BAADER (FRANCISCO DE)

BAADER (FRANCISCO DE)

BAADER (François de), filósofo e teólogo alemão, nascido em Munique em 1765. Dedicou-se primeiramente ao estudo da medicina e praticou essa arte em sua cidade natal com seu pai. Fez-se, em seguida, aluno da escola de minas. Tornando-se engenheiro, empreendeu diversas viagens pela Alemanha, permaneceu cinco anos na Inglaterra e retornou à Baviera.

Mudou logo de carreira e, por ocasião da inauguração da nova universidade de Munique, foi nomeado professor de teologia especulativa. Suas primeiras lições atraíram ao redor de sua cátedra um auditório seleto. Em 1838, tendo sido proibido o ensino da filosofia religiosa aos leigos, de Baader não ensinou mais que psicologia e antropologia. No mês de maio de 1841, foi subitamente atingido por um mal que o conduziu ao túmulo.

Autor de uma fecundidade prodigiosa, desenvolveu suas ideias em jornais, revistas e em sua correspondência. Todas as suas obras, que seria demasiado longo indicar em detalhes, foram reunidas após sua morte por seus discípulos, 1851-1860, e formam 16 volumes.

Criado na religião católica e fiel às convicções de sua infância, de Baader combateu o racionalismo de seu tempo. Mas quis compreender o catolicismo de uma maneira mais profunda que os teólogos. Lançou-se no misticismo, que estudou em obras protestantes, e sofreu profundamente a influência dos escritos de Böhme. Quis apreender a inteligência do cristianismo, cuja chave os teólogos, dizia ele, haviam perdido, e buscou-a em suas fontes, os Padres e os escolásticos, e em escritos profanos, nomeadamente nas obras dos filósofos ingleses e naquelas de Kant.

Em filosofia, uniu as especulações racionais às teorias teosóficas. Em suas obras teológicas, explicou filosoficamente a Trindade das pessoas, teve uma teoria particular da criação, ensinou a necessidade da queda dos anjos e do homem e colocou sua cristologia em correlação com sua teoria da queda. A encarnação do Filho e o sacrifício de Jesus Cristo eram, segundo ele, necessários. Tratando de questões morais e sociais, teve que falar da Igreja e chegou a atacar o papado. Não é de se estranhar, portanto, que várias de suas elucubrações tenham sido mal recebidas pelos católicos.

Hoffmann, Vorhalle zur speculativen Lehre Baaders; Lutterbeck, Ueber den philosophischen Standpunkt Baaders, 1854; Hamberger, Abhandlung über die Cardinalpunkte der Baader’schen Philosophie, 1855; Erdmann, Die Entwicklung der deutschen Speculation seit Kant, t. I; Hoffmann, Baaders Lebensbild, no tomo XV das Œuvres de Baader; Kirchenlexikon, 2ª ed., t. I, col. 1784-1787.

Autor original: E. Mangenot

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