ASCELIN, monge de Bec, nasceu em Poitiers, como resulta de uma carta de Berengário ao monge Ricardo, P. L., t. CL, col. 69. Entrou no mosteiro sob o governo do B. Hellouin aproximadamente na mesma época que Lanfranc.
Assistiu, em 1050, à conferência que teve lugar em Brionne, por instigação do duque da Normandia, Guilherme, o Bastardo, entre vários religiosos de Bec e o herege Berengário. Berengário não respondeu aos seus contraditores e não fez qualquer concessão. Escreveu, pouco depois, ao monge Ascelin para realçar algumas circunstâncias da conferência. Ascelin replicou a essa carta.
A sua resposta, firme e precisa, foi editada por Luc d'Achery nas adições acrescentadas à vida de Lanfranc, publicada à frente das obras do arcebispo de Cantuária, Paris, 1648, P. L., t. CL, col. 67-68; por du Boulay, Historia universitatis parisiensis, Paris, 1665, t. Ier, p. 430-431; e por Labbe, Concilia, Paris, 1671, t. IX, col. 1057-1059.
Nela afirma a sua crença inabalável na presença real do corpo de Jesus Cristo na Eucaristia e apoia-a no testemunho evidente da Escritura bem interpretada; acredita também na realidade do sacrifício da missa, sacrifício que não é contrário às razões naturais, uma vez que é misticamente realizado sobre o altar pela omnipotência de Deus, tão verdadeiramente quanto a encarnação do Verbo no seio de Maria: é o ensinamento dos evangelistas, dos apóstolos e dos doutores, ao qual exorta Berengário a retornar.
Retifica a proposição que Berengário pretendia ter sido emitida na conferência de Brionne por Guilherme, monge de Bec, e que teria dito: « omnem hominem in Pascha sacrilege debere accedere; quant sententiam sacrilegam et inique judicari debere ». Mas tinha dito: « omnem christianum debere in Pascha de mensa dominica communicare, nisi pro aliquo crimine a se perpetrato a tam salubri sequestretur convivio; hoc autem nullo modo fuit, nisi solo praecepto confessoris sui alioquin claves Ecclesiae annullantur ». P. L., t. CL, col. 67.
Ver Berengário. Mabillon, Acta sanctorum ordinis s. Benedicti, Veneza, t. IX, praef., p. XVII, n. 40; Ceillier, Histoire générale des auteurs sacrés et ecclésiastiques, Paris, 1757, t. XX, p. 287-288, 445-446; Histoire littéraire de la France, 2e édit., Paris, 1867, t. VII, p. 554-556; E. du Pin, Bibliothèque des auteurs ecclésiastiques, XIe siècle, Paris, 1699, p. 26-28.
Autor original: E. Mangenot
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