APOLÔNIO (ANTIMONTANISTA)

APOLÔNIO (ANTIMONTANISTA)

APOLÔNIO, do tempo de Cômodo e de Septímio Severo, escritor eclesiástico antimontanista, entre 180 e 210; grego do Oriente, e provavelmente da província da Ásia, pois está muito bem informado sobre as origens cristãs de Éfeso, bem como sobre os fatos e feitos dos montanistas da Frígia; talvez até bispo de Éfeso, se pudéssemos aceitar o que diz dele o autor do Praedestinatus, 26, P. L., t. liii, col. 596; mas o silêncio de Eusébio torna muito duvidoso esse testemunho.

Bispo ou não, Apolônio assumiu a defesa da Igreja contra a heresia de Montano, na sequência de Zótico de Comana, Juliano de Apameia, Sotas de Anquialo, Apolinário de Hierápolis, e compôs uma obra, citada por Eusébio, H. E., v, 18, P. G., t. xx, col. 476, e louvada por São Jerônimo, De vir. ill., XL, P. L., t. xxiii, col. 655. Esta obra está perdida; ignora-se até mesmo o seu título; ao menos sabe-se que desvelava a falsidade das profecias montanistas, relatava a vida pouco edificante de Montano e de suas profetisas, assim como o suicídio deles, e dava a conhecer alguns dos adeptos da seita, entre outros o apóstata Temiso e o pseudomártir Alexandre; o primeiro, após ter escapado ao martírio a preço de dinheiro, impôs-se como inovador, dirigiu aos seus partidários uma carta à maneira dos apóstolos e, finalmente, blasfemou contra Cristo e sua Igreja; o segundo, ladrão notório, publicamente condenado em Éfeso pelo procônsul da Ásia, fazia-se adorar como um deus.

Sabemos por Eusébio que Apolônio falava, em sua obra, de Zótico, que havia tentado exorcizar Maximila em Pepuza, mas fora impedido por Temiso, e do bispo mártir Traseias, outro adversário do montanismo. Muito provavelmente, deveria ali assinalar o movimento de reprovação que suscitou contra a seita a reunião dos primeiros sínodos. Em todo caso, recordava ali a tradição, segundo a qual Nosso Senhor teria recomendado aos seus apóstolos que não se afastassem de Jerusalém durante os doze primeiros anos que seguiriam a sua ascensão; tradição conhecida por Clemente de Alexandria, que a colheu da Pregação de Pedro, Strom., vi, 5, P. G., t. ix, col. 964.

Recordava ali ainda o milagre da ressurreição de um morto em Éfeso, operado pelo apóstolo João, de quem conhecia e citava o Apocalipse. Dessa forma, ocupou um lugar entre os adversários do montanismo, ao lado do Anônimo de Eusébio, H. E., v, 16, 17, P. G., t. xx, col. 464 sq., de Zótico e de Apolinário. Sua obra constituía “uma abundante e excelente refutação”, diz Eusébio, H. E., v, 18, P. G., t. xx, col. 476, que São Jerônimo qualifica de insigne, De vir. ill., XL, P. L., t. xxiii, col. 655.

Por isso, esteve longe de passar despercebida; causou até certo alvoroço no campo montanista, pois Tertuliano sentiu a necessidade de responder a ela. Com efeito, na sequência dos seus seis livros em que fazia a apologia dos fenômenos extáticos, em nome dos quais as profetisas de Montano começavam a profetizar, compôs um sétimo livro para refutar Apolônio, e redigiu-o em grego para ser melhor compreendido pelos montanistas da Ásia. A perda da obra de Apolônio e da resposta de Tertuliano nos impede de formar uma ideia de como era a controvérsia no início do século III.

Autor original: G. Bareille

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