AMBRÓSIO, O CAMALDULENSE

AMBRÓSIO, O CAMALDULENSE

Ambrósio Traversari nasceu em Portico, perto de Florença, a 16 de setembro de 1386; aos quatorze anos de idade, entrou na ordem dos camaldulenses, da qual se tornou geral em 1431; morreu em 1439, a 24 de outubro: é honrado pela Igreja a 20 de novembro.

Ambrósio, o Camaldulense, é um dos maiores teólogos e um dos mais fecundos escritores do seu tempo; coisa muito rara então para um latino, ele sabia admiravelmente o grego. Foi a essa ciência da língua grega, não menos que à sua grande inteligência dos assuntos eclesiásticos, que ele deveu o seu protagonismo nos concílios de Basileia, Ferrara e Florença. O Papa Eugênio IV encarregou-o de uma missão para o concílio de Basileia e, a 26 de agosto de 1435, Ambrósio, num discurso solene que nos chegou, Mansi, t. XXIX, col. 1250-1257, defendeu a primazia do pontífice romano e conjurou a assembleia sinodal a não rasgar a túnica inconsútil de Cristo e a não alterar a unidade da Igreja. De Basileia, Ambrósio foi enviado pelo Papa ao imperador Sigismundo para o rogar, entre outras coisas, a ajudar a autoridade espiritual a pôr fim ao escândalo de uma assembleia que, durante cinco anos, sem ter feito nada de útil, usurpava as prerrogativas da Sé Apostólica. Mansi, t. XXX, col. 970-976. Foi também por instâncias muito vivas do geral dos camaldulenses que o Papa Eugênio se decidiu a pronunciar a trasladação do concílio de Basileia para Ferrara, a 18 de setembro de 1437. Nesse concílio, e mais tarde em Florença, Ambrósio contribuiu, em grande parte, pelos seus discursos e pela sua caridade para com pobres bispos gregos, para a reunião das duas Igrejas. Foi ele o encarregado de redigir, em grego e em latim, o decreto de união solenemente publicado a 6 de julho de 1439. Mansi, t. XXXI, col. 1025-1045. A mesma fórmula encontra-se reproduzida em grego, em latim e em francês, em Hefele, Histoire des conciles, trad. Leclercq, t. VII, Paris, 1912, § 799.

Ambrósio morreu pouco tempo depois da feliz conclusão do concílio, deixando um número considerável de escritos originais e de traduções. Entre os primeiros, cumpre assinalar um tratado sobre a Santa Eucaristia, outro sobre a procissão do Espírito Santo, várias Vidas de santos, dois livros sobre o seu generalato entre os camaldulenses, uma Crônica do Monte Cassino, e um Hodoeporicon ou relato da viagem empreendida por ordem de Eugênio IV para visitar os conventos masculinos e femininos da Itália. As suas principais traduções do grego para o latim são as da Vida de São João Crisóstomo, por Paládio, impressa em Veneza em 1533; a do Prado Espiritual, de João Mosco, Lyon, 1617, reproduzida em P. G., t. LXXXVII, col. 2847-3112; uma revisão da tradução latina da Escada do Paraíso de São João Clímaco, Veneza, 1531, P. G., t. LXXXVIII; os quatro livros contra os erros dos Gregos, do monge dominicano Manuel Calecas, patriarca de Constantinopla, Ingolstadt, 1608, P. G., t. CL, col. 13-661. Esta obra capital é conhecida apenas pela tradução latina de Ambrósio. Traduziu ainda dezanove discursos de Santo Efrém o Sírio, o tratado de São Basílio sobre a Virgindade, o de Santo Atanásio contra os Gentios, várias homilias de São João Crisóstomo e os seus três livros a Estagira, o tratado do pseudo-Dionísio Areopagita sobre a Hierarquia Celeste e várias outras obras dos Padres e escritores da Igreja grega. As cartas e os principais discursos de Ambrósio, o Camaldulense, foram publicados em 1759, em Florença, por Dom Mabillon, sob o título de S. Ambrosii Camaldul. Epistolae et orationes.

BIBLIOGRAFIA: Mansi, Concil. ampl. coll., t. XXIX, XXX, XXXI, Veneza, 1788, 1792, 1798; Hefele, Histoire des conciles, trad. Leclercq, Paris, 1912, t. VII, § 799, 800, 811, 816; A. Ehrhard, em K. Krumbacher, Geschichte der byzantinischen Literatur, 2.ª ed., Munique, 1897, p. 114, 144.

Autor original: E. Marin

A extração e a tradução foram feitas por IA e em caso de algum erro podem entrar em contato com o editor