BAANÈS, BAANITAS

BAANÈS, BAANITAS

BAANES, BAANITAS. Baanés foi um dos principais chefes que dirigiram a seita maniqueísta dos paulicianos, do fim do século VIII ao início do IX. Esta seita datava da segunda metade do século VII; ela havia se formado na Armênia, nos arredores de Samosata, onde fermentavam, misturados, os restos do gnosticismo e do maniqueísmo. Graças às desordens políticas nas quais se debatia o império no Oriente, graças também à longa e sangrenta controvérsia dos iconoclastas, que retinha sobretudo a atenção dos católicos, graças, enfim, às incessantes incursões dos sarracenos, ela pôde atravessar todo o século VIII sem atrair o rigor das leis e fortaleceu-se sob a direção de hábeis líderes. Era, contudo, conhecida, pois São João Damasceno a havia combatido em seu livro contra os maniqueístas. Os cronistas do século IX a conheciam igualmente.

Mas nem Teófanes, o Confessor, falecido por volta de 817, em sua *Chronographia*, nem o autor anônimo de *La vie de Léon V l'Arménien*, nem Leão, o Gramático, em sua *Chronique des empereurs*, nem Anastácio, o Bibliotecário, P. G., t. CV, col. 980 sq., 1009 sq., 1037 sq., fornecem qualquer detalhe sobre Baanés e seus discípulos. O primeiro que fala deles é Jorge Hamartolos, falecido antes de 850, em sua *Chronique*, IV, 238, P. G., t. CX, col. 885-892; depois dele, Pedro da Sicília, que em 856 recebeu do imperador Basílio a missão de dirigir-se a Tibricha, cidade da Armênia infestada de paulicianos, para tentar reconduzir esses desgarrados. *Hist. manich.*, XXXI, P. G., t. CIV, col. 1288 sq. Fócio, em seu *Contra manichaeos*, IV, 21-23, P. G., t. CII, col. 61-76, apenas resume Jorge Hamartolos e Pedro da Sicília.

A maioria dos paulicianos deixava seu nome para tomar o de um dos discípulos de São Paulo, cujo papel tentavam representar junto aos seus adeptos. É assim que se vê Constantino fazer-se passar por Silvano; Simeão torna-se Tito; Gagnésius, Timóteo; e o bastardo José, Epafrodito. Foi a este último que sucedeu Baanés. Nascido do comércio ilegítimo de dois discípulos de José Epafrodito, um judeu e uma armênia, Baanés não tomou o nome de nenhum dos discípulos de São Paulo. Mas fez-se notar por seus desbordamentos de uma imoralidade revoltante, o que lhe mereceu o sobrenome de ῥυπαρός, o sujo, o cínico, que lhe permaneceu. Pedro da Sicília, *Hist. manich.*, XXX, P. G., t. CIV, col. 1288.

Sua doutrina não tem nada de pessoal; é integralmente a de seus predecessores. Dualista à maneira de Marcião, ele opunha o Deus bom, rei do céu, criador dos espíritos, Pai celeste adorado por seus partidários, ao Deus mau, criador da matéria, adorado pelos romanos, isto é, pelos católicos. Doceta, pretendia que Jesus Cristo, enviado pelo Deus bom para libertar a alma envolvida nos laços da matéria, não tivesse tido senão uma aparência de corpo e não pudesse ter sofrido realmente, o que significava suprimir a encarnação e desfigurar a redenção. Consequentemente, Maria não era a mãe de Deus, não permaneceu sempre virgem e nem sequer foi uma santa.

Em contrapartida, Baanés levou praticamente aos extremos as consequências imorais dos princípios gnósticos e maniqueístas da seita. Não se contentou em pregar a imoralidade, praticou-a abertamente. É preciso, dizia ele, desprezar a matéria, sede do mal; é preciso subtrair a carne, sede da concupiscência, à tirania do Deus mau; é preciso imitar Adão que, o primeiro, sob o impulso do Deus bom, sacudiu o jugo ignominioso do Deus mau. Libertar a carne, saciar todas as suas cobiças, fazer da depravação um ato religioso por desprezo ao Deus mau e por amor ao Deus bom, tal era, a seus olhos, o objetivo a perseguir, o ideal a realizar. É com razão que Pedro da Sicília o trata de mestre de devassidão, κακίας διδάσκαλος, *Hist. manich.*, *loc. cit.*, e legitima assim o sobrenome de ῥυπαρός.

Compreende-se que Baanés pôde recrutar discípulos nos estratos mais baixos da sociedade. Todavia, sua falta de senso moral, a frenesi de seus desbordamentos, sua impudícia sem véus paralisaram sua propaganda entre aqueles que queriam conservar alguma aparência de compostura. Assim, encontrou uma viva oposição no filho de Dryinos d'Annia, Sérgio. Este, nascido em Tabias, era igualmente pauliciano e dava-se por Tíquico, discípulo de São Paulo. Era um outro soldado do diabo, segundo o dizer de Pedro da Sicília. *Hist. manich.*, XXXIII, *loc. cit.* Sem renegar, minimamente, as consequências imorais da doutrina pauliciana, ele creu, para melhor facilitar o recrutamento de seus adeptos, dever adornar-se com a pele de cordeiro e afetar ares de decência e de piedade.

Colocou-se, pois, em rivalidade com Baanés e lhe reprovou publicamente, por três vezes, o escândalo de seus crimes. Baanés, em vez de lhe devolver essa reprovação acrescentando-lhe a de hipocrisia, contentou-se em tratá-lo de ignorante e inovador. "Tu não conheceste, disse-lhe, nenhum de nossos mestres; quanto a mim, sou o discípulo de Epafrodito, cuja doutrina ensino." Foi a cisão na seita pauliciana; os partidários de Baanés chamaram-se baanitas; os de Sérgio, sergiotas; mas estes últimos, atribuindo a reprovação da qual eram objeto às vilanias dos baanitas, resolveram livrar-se de seus rivais; teriam mesmo conseguido exterminá-los sem a intervenção de um compatriota de Sérgio-Tíquico, um certo Teodoto, que os repatriou. Pedro da Sicília, *Hist. manich.*, XLII, *loc. cit.*, col. 1300.

Ignora-se o lugar, a data e o gênero de morte de Baanés. Todos esses paulicianos, favorecidos a princípio pelo imperador Nicéforo, foram depois englobados nas perseguições ordenadas por Miguel, o Gago, 820-829, e espalharam-se seja pela Armênia, seja pelo território já submetido aos árabes. Tratou-se acima da missão confiada pelo imperador Basílio a Pedro da Sicília. Depois disso, perde-se o rastro da seita; seus germes não desapareceram, continuaram a fermentar e a infiltrar-se através da Europa e reapareceram sob novos nomes na Itália, no Languedoc e alhures.

Jorge Hamartolos, *Chronique*, IV, 238, P. G., t. CX, col. 825; Pedro da Sicília, *Histoire des manichéens*, XXXI sq., P. G., t. CIV, col. 1228 sq.; Fócio, *Contra manichaeos*, IV, 21-23, P. G., t. CII, col. 61-76; Schmidt, *Historia paulicianorum*, Copenhague, 1826; Döllinger, *Beiträge zur Sektengeschichte des Mittelalters*, Munique, 1890, t. I.

Autor original: G. Bareille

A extração e a tradução foram feitas por IA e em caso de algum erro podem entrar em contato com o editor