ÁSIA. Um primeiro artigo será dedicado ao meio religioso da Ásia, e um segundo à história das missões católicas desta parte do mundo.
I. ÁSIA. O estado religioso da Ásia. — I. Aspecto geral e população total. II. Ásia russa. III. Ásia ocidental. IV. Índias e dependências. V. Ásia oriental.
— I. Aspecto geral e população total. Berço da humanidade, a Ásia é vista como o centro de difusão das diversas raças que, por migrações sucessivas, transportaram para as outras partes do mundo os germes de uma civilização comum em princípio, mas constituída diferentemente pela história das circunstâncias do gênero humano. Desta longa corrente, apenas os últimos elos são conhecidos; o restante forma o que se chama pré-história, e é por induções engenhosas ou conjecturas arriscadas que os sábios tentam reconstituir um passado remoto. O que permanece como um fato adquirido é que quatro raças principais parecem ainda dividir o continente, mas o seu desenvolvimento, influenciado pela diversidade do meio, teve destinos muito diferentes, tanto do ponto de vista da multiplicação da espécie quanto do ponto de vista do movimento social e religioso; tal como nos esforçaremos por explicar a variedade dos costumes e das crenças.
A Ásia é o maior dos continentes; sua superfície é quatro vezes e meia a da Europa, que parece, nos mapas, não ser senão um prolongamento peninsular. Além disso, por sua configuração maciça, a Ásia é a região continental por excelência; e se, no sul, pelas penínsulas arábica, indiana e indo-chinesa, se, no leste, por seus arquipélagos e por seus grandes rios navegáveis, ela se deixa facilmente penetrar pelas influências externas, ao norte, pelo contrário, como a oeste, é uma região fechada, com seus montes inacessíveis, com seus desertos sem água, seus mares interiores e seu oceano ártico, onde as geleiras formam uma barreira na maioria das vezes intransponível.
O sistema montanhoso que ocupa o centro do vasto retângulo é composto de cadeias elevadas, orientadas geralmente do oeste para o leste e que se reúnem em um ponto central, a região dos Pamirs, que apenas rápidos exploradores puderam abordar, sem que houvesse uma rota que pudesse servir utilmente às trocas comerciais e sociais. Ao redor dos Pamirs, as quatro cadeias constituíram quatro compartimentos que comunicam dificilmente entre si e onde tiveram origem quatro civilizações distintas, as dos fino-tártaros, dos mongóis, dos arianos e dos semitas. Difíceis, as comunicações não eram, contudo, impossíveis: vê-se, com efeito, de leste a oeste, isto é, paralelamente às grandes cadeias, desenharem-se duas rotas que as migrações e as invasões seguiram; os arianos, que formam a base da população da Índia, os mongóis que, nos tempos históricos, ocuparam uma parte da Europa, sob Átila e mais tarde sob Tamerlão, e depois, em sentido inverso, os semitas maometanos que refluíram sobre a Índia e os russos que transbordam atualmente nas regiões médias da Ásia setentrional. Quanto às relações entre o sul e o norte, elas foram nulas até o dia em que as cobiças dos europeus, mais poderosas que os obstáculos naturais, determinaram uma corrente, aliás artificial, entre o Turquestão e o Panjabe, de um lado, e de outro, entre a Birmânia e o vale do Yang-tse-kiang.
A população da Ásia é estimada em 800 milhões de habitantes, ou seja, mais da metade da espécie humana; ela se reparte muito desigualmente nas quatro partes deste continente. A Ásia russa conta cerca de 25 milhões de habitantes, a Ásia ocidental 32 milhões, a Índia e seus anexos 303 milhões, a China com a Coreia, o Japão e a Indochina 409 milhões. Eis os números fornecidos pelo geógrafo A. Supan, nos Mitteilungen de Petermann (Erganzungsheft, n. 135, Gotha, 1901). 1° Ásia russa 24 947 500; 2° Ásia ocidental: Império otomano (parte asiática) 17 176 500, Arábia 1 950 000, Pérsia independente 9 000 000, Afeganistão 4 550 000; 3° Índia e dependências 302 831 700; 4° Ásia oriental: China 330 829 900, Coreia (1899) 9 670 000, Japão (1899) 46 494 000, Indochina francesa (1890) 15 590 000, Sião 6 320 000.
— II. Ásia russa. A Ásia russa divide-se administrativamente em três partes distintas: Sibéria, Cáucaso e Ásia central.
— 1° Sibéria. O censo de 1897 dá uma população de 5 727 090, que deve ter aumentado consideravelmente desde então, de 200 000 habitantes talvez (segundo um relatório apresentado à Exposição de 1900) pela emigração, que se tornou extremamente intensa. No conjunto, o elemento indígena atinge apenas 650 000 almas e reparte-se em três grupos: fino, turco-tártaro e mongol. Os finlandeses, que estão estabelecidos na parte setentrional da Sibéria, são no máximo 50 000; dividem-se em samoiedos, ostíacos e voguls. São xamanistas, embora a maioria deles seja contada como grego-ortodoxa, mas, mesmo quando frequentam a igreja russa, permanecem apegados às suas velhas superstições. Os turco-tártaros, em número de 300 000, habitam mais ao sul e formam vários grupos (iacutes, tártaros, calmucos, etc.) que são ou fino-mongóis, ou convertidos ao islamismo; sua língua é o turco. Os mongóis, que também são 300 000, dividem-se em dois grupos principais, os buriates e os tungues; são budistas e reconhecem a autoridade do grande lama. A religião russa é, portanto, ao menos nominalmente, a de cerca de nove décimos da população siberiana, não levando em conta os raskolniks de várias denominações, cujo número é difícil de avaliar, pois eles se escondem habitualmente para evitar perseguições. Há um arcebispo em Tobolsk, bispos em Tomsk, Irkutsk e Yenisselsk, e missões, aos quais é preciso acrescentar as três sedes de criação recente de Blagoveshchensk, Transbaikalia-Nertchinsk e Vladivostok. Os católicos deportados, descendentes de deportados ou emigrados livres, são cerca de 50 000, repartidos em cinco paróquias e dependem espiritualmente do arcebispo de Mohilev, na Rússia europeia.
2° Cáucaso. A população de 9 248 695 almas aumenta rapidamente; era em 1858 de 4 milhões e meio e de 5 800 000 em 1880. Após a anexação de uma parte da Armênia, a emigração em massa dos circassianos muçulmanos que passaram para a Turquia (em número de 600 000, entre 1860 e 1890) foi largamente compensada, em parte, pela imigração de numerosos armênios, que fugiam da dominação otomana, e sobretudo por um afluxo de camponeses russos, que vieram estabelecer-se ao sul do Cáucaso para trabalhar nas fontes de petróleo.
Pode-se avaliar o número de eslavos em 3 milhões, os georgianos ou indígenas cristãos seriam 2 milhões, os armênios, perto de 1 milhão, e os indígenas muçulmanos, 3 milhões. A maioria dos armênios pertence à Igreja monofisista ou gregoriana; existem, contudo, cerca de 15.000 armênios católicos, subordinados ao bispo de Artvin. Um grande número dos armênios gregorianos entrou, desde a conquista russa, na Igreja ortodoxa; o mesmo deve ser dito dos nestorianos e jacobitas emigrados da Turquia; eles permitiram ser inscritos, ao entrar na Rússia, no número dos fiéis da Igreja oficial. Alguns milhares de jacobitas e nestorianos que passaram para a Rússia pertenciam ao protestantismo e os presbiterianos americanos tinham empreendido seguir seus fiéis, mas esta missão era vista com maus olhos pelo governo russo, como a que os suecos começaram entre os Buriates, e ela está quase abandonada.
Os georgianos formaram outrora uma igreja independente que por muito tempo guardou um apego sincero à Igreja romana; depois ela dela se separou e sofreu a influência grega quando os reis da Geórgia tiveram que abandonar os belos estabelecimentos que sua nação tinha em Jerusalém e, em particular, na basílica do Santo Sepulcro, onde os gregos se arranjaram para atribuir a si a maior parte. Quando os russos atravessaram o Cáucaso e ocuparam Tiflis, a Igreja georgiana foi absorvida pela de Moscou, e o único vestígio que resta de sua antiga independência é a presença de um delegado da Geórgia entre os membros do Santo Sínodo. Existem georgianos católicos, mas não suficientemente numerosos para que tenha sido possível, até o presente dia, dar-lhes a autonomia própria das outras igrejas unidas; na falta de um número suficiente de padres de sua raça, os georgianos católicos são confiados aos cuidados dos párocos armênios-unidos, o que não deixa de apresentar graves inconvenientes, dada a rivalidade secular que sempre dividiu os dois povos. A Igreja russa possui bispos em Kutaisi, Poti, Sukhum-Kale e Vladikavkaz, sob a autoridade do metropolita de Tiflis.
— 3° Ásia central. Sob esta denominação, os russos reuniram todo o país dos Urais ao Indocuche, e do mar Cáspio ao Pamir; são as Estepes do Turquestão e do distrito transcaspiano, e também os territórios povoados e prósperos dos antigos canatos de Khiva, Samarcanda e Bucara. As estatísticas de Reclus, datando de 1870 a 1877, comparadas às de 1897, apresentam uma enorme diferença, indo, para certos distritos, do simples ao triplo. É preciso dizer que, há trinta anos, em um país mal submetido, muitas tribos nômades conseguiam subtrair-se ao recenseamento, prelúdio do imposto; pode-se dizer também que o otimismo oficial tende frequentemente a aumentar os números. Admitimos, contudo, na falta de algo melhor, os números oficiais que avaliam a população em 7.721.684 habitantes. No norte (províncias de Akmolinsk, Semipalatinsk, Semirechye), a população russa, imigrada em terras férteis e facilmente exploráveis, supera certamente em um milhão os indígenas; os outros habitantes são de raça turco-tártara e são de religião em grande parte muçulmana, os quirguizes, turcomenos, caracalpaques, sartes e uzbeques. À medida que se avança para o sul, a vizinhança da Pérsia reconhece-se pela proporção de sangue ariano que se mistura ao sangue turco. Os tadjiques são de raça ariana quase pura. Da mesma forma, encontram-se no leste numerosos chineses. A Igreja ortodoxa tem por chefe um prelado que possui o título de bispo do Turquestão. Os muçulmanos desta parte da Ásia são, como os persas, da seita dos xiitas e seu islamismo é misturado a numerosas superstições pagãs que lhes são comuns com as outras populações muçulmanas da Rússia.
— III. Ásia ocidental. 1° Generalidades. O ocidente da Ásia compõe-se de três partes: a Pérsia, os países semitas e a Ásia Menor. Se é possível reconhecer nos persas e nos armênios duas raças irmãs, de tronco ariano, se a raça semítica domina em meio à diversidade das religiões na Síria, na Arábia e até na Mesopotâmia, é muito menos fácil determinar qual é o fundo étnico das populações da Ásia Menor. Percorrida em todos os sentidos pelos conquistadores que ali deixaram alguns colonos, desde os persas e os medos até os turcos, passando pelos gregos, gauleses, romanos e árabes, a Ásia Menor não tem outro princípio de unidade senão a dominação dos otomanos, que fez tomar o nome genérico de turcos a cem povos diversos por sua origem e seus costumes. Primeiro foco de expansão do cristianismo, a Ásia ocidental foi cedo unida em uma comunidade de fé, pois os judeus tinham totalmente desaparecido, e não é senão em montanhas remotas e nos distritos da Arábia que subsistiam tribos que o Evangelho não tinha iluminado; mas esta unidade de crenças não tardou a se quebrar; as heresias sem número dividiram a Igreja e duas delas, o nestorianismo e o monofisismo, subsistem ainda. Em meio a esses dilaceramentos fez sua aparição o islamismo, que não tardou a submergir todas essas Igrejas, as que eram fiéis, como as que tinham fraquejado; e, como se não bastasse, o cisma de Constantinopla veio completar o desastre. Durante vários séculos, à parte alguns pontos mais privilegiados, não houve mais católicos, como na montanha do Líbano, onde os maronitas, sempre fiéis, ou pelo menos retornados bem cedo de um erro passageiro, continuavam a viver em união com Roma, centro da Igreja, e com o papa, vigário de Jesus Cristo. Não se deveria concluir daí que todos os cristãos orientais foram formalmente separados da Igreja católica; uma ignorância profunda preservou-os de uma ruptura completa; viu-se bem quando os missionários latinos se apresentaram a eles na Síria, na Armênia ou na Mesopotâmia no século XVIII, e quando a Igreja de Constantinopla quis impor uma separação mais explícita, protestos se levantaram, de onde saíram as igrejas orientais unidas, que, ao custo das lutas mais generosas, e graças ao apoio da França, souberam conquistar pouco a pouco, junto aos sultões, seus direitos de comunidades autônomas.
2° Império otomano. — No presente momento, o cristianismo tem no império otomano uma situação oficialmente reconhecida, embora subordinada ao bom prazer e ao arbítrio.
Se os orientais-unidos devem à proteção da França uma vida menos difícil, embora ela o seja ainda demais, as comunidades separadas vivem sob a lei do vencedor, e é muito frequentemente que se viu o sultão fazer e desfazer os patriarcas grego e armênio; no fim, nada vale, parece-lhes, a proteção turca do que a do papa.
Dos 17 ou 18 milhões de habitantes do Império Otomano, deve-se contar 11 milhões e meio de maometanos; é preciso acrescentar que as estatísticas classificam entre o islamismo os curdos, cerca de um milhão, e outros, beduínos de Kizyl-bach, que não são muçulmanos senão de nome e que praticam, em pequeno número, o paganismo, outros, cultos mal conhecidos, nos quais se encontram os vestígios dos mistérios impuros das antigas superstições. Os judeus, sobre os quais as informações reunidas são manifestamente inexatas e incompletas, são provavelmente 200.000.
Para os cristãos, as avaliações deveriam ser mais precisas e, no entanto, nada é mais difícil do que obtê-las; sem falar da tendência bem natural que leva cada nacionalidade a dizer-se mais numerosa que as suas rivais, é preciso levar em conta também a profunda desordem administrativa que obstrui toda investigação regular. Os números que dou no quadro ao lado diferem bastante notavelmente do total que extraímos dos últimos trabalhos do Dr. A. Supan (17.176.500); eu os reproduzo, contudo, pelo interesse que apresentam do ponto de vista da repartição dos diferentes cultos; reconheço-lhes um valor considerável, pois são extraídos em grande parte da excelente obra do Sr. Cuinet intitulada La Turquie d'Asie. Como secretário-geral do conselho da dívida otomana, o Sr. Cuinet tinha sob as suas ordens todo um pessoal europeu, encarregado de supervisionar a arrecadação dos impostos em toda a extensão do Império; ele pôde obter por meio de seus subordinados indicações muito precisas que utilizou com discernimento, mas ele não podia, todavia, evitar omissões e erros, e o quadro que fornecemos certamente os contém; mas o seu trabalho não deixou por isso de fazer a questão dar um enorme progresso e retifica em vários pontos dados errôneos nos quais me apoiei na minha obra. À travers l'Orient. Paris, 1896.
No que diz respeito às Igrejas dissidentes, pode-se dizer que os cristãos da Turquia têm um pouco menos de 3 milhões e 600 mil, dos quais 700 mil católicos e 100 mil protestantes.
O protestantismo exerce a sua atividade na Síria e por toda a Armênia. Na Palestina, foi desde o ano de 1821 que a Sociedade Bíblica começou os seus trabalhos, mas a instalação do protestantismo em Jerusalém data do ano de 1841. Por força de um acordo, foi instituído o bispado protestante de Jerusalém, dotado pela Prússia e pela Inglaterra, as duas coroas; o titular deveria ser escolhido alternadamente entre os anglicanos e entre os luteranos; exercia sobre todos os reformados da Palestina uma autoridade que não implicava de modo algum a unidade de confissão de fé, pois cada fiel deveria permanecer ligado ao seu símbolo particular. O primeiro bispo designado pela rainha da Inglaterra foi um antigo judeu polonês, Salomon Alexander, muito hebraísta, e a sua missão era, antes de tudo, trabalhar pela conversão dos israelitas. Depois dele, Samuel Gobat ocupou a sede durante trinta anos; era um homem muito ativo que fundou em Jerusalém diferentes estabelecimentos, dos quais o principal é o das diaconisas de Kaiserswerth. O Sr. Gobat, pela aliança híbrida do anglicanismo e do luteranismo, foi o sustento da influência puramente inglesa; os alemães têm agora uma comunidade distinta, cuja magnífica igreja o imperador inaugurou durante a sua recente viagem ao Oriente. Na Síria, os templários de Württemberg têm colônias que contam, segundo Warneck, 1344 aderentes, Gara, em Jafa e em Caifa, ao protestantismo na Palestina; há também 21 adeptos. Na Síria, é sobretudo a missão presbiteriana americana que exerce a sua ação, para além dos estabelecimentos subordinados a outros agrupamentos: Gunderl avalia o número de protestantes em 2000. Esses números são sensivelmente inferiores aos dados por Cuinet, que avalia em 11.000 o número de protestantes na Síria e na Palestina. Na Armênia, é a American board of missions que está estabelecida há vinte anos; ela tem 23 colégios, 127 escolas, 107 localidades onde estudantes foram visitados e pastores ordenados; 600 missões; 1000 e poucos indígenas. O número de prosélitos, que Cuinet eleva a 70.000, parece exagerado, pois Warneck não conta para todo o Império Otomano senão 80 a 90 mil protestantes, dos quais 25.000 comungantes.
A Igreja grega conta cerca de 1.600.000 fiéis, dos quais a maior parte depende do patriarca de Constantinopla, 300.000 do de Antioquia e 20.000 do de Jerusalém. Os greco-árabes destes dois últimos patriarcados tiveram por pastores, até estes últimos tempos, prelados de raça e língua grega, retirados dos mosteiros que dependem de Constantinopla e de Atenas; o clero indígena era mantido em todos os aspectos em um estado de inferioridade que lhe fechava o acesso às altas funções. Um dia chegou, porém, em que os padres árabes se revoltaram contra esse exclusivismo, cujo principal resultado era dar ao seu país bispos estranhos aos seus costumes, à sua língua e às suas aspirações; o povo os seguiu; a Rússia os encorajou e defendeu, e, apesar do mau querer de Constantinopla, a Igreja síria ortodoxa conta agora um certo número de bispos indígenas; a recente eleição de um árabe para a sede patriarcal de Antioquia foi o acontecimento mais significativo dessa luta que está longe de terminar.
A Igreja armênia gregoriana tem o seu chefe ou católicos em Etchmiadzin, na Armênia russa; e patriarcas secundários em Cis, na Cilícia, em Aghtamar, perto de Van, em Jerusalém, enfim em Constantinopla; é este último que, reconhecido pelo governo turco como chefe civil e religioso de sua nação, regula com a Sublime Porta as numerosas questões litigiosas que surgem. Ver col. 1903-1911. O patriarca dos sírios jacobitas reside o mais habitualmente em Mardin, e o chefe religioso e político dos nestorianos perto de Djulamerk, no Curdistão.
A organização das cristandades unidas encontra-se exposta em detalhe em outras partes desta obra. Ver Antioquia, col. 1399, Constantinopla (Igreja), Jerusalém (Igreja).
Os fiéis de rito latino estão submetidos à jurisdição de seis prelados: 1° o delegado apostólico de Constantinopla tem sob sua dependência praticamente toda a parte ocidental da península, com 15.800 fiéis, e exceto a [Ásia] Menor; 2° a arquidiocese de Esmirna, que tem como circunscrição a pequena Igreja; 3° a prefeitura apostólica de Constantinopla, confiada aos padres franciscanos (260 católicos); 4° o arcebispo de Bagdá tem sob sua autoridade as três missões (outrora prefeituras apostólicas) de Harpoot, Mossul e Bagdá; a primeira dessas missões é confiada aos capuchinhos da província de Lyon, a segunda aos dominicanos da província de Paris e a terceira aos carmelitas descalços da província da França; 5° o delegado apostólico da Síria, residente em Beirute, exerce o encargo episcopal para todos os fiéis da Síria; finalmente, 6° o patriarca de Jerusalém é encarregado da Palestina e de uma parte da Galileia, até Nazaré e ao lago de Tiberíades.
Além disso, o patriarca de Jerusalém, o arcebispo de Beirute e os ordinários católicos da Síria estão encarregados de representar o soberano pontífice junto aos fiéis que pertencem às Igrejas unidas; os relatórios dos diversos patriarcas orientais foram lidos diariamente. 'Lit." de 19 de março de 1896, que é o complemento e o comentário da constituição. Ela tem, portanto, ao mesmo tempo uma jurisdição direta sobre os latinos e sobre os orientais católicos pela autoridade puramente moral que eles detêm de seu caráter e do soberano pontífice.
3° Arábia independente. — Há pouco a dizer sobre a Arábia independente, cuja população é de aproximadamente dois milhões de habitantes. Anexada idealmente ao vicariato do Egito pelo decreto de 17 de maio de 1839. Juris pontificii Propaganda fide, part. I. Roma, 1895, t. V, p. 212-213, ela constitui, desde 1889, um vicariato confiado aos capuchinhos franceses. A residência do vigário é em Aden e os fiéis são em número de cerca de 1500.
4° Pérsia. — O cristianismo goza na Pérsia de uma liberdade quase completa, mas atingiu apenas um fraco desenvolvimento. Os persas, em número de 9 milhões, são muçulmanos da seita xiita e absolutamente refratários à ação dos missionários. O administrador da diocese de Ispahan, que é um lazarista, não governa mais de 150 católicos de rito latino; no Curdistão persa, que confina com a Turquia, encontram-se alguns milhares de católicos orientais, caldeus, armênios, e um número um pouco mais considerável de cristãos não católicos, principalmente armênios, que vieram refugiar-se lá no momento dos massacres, mas não se possui nenhuma indicação precisa a seu respeito. Há na Pérsia, nomeadamente em Djoulfa, subúrbio de Ispahan, e em Tauris, missões protestantes que dependem da Church missionary society e de algumas outras associações que se aplicam de preferência à conversão dos cristãos cismáticos; os esforços protestantes para atrair a si os muçulmanos são geralmente tão infrutíferos quanto os dos católicos.
5° Afeganistão. — O Afeganistão faz parte do mesmo grupo de Estados, ou melhor, forma a transição entre a Ásia ocidental e a Índia: é um país inteiramente muçulmano de 11 milhões de habitantes no qual não há nenhuma igreja cristã organizada.
IV. Índia e dependências. — O império que a Inglaterra possui nas Índias confina a oeste com os países balúchis e afegãos, ao norte é limitado pelo Pamir e pelo Tibete; a leste, a influência inglesa choca-se com a da França nos confins da Birmânia; durante o fim do século XIX, o reino do Sião, embora independente, tendeu a gravitar na órbita da potência britânica, mas desde os tratados de 1897, a influência da França começou a fazer-se sentir novamente, sobretudo devido ao grande número de anamitas franceses imigrados no rico vale do Meinam.
Esta imensa extensão de país contém quase 300 milhões de habitantes; os dados fornecidos por Missiones catholicœ, 28252980, estão manifestamente abaixo da verdade e parecem remontar ao recenseamento feito em 1871; desde então, vários foram feitos e o último, o de 1891, ao qual nos ativemos, dá o algarismo de 295.281.169, que permite supor que, apesar da fome e das epidemias que, quase todos os anos, fazem milhares de vítimas, o número de 300 milhões está atualmente atingido e mesmo ultrapassado.
A população da Índia compõe-se da sobreposição, umas às outras, de várias raças: os negros aparentados aos povos do grupo australo-malaio; eles, à exceção de alguns distritos montanhosos, desapareceram do continente, e não se encontra seu tipo praticamente puro senão nas ilhas Andaman e Nicobar; os dravidianos, de raça branca e de uma cultura muito mais avançada, tiveram, contudo, de recuar diante dos invasores vindos do leste e do oeste; os turanianos amarelos chegaram em seguida pelo Tibete, e os arianos do planalto do Irã; muito menos numerosos, os arianos triunfam contudo graças à sua inteligência superior; com o apoio das populações negras, venceram os dravidianos; é daí, sem dúvida, que saiu o mito de Rama, conquistador da Índia à frente de um exército de macacos.
Os amarelos retiraram-se para o seu país de origem, onde importaram a religião de Buda. O budismo, rechaçado com os dravidianos para o sul da península e para a ilha do Ceilão, não foi contudo sem influência na formação da religião nacional da Índia, o bramanismo, onde se encontram amalgamadas tradições de origem muito complexa. No século II da nossa era, uma nova invasão turaniana, vinda esta do vale do Oxus, abalou a dominação ariana, já comprometida desde o aparecimento dos exércitos de Alexandre; depois, até ao século XIII, as migrações sucederam-se vindas do oeste e trouxeram à Índia os numerosos elementos arianos que acabaram por dar à raça sua marca definitiva.
Uma tribo ariana que chegou, no século VII, da Pérsia, é a dos parsis, sectários da religião de Zoroastro; eles fixaram-se na costa de Guzerate e, graças à sua religião, que diverge nitidamente de todas as das populações vizinhas, permaneceram homogêneos, sabendo ao mesmo tempo tirar proveito das vantagens que lhes proporciona a civilização moderna.
Finalmente, entre o século XIII e o século XVI, foram os muçulmanos que, pelo vale do Indo, se espalharam em Bengala e no Decão; fundaram lá o império do Grão-Mogol, que, diretamente ou por seus vassalos, estendia-se sobre toda a parte central da Índia, no momento em que a França e a Inglaterra começaram a disputar a supremacia.
Esta luta, cheia de gloriosos episódios, terminou com a vitória da Companhia das Índias, à qual a Inglaterra se substituiu em meados do século XIX; a conquista modificou gradualmente a constituição política da península e do país, mas sem influir na etnografia de suas dependências.
Os habitantes do império das Índias falam cento e vinte e três línguas e dialetos que se dividem, sobretudo, em dois grupos: as línguas arianas (hindi, 89 milhões; bengali, 41; marata, 16; punjabi, 18; guzerate, 11, etc.); as línguas dravidianas (telugu, 20 milhões; tâmil, 13; canarim, 10, etc.). O hindustâni, língua moderna que, com um fundo ariano, tomou grandes empréstimos do persa e do árabe, é uma língua comum a quase todos os habitantes dos grandes vales do norte; e o sul, povoado por dravidianos, desempenha o mesmo papel.
De acordo com as estatísticas publicadas após o censo de 1891, eis qual era então a repartição das religiões: Hindus 207.731.727; Muçulmanos 57.321.164; Pagãos e diversos (judeus, 17.194; parses, 89.904) 11.338.161; Budistas 7.131.361; Cristãos 2.284.380. Total 287.223.431. Os budistas estão confinados na ilha do Ceilão e na Birmânia.
O protestantismo desenvolveu-se muito lentamente a princípio na Índia, contava apenas com 128.000 adeptos em 1872, 318.363 em 1882; mas desde então, em 1898, atingiu 460.000. Christlieb, The foreign missions of protestantism, trad. de D. A. Croom, Londres, 1881. Este autor fazia então (p. 159, nota) o cálculo de que, aumentando na mesma proporção, o número de protestantes chegaria a 1 milhão em 1901, e a 138 milhões no ano 2000. A primeira parte desta conjectura realizou-se exatamente.
No Congresso das missões protestantes realizado em Nova York em abril de 1900, as estatísticas apresentadas pelos missionários da Índia davam um número de prosélitos que subia a 1.005.960; é verdade que o de comungantes é de apenas 102.554. Report of the ecumenical conference on foreign missions, April 21 to May 1 1900, t. II, p. 424. Warneck, cujos cálculos se restringem à Índia propriamente dita, avalia o número de protestantes em 700.000 para o ano de 1899.
Estes fiéis dependem de um número muito considerável de missionários pertencentes a todas as denominações: anglicanos, batistas, presbiterianos, metodistas, calvinistas; de acordo com o livro do Sr. Warneck, 70 sociedades dedicam-se à pregação; mais da metade são inglesas, cerca de vinte americanas; dez são alemãs, escandinavas ou holandesas. Em geral, não se deve dar muita atenção à multiplicidade dos agrupamentos, dos quais um grande número esconde, sob denominações sonoras, uma grande insuficiência; segundo a observação do autor citado mais acima, de 150 ou 200 sociedades de missões protestantes, não há 60 que tenham mais de 20 membros, e muitas delas admitem que, após trabalhos prolongados, não converteram um milhar de infiéis.
Devemos, portanto, levar em conta sobretudo as missões que, dirigidas com método, produziram resultados apreciáveis; é, primeiramente, a sociedade anglicana para a propagação do Evangelho (S. P. G.); depois a Church missionary society, evangélica; entre os dissidentes, os mais ativos são os wesleyanos, que têm 130.000 fiéis apenas na Índia, os batistas, os presbiterianos escoceses e irlandeses; o Exército da Salvação faz muito barulho, talvez mais do que trabalho, e as outras missões o temem muito, pois é nas suas fileiras, mais do que entre os pagãos, que ele tenta recrutar os seus «soldados». As missões americanas mais desenvolvidas são as do American board e das diversas associações batistas e metodistas. As sociedades alemãs de Leipzig e de Hermansburg trabalham com sucesso na presidência de Madras, e as missões de Basileia têm numerosos estabelecimentos na costa do Malabar.
Os anglicanos contavam, em 1891, mais de 200.000 fiéis, os batistas um pouco menos, os luteranos 70.000, os congregacionalistas 50.000, os presbiterianos 35.000, os wesleyanos 25.000; desde essa época, o número total de protestantes cresceu 400.000.
O progresso do catolicismo não seguiu uma marcha tão rápida quanto a do protestantismo, contudo, está longe de ser desprezível e o número dos seus fiéis ultrapassa dois milhões, desigualmente repartidos, como resulta da tabela abaixo. Deixamos os números da população total tais como são dados nas Missiones catholicae, mas ressaltando que eles são quase um sexto inferiores à realidade. No que diz respeito à população católica, seguimos o Madras catholic directory de 1900, que corrigimos de acordo com as informações mais recentes que recebemos das sociedades de missionários sobre a repartição e a situação atual das circunscrições católicas.
Nota-se que o número de católicos aumenta rapidamente ao passar do norte para o sul. A proporção de católicos, que é de 3,6 por 1000 habitantes na província eclesiástica de Agra, passa para 190 por 1000 na de Pondichéry e para 400 por 1000 na de Ceilão. É preciso buscar a explicação, primeiramente, na presença de uma enorme quantidade de muçulmanos no norte; ao passo que o sul contém uma maioria de tribos dravidianas (Telugus, Tâmis, Canarins) muito mais acessíveis à pregação evangélica do que o restante dos hindus e, sobretudo, do que os muçulmanos; finalmente, é preciso notar que foi pelo sul da península que começou a obra dos missionários; foi nas costas do Malabar, do Carnático e do Coromandel que foram fundados os primeiros estabelecimentos católicos, e a ação várias vezes secular do apostolado pode ter trazido à população uma transformação que a torna mais apta a adaptar-se aos ensinamentos do cristianismo.
Isso é verdade sobretudo na Índia, onde os preconceitos de casta são um dos principais obstáculos à propagação da nossa fé; séculos não são suficientes para vencer as repugnâncias que a doutrina da fraternidade cristã encontra junto ao povo. Se fosse assim, os missionários que trabalham no centro e no norte teriam a consolação, à falta de grandes resultados imediatos, de pensar que estão desbravando um solo que, sob os seus sucessores, produzirá colheitas abundantes.
Pode-se fazer a mesma observação sobre a repartição dos cristãos batizados pelas sociedades protestantes: eis uma tabela estabelecida de acordo com as informações fornecidas por Warneck, para o ano de 1890. População total, Protestantes. Punjabe e províncias do N.-O. . 83.000.000 51.030 Bengala 62.000.000 108.901 Madras e províncias do Sul. . . . 35.000.000 365.912 Bombaim e províncias centrais. . . .
Ceilão 3.000.000 30.000 Os israelitas são cerca de 18.000, dos quais 5.000 em Bombaim, 1.000 em Calcutá e os outros agrupados em grande parte no Malabar, sob a dominação portuguesa. V. Ásia oriental.
1° China. É na extremidade ocidental do continente asiático, nas ilhas, nas costas e ao longo do curso dos grandes rios navegáveis que se reúnem populações inumeráveis, e as estatísticas mais verossímeis não podem ser garantidas com uma margem de erro inferior a uma ou várias dezenas de milhões. Se aproximarmos o número fornecido pelo Almanach de Gotha (1901) daquele que provê o Annuaire pontifical da mesma data, encontraremos para a China uma diferença de 61 milhões.
Tem-se dito frequentemente que a religião dos chineses é uma religião ateia; e, em realidade, não se pode encontrar a noção do Deus pessoal neste Tien, a respeito do qual se disputou com tanto ardor, mesmo quando seria necessário interpretá-lo, como queriam os jesuítas, não como o "céu" material, mas como o "céu" mestre do céu. Na realidade, existem na China não uma, mas três religiões nacionais. O confucionismo, reservado aos letrados e aos funcionários, o que, aliás, é o caminho que conduz às funções públicas, é um culto puramente civil que tem por base um panteísmo filosófico, mas que, na prática, se reduz à observação meticulosa de ritos cujo significado escapa àqueles mesmos que os cumprem. O taoísmo, como a religião dos habitantes primitivos do país, é o culto dos gênios e dos demônios; degenerou em politeísmo e em idolatria; seus sacerdotes entregam-se às práticas da feitiçaria. Finalmente, o budismo perdeu seu caráter original de doutrina moral para degenerar em um paganismo grosseiro. Estas religiões não são, para o chinês, exclusivas uma da outra; são consideradas como igualmente verdadeiras e realmente boas; na realidade, não formam senão uma, diversificada segundo as regiões pela influência dos meios e o caráter próprio aos habitantes de cada região.
Ao lado do culto oficial, o primeiro lugar é ocupado pelo islã, que faz grandes progressos inquietantes em todo o Extremo Oriente. Um artigo muito curioso publicado na Revue de l'Orient chrétien, 1901, n. 2, p. 221-253, estima em 30 milhões o número dos muçulmanos chineses; formam grupos muito homogêneos no Turquestão chinês, na Dzungaria e na Mongólia, depois no Kansu e no Yunnan; encontram-se também no Kweichow, no Fukien, nos grandes portos de Cantão e Xangai; finalmente, seriam quase 200.000 na aglomeração pequinês; sua influência faz-se sentir até no domínio da política, e contribuíram em grande parte para os recentes massacres, assim como, por sua coesão, dão atualmente ao governo chinês um ponto de apoio para sua resistência às reclamações das potências aliadas. Mantêm-se em relações com seus correligionários das Filipinas e das Índias Neerlandesas e poderão um dia tornar-se a ocasião de graves complicações.
As missões protestantes foram tardiamente introduzidas na China e tiveram um sucesso relativamente medíocre; mas, contudo, progrediam no momento em que os acontecimentos de 1900 paralisaram completamente sua ação em uma metade do império chinês. O Almanach de Gotha de 1901 fornece para 1881, 19.000 protestantes, e para 1887, 35.750. Gundert, Die evangelische Mission, fornece um número ligeiramente superior assim repartido: Missionários. Comunicantes. Presbiterianos. . . . 122 12347 Metodistas 73 6954 Congregacionalistas 68 5627 Batistas 50 4471 Episcopais 44 3215 Diversos 232 5613 589 37287 Warneck fornece, para 1893, um total de 55093, para 1897, de 80682, e avalia o número atual em 200.000; é verdade que ele conta todos os batizados, enquanto Gundert recenseia apenas os comunicantes, mas o progresso não é menos muito considerável. Estas missões são administradas por 53 sociedades, das quais metade são americanas; mas o trabalho útil é realizado por uma dezena, no máximo, de agrupamentos; os metodistas ocupam o primeiro lugar com 20.326 aderentes, os presbiterianos americanos 8.300, a China-Inland mission 7.900, a London missionary society 7.100, a Church mission society 5.000, os presbiterianos ingleses 4.000, a missão de Basileia 3.000.
As missões católicas, de origem muito mais antiga, estendem-se por toda a superfície da China, que é dividida em 39 vicariatos e 2 prefeituras apostólicas, aos quais convém acrescentar o antigo bispado português de Macau. As terríveis perseguições do ano de 1900 trouxeram graves perturbações no funcionamento de uma parte dessas missões, e os números que vamos fornecer foram, sem dúvida, consideravelmente modificados. Esses acontecimentos desorganizaram momentaneamente os vicariatos da metade setentrional do império; o Yunnan e o Su-tchuen são igualmente percorridos por bandos de fanáticos; não podemos ainda avaliar a importância do desastre, mas ele é enorme e serão necessários longos anos para reerguer as ruínas.
2° Coreia. — Na Coreia, ao contrário, a era das perseguições oficiais parece encerrada; este reino manteve-se longamente fechado a toda ação vinda dos povos cristãos, e os missionários não penetravam nele senão sob o risco de suas vidas. Desde a última guerra sino-japonesa, a Coreia passou da suserania mais ou menos nominal da China para a hegemonia ainda dissimulada, mas muito real, do Japão, e os europeus estão autorizados a residir no reino; em teoria, os missionários gozam de uma liberdade completa, o que não impede os funcionários, sobretudo nos distritos remotos, de molestá-los, de fazê-los encarcerar, até mesmo de executá-los; há, contudo, um abrandamento e as perseguições são totalmente locais. Como na China, a população pratica três cultos: nas classes populares, é um naturalismo grosseiro misturado com os ritos budistas do país e, enfim, nas classes superiores, a filosofia de Confúcio está em honra. Os coreanos, dóceis e inteligentes, ouviram com docilidade a palavra dos missionários; o número das missões católicas estrangeiras, em 1900, elevava-se a 39 sacerdotes servindo 700 estações e 40.000 batizados. Os protestantes metodistas e batistas estão instalados desde 1882 na Coreia e fizeram também cerca de 7.000 prosélitos.
3° Japão. — O Japão também passou, há cerca de trinta anos, por uma transição brusca, de um isolamento obstinado para uma civilização ultramoderna; foi em trinta anos que esta transformação se realizou. Os europeus confinados, de 1854 a 1896, em algumas cidades do litoral, estão livres agora de circular onde bem lhes pareça.
As instituições foram renovadas de um só bloco, e o traje nacional é, ele próprio, abandonado por todo japonês que se preza de civilização. Desde 1889, o Estado japonês inscreveu em sua constituição a liberdade de consciência e os cultos nacionais cessaram de ser subvencionados.
Esses cultos são, primeiramente, o xintoísmo, religião dos antigos japoneses, que honra os gênios por meio de sacrifícios e outras práticas fortemente impregnadas de superstições, das quais algumas são muito audaciosas; certos japoneses praticam-na concomitantemente com o budismo, introduzido no século VI no Japão.
Os cultos cristãos são autorizados no sentido de que a lei os ignora e não coloca nenhum obstáculo à sua propagação; essa atitude do Estado ateu não deixa de causar sérias dificuldades; é assim que a lei sobre a instrução pública promulgada em 1899 proíbe o ensino de toda religião e toda prática religiosa nas escolas oficiais e mesmo nas escolas livres que seguem os programas oficiais; ora, essas escolas só são toleradas na medida em que se conformam a esses programas. Todavia, é justo notar que tal regulamento não tem no Japão o caráter odioso que apresenta nos países cristãos; aqui há um verdadeiro caos no qual se agitam mais de 80 seitas budistas e xintoístas, ao lado de 37 seitas protestantes e do cisma russo. Relatório de Mons. Ozouf, arcebispo de Tóquio, no Compte rendu de la Société des missions étrangères para 1899.
As autoridades usam geralmente de um espírito muito amplo na aplicação desses regulamentos, mas não é menos verdade que, onde o funcionário é mal-intencionado, ele pode criar grandes dificuldades; tal escola foi ameaçada de fechamento porque se encontraram nas mãos das crianças exemplares do catecismo, um livro que não figura na lista das obras autorizadas nas escolas.
O catolicismo japonês fez, em vinte anos, rápidos progressos; contava 1000 fiéis em 1879; desde a instituição da hierarquia em 1891, o Japão forma uma província eclesiástica, composta pela arquidiocese de Tóquio e pelas dioceses de Nagasaki, Osaka e Hakodate; o número de fiéis era, em 1901, de 55453, administrados por 119 padres da Sociedade das Missões Estrangeiras de Paris, aos quais vêm em auxílio, sobretudo para a instrução, os marianistas e religiosas francesas pertencentes a 7 comunidades (damas de Saint-Maur, Saint-Paul de Chartres, Enfant-Jésus de Chaufailles e franciscanas missionárias de Maria). A vida contemplativa é representada por cistercienses e trapistas. A situação particular no Japão é uma das nossas missões. Um bispo russo está encarregado das missões da ortodoxia, no norte. Em 1879, contavam-se apenas 3000 cristãos; este número é hoje de muito mais de 200.000.
O mesmo ocorre com os protestantes, dos quais se contam missões americanas; eles criaram, desde então, cerca de trinta numerosos estabelecimentos e reais sucessos. Em 1899, contavam-se 50.000 protestantes comungantes, dos quais metade depende das igrejas congregacionalista e episcopal. O temperamento japonês, argumentador e um pouco superficial, acomodou-se muito bem ao ensino de uma religião onde o individualismo mantém uma grande importância; e um número relativamente considerável de conversões ocorre nas classes superiores; o vice-presidente da câmara japonesa é um protestante.
— Indochina francesa. O vasto império que a França constituiu no Extremo Oriente é de data recente; foi em 1858 que o almirante Rigaud de Genouilly surgiu diante de Tourane para ali tomar a defesa dos cristãos perseguidos; em 1859, após a tomada de Saigon, a Cochinchina meridional foi anexada e, em 1863, o rei do Camboja, Norodom, colocava-se sob a proteção da França. A conquista de Tonquim, de 1882 a 1884, teve como consequência o estabelecimento do protetorado sobre o reino de Annam e, enfim, em 1897, uma parte do território siamês foi colocada em nossa zona de influência.
A população é de estirpe mongólica, com uma proporção de sangue malaio que aumenta avançando para o sul; além dos anamitas e dos cambojanos, há vestígios da população amarela anterior sob o nome de Khmers, Muongs, Laocianos; eles formam agrupamentos consideráveis no interior da península. As línguas anamita, cambojana e siamesa aproximam-se do chinês, embora sejam menos complicadas. A religião é um budismo alterado por superstições estranhas; como na China, o confucionismo é professado pelos letrados. Os malaios, que se encontram em número bastante grande no sul, são geralmente maometanos. Enfim, os chineses formam uma parte notável da população: estima-se que haja 80.000 na Cochinchina e no Tonquim, e na única cidade de Cholon, vizinha de Saigon, eles têm quase o monopólio dos estabelecimentos industriais que se criaram recentemente na Ásia, como se lia em um relato de viagem na Revue des Deux Mondes (15 de março de 1899).
— Para avaliar a situação religiosa, é necessário recorrer a hipóteses: pudemos levantar com bastante exatidão o número dos católicos e dos protestantes; não existe nenhum documento sério que permita enumerar o das outras religiões. Não parece, contudo, muito longe da verdade estimar o número dos budistas em 200 milhões, o dos muçulmanos em 100 milhões, o dos bramanistas em 400 milhões, o dos pagãos em 80 milhões, o dos cristãos, sem dúvida exagerado, em 20 milhões.
Avaliamos a população cristã: na Ásia russa em 1 milhão. Os protestantes são, segundo Warneck. Na Ásia anterior, Índia, Japão, China e Indochina: 1 210 000 e 162 000.
HIERARQUIA CATÓLICA Legenda: Arcebispado. o Bispado. Residência de um vigário apostólico. Limite de Estado. Limite de Província Eclesiástica. Dioceses do rito siro-malabar. *Richo Deschryvèl Imp. E. Daïrénoy.
(1) Todos esses vicariatos são confiados às Missões Estrangeiras de Paris, os (2) dominicanos espanhóis. Estes números são os das Missões católicas de 1901. V. Annuaire du gouverneur général de l'Indo-Chine française, deu-me como número (690 000+630 000) aproxima-se exatamente desta estimativa. Os católicos seriam: Na Ásia russa: de 70 a 75.000 No Império otomano e na Pérsia: 700.000 Na Índia: 2 140 000 Na China, Coreia, Japão e Indochina: 1 710 000 Ou seja, pouco mais de 4 milhões e meio. Gams, Series episcoporum, Ratisbonne, 1873; Oriens christianus, Paris, 1740, t. v; Reclus, Ecclesiae catholicse, 1879-1895; Marcel Dubois, Cours de géographie, Paris, 1887-1891; Missiones catholicae descriptae, Roma, 1901; Annuaire pontifical catholique, Paris, 1901; R. P.
Piolet, Les missions catholiques françaises au xixe siècle, Paris, 1901, t. i, ii, iii; Id., Relatório sobre as missões católicas francesas (Exposição das missões, 1900), Paris, 1900; Louvet, As missões católicas, Lille, 1895; Launay, História das missões estrangeiras, Paris, 1894; Henrion, História das missões católicas, Paris, 1847; Cuinet, A Turquia da Ásia, Paris, 1890; Launay, História das missões da Índia, Paris, 1894-1901; Pisani, Através do Oriente, Paris, 1898; Werner, Atlas das missões católicas, trad. Greffier, Friburgo em Brisgóvia, 1880; Anais da Propagação da Fé; Anais da Santa Infância; Boletim das obras do Oriente; Anais da Missão; Cartas do Oriente; Relatórios das missões estrangeiras..., etc.
— Protestante: Congresso das missões realizado em Nova Iorque, Londres, 1900; Warneck, História das missões protestantes, trad. Cnlv, Paris, 1894; Christlieb, Protestant foreign missions, Londres, 1881; Grundemann, Die evangelische Mission, Gütersloh, 1896; Gundert, Atlas das missões protestantes, Estugarda, 1894; Pisani, As missões protestantes na Quinzaine, 15 de set. e 1º de outubro de 1901, Paris, 1901; Jornal das missões evangélicas.
Autor original: P. Pisani
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