Discípulo e amigo de Orígenes, Ambrósio, devido ao seu nascimento e fortuna, teve de desempenhar alguma função no império. Mas foi sobretudo dominado pelo gosto do estudo e pela paixão do saber. Em vão percorreu os sistemas filosóficos ou gnósticos em voga; em vão filiou-se à seita de Valentino. Eusèbe, H. E., vi, 18, P. G., t. xx, col. 560, ou de Márcion. S. Jérôme, De vir. ill., 56, P. L., t. xxiii, col. 667; S. Épiphane, Hær., lxiv, 3, P. G., t. xli, col. 1073. Nem a filosofia, nem a heresia, apesar de suas promessas, puderam satisfazê-lo. Foi somente junto a Orígenes, por volta de 212, no Didascaléia de Alexandria, que ele encontrou plenamente a fé do cristão e a ciência do erudito: fé sempre viva, que lhe permitiu confessar Jesus Cristo durante a perseguição de Maximino (235-237), e ciência sempre atenta, que se preocupava com as necessidades intelectuais de seu tempo e pela qual sacrificou sua fortuna. Desde sua conversão, ele se apegou fielmente a Orígenes, seguindo-o por toda parte ou escrevendo-lhe para obter respostas às suas perguntas, às suas dificuldades, aos seus problemas, no domínio da fé e da ciência sagrada. Ele via seu mestre como uma mina de ouro a ser explorada para o maior bem das almas. Assim, assediava-o dia e noite como um incitador infatigável, um verdadeiro ἐργοδιώκτης, fornecendo-lhe tudo o que era necessário, cobrindo todas as suas despesas de livraria, colocando à sua disposição sete taquígrafos, tantos bibliógrafos e jovens hábeis na caligrafia. Eusèbe, H. E., vi, 23, P. G., t. xx, col. 576. Foi graças a ele que Orígenes triunfou de sua repugnância em produzir para o público e acumulou essa enorme soma de composições, que ultrapassa tudo o que se pode conceber. "Ele me supera tanto em seu ardor pela palavra de Deus", disse Orígenes a seu respeito, "que quase sucumbo ao estudo e aos trabalhos que ele me impõe." Cedrenus, Hist. comp., P. G., t. cxxi, col. 485.
Para incitar Orígenes a trabalhos sobre a Sagrada Escritura, ele lhe alegava o exemplo de Hipólito; e quando encontrou o Discurso Verdadeiro de Celso, pediu-lhe que fizesse uma refutação (249). Acrescentava ele a esse papel o de colaborador efetivo ou de crítico? O que sabemos é que ele leu e corrigiu a resposta de Orígenes a Júlio Africano sobre a autenticidade da história de Susana; é que ele nem sempre soube manter a discrição necessária e publicou prematuramente certas obras de primeiro rascunho que não haviam sido nem revistas, nem finalizadas. Orígenes teve motivos para se queixar disso, mas não conseguiu guardar rancor, pois não se contentou em dedicar-lhe seus volumes de comentários sobre São João e seus livros contra Celso, tornando-o responsável por seus trabalhos; ele também lhe dedicou seu tratado sobre a Oração, que é a pérola de suas obras; e quando, em 235, Ambrósio foi relegado para a Germânia na companhia do sacerdote Protectetos, Orígenes enviou-lhe sua célebre Exortação ao Martírio, na qual colocou toda a sua alma, ardente e entusiasta. Foi assim que o grande doutor tratava Ambrósio; e foi assim que um pouco da glória do mestre recaiu sobre o discípulo e o imortalizou.
Ambrósio morreu durante a perseguição de Décio, por volta de 251, precedendo Orígenes no túmulo, e deixando a reputação de um confessor, de um erudito e de um protetor das letras cristãs. Se ele escreveu outra coisa além de cartas a Orígenes, nós o ignoramos; suas próprias cartas pereceram. O que não pereceu foi a memória de sua generosidade e dos serviços prestados à ciência eclesiástica.
Origène, Cont. Celsi; In Joan., V., etc., P. G., t. xi, xiv; Eusèbe, H. E., vi, 18, 23, P. G., t. xx, col. 560, 576; S. Jérôme, De vir. ill., 56, P. L., t. xxiii, col. 667; Epist. ad Marc., xli, 1, P. L., t. xxiii, col. 478; S. Épiphane, Hær., lxiv, 3, P. G., t. xli, col. 1073.
Autor original: G. BAREILLE
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