AMORT Eusébio, nascido em Bibermühle, perto de Tölz, na Baviera, em 15 de novembro de 1692, ingressou muito jovem entre os cônegos regulares de Pollingen, onde fez profissão e ensinou, sucessivamente, no mesmo convento, os diversos ramos do ensino eclesiástico: filosofia, teologia e direito canônico. Sua inteligência viva e brilhante, não podendo confinar-se naquele horizonte de estudos abstratos, aplicava-se então simultaneamente à cultura das letras e das ciências naturais. Era, aliás, por esse lado que um dia haveria de brilhar a glória do jovem e zeloso professor que, para fazer seus alunos compartilharem seus gostos literários e estabelecer entre eles um espírito de emulação, instituiu uma espécie de academia, destinada a ser mais tarde o modelo daquela que se fundou em Munique e da qual foi nomeado membro em 1735. Sua reputação nascente o designou à escolha do cardeal Leccari, que o tomou como teólogo, levou-o a Roma e lhe deu assim a facilidade de completar seus vastos conhecimentos nas ricas e célebres bibliotecas dessa cidade, bem como no convívio com os homens mais instruídos de seu tempo. Foi lá que ele estreitou íntimas relações com o que Roma tinha de mais notável em ciência e dignidade, como testemunham suas trocas de cartas íntimas com os papas Bento XIII e Bento XIV, com os cardeais Leccari, Galli, Orsi, etc., e os eminentes teólogos Concina e Afonso de Ligório. De volta à sua pátria em 1735, após uma ausência de dois anos, Amort foi eleito deão do convento de Pollingen e empregou todo o seu tempo e todo o seu saber para fazer florescer na Baviera uma espécie de renascimento literário e científico do qual se tornou como que o centro de ação. Defendeu também com energia a autoridade do papa e publicou, até a sua morte, em 5 de fevereiro de 1775, uma profusão de obras de todos os gêneros: poemas, hipóteses astronômicas, filosofia, teologia, mística, crítica e direito canônico, que, reunidos, formariam como que uma vasta enciclopédia. Compreende-se, portanto, que seu saber fosse menos profundo que extenso, ainda que permaneça muito estimável e que seja digno dos elogios que Bento XIV e santo Afonso de Ligório lhe prodigalizaram. Em moral, Amort ensina o probabilismo com grande calor e lógica, ainda que mantendo na prática um pouco demais de severidade.
Eis seus principais tratados: Theologia eclectica moralis et scholastica, 4 vol. in-fol., Augsburgo, 1752, e Bolonha, 1753, revisto por Bento XIV antes de ser impresso; — Ethica christiana, in-8°, Augsburgo, 1758; Theologia moralis inter rigorem et laxitatem media, 2 vol. in-4°, Augsburgo, 1739; — Systema doctrine circa duo precepta spei et caritatis, in-8°, Augsburgo, 1749; — Moralium actionum regula in opinabilibus, in-4, Veneza, 1756; — Tradução latina do Dicionário de casos de consciência, de Pontas, expurgado das doutrinas galicanas e rigoristas de seu autor, 2 vol. in-fol., Veneza, 1733; — Controversiæ morales ou justificação do escrito precedente, Augsburgo, 1739; — Disquisitiones theologicæ de controversiis in theologia morali insignibus, in-8°, Veneza, 1745; — Idea amoris divini, dissertação sobre o primeiro mandamento, in-8°, Augsburgo, 1739; — Responsio ad scrupulos G. Linhard primi ac maximi mandati: Diliges Dominum Deum tuum ex toto corde tuo, Augsburgo, 1746.
Deixou na área do direito canônico, Elementa juris canonici veteris et moderni, 3 vol. in-4°, Ulm, 1757; Ferrara, 1763, defesa da jurisdição eclesiástica contra as tentativas agressivas dos políticos de seu tempo; — Reflexiones et principia meliora de jurisdictione ecclesiastica, in-4°, Frankfurt, 1757, sem nome de autor: é uma resposta ao livro de P. de la Borde, Princípios sobre a essência das duas potências; — Vetus disciplina canonicorum regularium et secularivm a partir de manuscritos inéditos, 2 vol. in-4°, Veneza, 1748; — finalmente, uma refutação anônima dos argumentos de von Lochstein contra a imunidade eclesiástica, Verschiedene Fragen über Ver. von Lochstein Gründe, Estrasburgo, 1766. — Na filosofia temos dele: Philosophia pollingana, 4 vol. in-12, Augsburgo, 1780; — Wolfiana judicia de philosophia et leibnitiana physica, in-4°, Frankfurt, 1746. — Quanto às obras de dogma e de apologética, é preciso citar: Demonstratio critica religionis catholicæ nova, modesta, facilis, in-fol., Veneza, 1744; — Abhandlung von Anrufung der Heiligen, in-8°, Veneza, 1756, apologia do culto dos santos; — De origine, progressu, valore et fructu indulgentiarum accurata notitia historica, dogmatica, critica, in-fol., Augsburgo, 1785. Notemos também que ele combateu as doutrinas jansenistas.
Ele enriqueceu a mística com um valioso trabalho: De revelationibus, visionibus et apparitionibus privatis regulæ tutæ ex Scriptura, Conciliis, Sanctis Patribus aliisque optimis auctoribus collectæ, explicatæ atque exemplis illustratæ, 2 vol. in-4°, Augsburgo, 1744. A assinalar igualmente suas pesquisas sobre o verdadeiro autor da Imitação de Jesus Cristo: Scutum Kempense, in-4, Colônia, 1725; Plena et succincta informatio de statu totius controversiæ, in-8°, Augsburgo, 1725; Certitudo moralis pro Th. Kempensi, in-4°, Ratisbona, 1764. Todas essas dissertações, dirigidas contra os jansenistas, são de uma rara erudição e de uma crítica muito judiciosa. Amort ilustrou-se ainda em várias questões escriturísticas. Ver Vigouroux, Dictionnaire de la Bible, 1892, t. 1, col. 512. Suas observações astronômicas estão consignadas em: Nova philosophiæ planetarum et artis criticæ systemata, in-4°, Nuremberg, 1723, e suas obras literárias em Parnassus boicus, in-4°, Munique, 1722. Gravaram o seu retrato com esta inscrição: Litterarum, maxime sacrarum, per Bavariam restaurator. Era tido como um homem sábio, modesto e profundamente erudito.
Feller, Biographie universelle, Paris, 1845, t. I, p. 45; Michaud, Biographie universelle, ancienne et moderne, Paris, 1811, t. 0, p. 59; Glaire, Dictionnaire des sciences ecclésiastiques, t. I, p. 90, Paris, 1868; Wetzer et Welte, Kirchenlexikon, 2e édit., t. 1, col. 754; Baader, Das gelehrte Bayern, Nuremberg, 1804, t. 1, p. 20; Von Savioli-Corbelli, Ehrendenkmal des Eus. Amort Gedichtnissrede in einer öffentl. Versammlung der Akademie der Wissenschaften 1777 zu München gehalten; Hurter, Nomenclator literarius, Inspruck, 1895, t. III, col. 204.
Autor original: C. Toussaint
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