ADRIAENSZ ou ADRIANSSEN Cornélius. Corneille Brauwer, nascido em Dordrecht em 1521, filho de Adrien que, após a morte de sua esposa, tornou-se padre e foi pároco naquela cidade. Corneille estudou primeiramente com o pai, sobretudo latim, grego e hebraico; após tornar-se padre, foi estudar em Bruges, sob a orientação de Cassander, e o sucedeu brilhantemente durante alguns anos. Admitido na Ordem de São Francisco, realizou o noviciado em Dordrecht, em 1548; retornou a Bruges em 1549; foi nomeado, em 1563, guardião do convento de Ypres; em 1566, foi chamado de volta a Bruges; tornou-se ali guardião, três vezes, segundo o necrológio do convento, ou duas vezes apenas, segundo outros manuscritos do mesmo local. Ryhove e os mendigos tendo tomado Bruges, em 1578, perseguiram-no e, em 1579, venderam o convento, que foi arrasado. Adriaensz, escondido e mantido pelos fiéis, continuou seu apostolado e faleceu em 14 de julho de 1581. Triunfalmente inumado no Hospital Saint-Jean, seu corpo foi encontrado ali intacto em 1615, solenemente transferido para a nova igreja dos franciscanos e depositado próximo ao altar-mor, do lado da epístola. Teólogo distinto, brilhou sobretudo por seu conhecimento das línguas sagradas; por seus sucessos oratórios; por sua direção ascética, na qual recomendava o celibato e as mortificações corporais; e pelas vivas polêmicas que sustentou contra os erros de seu tempo, sobretudo contra os de Cassander, de Erasmo e do protestantismo nascente. O alcance teológico de suas obras é, acima de tudo, polêmico e ascético. Possuem-se dele duas obras escritas em flamengo: 1º Den Spieghel van den thien geboden (Espelho dos Dez Mandamentos), in-12, Bruges, 1554.
— 2º De seven sacramenten nytgheleyt ende openberhyck te Brugge ghepreeckt by Br. Cornelis van Dordrecht (série de sermões sobre os sete sacramentos, pregados em Bruges, na editora Jean vanden Buerre, Bruges, in-8º, ilustrado).
— Sua resposta às cartas de Stephanus Lindius, das quais falaremos, permanece inédita. Segundo Goethals, IV, 64, ela estava, no século passado, em posse do cônego Nollet; tratava-se verossimilmente de uma cópia: o original devia encontrar-se no grande convento dos franciscanos de Bruges.
Dois volumes de sermões (sermoonen) foram publicados sob seu nome em Bruges, em 1566 e 1569, mas não são de sua autoria. Foram-lhe imputados para difamá-lo. Eis as provas: 1º De Neuter, editor do primeiro volume, era inimigo pessoal e confessional de Adriaensz; Hubert Goltzius e Jean de Casteel, editores do segundo, eram hereges obstinados contra ele. — 2º De 1560 a 1570, esses três homens, sobretudo Jean de Casteel, em duas cartas publicadas sob o pseudônimo de Stephanius Lindius, fizeram todo o esforço para difamá-lo por meio de toda sorte de libelos e pasquins. — 3º As expressões grotescas e frequentemente obscenas dessas pregações comprovam, evidentemente, seu objetivo difamatório e as tornam impossíveis na boca de um pregador sempre popular e venerado como um santo por uma população muito católica. — 4º Adriaensz, em sua resposta a Lindius, de 18 de outubro de 1567, desculpa-se de forma peremptória. A imoralidade que a maioria das bibliografias protestantes lhe atribui é, portanto, uma calúnia; pois baseiam-se unicamente em van Meteren, frequentemente parcial e inexato por espírito sectário, que admite ter fundamentado suas asserções nos sermoonen. Tudo mostra que ele era, ao contrário, um homem recomendável. Os sábios contemporâneos de Adriaensz o tinham em alta estima: tais como Vorhorn († 1563); van Mander († 1606); Valère André († 1656) e Antonius Sanderus († 1664); todos louvam, acima de tudo, sua invencível moderação de alma. Seus confrades não o honravam menos: foi nomeado guardião em Ypres e tornou-o duas ou três vezes em Bruges. Seus funerais foram um triunfo popular. Por fim, suas virtudes são celebradas em três epitáfios, um na igreja dos Frades Menores, outro no Hospital Saint-Jean, o terceiro sobre sua tumba. Sua doutrina, sua eloquência e seu zelo explicam as tentativas contra sua reputação e são, para a história imparcial, seu mais belo título de glória.
BIBLIOGRAFIA: Van Meteren, Belgische ofte Nederlanhche Historie, Delft, 1599; Ant. Sander, De Brugensibus eruditionis fama claris, in-12, Antuérpia, 1624, p. 25-26; e Flandria illustrata, in-fol., Colônia, 1641, t. I, p. 208; J.-F. Foppens, Bibliotheca belgica, in-4º, Bruxelas, 1789, p. 191-192; Goethals, Lectures relatives à l’histoire des sciences en Belgique, in-8º, Bruxelas, 1838, t. IV, p. 67-76; de Feller e Perennès, Biographie universelle, in-8º, Besançon, 1844, t. I, p. 73; Janssen, De Kerkhervorming te Brugge, Roterdão, 1856, t. I, p. 106; F. Servais Dirks, recolet, Histoire littéraire et bibliographique des frères mineurs de l’observance de saint François, en Belgique et dans les Pays-Bas, in-8º, Antuérpia, 1885, p. 104-112.
Autor original: U. Battus
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