Multique credentium veniebant confitentes et annuntiantes actus suos.
Polloi te (D, polloi de) ton pepisteukoton erchonto exomologoumenoi kai anaggellontes tas praxeis auton.
Narram os versículos precedentes que certos judeus de Éfeso tentaram inutilmente expulsar, em nome de Cristo, o demônio de um possesso, o qual se lançou sobre eles e os maltratou. "Este fato, diz o texto, foi conhecido de todos os judeus de Éfeso; eles foram tomados de temor e glorificavam o nome do Senhor Jesus. E muitos daqueles que tinham crido, etc." O texto acrescenta que muitos também queimaram publicamente seus livros de magia, representando um valor de cinquenta mil denários; e conclui que, assim, a palavra de Deus crescia e se confirmava. Atos, XIX, 13-21.
De qual confissão se trata no versículo 18? A discussão do texto, quase completamente negligenciada pelos Padres (veja-se, contudo, Ecumênio, P. G., t. CXVIII, col. 252), só ganhou certa importância na história da exegese desde as controvérsias surgidas no século XVI entre católicos e protestantes. Objetando estes que a Escritura não menciona em parte alguma a prática da confissão sacramental, os teólogos católicos foram levados a estudar mais detidamente o texto dos Atos, e muitos acreditaram encontrar nele uma resposta à objeção que lhes faziam. Um dos principais foi Belarmino, que discutiu bastante longamente o texto em suas Controvérsias, De pœnitentia, l. III, c. IV, Lyon, 1590, t. I, p. 1624. Mas sua exegese é um pouco sumária, e ele se aplica sobretudo a refutar Lutero e Calvino que, contrariamente à evidência, viam nas palavras actus suos, τὰς πράξεις, não ações culpáveis, mas ações miraculosas. Os comentaristas dos séculos XVII e XVIII estudaram mais seriamente esta passagem, chegando, aliás, a conclusões diferentes. A opinião que se pronuncia pela confissão sacramental é sobretudo representada por Cornelius a Lapide, Commentarius in Acta apostolorum, Antuérpia, 1698, p. 290. A opinião negativa, que vê no texto apenas uma confissão semelhante àquela que o precursor exigia antes de conferir seu batismo, é defendida sobretudo por Estius, Annotationes in præcipua ac difficiliora sacræ Scripturæ loca, Paris, 1663, p. 601, e por Lorin, Commentarius in Actus, Colônia, 1617, p. 715. Entre essas duas opiniões, alguns exegetas não querem se pronunciar, sob o pretexto de que ambas se equilibram. Deste número é Calmet, Commentaire littéral sur les Actes des apôtres, Paris, 1726, p. 979, indevidamente incluído entre os partidários da primeira opinião por Crelier, Les Actes des apôtres (coleção Lethielleux, Paris, 1883, p. 283). As duas opiniões continuaram, no século XIX, a dividir os intérpretes, com a diferença de que os partidários da primeira parecem ter menos valor exegético, excetuando-se, contudo, o Pe. Corluy, que soube expô-la com uma força e nitidez desconhecidas de seus predecessores, em seu Spicilegium dogmatico-biblicum, 1884, p. 444-448. A outra interpretação é sobretudo representada por Beelen, Commentarius in Acta apostolorum, Lovaina, 1850, t. II, p. 132-134; Patrizi, In Actus commentarii, Roma, 1867, p. 153; Cambier, De divina institutione confessionis sacramentalis, Lovaina, 1884. Veja-se t. II, col. 833-834.
A questão, diz com razão o Sr. Vacant, em Vigouroux, Dictionnaire de la Bible, art. Confession, t. II, col. 915, resume-se em saber se os crentes que vinham assim confessar suas ações eram batizados ou não; pois, se tinham recebido o batismo, há lugar para considerar sua confissão como sacramental; e, se não eram batizados, a coisa é impossível. A opinião afirmativa invoca as seguintes razões: 1° O termo "crentes" designa, no Novo Testamento, os fiéis batizados. Atos, II, 44; IV, 32; V, 14; XV, 5; XXI, 20, 25; Efés., I, 19, etc. — 2° Há aqui uma razão especial para dar este sentido à palavra πεπιστευκότων, pois o texto distingue esses "crentes" dos judeus e gentios de que se trata no versículo precedente. Sem dúvida, essa distinção não aparece claramente no grego, onde há πολλοί τε e não πολλοί δέ; mas é uma lição que não é absolutamente certa, visto que há πολλοί δέ no importante manuscrito D (veja-se o art. ATOS DOS APÓSTOLOS), bem como nas versões coptas. — 3° É mais natural pensar que os efésios assim levados, pelo temor do demônio, a confessar suas faltas e a se desfazer de seus livros de magia, eram cristãos cuja consciência não estava tranquila. Este confesso se compreende menos em judeus e gentios, mesmo dispostos a se converter, pois eles não podiam cogitar receber a absolvição sacramental, e tinham, aliás, o batismo à sua disposição. — A opinião negativa faz valer os seguintes argumentos: 1° O termo "crentes" não se aplica exclusivamente aos batizados nos Atos dos Apóstolos; ele designa também catecúmenos não batizados. Atos, XI, 21; XVI, 8. O Pe. Corluy reconhece ele mesmo que a palavra πεπιστευκότων não significa necessariamente, apesar de sua forma de passado, fiéis batizados há algum tempo, mas pode designar o estado de espírito de judeus e pagãos que tinham sido impressionados pelos eventos narrados nos Atos e já tinham começado a crer. — 2° A distinção que se quer estabelecer entre esses "crentes" e os outros não é fundamentada. A lição πολλοί τε é suficientemente garantida pela quase unanimidade dos manuscritos e das versões. Em boa crítica, não se pode hesitar entre essa lição quase unânime e aquela que é dada pelo manuscrito D, onde abundam variantes singulares, e por duas versões cuja importância exata ainda é mal conhecida. — 3° O confesso de que se trata se compreende melhor, dizem, entre cristãos. Um confesso sacramental, sim; um confesso extra-sacramental, não. Ora, a questão é precisamente saber em qual categoria ele deve ser classificado. É erroneamente que certos partidários da primeira opinião creem encontrar um argumento favorável na palavra ἐξομολογούμενοι, confitentes, visto que é a mesma palavra que designa o confesso feito ao precursor. Mateus, III, 6. — 4° É inverossímil que cristãos recentemente batizados, como eram os efésios, tivessem continuado em tão grande número a se entregar à magia após seu batismo. Ora, resulta claramente do conjunto do texto que as pessoas assim aditas à magia eram as mesmas que os "crentes" mencionados por São Lucas. — 5° Finalmente, a segunda opinião pode reivindicar em seu favor a conclusão final do relato, onde é dito que "a palavra de Deus crescia e se fortificava", isto é, segundo o sentido ordinário desta fórmula, que a Igreja recrutava novos fiéis. — Estes últimos argumentos, sem serem decisivos, parecem-nos mais convincentes que os da primeira opinião. São bastante sólidos, em todo caso, para merecerem ser tomados em séria consideração pelos teólogos, que evitarão, assim, provar uma tese certa por argumentos contestáveis.
J. BELLAMY.
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