrasos, as negociações, iniciadas desde 1524, terminaram finalmente, e a reunião projetada foi convocada para 16 de maio de 1526 na pequena cidade de Bade.

Além dos deputados dos doze cantões, viram-se ali comparecer os enviados dos bispos de Constança, Basileia, Lausana e Coira. Do lado dos católicos, os principais teólogos foram o célebre João Eck, que deveria ocupar o primeiro lugar na discussão, João Faber, vigário-geral do bispado de Constança, o franciscano Tomás Murner, professor de teologia em Lucerna, Jacques Lemp, de Tubinga, e o doutor Luís Ber, cônego de São Pedro em Basileia. Do seu lado, os zuinglianos eram representados por Ecolampádio, Berthold Haller, de Berna, Henrique Linck, de Schaffhouse, João Hess, de Appenzell, Ulrich Studer, de São Galo, Jacques Immeli e Wolfgang Weissenburg, de Basileia. Zuínglio, alegando que temia pela sua segurança, recusou-se a comparecer. Erasmo, que também fora convidado, desculpou-se, pretextando uma indisposição, descontente também, talvez, pelo facto de, pouco tempo antes, os amigos de Zuínglio o terem ultrajado num escrito anónimo (carta de 25 de maio de 1526, fortissime Helvetorum nationt in concilio Badensi).

O colóquio abriu-se solenemente a 21 de maio de 1526, sob a presidência do abade de Engelberg, Barnabé Birkli, do doutor Ber e de dois leigos, o cavaleiro Jacques Stapfer, de São Galo, e o avoyer João Honegger, de Bremgarten. Desde a antevéspera, 19 de maio, tinham sido afixadas nas portas das igrejas e da câmara municipal as sete teses seguintes, sobre as quais deveria incidir principalmente a discussão: 1° O corpo e o sangue de Jesus Cristo estão verdadeiramente presentes no sacramento da eucaristia; 2° São oferecidos como verdadeiro sacrifício na missa pelos vivos e pelos mortos; 3° Deve-se invocar Maria e os santos como intercessores junto de Deus; 4° Não se deve abolir as imagens de Jesus Cristo e dos santos; 5° Após esta vida há um purgatório; 6° As crianças, mesmo as dos cristãos, nascem em pecado original; 7° Este pecado é apagado pelo batismo de Cristo, não pelo de São João. Estas teses tinham sido redigidas por Eck.

Murner acrescentou-lhes estas duas outras: 1° Crer que, no sacramento da união do corpo e do sangue de Jesus Cristo, o nosso Salvador está presente sob as duas espécies, adorá-lo e venerá-lo ali não deve ser considerado uma idolatria, uma vez que a Sagrada Escritura o ensina. Não se pode tampouco acusar de sacrilégio aquele que administra ao povo apenas sob uma única espécie, como se roubasse maldosamente a espécie do vinho ao povo cristão; 2° Não se pode sustentar por nenhuma passagem da Sagrada Escritura que seja permitido, em matéria de bens terrenos ou de pessoas, despojar o próximo do seu bem, sem nenhuma sentença jurídica, e apenas por via de facto, sob qualquer pretexto que seja; mas deve-se considerar todas essas maneiras de proceder como injustas, desonestas e ofensivas. — Esta última tese era dirigida contra as secularizações e usurpações de bens eclesiásticos das quais a reforma tinha sido a ocasião.

As discussões iniciaram-se a 21 de maio. Duraram dezoito dias. Por si só, a primeira tese ocupou cerca de vinte sessões. Defendida por Eck, foi combatida por Ecolampádio, ao qual se juntaram, no fim, Jacques Immeli e Ulrich Studer. A 29 de maio passou-se à segunda tese; foi Berthold Haller, secundado por Ecolampádio, quem a atacou. Ecolampádio combateu também a terceira proposição. A quarta foi atacada por Henrique Linck, João Hess, Dominique Zilli, de São Galo, e Ecolampádio. À quinta opuseram-se João Hess e Mathias Kessler, do cantão de Appenzell, Benoit Burgower e o diácono Wolfgang Wetter, de São Galo, e ainda Ecolampádio. As duas últimas teses de Eck não foram atacadas por ninguém, assim como as duas proposições de Murner, e a conferência foi encerrada a 8 de junho.

Tal como era de prever, o entendimento completo não se realizou. Se a grande maioria dos eclesiásticos e dos teólogos presentes se alinhou pelo sentimento de Eck, os protestantes recusaram subscrever as proposições debatidas (à exceção da primeira sobre a presença real, que foi admitida por alguns). Foi em vão que os deputados dos cantões declararam Zuínglio e os seus partidários excluídos da comunhão da Igreja e proibiram sob penas severas qualquer inovação em matéria de religião: a cisão religiosa da Suíça estava consumada.

Causa helvetica orthodoxe fidei. Disputatio Helvetiorum in Baden superiori coram xu cantonum oratoribus et nuntiis pro s. fidei cath. veritate et divinarum literarum defensione habita contra M. Lutheri, Ulr. Zwinglii et Gcolampadii perversa et famosa dogmata, in-4°, Lucerne, 1528 (édit. Murner); Die Disputation vor den xu Orten einer loblichen Eidtyenosschaft, namlich Bern, Luzern, Ury, Schwytz, etc., Lucerne, 1527. Cf. também Raynaldi, Annales ecclesiastici, a. 1526, n.98 sq.; Abraham Ruchat, Histoire de la Réformation de la Suisse, Geneve, 1740, t. 1; Jean de Muller continué par Hottinger, Histoire de la Confédération suisse, trad. Monnard et Vulliemin, Paris et Genéve, 1840, t. x; uma dissertação de Meuser, em Zeitschrift für Wissenschaft und Kunst, 3° ano, 1846; Wiedemann, Johann Eck, Ratisbonne, 1865; Id., D' Johann von Eck auf der Disputation zu Baden, em Cesterreichische Vierteljahrsschrift für katholische Theologie, Viena, 1862; Hefele, continuado por Hergenröther, Conciliengeschichte, Friburgo em Brisgóvia, 1890, t. ix, p. 659-674.

Autor original: L. Jérôme

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