ALBERICO

São Domingos

ALBERIC, monge do Monte Cassino, depois cardeal-diácono do título dos Quatro Coroados, que viveu no século XI, foi confundido por muitos bibliógrafos e historiadores com outro monge do mesmo nome e do mesmo mosteiro, nascido no século seguinte em Settefratri, na Campânia, que renunciou ao mundo após uma visão e que vivia ainda quando Pedro, o Diácono, em Chronicon Casinense, 66, P. L., t. CLXXIII, col. 888-889, relatou este fato. A confusão foi produzida em parte porque o cardeal Alberic teve, ele também, uma visão relatada por Pedro, o Diácono, em De ortu et obitu justorum Casinensium, 49, ibid., col. 1105.

O cardeal Alberic era um religioso muito sábio e muito virtuoso, que o continuador de Pedro, o Diácono, em Liber de viris illustribus Casinensibus, 45, ibid., col. 1046, chama de "filósofo" e diz ter sido, no Monte Cassino, o mestre de Gelásio II, que se tornou papa em 1118. Pedro, o Diácono, ele mesmo, em Chronicon Casinense, III, 35, ibid., col. 766, e Liber de viris illustribus, 21, ibid., col. 1032-1033, nos informa que Alberic assistiu ao concílio reunido em Roma no mês de fevereiro de 1079 pelo papa São Gregório VII contra Berengário. O monge do Monte Cassino, que já era cardeal — pois teria recebido a púrpura, segundo uns, das mãos de Estêvão X, segundo outros, das de Alexandre II —, foi convocado ao concílio para convencer este herege que negava a presença real de Jesus Cristo no sacramento do altar. As longas discussões mantidas no concílio tendo sido sem resultado, Alberic pediu um prazo de oito dias e, nesse curto intervalo de tempo, compôs um tratado De corpore Domini, no qual provava, pelos testemunhos dos Padres, a presença real e substancial do corpo de Jesus Cristo na Eucaristia.

Berengário, reduzido ao silêncio, assinou uma fórmula de fé, que é reproduzida em Mansi, Concil., t. XX, col. 523, e P. L., t. CXLVII, col. 811. Barônio, em Annales ecclesiastici, Lucca, 1745, t. XVII, p. 155, atribuindo este fato ao concílio de 1059, no qual Berengário se retratara sem discussão, acusou Pedro, o Diácono, de mentira. Mas Mabillon, Annales Benedictini, l. LXV, Paris, 1718, t. V, p. 139, provou que Barônio estava enganado. Com efeito, em sua retratação manuscrita do formulário, assinada em 1079, Berengário censura com amargura o monge Alberic por tê-lo feito subscrever, contrariamente ao ensinamento dos Padres e à verdade, que Jesus Cristo está presente substantialiter na Eucaristia. Erravit potius, acrescenta ele, facilius plane erravit Casinus ille, non monachus, sed daemoniacus, Albericus, mentitusque est errare me de mensa dominica, nisi, cum dicerem: Panis sacratus in altari est corpus Christi, adderem substantialiter. Ora, não é senão no formulário de 1079 que Berengário tinha reconhecido expressamente que o corpo de Jesus Cristo está substancialmente presente na Eucaristia. Mabillon confessa que não sabe onde se encontra este tratado de Alberic contra Berengário e que não estava, em seu tempo, nem em Florença, nem no Monte Cassino. Relata-se a morte de Alberic em 17 de outubro de 1088. Pedro, o Diácono, diz que foi sepultado na igreja dos Quatro Coroados, que era seu título cardinalício.

O mesmo escritor elaborou, em Chronicon Casinense, ibid.; Liber de viris illustribus, ibid., a lista das obras do monge Alberic. Sem falar de diferentes hinos e poemas sobre assuntos religiosos, ele é o autor dos tratados: De electione Romani pontificis, para justificar Gregório VII contra as imputações do imperador Henrique IV; De virginitate sancte Marie; De dialectica; De astronomia; De musica (este último sob forma de diálogo). Escreveu também uma Vida de São Domingos, abade de Sora, na Itália, que foi publicada pelos bolandistas, Acta sanctorum, Paris, 1863, t. III, p. 55-58, cf. Mabillon, Annales Benedictini, l. LVI, Paris, 1707, t. IV, p. 865; uma Vida de Santa Escolástica, que os bolandistas, Acta sanctorum, t. VI, p. 393, não tiveram, mas cujo prólogo o cardeal Mai publicou em Spicilegium Romanum, t. V, p. 129; uma homilia sobre a mesma santa, P. L., t. LXVI, col. 941-950; as paixões de São Modesto e de São Cesário. Tinha endereçado um grande número de cartas a São Pedro Damião, e há nas Obras deste santo doutor, P. L., t. CXLIV, col. 621-634, duas respostas a doze questões sobre a Escritura Sagrada que lhe tinha colocado o monge Alberic. J.-B. Mari assegurava que os opúsculos de Alberic existiam em manuscritos na biblioteca do convento de Santa Cruz em Florença.

BIBLIOGRAFIA: Du Boulay, Historia universitatis Parisiensis, Paris, 1665, t. I, p. 549; Vossius, De histor. latin., l. II, c. XLVI, Haia, 1651; Cave, Historia litteraria script. ecclesiast., 1745, t. II, p. 142; Ceillier, Histoire générale des auteurs sacrés, Paris, 1757, t. XXI, p. 94; Dupin, Bibliothèque des auteurs ecclésiastiques, Paris, 1699, t. XI, p. 383; Fabricius, Bibliotheca medii aevi, 1734, t. I, p. 97; Mazzuchelli, Gli scrittori d’Italia, Brescia, t. I, 1753, p. 289-290; Ziegelbauer, Historia rei litterariae ordinis S. Benedicti, 1754, t. II, p. 93-94. Para uma bibliografia mais completa, ver U. Chevalier, Répertoire des sources historiques du moyen âge, bio-bibliographie, Paris, 1877, p. 51.


Autor original: E. MANGENOT

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