ASTÉRIO (Santo), bispo de Amaseia, no Ponto, contemporâneo de São João Crisóstomo. Ele próprio nos informa que teve como mestre um certo Cita (um godo?), que, vendido muito jovem como escravo a um professor de Antioquia, fizera na escola desse mestre progressos maravilhosos e conquistara uma grande reputação entre os gregos e os romanos. Photius, Bibliotheca, cod. 271, P. G., t. civ, col. 216.
É tudo o que se sabe de sua vida, cuja época é, contudo, fixada por certas alusões de suas homilias aos acontecimentos contemporâneos. Ele recorda a apostasia de Juliano, Orat., xi, P. G., t. XL, col. 208; seu sermão da festa das Calendas, Orat., iv, col. 218, é do ano que seguiu o consulado e a queda de Eutrópio, isto é, do dia de ano-novo de 400; ele fala alhures de sua avançada idade. Photius, Amphil., 312, P. G., t. ci, col. 411.
Não nos restam de Santo Astério senão sermões ou homilias. Vinte e dois desses discursos estão completos, a saber: doze sobre assuntos diversos, na edição de Combefis, Paris, 1648; oito sobre os Salmos, dos quais um entre as obras de São Crisóstomo, e os sete outros publicados por Cotelier, Monumenta Ecclesiae græcæ, Paris, t. ii: dois, enfim, encontrados entre as obras de São Gregório de Nissa, que são atribuídos ao nosso autor por Photius, Biblioth., cod. 271, P. G., t. civ, col. 201-204, 216. Photius fornece extratos de vários outros discursos que parecem perdidos. Ibid., col. 201-216, 221-224. Mas possuímos ainda, sob o nome de Santo Astério, uma homilia sobre São Basílio de Amaseia, seu predecessor. Acta sanctorum, t. iii aprilis, Paris, em Migne, P. G., t. xl, col. 420-427, 463-480. Tillemont os analisa com sua exatidão habitual, t. x, p. 109 sq.
Santo Astério era um orador de mérito, embora desigual. Ele propõe Demóstenes como modelo. Orat., xi, col. 329. Seus melhores discursos testemunham uma grande força de expressão e um grande senso de convicção moral. Há passagens de uma eloquência marcante. Sua ortodoxia era incontestada. Por contraste com seu homônimo ariano, Photius, Amphil., loc. cit., o descreve firme na fé, devotado ao cuidado de seu rebanho, ao qual dava o exemplo da piedade e de todas as virtudes. Os concílios dos séculos posteriores, especialmente aqueles relativos à controvérsia iconoclasta, gostam de citar sua autoridade. O II Concílio de Niceia chama-o de «um astro brilhante, iluminando todos os espíritos». Labbe, Concil., t. viii, col. 1385, 1387. P. G., t. XL, col. 155-162; Tillemont, Mémoires pour servir à l'histoire ecclésiastique des six premiers siècles, Paris, 1705, t. x, p. 407-414; Acta sanctorum, t. xiii octobris, p. 330-334; Engelhardt, Die Homilien des Asterius von Amasea, drei Programme, Erlangen, 1830-1833; L. Koch, Asterius, Bischof von Amasea, na Zeitschrift für historische Theologie, t. xli (1871), p. 77-107; Fessler-Jungmann, Institut. patrologiæ, Inspruck, 1890, t. i, p. 624, nota; Bardenhewer, Patrologie, Fribourg-en-Brisgau, 1894, p. 283; trad. franc., Paris, 1899, t. II, p. 125; U. Chevalier, Répertoire des sources historiques du moyen âge, Bio-bibliographie, p. 179-180.
Autor original: C. Verschaffel
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