ALEMANHA (IMPERIAL E A IGREJA CATÓLICA)

ALEMANHA (IMPERIAL E A IGREJA CATÓLICA)

I. ALEMANHA (Império da), estado religioso. — I. Estatística das confissões. II. Fragmentação das confissões e fusão das confissões: vicissitudes do mapa religioso da Alemanha. III. A situação jurídica das confissões religiosas na Alemanha: as concordatas. IV. O caráter protestante do novo império. V. Divisões geográficas da Alemanha católica. VI. As missões católicas alemãs. VII. As obras sociais e caritativas dos católicos alemães. VIII. As missões protestantes alemãs. IX. As obras sociais e caritativas protestantes.

I. ESTATÍSTICA DAS CONFISSÕES. — O império alemão, em 1895, contava, em números globais, 31 026 810 protestantes, 17 674 921 católicos e 567 884 israelitas. Statistisches Jahrbuch für das deutsche Reich, p. 6, 1894, Berlim. A estatística seguinte da repartição das confissões nos grandes Estados da Alemanha permite, simultaneamente, apreciar a situação confessional destes Estados e medir as vicissitudes numéricas das duas confissões rivais no decorrer do quarto de século que transcorreu entre 1871 e 1895.

I. ESTATÍSTICA DOS CATÓLICOS E DOS EVANGÉLICOS CATÓLICOS EVANGÉLICOS 1871 1895 1871 1895 Prússia 8 268 301 10 999 505 16 040 750 20 354 448 Saxônia 53 642 140 285 2 484 075 3 614 670 Baviera 3 464 364 4 412 623 1 342 592 1 640 133 Wurtemberg 553 542 621 474 1 248 860 1 440 240 Baden 942 560 1 057 447 494 008 637 604 Hesse 239 088 305 895 584 394 694 970 Alsácia-Lorena 1 234 686 1 246 794 271 254 356 458

II. AUMENTO DOS CATÓLICOS E DOS EVANGÉLICOS CATÓLICOS EVANGÉLICOS Aumento Aumento Aumento em relação Aumento em relação numérico aos números numérico aos números de 1871 de 1871 Prússia 2 731 204 33,03 4 313 698 26,87 Saxônia 86 643 161,52 1 130 595 45,52 Baviera 948 259 27,37 297 541 22,16 Wurtemberg 67 932 12,27 191 380 15,32 Baden 114 887 12,19 143 596 29,06 Hesse 66 807 27,94 110 576 18,92 Alsácia-Lorena 12 108 0,98 85 204 31,44

III. MÉDIA POR 10 000 HABITANTES CATÓLICOS EVANGÉLICOS 1871 1895 1871 1895 Prússia 3 349 3 453 6 497 6 389 Saxônia 209 373 9 755 9 635 Baviera 7 123 7 073 2 761 2 823 Wurtemberg 3 044 2 986 6 867 6 920 Baden 6 449 6 128 3 359 3 695 Hesse 2 803 2 963 6 852 6 733 Alsácia-Lorena 7 973 7 598 1 744 2 172

Tomamos este quadro do livro do Sr. P. Pieper, Kirchliche Statistik Deutschlands, p. 18-19, Leipzig, 1899. Vê-se nele que, na Prússia, na Saxônia e em Hesse, a confissão católica, no período de vinte e cinco anos cujo termo é marcado pelo ano de 1895, registrou mais progressos numéricos do que a confissão protestante; em contrapartida, no ducado de Baden, no Wurtemberg, na Baviera e na Alsácia-Lorena, foi a confissão protestante que obteve o maior progresso. Notar-se-á que Baden, a Baviera e a Alsácia-Lorena são terras onde a maioria é católica, enquanto a Prússia, a Saxônia e Hesse são terras onde a maioria é protestante: assim, uma vez que na primeira categoria de Estados são os protestantes que progridem e, na segunda, são os católicos, podemos extrair a conclusão de que as minorias religiosas possuem um vigor e uma elasticidade de desenvolvimento que faltam às maiorias. Esta é uma regra quase geral: em cada região, a minoria religiosa aumenta, proporcionalmente, muito mais do que a maioria. Entre os grandes Estados do império, apenas o Wurtemberg constitui uma exceção: os protestantes detêm aí a maioria e, contudo, apresentam mais progressos numéricos que os católicos. Mas, se considerarmos o conjunto do império alemão (grandes e pequenos Estados reunidos), descobrimos que, de 1871 a 1890, o número de católicos cresceu 18,88 por cento e o número de protestantes 21,29 por cento; estes números, favoráveis ao protestantismo — ou seja, à maioria religiosa — constituem uma nova derrogação à regra geral que acabamos de enunciar. Nada é mais delicado, aliás, do que estas questões de estatística e as induções que se procura extrair delas: habitualmente, são fenômenos estranhos à vida religiosa — fenômenos políticos, comerciais, econômicos — que contribuem para modificar a força respectiva e a situação recíproca das confissões.

II. FRAGMENTAÇÃO DAS CONFISSÕES E FUSÃO DAS CONFISSÕES: VICISSITUDES DO MAPA RELIGIOSO DA ALEMANHA. — Lancemos um olhar, com efeito, à estatística das conversões individuais. A conversão é o fato essencialmente religioso que enriquece uma confissão e empobrece a confissão vizinha; ela representa o fator religioso, entre as múltiplas influências que modificam o mapa religioso de um país. Na Prússia (e entendemos por esta palavra todo o conjunto do reino), houve, de 1893 a 1897, 16 496 católicos que passaram ao protestantismo e 16 475 protestantes que passaram ao catolicismo. Na Saxônia, de 1889 a 1897, 1 330 católicos passaram ao protestantismo, 359 protestantes ao catolicismo. No Wurtemberg, de 1889 a 1897, 403 católicos passaram ao protestantismo, 452 protestantes ao catolicismo. Em Baden, no ano de 1897, 53 católicos tornaram-se protestantes, 18 protestantes tornaram-se católicos. Nos distritos renanos da Baviera, de 1889 a 1897, o protestantismo conquistou 714 católicos e o catolicismo conquistou 1 128 protestantes; e no conjunto do reino da Baviera, de 1880 a 1897, o catolicismo ganhou 1 912 almas sobre o protestantismo e deixou-o tomar 1 184. Todos estes números, em suma, são bastante medíocres: nem de uma parte nem de outra se pode falar, em qualquer região, de um movimento de conversões; trata-se simplesmente de casos individuais, cujo total, conforme o país, faz mais honra aos protestantes ou aos católicos.

Uma segunda influência — semirreligiosa, semisocial — que exerce uma repercussão mais importante no desenvolvimento numérico das confissões é a dos casamentos mistos. Eles são numerosos no império; e é, para as duas confissões, uma questão muito importante a da educação dos filhos nascidos de casamentos mistos. Na Prússia, em 1895, de quase 600 000 crianças nascidas de casamentos mistos, a confissão protestante possuía 68 299 a mais do que a confissão católica. Em Baden, os casamentos mistos beneficiam a confissão protestante: segundo o recenseamento de 1890, 10 275 crianças de casamentos mistos eram protestantes e apenas 8 674 eram católicas. Em Hesse, dois terços das crianças de casamentos mistos, segundo o recenseamento de 1885, eram protestantes; Prússia, Baden e Hesse reunidos possuem cerca de 340 000 casamentos mistos, e o número de crianças protestantes nascidas desses casamentos supera em 81 600 o de crianças católicas. Quanto à Saxônia, à Baviera e ao Wurtemberg, as estatísticas são, a este respeito, insuficientes; mas parece que, no geral, nos dois primeiros Estados, os casamentos mistos beneficiam o protestantismo e que, no Wurtemberg, o catolicismo beneficiaria ligeiramente deles: é, pelo menos, a impressão do pastor Schneider, Kirchliches Jahrbuch auf das Jahr 1900, p. 153.

Ver sobre a questão dos casamentos mistos, além das obras citadas: Srs. Pieper e Schneider; Braasch, Das Confessionsverhältniss zwischen der evangelischen und katholischen Kirche auf dem Gebiet der Mischehen in Deutschland, Iena, 1883.

A imigração, em terceiro lugar, exerce uma influência real na situação confessional dos diversos Estados da Alemanha. Munique, Colônia, Friburgo em Brisgóvia eram, no início do século, cidades puramente católicas; contam hoje, respectivamente, 48 000, 34 000 e 13 000 protestantes. Berlim, outrora, era uma cidade exclusivamente protestante: conta agora quase 100 000 católicos. Os Estados hereditários da Saxônia foram por muito tempo exclusivamente protestantes; contavam-se aí, em 1887, 57 000 católicos.

Foi a lei sobre a livre circulação no império, Freizügigkeit, que, logo após a unidade alemã, permitiu e provocou esses intercâmbios de populações e conduziu à desagregação dos antigos núcleos confessionais homogêneos. Além disso, em certas regiões, na Alsácia, por um lado, e na Polônia prussiana, por outro, a Prússia protestante introduziu sistematicamente elementos protestantes; a Liga Evangélica e a Associação de Gustavo Adolfo, em nome dos interesses comuns do protestantismo e do germanismo, secundaram essa imigração; e é assim que as combinações da política, não menos que os êxodos espontâneos de camponeses ou operários, contribuíram para uma certa mistura das confissões nas mesmas regiões onde, desde a Reforma, uma ou outra confissão era quase exclusivamente soberana.

Veja, sobre estes diversos pontos: Rebensburg, Festschrift zur Einweihung der evangelischen Christuskirche in Köln, Colônia, 1894; Brandenburg, Die Zunahme der Katholicismus in der Mark Brandenburg, Berlim, 1893; Riedel, Katholisches Leben in der Provinz, 1894; Scheuffler, Der Besitzstand des Katholicismus in Sachsen, 1815 und 1888, Neusalza, 1889; Hermens, Die gemeinsame Gefahr der evangelischen Kirche und der deutschen Nationalität in der Diaspora der deutschen Grenzmarken, Leipzig, 1895; Blondel, Les populations rurales de l’Allemagne, Paris, 1898; Goyau, L’Allemagne religieuse, Paris, 1898.

É por meio destes três fatos: conversões individuais, casamentos mistos e deslocamentos de populações, que se explicam as diferenças ocorridas no século XIX na situação confessional da Alemanha. Tais são as divisões religiosas das quais a nova ordem das coisas se originou.

III. A SITUAÇÃO JURÍDICA DAS CONFISSÕES RELIGIOSAS NA ALEMANHA: OS CONCORDATAS. — De 1555 a 1750, formaram-se definitivamente os núcleos religiosos, pequenos ou grandes, que a Alemanha unificada por Napoleão I, e depois por Bismarck, gradualmente esmagou uns contra os outros. A Paz de Augsburgo, de 1555, garantia aos soberanos ou às cidades livres o direito de professar a religião que lhes aprouvesse: os súditos nos senhorios, os cidadãos nas cidades livres, tiveram, desde então, suas consciências acorrentadas à religião do príncipe, do senhor ou da cidade. Ora, a antiga Alemanha era um mosaico de incontáveis soberanias; e essas soberanias, frequentemente, entrelaçavam-se umas nas outras; daí a justaposição, muito frequente no século XVII, de vilarejos protestantes e vilarejos exclusivamente católicos, e encontramos, ainda hoje, enclaves protestantes ou maiorias católicas. O relevo confessional de tal vilarejo alemão subsiste em nossos dias como o indício indelével da opção feita entre as duas confissões pelo pequeno senhor que o acaso tornara senhor daquele vilarejo. Assim, o parcelamento político da velha Alemanha teve consequências religiosas duradouras: se o grão-ducado de Baden, atualmente, é infinitamente dividido do ponto de vista religioso, é porque os territórios que o compõem pertenciam, há cento e cinquenta anos, aos possuidores mais diversos: casa da Áustria, católica; margraves de Baden-Durlach, protestantes; margraves de Baden-Baden e eleitores palatinos, incessantemente oscilando entre as duas confissões, etc. Da mesma forma, na Prússia oriental, o antigo domínio do bispo de Ermeland permaneceu católico, em meio às terras do ducado da Prússia, tornadas protestantes por Alberto de Brandemburgo.

Quando a Revolução Francesa e o primeiro Império trouxeram uma reformulação do mapa da Alemanha, a situação religiosa do país preocupou imediatamente os diplomatas. A dieta de Ratisbona, em 25 de fevereiro de 1803, decidiu que os pedaços de territórios que, pelo efeito das mudanças políticas, passavam para as mãos de um soberano de outra confissão, deveriam ser respeitados em sua fé; era permitido, aliás, a todo soberano alemão, introduzir a liberdade de consciência em seus Estados. Foi o fim do princípio: Cujus regio, ejus religio, que, desde 1555, entregava a Alemanha religiosa ao arbítrio dos chefes de Estado ou dos senhores.

O congresso de Viena, de 1815, consagrou as numerosas secularizações de bispados que haviam subtraído aos poderes eclesiásticos do Império toda propriedade territorial: o papa protestou, em princípio; mas concordatas concluídas progressivamente pelo papa com os Estados alemães proveram a dotação dos bispados despojados e regulamentaram novamente as divisões diocesanas da Alemanha. O papa tratou primeiramente com a Baviera, em 5 de junho de 1817; depois com a Prússia (bula De salute animarum, de 16 de junho de 1821); depois com Hanôver (bula Impensa Romanorum pontificum, de 26 de março de 1824); finalmente, as bulas Provida solersque, de 16 de agosto de 1821, e Ad dominici gregis custodiam, de 11 de abril de 1827, que regulavam a situação religiosa de Württemberg e dos Estados de Hesse, foram, de 1827 a 1829, sucessivamente aceitas por esses diversos Estados. Tais foram, em suas grandes linhas, os fundamentos da nova ordem político-religiosa da Alemanha. Veja, para mais detalhes, o artigo CONCORDAT.

Há um certo número de pequenos Estados onde a liberdade prática dos católicos foi por muito tempo negociada ou absolutamente recusada pelas autoridades protestantes; e, apesar do estabelecimento da unidade do Império em 1871, o ducado de Brunswick e os dois Mecklemburg podem ser citados como impondo, ainda hoje, à livre prática do catolicismo, muitos entraves legais e arcaicos — perfeitamente distintos das medidas de desconfiança e vexação que subsistem ainda em outros Estados, em Baden por exemplo, como uma sobrevivência do Kulturkampf.

Veja sobre este assunto: Vering, Lehrbuch des Kirchenrechts, Friburgo, 1893; Brück, Geschichte der katholischen Kirche in Deutschland im XIX Jahrhundert, 3 vol., Mogúncia, 1887-1896; Jul. Bachem, Preussen und die katholische Kirche, Colônia, 1887; Seydel, Bayerisches Kirchenstaatsrecht, Friburgo, 1892; Heiner, Badische Gesetze die katholische Kirche betreffend, Friburgo, 1890; Golther, Der Staat und die katholische Kirche im Kön. Würtemberg, Stuttgart, 1874; Lesker, Aus Mecklenburg’s Vergangenheit, Ratisbona, 1889, e a brochura: Das Verhältniss des Staates zur katholischen Kirche im Herzogthum Braunschweig, Frankfurt, 1891.

IV. O CARÁTER PROTESTANTE DO NOVO IMPÉRIO.

Se, remontando ao fim do século XVI, considerarmos o aspecto religioso dessa vasta aglomeração de territórios que se chamava então o Império e que tinha Viena como metrópole, e se compararmos, do mesmo ponto de vista, o império alemão de hoje, cujo centro é Berlim, o caráter nitidamente protestante do poder político que é a Alemanha contemporânea nos aparecerá em todo o seu relevo. O partido do Centro, sem dúvida, defensor dos interesses católicos, possui no Reichstag uma influência sempre crescente; Bismarck e o imperador Guilherme II terminaram de varrer quase todos os entraves que o Kulturkampf havia colocado, na Prússia ou no império, ao livre exercício do catolicismo; e quando o imperador, em 1898, fez sua retumbante viagem a Jerusalém, ele deu aos católicos, com uma generosidade um tanto ruidosa, o terreno da Dormição da Virgem.

Apesar de tudo, germanismo e protestantismo permanecem forças solidárias; é protestantizando a Alsácia e a Posnânia que se espera germanizá-las; as sociedades protestantes que se ocupam da difusão ou da conservação da fé de Lutero nos países católicos do império são muito protegidas pelo poder central; a viagem de Guilherme II a Jerusalém foi saudada pela opinião protestante alemã como um novo triunfo de Lutero, conquistado aos pés do próprio Calvário; e quando, em 1881, o abade Majunke, numa brochura que causou impacto, denunciou a unidade alemã como uma tomada de posse do protestantismo sobre a Europa Central e sobre a ideia do Sacro Império, Majunke foi um profeta, que os fatos justificaram.

Ver em particular Majunke, Das evangelische Kaisertum, Berlin, 1881; dois artigos da Quinzaine, um anônimo, de 15 de janeiro de 1899, sobre a viagem de Guilherme II à Alemanha e os interesses protestantes, o outro do Sr. Carl Mirr, de 15 de fevereiro de 1900, intitulado: Un nouveau Saint-Empire; Lamy, La France du Levant, Paris, 1900; Pinon e de Marcillac, La Chine qui s’ouvre, c. II, Paris, 1900.

V. DIVISÕES GEOGRÁFICAS DA ALEMANHA CATÓLICA. — O quadro abaixo permite dar conta das divisões geográficas da Alemanha católica e dos recursos atuais de cada diocese. Compusemo-lo de acordo com as indicações do Taschenkalender für den katholischen Klerus que o P. Eubel acaba de publicar para 1900, Munique.

A. REINO DA PRÚSSIA.

I. PROVÍNCIA Eclesiástica DE COLÔNIA. — 1° Colônia (arcebispado): 2 062 612 católicos; 854 742 protestantes; 48 decanatos; 858 paróquias; 707 capelas; 1 724 padres seculares; cerca de 100 regulares. 2° Tréveris (bispado): 1 050 000 católicos; 387 000 não católicos; 46 decanatos; 743 paróquias; 150 vicariatos e capelas; 813 padres seculares; 36 regulares. 3° Munster (bispado): 1 005 839 católicos; 510 526 não católicos; 21 decanatos; 372 paróquias; 629 vicariatos e capelas; 1 144 padres seculares; 56 regulares. 4° Paderborn (bispado): 1 070 000 católicos; 600 000 não católicos; 46 decanatos; 475 paróquias ordinárias; 19 paróquias de missões; 124 vicariatos e capelas; 1 200 padres seculares; 45 regulares.

II. PROVÍNCIA Eclesiástica DE POSEN. — 1° Posen (arcebispado ao qual está ligado a arquidiocese de Gnesen): 839 259 católicos na arquidiocese de Posen; e 388 337 na de Gnesen; 42 decanatos; 548 paróquias; 668 padres seculares. 2° Culm (bispado, cuja sede é em Pelplin): 707 149 católicos; 700 000 não católicos; 27 decanatos; 259 paróquias; 387 padres seculares.

III. DIOCESE DE BRESLAU. — Breslau (bispado dependente diretamente da Santa Sé) (compreende a Delegatura de Brandemburgo e Pomerânia): 2 520 000 católicos; 850 000 não católicos; 85 arquiprestes; 836 paróquias e vicariatos; 189 lugares de culto não assistidos; 1 133 padres seculares; 31 regulares.

IV. DIOCESE DE ERMELAND. — Frauenburg (bispado dependente diretamente da Santa Sé): 321 000 católicos; 2 milhões de não católicos; 16 decanatos; 149 paróquias; 289 padres seculares.

V. DIOCESE DE HILDESHEIM. — Hildesheim (bispado dependente diretamente da Santa Sé): 129 000 católicos; 1 474 000 não católicos; 15 decanatos; 86 paróquias; 98 vicariatos ou capelas; 189 padres seculares; 7 regulares.

VI. DIOCESE DE OSNABRÜCK. — Osnabrück (bispado dependente diretamente da Santa Sé): 172 060 católicos; 472 483 não católicos; 10 decanatos; 96 paróquias; 138 vicariatos ou capelas; 230 padres seculares; 3 regulares. (O bispo de Osnabrück administra a prefeitura eclesiástica de Schleswig: 21 800 católicos, 119 565 não católicos; 41 paróquias; 13 locais de missão; 16 padres seculares.)

VII. DIOCESE DE FULDA. — Fulda (bispado sufragâneo da província eclesiástica de Friburgo em Brisgóvia): 159 256 católicos; 620 000 não católicos; 15 decanatos; 153 paróquias ou encargos; 170 padres seculares; 14 regulares.

VIII. DIOCESE DE LIMBURG. — Limburg (bispado sufragâneo da província eclesiástica de Friburgo em Brisgóvia): 350 000 católicos; 560 000 não católicos; 15 decanatos; 169 paróquias; 111 vicariatos ou capelas; 315 padres seculares; 25 regulares.

B. REINO DA BAVIERA.

I. PROVÍNCIA Eclesiástica DE MUNIQUE. — 1° Munique (arcebispado): 914 000 católicos; 80 000 não católicos; 2 comissariados urbanos; 36 decanatos; 399 paróquias; 101 vicariatos ou capelas; 1 080 padres seculares; 140 regulares. 2° Augsburgo (bispado): 750 000 católicos; 100 000 não católicos; 40 decanatos; 910 paróquias; 457 capelas; 1 202 padres seculares; 78 regulares. 3° Ratisbona (bispado): 802 563 católicos; 50 000 não católicos; 3 comissariados urbanos; 29 decanatos; 467 paróquias; 644 vicariatos ou capelas; 1 007 padres seculares; 125 regulares. 4° Passau (bispado): 336 500 católicos; 20 000 não católicos; 1 comissariado urbano; 18 decanatos; 198 paróquias; 221 vicariatos ou capelas; 475 padres seculares; 54 regulares.

II. PROVÍNCIA Eclesiástica DE BAMBERG. — 1° Bamberg (arcebispado): 349 000 católicos; 725 000 não católicos; 1 comissariado urbano; 20 decanatos; 193 paróquias; 180 vicariatos ou capelas; 386 padres seculares; 17 regulares. 2° Wurzburgo (bispado): 510 391 católicos; 120 000 não católicos; 30 decanatos; 459 paróquias; 279 vicariatos ou capelas; 703 padres seculares; 88 regulares. 3° Eichstätt (bispado): 181 215 católicos; 63 000 não católicos; 17 decanatos; 207 paróquias; 139 vicariatos ou capelas; 344 padres seculares; 27 regulares. 4° Espira (bispado): 358 314 católicos; 400 000 não católicos; 12 decanatos; 224 paróquias; 92 vicariatos ou capelas; 857 padres seculares; 5 regulares.

C. WURTEMBERG. DIOCESE DE ROTTENBURG. — Rottenburg (bispado, sufragâneo do arcebispado de Friburgo em Brisgóvia): 620 471 católicos; 1 460 680 não católicos; 29 decanatos; 695 paróquias; 291 vicariatos ou capelas; 405 padres seculares.

D. BADE. PROVÍNCIA Eclesiástica DE FRIBURGO EM BRISGÓVIA. — Friburgo em Brisgóvia (arcebispado): 1 030 000 católicos (dos quais 65 000 em Hohenzollern); 485 000 não católicos; 39 decanatos; 838 paróquias; 383 capelas ou vicariatos; 1 100 padres seculares; 29 regulares.

E. HESSE. DIOCESE DE MAINZ.

— Mainz (bispado, sufragâneo de Friburgo em Brisgóvia): 293 651 católicos; 695 774 não católicos; 19 decanatos; 165 paróquias; 12 vicariatos; 310 padres seculares, 11 regulares.

F. SAXÔNIA. Vicariato apostólico da Saxônia: 105 117 católicos; 3 369 352 não católicos; 47 padres seculares.

2° Prefeitura apostólica de Meissen-Lausitz: 34 900 católicos; 383 900 não católicos; 37 padres seculares; 9 regulares.

G. PEQUENOS ESTADOS PROTESTANTES DO NORTE (Hamburgo, Bremen, Lübeck, Oldemburgo, Lauenburg, Mecklemburgo, Schaumburg, Lippe). Vicariato apostólico das Missões do Norte (administrado pelo bispo de Osnabrück): 34 500 católicos; 4 605 400 não católicos; 16 paróquias; 10 capelas de missões; 31 padres seculares.

H. ALSÁCIA-LORENA. I. DIOCESE DE ESTRASBURGO. — Estrasburgo (bispado, dependente diretamente da Santa Sé): 790 792 católicos; 295 747 não católicos; 57 decanatos; 705 paróquias; 220 vicariatos; 1 183 padres seculares; 25 regulares.

II. DIOCESE DE METZ. — Metz (bispado, dependente diretamente da Santa Sé): 450 000 católicos; 600 000 não católicos; 4 arquidiaconados; 33 decanatos; 797 paróquias; 800 padres seculares; 10 regulares.

Encontra-se no Schematismus der Römisch-katholischen Kirche des Deutschen Reiches (Friburgo, 1888) a lista de todas as paróquias, capelas e conventos católicos do império.

VI. AS MISSÕES CATÓLICAS ALEMÃS. — A Alemanha católica permanece muito abaixo da França no que diz respeito às missões em países estrangeiros.

Estima-se em 1 000 religiosos e 364 religiosas os indivíduos de nacionalidade alemã que levam além-mar a sua dedicação missionária; os católicos franceses, que são duas vezes mais numerosos que os católicos alemães, enviam às missões 7 vezes mais missionários e 17 vezes mais religiosas. A Alemanha destina anualmente, para as missões, 1 826 166 francos, isto é, mal um terço da soma que os católicos franceses doam, e que ascende a 6 047 231 francos. No entanto, há alguns anos, as missões católicas alemãs têm feito progressos notáveis; e a Alemanha católica parece aspirar a tornar-se, a este respeito, o émulo da França. A Obra da Propagação da Fé foi introduzida na Alemanha em 1839; em 1898, os católicos de além-Reno contribuíam com 398 079 francos; e como, por outro lado, o conselho central, sediado em Paris, alocava às dioceses alemãs, para a defesa ou a difusão do catolicismo entre as populações protestantes do império, uma soma de 142 000 francos, a Alemanha destinava à Propagação, em última análise, para a evangelização estrangeira, 256 079 francos. A Obra da Santa Infância, em 1898-1899, arrecadou no império (incluindo a Alsácia-Lorena) a soma de 414 000 francos; é difícil dizer se esta obra, francesa, arrecada mais na França. Ao lado destas grandes organizações, às quais a Alemanha aderiu, é preciso mencionar as obras de missões puramente alemãs. O Ludwigs-Missionsverein está em primeiro lugar: fundada na Baviera, sob os auspícios do rei Luís I, esta associação tem por máxima ajudar sobretudo missionários e institutos alemães; confere voluntariamente uma afetação nacional às esmolas que obtém para a propaganda católica; as suas receitas, em 1896, foram de 527 594 marcos, e as suas despesas de 166 492 marcos, dos quais 50 000 para as missões da América. Da mesma forma que o Ludwigs-Missionsverein não fora, na origem, senão um ramo da Propagação da Fé, também o Afrikaverein, que trabalha nas missões da África, não deveria ser, na origem, senão um braço da nossa sociedade antiescravagista; mas Mons. Schmitz, o falecido coadjutor de Colônia, reivindicou para o Afrikaverein uma autonomia totalmente germânica; e esta associação, que arrecada anualmente quase 140 000 francos, mantém na África missionários exclusivamente alemães. Associações importantes existem em Treves em favor dos Padres Brancos da Alemanha, em Colônia em favor dos Padres do Espírito Santo da Alemanha; a primeira, em 1898, teve 48 000 francos de receita; a segunda, 20 707 francos. Finalmente, a Associação da Terra Santa, fundada em 1894, sob o patrocínio do arcebispo de Colônia, pela fusão da Associação do Santo Sepulcro e da Associação da Palestina, parece chamada a destinos muito elevados: todos os anos, nos seus congressos, provoca um movimento de patriotismo alemão contra as antigas prerrogativas concedidas à França nos lugares santos e solenemente ratificadas por Leão XIII; e a viagem de Guilherme II à Palestina, em 1898, inspirou aos membros da Associação da Terra Santa as mais vastas esperanças: esta associação arrecadou, em 1898, feita a dedução das intenções de missas, a soma de 215 888 francos; ela se propõe a construir, no terreno da Dormição da Virgem, uma igreja monumental e a multiplicar, na Palestina, os hospícios e escolas que, até agora, não ultrapassaram o número de três. Em suma, o movimento das missões católicas, na Alemanha contemporânea, distingue-se por um certo espírito de exclusivismo nacional. Entre os padres e religiosos alemães que se dedicam às missões, os jesuítas são os mais numerosos: as missões de Bombaim, do Brasil, do Zambeze e da América do Norte ocupam 489 deles. Os Padres do Espírito Santo, de Paris, têm, desde 1896, uma casa alemã em Knechtsteden, na Prússia renana: eles têm, nas missões, em 1898, 121 sujeitos alemães; Zanzibar é o seu principal terreno. Os Padres Brancos de Argel têm, desde 1894, uma casa em Treves, com um anexo em Marienthal para a formação dos seus irmãos coadjutores: até hoje, a Alemanha deu a esta sociedade 48 sujeitos, que vivem no Nyanza meridional, em Unyanyembe e em Tanganica. Os Oblatos de Maria, cuja casa-mãe é em Paris, possuem na Alemanha, desde 1894, um importante ramo: eles têm 28 religiosos alemães na África alemã do sudoeste. Os missionários do Sagrado Coração, de Issoudun, fundaram em Hiltrup, em 1898, uma casa alemã; eles têm 40 sujeitos na missão da Nova Pomerânia (arquipélago de Bismarck). Junte-se a isso 10 trapistas alemães na África oriental alemã, 28 religiosos Pallottini, cuja casa-mãe é em Roma, e que trabalham nos Camarões, uma centena de franciscanos alemães na Terra Santa e no Brasil; e teremos, assim, o balanço das congregações de missionários que recrutam boas vontades na Alemanha sem serem elas mesmas alemãs de origem. Mas há uma segunda categoria de missionários, cujas casas-mãe são puramente alemãs; os beneditinos de Saint-Ottilien da Baviera, que fundaram, em 1888, a missão de Zanzibar meridional, e que nela mantêm 92 religiosos; os Irmãos Alexianos, de Aix-la-Chapelle, que são em número de 83 nas quatro casas da América onde se dedicam ao cuidado dos enfermos e dos alienados, e sobretudo os religiosos da sociedade do Verbo Divino, fundada em Steyl, na Holanda, em 1875, por Arnold Janssen.

Esta sociedade aspira ser para a Alemanha o que é para nós, há dois séculos, o seminário das missões estrangeiras; em menos de vinte e cinco anos, ela alcançou o número de 700 religiosos e quase 1000 alunos; possui dois colégios para os estudos secundários, em Steyl e em Neuland (Silésia); um noviciado em Saint-Gabriel, perto de Mödling (Áustria), e um estabelecimento de estudos superiores em Roma, sob o nome de colégio de Saint-Raphaël; fundou sucessivamente: em 1881, a missão de Schantong meridional; em 1889, uma missão na República Argentina; em 1892, a do Togo, na África; em 1893, a do Equador; em 1895, as do Brasil e dos Estados Unidos; em 1896, a da Terra de Guilherme (Oceania). É a missão da China a mais importante, contando com 34 padres e 9 irmãos coadjutores distribuídos em 7 decanatos. A fundação desta sociedade é um dos principais episódios deste movimento que levou o catolicismo germânico, no último quarto de século, a colocar-se ao serviço do germanismo. Observemos, enfim, que algumas destas sociedades de missionários estabeleceram, bem perto de si, agrupamentos de religiosas; ao lado da sociedade de Steyl, há, nas missões, 23 "servas do Espírito Santo"; ao lado dos Padres do Sagrado Coração, 14 religiosas alemãs do Sagrado Coração; ao lado dos Padres Brancos, 60 irmãs brancas alemãs formadas em Kouba, na Argélia; ao lado dos beneditinos de Saint-Ottilien, as beneditinas, que são em número de 70 em Saint-Ottilien e de 14 na África; ao lado dos Pallottini, 16 Pallottinas nos Camarões.

No entanto, as duas congregações de religiosas missionárias mais florescentes da Alemanha são, por um lado, as irmãs de São Carlos Borromeu, que têm a sua casa-mãe em Trebnitz, na Silésia, e são um ramo destacado da congregação de Nancy; e, por outro lado, as «irmãs de caridade, filhas da bem-aventurada Virgem Maria da Imaculada Conceição», que têm a sua casa-mãe em Paderborn e foram fundadas em 1849 pela Sra. de Mallinckrodt: as primeiras contavam, em 1898, com 539 professas e 202 noviças e ocupavam dois conventos no Egito e três na Palestina; as segundas somam cerca de um milhar na América do Norte.

Ao lado das obras missionárias fundadas pelos católicos alemães para a conversão dos infiéis, deve-se citar a poderosa associação que criaram para a manutenção ou difusão da fé católica nas regiões quase exclusivamente protestantes do império, denominadas regiões de Diaspora. O Bonifaciusverein (tal é o nome desta associação) distribui todos os anos mais de um milhão de marcos às pequenas comunidades cristãs católicas disseminadas nessas regiões.

Neher, Der Missionsverein oder das Werk der Glaubensverbreitung, Fribourg, 1894; Hollerl, Kloster-Schematismus für das deutsche Reich und Oesterreich-Ungarn, Paderborn, 3e édit., 1899; Kannengieser, Les missions catholiques : France et Allemagne, Paris, 1900; obra essencial, que é o resumo de inquéritos minuciosos, e que coloca muito bem em relevo a forma diferente como o catolicismo francês e o catolicismo alemão concebem e praticam as missões. No que diz respeito às missões da China: René Pinon e Jean de Marcillac, La Chine qui s’ouvre, Paris, 1900.

VII. AS OBRAS SOCIAIS E CARITATIVAS DOS CATÓLICOS ALEMÃES. — Os católicos alemães, desde 1848, realizam anualmente um congresso onde são discutidos os seus interesses e preparadas as suas reivindicações políticas; a sucessão das atas destes congressos forma, há meio século, a história viva dos católicos alemães. Windthorst, o líder do Centro, organizou-os, no final da sua vida, num poderoso agrupamento permanente chamado Volksverein. Esta associação apresenta, todos os anos, um relatório geral da sua atividade numa sessão plenária que coincide com o congresso anual dos católicos alemães. O relatório mais recente, apresentado em Neisse a 30 de agosto de 1899, assinala em termos tão precisos os desenvolvimentos e os resultados do Volksverein, que nos basta resumi-lo. Nos termos deste relatório, o Volksverein, no final de 1898, contava 186 662 membros, dos quais 62 029 na Prússia renana, 34 208 na Vestfália, 18 289 na Baviera, 22 057 no Wurttemberg e 10 654 em Bade: é, portanto, sobretudo na região de Colónia, berço desta associação, que o seu florescimento é mais notável. O Volksverein, no decurso de 1898, realizou cerca de 500 reuniões públicas católicas nas diversas cidades da Alemanha. Distribuiu, durante estes doze meses, 6 629 000 impressos, entre outros o jornal Volksverein, enviado gratuitamente oito vezes por ano a todos os membros da associação; 18 brochuras de ordem social ou política, disseminadas no número de 4 929 000 exemplares; e certas obras do abade Hitze ou certos comentários das leis sociais novas, em alguns milhares de exemplares. Enviou uma «correspondência social» a 250 jornais católicos: atingia, ao fim do ano, o número de 62 artigos, dos quais 15 eram consagrados à nova lei sobre as profissões. Tomou a iniciativa, no Wurttemberg, de instituir advogados para os camponeses, para os artesãos e para os operários, espécies de conselhos judiciais capazes de os esclarecer sobre os seus interesses e de guiar as suas tentativas de agrupamento.

Ao Volksverein ligam-se várias instituições destinadas à cultura do sentido social e à extensão dos conhecimentos sociológicos nas esferas eclesiásticas e populares: cursos «prático-sociais» destinados especialmente aos clérigos e aos leigos instruídos, e reunindo todos os anos, durante quatro a cinco dias, públicos cada vez mais consideráveis (em 1898, o curso «social-prático» realizou-se em Estrasburgo e foi frequentado por 1750 ouvintes); biblioteca «científica social» estabelecida em München-Gladbach (em 1898, fez 3500 aquisições novas e emprestou aos membros do Volksverein 3016 obras); secretariados do povo (Volksbureaux), que eram, em 1898, em número de 24; gabinete social de informações (Soziale Auskunftsstelle) instalado em München-Gladbach, centralizando e difundindo todas as informações necessárias sobre as questões legislativas, filantrópicas e sociais.

Ao lado do Volksverein, que é, simultaneamente, um elo e um estímulo para as iniciativas políticas e sociais dos católicos alemães, fundou-se em Friburgo em Brisgóvia, em 1897, um Charitas-Verband para a Alemanha católica. É uma espécie de gabinete central de todas as instituições caritativas e filantrópicas fundadas pelos católicos da Alemanha. A revista mensal Charitas, publicada na livraria Herder por diligência do Sr. abade Werthmann, é o órgão desta instituição. Há quatro anos, esta revista ocupa-se em elaborar o balanço da caridade católica alemã. Munique é a cidade mais caritativa da Alemanha, conta 1155 religiosos e religiosas, ou seja, 4 religiosos ou religiosas para cada 305 habitantes. A diocese de Colónia conta 1184 instituições de caridade católica, a maior parte das quais data dos últimos 50 anos.

Ver Brandts, Die katholische Wohltätigkeits-Anstalten und Vereine, sowie das katholisch-soziale Vereinswesen, insbesondere in der Erzdiözese Köln, Colónia, 1897. A estatística das obras de caridade foi sucessivamente elaborada, na revista Charitas, para as dioceses de Münster (t. II, p. 23-25), de Wurzburgo (t. II, p. 240-243), etc. A celebração do quinquagésimo aniversário da fundação do hospital católico de Santa Hedviges em Berlim e a celebração do quinquagésimo aniversário do estabelecimento das irmãs de São Vicente de Paulo no grão-ducado de Bade deram lugar, em 1896, a um vivo movimento de simpatia pela caridade católica, que repercutiu até nas esferas políticas: de 1846 a 1896, o hospital católico de Berlim recebeu 147 108 doentes, Charitas, t. I, p. 224-225; e as irmãs de São Vicente de Paulo tratam nesta hora os doentes em 61 localidades badenses, Charitas, t. II, p. 55-57º O que caracteriza a ação social do catolicismo na Alemanha é a parte imediata e direta que nela toma o clero. É, na maior parte das vezes, o pároco rural que organiza ou propaga na sua aldeia, para lutar contra a usura, a preciosa instituição das Associações de camponeses (Bauernvereine); os Bauernvereine renanos, vestfalianos, bávaros, hessianos, badenses, devem-se a iniciativas católicas. É ao clero, igualmente, que as caixas populares de poupança e crédito, ditas caixas Raiffeisen, são devedoras do seu desenvolvimento. É um sacerdote, Kolping, que estendeu através da Alemanha uma vasta rede de Gesellenvereine (associações para oficiais artesãos); o abade Oberdorffer, pároco de Stolberg, está à frente de todos os círculos de trabalhadores (Arbeitervereine); e o sucesso das reivindicações religiosas do Centro deve-se, em grande parte, aos serviços sociais e às iniciativas sociais dos deputados católicos e dos padres católicos, aos projetos de lei sociais depositados pelos primeiros, às obras sociais realizadas pelos segundos.

É indubitável que se pretenderia, erroneamente, transportar para a França, a fim de assegurar aos desiderata dos católicos um desfecho feliz, uma organização política calcada na dos católicos alemães: as populações da Prússia renana e da Vestfália estabelecem um contraste singular, pela sua prática religiosa que permaneceu tão fervorosa, com as camadas profundas das nossas populações rurais; e o Zentrum possui, na Alemanha, essa base indispensável que faltaria, entre nós, a um partido análogo, queremos dizer: um corpo eleitoral profunda e realmente católico.

Mas o que se pode reter do exemplo do Zentrum, o que, graças aos belos trabalhos do Sr. Kannengieser, foi retido, é a eficácia da ação social do padre e do fiel: o Kulturkampf alemão foi vencido pela união que se estabeleceu entre o padre que sofria e o operário que labutava.

Ver Theodor Palatinus, Entstehung der Generalversammlungen der katholiken Deutschlands, Wurzbourg, 1894; as revistas Der Volksverein, Arbeiterwohl e Charitas; Schaeffer, Adolf Kolping, Paderborn, 1893; a Kölner Correspondenz, órgão da Arbeitervereine; Kannengieser, Catholiques allemands, Paris, 1892; Kannengieser, Ketteler et organisation sociale en Allemagne, Paris, 1894; Goyau, L’Allemagne religieuse, Paris, 1898, p. 24 sq.; Wenzel, Arbeiterschutz und Centrum, Berlin, 1892.

Nestes últimos anos, as iniciativas católicas voltaram-se, com um zelo ciumento, para dois campos onde o protestantismo parecia tê-las antecipado: a proteção da jovem e o combate ao alcoolismo. As casas católicas de proteção à jovem, em 1897, distribuíam-se assim: 10 em Bade, 9 na Baviera, 4 na Alsácia, 2 em Hesse, 26 na Prússia, 2 na Saxônia, 2 em Wurtemberg, Charitas, II, p. 47-49; foram feitos esforços frutíferos para criar um vínculo entre essas casas, para dar à proteção da jovem um caráter internacional; foi criado em Munique, em 1896, o Marianischer Mädchenschutzverein, Charitas, I, p. 29 sq.; inaugurou-se, em Tréveris e em Colônia, um movimento em favor das balconistas, Charitas, II, p. 105-107.

Um órgão: os Katholische Mässigkeitsblätter, suplemento à revista Charitas, e em torno deste órgão criou-se um comitê central católico antialcoólico, que se ramifica por toda a Alemanha.

VIII. AS MISSÕES PROTESTANTES ALEMÃS. — O protestantismo alemão, antes do século XIX, ocupou-se muito pouco da difusão do cristianismo nos países infiéis: não se pode citar, a esse respeito, anteriormente ao ano 1800, senão a missão dos irmãos Morávios, fundada em 1732. Ela ainda é muito próspera hoje; mantinha, no final de 1897, 138 estações missionárias, distribuídas entre a Groenlândia, o Labrador, o Alasca, a Califórnia, as Antilhas, América Central, África, Austrália e o Himalaia; e tinha a seu cargo 96 197 almas. No século XIX, um certo número de sociedades de missões protestantes foram fundadas. — 1º A Evangelische Missionsgesellschaft de Basileia, fundada em 1815: às 33 estações missionárias que possuía em 1878, acrescentaram-se, nos vinte anos seguintes, 23 estações novas; trabalha no Camarões, na Costa do Ouro, na Índia; mas é na China, sobretudo, que tem feito, nestes últimos anos, progressos notáveis; reina sobre 38 637 almas. — 2º A Rheinische Mission, resultante da fusão das três sociedades de missões de Elberfeld (fundada em 1799), de Barmen (fundada em 1818) e de Colônia (fundada em 1828): trabalha, sobretudo, na África alemã e nas Índias neerlandesas; conta 72 367 fiéis. — 3º A Norddeutsche Missionsgesellschaft, fundada em 1836; tem 2 257 fiéis. — 4º A missão luterana-evangélica de Leipzig, fundada em 1838; tomou como campos de trabalho a África oriental, tanto inglesa quanto alemã, e a Índia: na região de Madras, o número dos seus fiéis elevou-se, entre 1893 e 1899, de 131 para 2 000º — 5º A Hermannsburger Mission, fundada em 1849. Zululândia e Bechuanalândia são evangelizadas por esta missão; possui nelas 44 650 fiéis; começa a trabalhar na Índia. — 6º A Gossnersche Mission: a Índia é o seu domínio; vegeta na região do Ganges, mas obtém, no país dos Kols, belíssimos sucessos (49 000 fiéis e, apenas no ano de 1898, 2 422 batismos). — 7º A sociedade de missões para a África oriental alemã: a sua primeira estação data de 1887; tem sete atualmente, com 186 fiéis e 90 catecúmenos. — 8º A missão de Schleswig-Holstein, fundada em 1877: a Índia é o seu domínio; tinha, em 1º de abril de 1899, 6 estações com 687 fiéis. — 9º A missão de Neunkirchen, fundada em 1881. As sete estações que mantém em Java, as três estações que mantém na África oriental inglesa, tinham, em 1898, 1 262 fiéis. — 10º A sociedade bávara de Neuendettelsau: consagra-se à evangelização da Austrália do sul e da Nova Guiné. — 11º O Jerusalem-Verein, fundado em 1852 por Gobat, ligado ao bispado anglo-alemão de Jerusalém e provendo a manutenção da Diáspora alemã na Palestina. — 12º Os comitês de Frankfurt e de Berlim para a proteção dos armênios e o Deutsche Hilfsbund, mantêm na Ásia Menor, na Bulgária e na Pérsia, orfanatos protestantes para os pequenos armênios cismáticos: cerca de 1 200 são ali acolhidos. — 13º A Evangelischer Afrika-Verein, fundada em 1894, provê às obras humanitárias cuja necessidade se faz sentir na África alemã (asilo para escravos, sanatório, escola superior cristã, escola de colonização). — 14º Finalmente, três associações de mulheres missionárias, sem grande importância, aliás, esboçam alguns esforços no Oriente e na China. — É preciso acrescentar a esta lista a Sociedade para promover as missões evangélicas entre os pagãos, fundada em Berlim em 1824. Teve inícios muito difíceis: Schüttge organizou mais ou menos um seminário para os jovens missionários, depois a instituição definhou, até que, em 1857, foi reerguida por Wallmann e definitivamente organizada por um dos homens que mais trabalharam pela extensão das missões evangélicas, Wangemann. Tem 66 estações missionárias, das quais 50 na África meridional, divididas em 6 distritos, — 9 na África oriental — e 7 na China: mais de 47 000 almas dependem dela. A missão da China existe desde 1882: logo que o governo alemão, em novembro de 1897, tomou posse do território de Kiauchau, a sociedade instalou imediatamente, no meio desses 175 000 chineses cujo território tornava-se alemão, uma estação missionária. O relatório mais recente e completo sobre a atividade desta sociedade acaba de ser publicado pelo Sr. Merensky no Kirchliches Jahrbuch do Sr. Schneider para 1900, p. 285-301.

Sobre as missões protestantes alemãs, consultar, além dos diversos periódicos que publicam quase todas essas sociedades de missões, a revista de conjunto que fundou o pastor Warneck sob o título: Allgemeine Missionszeitschrift; Gundert, Die evangelische Mission, 3ª ed., 1894; Karl Mirbt, Der deutsche Protestantismus und die Heidenmission am xix Jahrhundert, Giessen, 1896.

Finalmente, o papel que cumpre em proveito do catolicismo a Associação de São Bonifácio nas regiões protestantes é cumprido em proveito do protestantismo, nas regiões católicas, pela Associação de Gustavo Adolfo, fundada sob Frederico Guilherme IV, e pela Liga Evangélica, Evangelischer Bund, fundada sob Guilherme II. Ver as brochuras publicadas pelo Evangelischer Bund, Leipzig, e Zimmermann, Der Gustav-Adolfs Verein, Darmstadt, 1878.

IX. AS OBRAS SOCIAIS E CARITATIVAS PROTESTANTES. — As obras sociais protestantes estão todas agrupadas em torno da Missão Interior, organizada por Wichern em 1848.

« Periódico mensal para a Missão Interior, incluindo a diaconia, o cuidado da diáspora, a evangelização e o conjunto da beneficência »; assim se intitula o principal órgão da Missão Interior; e este enunciado marca a extensão do programa e a diversidade das ambições. Mais de 13.000 diaconisas, mais de 2.000 «irmãos», um certo número de pastores, são os agentes da Missão Interior. A Missão Interior difunde bíblias (546.995 em 1898, distribuídas pelos cuidados de 9 sociedades bíblicas alemãs). Propaga folhetos, sob os auspícios de 7 grandes «sociedades de folhetos»; 4 destas sociedades, desde a sua fundação, difundiram 90 milhões de folhetos. Faz circular obras religiosas (semanalmente, 220.000 exemplares de sermões em folhas volantes; difusão de 195 periódicos cristãos, elevando-se a cerca de 3.150.000 exemplares; difusão de 614 calendários cristãos, elevando-se a cerca de 2 milhões de exemplares; manutenção de 10.114 bibliotecas populares; instituições de colportagem de literatura cristã em 322 circunscrições sinodais). A fim de conservar intacta, no coração das regiões católicas, a minoria protestante, a Missão Interior vela pela manutenção de 32 instituições especiais (Konfirmandenanstalten), onde 900 crianças destinadas à confirmação recebem um ensino suficiente. Designa pregadores e associa-lhes leigos para catequizar, todos os domingos, 780.000 crianças em 5.915 serviços religiosos especiais (Sonntagsschulen ou Kindergottesdienste). Multiplica e desenvolve obras de preservação, de caráter simultaneamente religioso e social: 1º Associações de jovens (Jünglingsvereine); o seu número quintuplicou de 1880 a 1890, duplicou de 1890 a 1898; é hoje de 1.993, agrupando 103.787 membros; 2º Associações de aprendizes (Lehrlingsvereine), no número de 108 com 5.248 membros, e círculos operários (Arbeitervereine) que reuniam, em 1894, mais de 50.000 membros e que, sob certas inspirações, tendem a tornar-se aqui e ali núcleos de organização operária (ver Goyau, L’Allemagne religieuse, c. IV e V); 3º Associações cristãs de jovens (Christliche Vereine Junger Männer), votadas ao apostolado nas classes indiferentes ou ímpias, e obtendo sucesso apenas com grande dificuldade: em Berlim, conseguem atrair apenas 5% dos jovens a quem se dirigem e retêm apenas 1%; 4º Liga dos soldados (Soldatenbund), que desde 1893 criou 12 «casas» (Heime) para jovens soldados nas cidades de grandes guarnições; 5º «Liga de juventude para o cristianismo decidido» (Jugendbund für entschiedenes Christentum), importada da América para a Alemanha em 1894; os seus 2.042 membros, jovens rapazes e raparigas, agrupados em 80 associações, ocupam-se da propaganda religiosa; 6º Associações de jovens raparigas (Jungfrauenvereine), no número de 3.049, das quais 1.416 são posteriores a 1890; asilos para jovens raparigas em busca de colocações (89 Mädchenherbergen, 11 Mädchenheime, 35 Arbeiterinnenheime); 102 creches com 3.091 lugares; 2.700 escolas infantis com 188.000 crianças; 332 infantários de escolares com 20.713 lugares; 251 orfanatos com 8.697 tutelados; 140 sociedades de educação com 5.226 tutelados; 320 casas de preservação (Rettungshäuser) com 12.167 tutelados. As obras redentoras também acompanham as obras protetoras.

Existem aquelas que acolhem as raparigas ou mulheres viciosas ou abandonadas (89 asilos para Madalenas com 822 hospitalizadas; casas de assistência (Versorgungshäuser) que, de 1873 a 1898, abrigaram 4.910 jovens raparigas; 8 colónias de operárias com 400 lugares). Os 39 agrupamentos da Associação alemã contra o abuso das bebidas espirituosas, com 11.722 membros, os 155 agrupamentos da Cruz Azul, com 23.304 membros, e os 17 «estabelecimentos para a cura dos ébrios» (Trinkerheilanstalten), dos quais 15 são posteriores a 1882, combatem a embriaguez; os 180 agrupamentos da Cruz Branca, fundada em 1889, reúnem 16.000 membros para o combate contra a prostituição. Ver sobre as obras sociais protestantes: Wurster, Die Lehre der inneren Mission, Berlim, 1895; Schaefer, Leitfaden der inneren Mission, Hamburgo, 1889; R. P. Cyprian, Die innere Mission der deutschen Protestanten, Passau, 1894; as monografias sobre a Innere Mission, publicadas em Hamburgo; enfim, Schneider, Kirchliches Jahrbuch auf das Jahr 1900, Gütersloh, 1900. A subordinação do estabelecimento religioso protestante ao poder civil obstaculiza a ação social dos pastores: os dois movimentos cristãos sociais, inaugurados pelo pastor Stoecker há trinta anos e pelo pastor Naumann há dez anos, são suspeitos à alta burocracia dos consistórios, desde que o imperador Guilherme II inaugurou uma política de reação social, e uma das grandes fraquezas das igrejas evangélicas da Alemanha, além da incerteza do seu dogma e do seu agnosticismo semivergonhoso, é precisamente a sua impotência para exercer uma ação social séria, autónoma e contínua. Muitos protestantes queixam-se disso, e comenta-se vivamente nesta hora (abril de 1900) a conversão ao catolicismo da Sra. Gnauck-Kühne, que era, há dez anos, uma das colaboradoras mais ardentes e mais apreciadas do movimento «protestante-social». Neste império que é a primeira potência protestante do mundo, cujo soberano se considera voluntariamente uma espécie de papa, cujo ascendente internacional parece posto ao serviço da ideia protestante, e cujas combinações diplomáticas, enfim, são dirigidas contra o papado, é interessante observar que, ao contrário do catolicismo, o protestantismo, como o disse por diversas vezes o pastor Stoecker, é impotente para agir sobre a opinião e o interior do império.

Autor original: G. Goyau

A extração e a tradução foram feitas por IA e em caso de algum erro podem entrar em contato com o editor