ACTA MARTYRUM, ACTA SANCTORUM

ACTA MARTYRUM, ACTA SANCTORUM

ACTA MARTYRUM, ACTA SANCTORUM (Atos dos Mártires e dos Santos). — I. Observações preliminares. II. Igreja grega. III. Igreja oriental. IV. Igreja latina.

Na literatura cristã de todas as Igrejas, os numerosos relatos que descrevem os tormentos dos mártires ou que celebram as virtudes dos santos ocupam um lugar considerável. Do ponto de vista teológico, esses documentos possuem uma importância que, hoje, não escapa a ninguém. Eles são, com efeito, através dos séculos, os irrecusáveis testemunhos do dogma, de sua permanência assim como de sua evolução; eles informam sobre a liturgia e seus ritos, sobre o uso dos Livros sagrados, sobre a moral, sobre o direito canônico; em uma palavra, podem ser postos em prática para elucidar a maior parte das questões vitais estudadas pelos teólogos. Vamos assinalar, nas diversas Igrejas do Oriente, da Grécia e do mundo latino, as principais coleções de Atos dos mártires e dos santos, deixando de lado, contudo, os martirológios, os menológios, os sinaxários e outros documentos mais litúrgicos do que históricos. Esses documentos serão objeto de um artigo especial. Ver MARTYROLOGE.

I. OBSERVAÇÕES PRELIMINARES. — Antes de dar a conhecer as grandes coletâneas hagiográficas, não será supérfluo indicar de forma sumária os caracteres bastante diferentes das diversas sortes de Acta sanctorum.

1. ATOS AUTÊNTICOS. — 1º Atos redigidos por notários públicos. — Há, primeiramente, as relações de mártires redigidas por notários públicos, processos-verbais judiciais conservados nos arquivos. Cf. S. Augustin, Contra Cresconium, III, 70, P. L., t. XLIII, col. 540. Somente estas peças merecem, a bem dizer, o nome oficial — que elas trazem, aliás — de Acta ou de Gesta sanctorum. Desta categoria, os Acta proconsularia de São Cipriano são o tipo mais perfeito. É preciso acrescentar que quase não chegaram até nós documentos dessa natureza, ao menos em sua forma original? Há ainda, ligando-se a esse gênero de peças, os Atos dos mártires de Scilli e os do senador Apolônio; todavia, para os primeiros, a peça original, em latim, está perdida; possui-se apenas duas recensões latinas secundárias e uma versão grega que deve ser bastante próxima do texto primitivo. Do martírio de Apolônio, não se tem mais do que um texto grego e uma recensão armênia. O fundo parece reproduzir bastante fielmente o interrogatório oficial, mas constata-se já uma forte alteração.

2º Outros atos autênticos. — Uma segunda espécie de Atos é constituída pelas Paixões devidas à pena de redatores cristãos. Algumas dessas Paixões ou Atos, ou foram feitas a partir de peças autênticas emanadas das chancelarias pagãs, ou foram escritas por testemunhas oculares ou historiadores dignos de fé. Relata-se que o Papa São Clemente havia estabelecido, nos catorze bairros de Roma, sete notários encarregados de recolher os atos dos mártires de cada comunidade. A essa segunda categoria pertencem, por exemplo, os atos de Santo Inácio, de São Policarpo, dos mártires de Lyon. São as peças qualificadas por Ruinart de Acta sincera, ainda que ele talvez tenha estendido demasiadamente essa qualificação.

3º Atos dos mártires dos três primeiros séculos que parecem os mais autênticos. — Tentou-se, em diversas ocasiões, elaborar a lista dos atos dos mártires que pareciam oferecer a maior garantia de autenticidade. Os melhores ensaios desse gênero são devidos aos Srs. K. J. Neumann, Der römische Staat und die allgemeine Kirche bis auf Diocletian, t. I, p. 283-331; E. Preuschen na Geschichte der altchristlichen Literatur bis Eusebius de Harnack, t. I, p. 807-834; G. Krüger, Geschichte der altchristlichen Literatur in den ersten drei Jahrhunderten, p. 237-245; Batiffol, Anciennes littératures chrétiennes. La littérature grecque, p. 52-54, 228-231. Vamos reproduzir aqui essa lista, limitando-nos, contudo, aos atos dos mártires dos três primeiros séculos: 1. Passio Polycarpi (23 de fevereiro de 155); 2. Passio Carpi, Papyli et Agathonice (sob Marco Aurélio); 3. Acta S. Justini (por volta de 165); 4. Os mártires de Lyon, Epistula ecclesiarum Viennensis et Lugdunensis (177); 5. Acta proconsularia martyrum Scillitanorum (17 de julho de 180); 6. Martírio de Apolônio o senador (por volta de 183); 7. Passio SS. Perpetuae et Felicitatis (7 de março de 203); 8. Passio Pionii (12 de março de 250); 9. Acta disputationis S. Achatii (sob Décio); 10. Acta S. Maximi (sob Décio); 11. Acta SS. Luciani et Marciani (26 de outubro, sob Décio); 12. Acta S. Cypriani (14 de setembro de 258); 13. Acta SS. Fructuosi, Eulogii et Augurii (21 de janeiro de 259); 14. Passio SS. Jacobi, Mariani et soc. (sob Valeriano); 15. Passio SS. Montani, Lucii et soc. (por volta de 259); 16. Martyrium S. Nicephori (por volta de 260); 17. Acta Maximiliani (12 de novembro de 295); 18. Acta Marcelli (30 de outubro de 298); 19. Passio Cassiani (298); Acta SS. Claudii, Asterii et soc. (308); 20. Passio Genesii mimi (303); 21. Passio Rogatiani et Donatiani (sob Diocleciano e Maximiano); 22. Passio S. Procopii (7 de julho de 303); 23. Acta S. Felicis Tubzacensis (30 de agosto de 303); 24. Passio S. Savini (sob Maximiano); 25. Passio S. Dasii (20 de novembro de 303); 26. Acta SS. Saturnini, Dativi et soc. (11 de fevereiro de 304); 27. Acta SS. Agapes, Chioniae, Irenes (304); 28. Acta SS. Didymi et Theodorae (303?); 29. Passio S. Irenaei, ep. Sirm. (25 de março de 304); 30. Passio S. Pollionis et soc. (28 de abril de 304); 31. Acta S. Eupli (304); 32. Passio S.

Philippi, ep. Heracl. (304); 33. Acta SS. Tarachi, Probi et Andronici (304); 34. Acta S. Crispinae (5 dezembro 304); 35. Acta SS. Phileae et Philoromi (306); 36. Passio S. Sereni (307?); 37. Passio S. Quirini (310); 38. Passio SS. Sergii et Bacchi (310); 39. Passio S. Petri Balsami (311); 40. Passio SS. Quirionis, Candidi, Domni (Quadraginta martyres Sebasteni, 320). Para os detalhes bibliográficos relativos a estes atos, deve-se consultar as obras indicadas acima e também os dois recentes repertórios dos bolandistas, Bibliotheca hagiographica graeca, Bruxelas, 1895, e Bibliotheca hagiographica latina mediae et infimae aetatis, Bruxelas, 1898.

II. ATOS INTERPOLADOS. — Mas sobre estas peças, geralmente de estilo sóbrio e onde os prodígios têm um papel bastante restrito, enxertaram-se frequentemente outras, interpoladas com discursos, descrições, milagres cada um mais extraordinário que o outro. Este foi o caso, por exemplo, da paixão dos mártires de Scillium, dos atos das santas Felicidade e Perpétua, daqueles de São Cipriano e dos santos Sérgio e Baco. E, coisa estranha, são quase sempre as peças interpoladas que gozam de maior voga. Enquanto não se conhecem mais do que cinco manuscritos que forneçam o texto primitivo da paixão das santas Felicidade e Perpétua, encontra-se o texto alterado na maioria dos outros. Mais frequentemente ainda, as redações originais desapareceram, pois, no tempo de Diocleciano, perseguiam-se, para aniquilá-los, os livros e os escritos religiosos dos cristãos. "A Igreja, após a tormenta", diz E. Le Blant, Les Actes des martyrs, Paris, 1882, p. 25, "soube prover à recomposição dos seus arquivos devastados."

Foi muitas vezes com a ajuda de memórias, de tradições orais, que se teve de reconstituir então um grande número de Acta, de Passiones, e frequentemente, sem excetuar as peças ditas "sinceras", estas novas redações foram adaptadas, quanto ao detalhe, à moda do tempo em que foram feitas.

III. ATOS INVENTADOS. — Finalmente, há uma terceira categoria de atos de santos e mártires, que são aqueles inventados inteiramente, puras lendas que não repousam sobre nenhum dado histórico e que fazem até duvidar da existência da personagem cujos altos feitos relatam. Os atos de Santa Bárbara, de Santa Catarina de Alexandria e de São Jorge fornecem o tipo desta espécie de documentos. Este gênero de exercício literário sempre floresceu, sobretudo nos mosteiros, e teve por vezes consequências estranhas, como a de introduzir nos livros litúrgicos santos apócrifos, como Barlaam e Josafat e um certo Albano, derivado um da lenda indiana de Buda, o outro do mito grego de Édipo. Ver, sobre Barlaam e Josafat, a obra recente de M. E. Kuhn, Barlaam und Joasaph, 1893, e sobre Albano, a obra dos bolandistas, Catalogus codicum hagiographicorum bibliothecæ regiæ Bruxellensis, t. II, p. 444-455; Bibliotheca hagiographica latina, p. 34.

IV. REGRAS PARA APRECIAR O VALOR HISTÓRICO DOS ATOS DOS MÁRTIRES. — O R. P. De Smedt, Introductio ad historiam ecclesiasticam, p. 118-120, dá as seguintes regras para julgar o caráter de credibilidade dos atos dos mártires. Há alguns que um testemunho formal de autoridade ou de tradição atesta terem sido redigidos no próprio tempo das perseguições. Fora deste caso, deve-se recorrer a índices internos, e o resultado deste inquérito conduz a três tipos de documentos de valor diferente. Certas peças, pela sua exatidão, sobretudo nos detalhes minuciosos de direito, de topografia, de cronologia, de costumes, onde um falsário ter-se-ia facilmente traído, e pela sua inteira concordância com outros documentos autênticos, provam a contemporaneidade do redator com a época em que se passam os fatos que ele relata. Outros relatos, sem permitir um tão completo controle de detalhe, apresentam-se com o aparato de simplicidade e com os outros caracteres gerais que distinguem as redações primitivas. Existe, finalmente, uma terceira categoria de atos, onde certas inexatidões criam, com razão, um preconceito, mas onde há, por outro lado, traços de autenticidade suficientes para concluir apenas por uma corrupção de texto mais ou menos extensa, e não pela criação inteiramente fictícia de um relato puramente lendário. Destas regras de crítica, pode-se aproximar as traçadas por Binterim, Denkwürdigkeiten der christlich-katholische Kirche, t. V, part. I, p. 84. 1° Quanto mais curtos e simples são os atos dos mártires, mais merecem inspirar crédito. 2° Os atos proconsulares determinam desde o início o nome e a duração de entrada em cargo dos cônsules. 3° Estas mesmas peças dificilmente contêm prodígios, ainda que os perseguidores atribuam os milagres dos mártires a um poder mágico. 4° A abundância dos ornamentos de estilo, a busca pela elegância, o abuso das citações bíblicas tornam um relato suspeito.

Os nomes dos imperadores, dos cônsules e dos governadores de província devem ser examinados de perto e cuidadosamente controlados com a época e o local do martírio. Mais recentemente, M. E. Le Blant retomou este assunto e forneceu indicações úteis, sobretudo nas suas duas obras Les Actes des martyrs, Paris, 1882, e Les persécutions et les martyrs aux premiers siècles de notre ère, Paris, 1893.

Após estes preliminares, abordamos diretamente o objeto próprio deste artigo.

Recensaremos sucessivamente, segundo sua ordem de aparição, as grandes coleções hagiográficas: 1° da Igreja grega; 2° da Igreja oriental; 3° da Igreja latina.

II. IGREJA GREGA. — I. DO SÉCULO IV AO SÉCULO VIII. — É Eusébio de Cesareia (265-340) quem aparece primeiro na longa lista dos hagiógrafos gregos. Existe dele uma obra perdida, Coleção das antigas paixões, Συναγωγὴ τῶν ἀρχαίων μαρτυρίων, e outra, que ainda possuímos, sobre os mártires da Palestina. Em diversos locais de sua História eclesiástica, IV, 15, 47-48, prefácio, 2; V, 4, 3; V, 21, 5 (P. G., t. XX, col. 361, 408, 440, 489), ele remete ao seu escrito sobre os antigos mártires, e lê-se na Vida de São Silvestre (Combefis, Illustrium Christi martyrum triumphi, Paris, 1660, p. 258): « Εὐσέβιος ὁ Παμφίλου τὴν ἐκκλησιαστικὴν ἱστορίαν παραλέλοιπεν ἑκατέρου ταῦτα εἰπεῖν, ἅπερ ἐν ἄλλοις συντάγμασιν ἔφρασεν. Ἐνέθεικα γὰρ ἐν κα' λόγοις τὰ παθήματα σχεδὸν τῶν ἐν πάσαις ταῖς ἐπαρχίαις ἀθλησάντων μαρτύρων καὶ ἐπισκόπων καὶ ὁμολογητῶν· οὐ μὴν ἀλλὰ καὶ γυναικῶν παρθένων ὅσα ἀνδρείῳ φρονήματι διὰ τὸν δεσπότην ἠγωνίσαντο Χριστὸν ἀνεγράψατο. Eusébio de Pânfilo omitiu na sua história eclesiástica o que tinha relatado noutras obras. Relatou, com efeito, em vinte e um livros os sofrimentos de quase todos os mártires, os bispos e os confessores da fé que combateram nas diversas províncias; escreveu em particular todos os combates que, pela graça de Cristo seu mestre, virgens travaram com uma coragem varonil, apesar do seu sexo. » Não temos nenhuma informação positiva sobre a composição do livro de Eusébio contendo as antigas paixões. O Sr. Preuschen tentou encontrar algumas indicações, Geschichte der altchristlichen Literatur de Harnack, t. I, p. 809-811, mas concebe-se todo o caráter conjetural destes dados. O livro dos mártires da Palestina ocupa-se apenas daqueles que sofreram sob Diocleciano. Está hoje estabelecido que Eusébio fez deste trabalho uma dupla redação, ambas escritas em grego. Da primeira, a mais desenvolvida, apenas alguns fragmentos, mas os mais importantes, chegaram até nós na língua original; possui-se, contudo, uma versão siríaca completa, publicada por Cureton, History of the Martyrs of Palestina, Londres, 1861. A outra redação, mais curta, é, nos manuscritos e nas edições, dada como suplemento ao livro VIII da História eclesiástica. Esta última redação parece não ser mais do que uma coleção de notas, um esboço, que o autor não destinava ao público, mas que, apesar dele, passou para os manuscritos que contêm as suas obras completas. Pode ver-se sobre toda esta questão J. Viteau, De Eusebii Cæsariensis duplici opusculo, Paris, 1893; La fin perdue des Martyrs de Palestine (Compte rendu du troisième Congrès international des savants catholiques à Bruxelles, 1895); B. Violet, Die Palästinensischen Martyrer des Eusebius von Cæsarea, Leipzig, 1895; Analecta bollandiana, 1897, t. XVI, p. 113-139.

Dos mártires passamos, com Paládio (367-420), aos monges do Egito, cuja vida e virtudes descreveu na sua Historia Lausiaca, assim chamada porque é dedicada a um certo Lauso, oficial da corte imperial. O Sr. Preuschen, Palladius und Rufinus, Giessen, 1897, p. 214-261, e o dom Cuthbert Butler, The Lausiac History of Palladius, Cambridge, 1898, retomaram recentemente a fundo o estudo desta compilação hagiográfica e das suas fontes. Sozomeno, Hist. eccl., VI, 29, cita um certo Timóteo, bispo de Alexandria (381-385), que teria composto uma coletânea hoje perdida de vidas de monges egípcios. Os Srs. Lucius, Die Quellen der älteren Geschichte des ägypt. Mönchstums, Zeitschr. für Kirchengeschichte, 1887, t. VI, p. 163, e Battifol, Anciennes littératures chrétiennes, la littérature grecque, Paris, 1897, p. 253-254, não estão longe de pensar que a coletânea atribuída a Timóteo seria a fonte onde Paládio bebeu. Dom Cuthbert Butler, op. cit., p. 277, refuta esta opinião. Teodoreto (cerca de 393-458) escreveu, sob o título de Φιλόθεος ἱστορία ἢ ἀσκητικὴ πολιτεία, uma história dos monges, que tem muita semelhança com a de Paládio, embora não se ocupando das mesmas personagens. Ao mesmo género de literatura hagiográfica pertence a obra de Cirilo de Citópolis (514-557), religioso do mosteiro de São Sabas, perto de Jerusalém, que redigiu um certo número de biografias bastante extensas de alguns cenobitas célebres, como Eutímio (Montfaucon, Analecta græca, Paris, 1688, t. I, p. 1-99), Sabas (Cotelier, Eccl. gr. monum., Paris, 1686, t. III, p. 220-376), João Mosco (Act. sanct., mai t. I, p. 16-21), Ciríaco (Act. sanct., sept. t. VII, p. 147-158), Teodósio (Usener, Der heilige Theodosios, Leipzig, 1890) e Teónio (Analecta bollandiana, t. X, 1891, p. 73-118; Papadopoulos-Kerameus, Pravosl. Palest. Sbornik, t. XXX, 1891). Este último editor publicou também a Vida de São Gerásimo, Σταχυολογία τῆς ἱεροσολυμιτιχῆς βιβλιοθήχης, t. IV, p. 175-399, que atribui igualmente a Cirilo de Citópolis, mas esta atribuição ainda não está demonstrada com certeza. João Mosco (578-602) compôs a obra célebre bem conhecida sob o nome de «Prado Espiritual»; nela relata os feitos e gestos dos monges da Tebaida, da Palestina e da Síria.

Possui-se também, da mesma época, um certo número de obras anônimas, *Apophtegmata Patrum*, *Gerontica*, *Paterica*, etc., que tratam de um assunto análogo ao do livro de João Mosco. Isto quanto às coletâneas gerais, mas desde o século IV, Anfilóquio de Icônio (cerca de 350-400), Basílio de Cesareia (329-379), Gregório de Nazianzo (325-389) e Crisóstomo (347-407) ocupam um lugar entre os hagiógrafos por seus relatos e seus panegíricos sobre a vida dos santos. Devemos a São Sofrônio, bispo de Jerusalém († 638), a Leôncio de Neápolis (590-668) e a Epifânio de Constantinopla (século VI) a redação de várias vidas de santos.

II. DO SÉCULO VII AO SÉCULO XI. — Com o século VII, entra-se no período de florescimento da hagiografia grega: os mosteiros estão em seu pleno apogeu e, até o século XI, assinala-se neles um número considerável de escritores que consagram seus laboriosos lazeres a redigir atos de santos. Podem-se distinguir dois tipos, que seus próprios títulos designam claramente; ora é um relato, βίος καὶ πολιτεία, ora são panegíricos, ἐγκώμιον, alguns dos quais foram realmente pronunciados, mas cujo grande número parece ter sido apenas um exercício puramente literário. Não é possível citar sequer os nomes dos hagiógrafos gregos deste período; encontrar-se-á a enumeração deles, com a indicação de suas obras, no trabalho de M. Ehrhard, *Geschichte der byzantinischen Literatur* de M. Krumbacher, 2ª ed., 1897, p. 193-200, e sobretudo no trabalho dos bolandistas, *Bibliotheca hagiographica græca*, 1895. Desde essa época, existem grandes coletâneas de vidas de santos distribuídas em doze volumes para cada um dos doze meses do ano, pois Teodoro Estudita nos diz, *Epist. ad S. Platonem*, P. G., t. XCIX, col. 912: « ἐγένετό μοι γὰρ πολλῶν ἐντεύξεις μαρτυρίων ἐν δώδεκα δέλτοις ἀπογεγραμμένων, encontrei várias paixões de mártires transcritas em doze coletâneas.» Esta coleção, que levava o nome de Menológio, não parece ter sido, desde a origem, fixada de uma maneira uniforme; reina, com efeito, nestas coletâneas, uma grande diversidade quanto à escolha, ao número e à extensão das peças que nelas se encontram reunidas.

Na segunda metade do século X, Simeão, dito o Metafrastista, empreendeu uma revisão dos documentos hagiográficos gregos. Graças sobretudo às recentes pesquisas de M. Ehrhard, está-se hoje bastante bem esclarecido sobre o caráter deste empreendimento, e determinou-se, quase por completo, o conjunto da obra de Metafrastista. Ver Ehrhard, *Geschichte der byzant. Literatur* de Krumbacher, 2ª ed., p. 200-203; *Die Legendensammlung des Symeon Metaphrastes*, Friburgo em Brisgóvia, 1896, e *Forschungen zur Hagiographie der griechischen Kirchen*, Roma, 1897. Somando tudo, a obra de Metafrastista não foi um progresso, e, pela popularidade que se ligou à sua compilação, cem vezes reproduzida nos manuscritos, ele fez cair no esquecimento e permitiu que se perdesse uma multidão de peças hagiográficas de um caráter mais original do que os resumos que ele fez delas e que suplantaram as antigas redações. Ver *Analecta bollandiana*, 1897, t. XVI, p. 310-329; t. XVII, p. 448-452. A coleção de Metafrastista, porém estabelecida de forma muito arbitrária, veio à luz, primeiro em tradução latina, aos cuidados de Aloisi Lipomani, bispo de Verona, em sete volumes in-4, Veneza, 1556-1558, depois em grego vulgar por Agapios Landos, sob o título de Νέος Παράδεισος, Veneza, 1641, e Νέον Ἐκλόγιον, Veneza, 1679, e enfim em grego, a partir dos manuscritos de Metafrastista, na *Patrologia graeca* de Migne, t. CXIV, CXV e CXVI, aos cuidados de Monsenhor Malou, bispo de Bruges.

III. DO SÉCULO XI AO SÉCULO XIV. — Do século XI ao século XIV, a hagiografia grega declina, como o restante da literatura bizantina; nota-se, contudo, ainda um certo número de vidas de santos compostas nesta época. Ver Ehrhard, *Geschichte der byzant. Literatur* de Krumbacher, 2ª ed., p. 203-205. A obra hagiográfica dos gregos foi considerável: mais de novecentos documentos estão hoje entregues à publicidade, restando certamente quinhentos a serem publicados ainda. Imagina-se sem dificuldade a soma de informações teológicas que tal coleção encerra. Esta veia talvez não tenha sido suficientemente explorada até o presente, e contudo a dogmática, a controvérsia, a história dos ritos, em suma, todos os ramos da teologia encontrarão como se enriquecer no estudo dos documentos hagiográficos da Igreja grega. Tem-se a prova desta asserção nas obras de Leão Allatius que, em seus três volumes, *De Ecclesiæ occidentalis atque orientalis perpetua consensione*, Colônia, 1648, recorre frequentemente aos testemunhos extraídos da Vida dos santos gregos.

IV. DOCUMENTOS ESLAVOS. — Pode-se ligar à hagiografia grega os documentos, aliás pouco numerosos, redigidos nos idiomas eslavos. Se várias destas peças apresentam os atos de personagens canonizados nas liturgias dissidentes, há outras que visam santos de uma época anterior ao cisma, honrados também na Igreja Católica Romana. É nos artigos consagrados à liturgia e aos martirológios eslavos que teremos sobretudo de determinar a parte tomada na hagiologia pelas literaturas da Europa oriental.

Assinalemos aqui apenas o célebre *Codex Suprasliensis*, o principal dos monumentos hagiográficos paleoeslavos.

Publicado por Miklosich em 1851, Monumenta lingue paleoslovenice, esta coletânea escrita no século XI encerra vinte e quatro vidas de santos. É uma espécie de menológio para o mês de março. Recentemente, o Sr. Abicht retomou o estudo das fontes deste documento, Quellen-nachweise zum Codex Suprasliensis; e o resultado evidente destes estudos é que este documento da hagiografia eslava não encerra nenhuma peça original, mas que todas são versões tomadas de empréstimo a textos gregos.

III. IGREJAS ORIENTAIS. — «Cinco literaturas principais, diz dom Pitra, Études sur la collection des Actes des saints, p. 16, com numerosos monumentos pertencem à Igreja oriental e entram em sua liturgia: o siríaco, o etíope, o copta e o árabe.» Não temos que nos ocupar aqui senão com as quatro primeiras destas literaturas, não tendo a hagiografia árabe senão poucos ou nenhuns documentos hagiográficos que lhe sejam próprios.

I. ARMENIO. — Se a hagiografia armênia é alimentada por traduções, nela se encontra um certo número de obras originais, relativas aos mártires da Armênia. Assinalaremos a história da perseguição de Vartane por Eliseu, que escrevia no século V. No século seguinte, Kakich compõe, com o diácono Gregório, o Asmavurk, ou martirológio armênio. Um dos mais célebres hagiógrafos da Armênia foi o patriarca Gregório II, dito Martyrophile (+ 1105), isto é, o amigo dos mártires, por causa do grande número de atos que traduziu do grego e do siríaco. No século XII, Nersés de Lamprone redige a Vie des Pères. O conjunto da literatura hagiográfica armênia foi recolhido em 1810-1814, pelo R. P. J.-B. Aucher, mekhitarista, em sua obra: Vies de tous les saints du calendrier arménien, 12 vol. in-8°. Na coleção dos escritores clássicos da Armênia publicada em Veneza em 1853 (20 vol. in-12), há, a partir do tomo IV, um bom número de vidas de santos. Ver, sobre a literatura hagiográfica armênia, Somal, Quadro della storia litteraria di Armenia, 1829; V. Langlois, Collection des historiens anciens et modernes de l’Arménie, 2 vol. in-4, Paris, 1867 e 1869; F. Nevé, L’Arménie chrétienne et sa littérature, Louvain, 1886.

II. SIRÍACO. — Embora tributários, eles também em grande parte, da hagiografia grega, os sírios têm, contudo, em matéria de vidas de santos, uma literatura bem mais abundante que a dos armênios. Desde o século IV, encontra-se um certo Isaías que redige os atos de são Lázaro e de seus companheiros, mas o grande nome desta época é são Maruthas, que recolhe os atos dos numerosos mártires coroados sob Sapor. Estes interessantes relatos foram publicados por S. E. Assémani, Acta sanctorum martyrum orientalium et occidentalium, in-fol., Roma, 1748, t. I. É, aliás, aos nomes dos dois Assémani que devem ser vinculadas as publicações relativas à hagiografia siríaca. Em 1835, o P. Pius Zingerle popularizou vários destes relatos em uma tradução alemã, Echte Akten heiliger Märtyrer des Morgenlands übersetzt, Inspruck, 1836. Quando as fecundas colheitas de Curzon e de Tattam nos mosteiros de Nítria tiveram, após 1845, enriquecido no British Museum os tesouros da literatura siríaca, os trabalhos dos Srs. Cureton e W. Wright deram um novo impulso às pesquisas relativas aos atos dos santos da Síria. Entre os primeiros editores citemos Mosinger, Gildemeister, Nestle, Amiaud e seus sucessores, para os atos dos mártires de Karkar, de santa Pelágia, da invenção da Cruz, de santo Aleixo. Nos Analecta bollandiana, de 1886 a 1891, o R. P. Corluy, o Sr. abade Abbeloos e Mons. Lamy publicaram vários textos aramaicos. Os Srs. Guidi, Sachau, Feige, o Sr. abade Chabot, o R. P. Gismondi e o R. P. Scheil, cujos trabalhos seria demasiado longo citar em detalhe, fizeram, por suas publicações de textos, por merecer da hagiografia siríaca. Encontrar-se-á, nos Études sur la collection des Actes des saints de dom Pitra, p. 30-33, uma lista redigida pelo Sr. Cureton dos atos siríacos dos santos contidos nos manuscritos do British Museum; deve-se, contudo, completar esta lista com o excelente catálogo do Sr. W. Wright, Catalogue of the Syriac manuscripts in the British Museum, 3 vol., 1870. Devemos ao Sr. G. Hoffmann um erudito estudo e numerosos extratos concernentes aos atos siríacos dos mártires da Pérsia, Auszüge aus syrischen Akten persischer Märtyrer, Leipzig, 1880. Em sua introdução aos atos de Mar Qardagh, Analecta bollandiana, t. IX, p. 5-8, Mons. Abbeloos redigiu o catálogo de cinquenta e duas vidas de santos em siríaco contidas em um manuscrito da igreja Saint-Péthion. Mas após as publicações de Assémani e as do Sr. Bedjan, das quais vamos falar, resta pouco texto inédito nesta preciosa coleção. O Sr. Bedjan, desde o ano de 1891, publicou sete volumes de Acta martyrum et sanctorum em siríaco. O t. VII encerra uma versão aramaica da Historia Lausiaca, mas nos seis outros volumes, o Sr. Bedjan fornece cerca de cento e cinquenta textos, dos quais a metade é absolutamente inédita e frequentemente desconhecida. Embora empreendido com um intuito de edificação, sem nenhuma visada de erudição, este trabalho constitui uma contribuição das mais importantes à literatura hagiográfica da Igreja síria. Pode-se ver nos Analecta bollandiana, t. X, p. 478; t. XI, p. 288; t. XIV, p. 183, o exame completo da obra do Sr. Bedjan. O Sr.

Rubens Duval dedicou um capítulo de sua obra Anciennes littératures chrétiennes, La littérature syriaque, Paris, 1899, p. 121-165, aos atos dos mártires e dos santos.

III. ETÍOPE. — Os anais da Igreja da Etiópia foram menos estudados do que os da Síria: por isso, quase ainda não se recolheram ou publicaram os documentos hagiográficos, que poderiam dar a conhecer a multidão de santos desconhecidos cujo nome apenas foi revelado pelo calendário publicado na obra de Ludolph, Ad historiam æthiopicam Commentarius, Francfort, 1691, p. 389-437. Contudo, basta percorrer as listas de vidas de santos em etíope levantadas nos catálogos dos manuscritos abissínios do British Museum e da Bibliothèque nationale de Paris, para constatar que os materiais não faltam e que eles aguardam apenas a mão do obreiro. Deve-se, todavia, aos Srs. Budge, Conti Rossini, Guidi, Esteves Pereira, a publicação da vida dos santos Jorge, Takla Haymanot, ’Aragawi e Daniel de Scété. E. Budge acaba de publicar sob o título The Contendings of the Apostles, Londres, 1899, cerca de quarenta textos etíopes relativos aos Atos apócrifos dos apóstolos. A hagiografia etíope encontra também o seu interesse nos Apocryphes éthiopiens do Sr. René Basset.

IV. COPTA. — Para os santos da Igreja copta, possui-se numerosos extratos no catálogo organizado por Zoega dos manuscritos coptas do museu Borgia. Georgi editou os atos de santo Coluto. Nestes vinte últimos anos, os trabalhos sobre a hagiologia copta tomaram um novo impulso. O Sr. Hyvernat publicou um volume sobre os atos dos mártires do Egito (Roma, 1886). Mas é incontestavelmente ao Sr. Amélineau que se deve a mais considerável contribuição à hagiografia do Egito. Sob o título geral de Monuments pour servir à l’Histoire de l’Égypte chrétienne au IVe et au Ve siècle, ele publicou três volumes dos quais o primeiro, Mémoires publiés par les membres de la Mission archéologique française au Caire, t. IV, fasc. 1, p. 1-478 (1888) e fasc. 2, p. 479-840 (1895), contém documentos relativos a são Schnoudi e outros concernentes aos santos Pacômio, Teodoro, Horsiisi e João de Licópolis; o segundo volume, Annales du Musée Guimet, t. xvi (1889), fornece a história de são Pacômio e de suas comunidades; o terceiro volume, Annales du Musée Guimet, t. xxvi (1895), é intitulado Histoire des monastères de la Basse-Égypte e fornece documentos relativos a são Paulo, o eremita, a santo Antão, a são Macário e outros. Além destas publicações de textos, é preciso ainda assinalar do mesmo autor um estudo sobre a recensão copta da Historia Lausiaca, Paris, 1887, e um volume sobre os Actes des martyrs de l’Église copte, Paris, 1890. Infelizmente, dois grandes defeitos mancham os trabalhos do Sr. Amélineau: a ideia fixa de reencontrar nos documentos a organização sistemática do cenobitismo egípcio. Em uma tese recentemente apresentada para a obtenção do grau de doutor em teologia na universidade de Louvain, o Sr. abade Ladeuze, no que diz respeito a são Pacômio e Schnoudi, muito claramente fez sobressair o que as teses do Sr. Amélineau têm de exagerado, Étude sur le cénobitisme pakhomien pendant le IVe siècle et la première moitié du Ve, Louvain, 1898. Entre aqueles que contribuíram para fazer conhecer a literatura hagiográfica copta, é preciso assinalar o Sr. Fr. Rossi, que publicou a maior parte dos atos de mártires contidos nos papiros coptas do museu egípcio de Turim, Memorie della R. Accademia delle Scienze, série II, t. XXXV-XXXVI. Citemos ainda os Srs. Budge, O. von Lemm e Crum, a quem se deve a publicação de um certo número de atos coptas.

II. IGREJA LATINA. — I. PRIMEIROS REPERTÓRIOS. — Dissemos, no início deste artigo, com que zelo a Igreja, desde os primeiros dias de sua existência, recolheu os atos dos mártires e dos santos. Estes atos entraram cedo na liturgia; não eram apenas relatos destinados a edificar; muito cedo, ao lado do lecionário dos Evangelhos e das Epístolas, houve o passionário ou livro contendo o relato dos gesta martyrum. Tem-se a prova da existência, no século VI, de um passionário romano, sem que se possa determinar exatamente o seu conteúdo. A Igreja da África deveria possuir o seu, e santo Agostinho nos fala de uma paixão de mártir inscrita no livro canônico: hujus passio in canonico libro est. Para a Igreja das Gálias, a da Espanha e da Inglaterra, os testemunhos abundam. Ver Pitra, Études sur la collection des Actes des saints, p. 62-68. Aliás, desde os primeiros séculos da Igreja, o Ocidente possui hagiógrafos de renome. São Jerônimo, pelas Vidas de são Paulo eremita, de santo Hilarião, de são Malco, o cativo, das santas damas romanas Fabiola, Paula e Marcela, forneceu a grande parte do que formou mais tarde o primeiro livro das Vitae Patrum de Rosweyde.

Os quatro livros dos diálogos de são Gregório, o Grande, abrem, com as três obras de Gregório de Tours, De gloria martyrum, De gloria confessorum, Vitae Patrum, a série das coleções gerais da hagiografia latina. Fortunato de Poitiers, a quem se deve a redação de várias vidas de santos; o patrício Dyname, historiador dos abades de Lérins e da Aquitânia; Jonas de Bobio, que ilustrou as vidas dos Padres de Luxeuil, contam entre os mais fecundos dos antigos hagiógrafos da Gália.

Na Espanha, Paulo de Mérida, na Inglaterra, Beda, o Venerável, e na Itália, Paulo Warnefride, seguem seus passos. Anastácio, o Bibliotecário, por sua recensão do Liber pontificalis e por suas numerosas traduções de lendas gregas, ocupa um lugar de destaque entre os hagiógrafos de seu tempo. Cf. A. Lapôtre, De Anastasio bibliothecario, p. 339-350; Analecta bollandiana, 1896, t. xv, p. 257 sq. Nos séculos seguintes, é preciso citar Flodoard, Hucbald de Saint-Amand, Goscelin, São Odon de Cluny, Olbert de Gembloux, Eadmer, o historiador de Santo Anselmo.

II. DO SÉCULO XII AO SÉCULO XVI. — «No século XII, diz dom Pitra, todas as grandes abadias possuem não apenas passionários completos, mas um sistema seguido de compilações que oferecem mais de uma variedade bastante curiosa.» Op. cit., p. 97. Entre esses legendários, um dos mais completos é aquele que porta o nome de Magnum legendarium Austriacum. Foi composto por volta do fim do século XII e contém 543 vidas de santos. Durante muito tempo, foi atribuído a Wolfhard de Herriedn († 916), mas a obra de Wolfhard é, antes, um martirológio. É com outro legendário, o de Windberg, na diocese de Ratisbona, que o legendário austríaco apresenta as maiores afinidades. Ver, sobre toda esta questão, a dissertação muito extensa publicada nos Analecta bollandiana, t. xvi (1898), p. 5-216. Se Cesário de Heisterbach escreveu a vida de Santo Engelberto, não se poderia dizer o mesmo dos doze livros dos milagres, onde Oudin tem razão em ver apenas um amontoado de fábulas pueris e ridículas. De script. eccl., t. I, p. 81. Vicente de Beauvais (1184-1264) é o autor do Speculum historiale que, segundo Baillet, Préface sur les Vies des saints, p. 10, haveria motivo para situar entre as coleções de atos dos santos e, na verdade, encontra-se ali um número muito grande de lendas, das quais Vicente oferece extratos ou resumos. Todavia, Melchior Cano, De locis theologicis, l. XI, c. IV, p. 540-541, não agiu mal ao protestar contra a excessiva profusão de histórias miraculosas associadas aos relatos autênticos. O Speculum historiale inspirou o autor de outra coleção não menos célebre. Tiago de Voragine ou de Varazze (1280-1298) reuniu, sob o título de Historia Longobardorum, que não tardou a ser chamada de Legenda aurea, um grande número de lendas hagiográficas em forma de resumo. Do ponto de vista crítico, esta compilação, que fez as delícias da Idade Média, não tem valor algum. Guido de Châtres, abade de Saint-Denis († 1310), escreveu dois volumes intitulados Sanctilogium, mas os relatos que contêm não possuem maior autoridade do que a Legenda Áurea, da qual, aliás, derivam em linha reta. É preciso conceder mais atenção ao Sanctorale de Bernardo Gui (1261-1331), dominicano e inquisidor de Toulouse. «O Sanctoral, diz o Sr. Léopold Delisle, que publicou sobre Bernardo Gui um estudo aprofundado, Notices et extraits des manuscrits de la Bibliothèque nationale, 1879, t. XXVII, p. 169-455, é uma grande coleção hagiográfica, dividida em quatro partes. A primeira é consagrada às festas de Nosso Senhor, às festas de Nossa Senhora, às festas da Cruz, às festas dos Anjos, ao Dia de Todos os Santos, à Comemoração dos mortos e à dedicação das igrejas. A segunda parte refere-se a São João Batista, aos apóstolos, aos evangelistas e a alguns dos setenta e dois discípulos. A terceira contém os atos dos mártires. Na quarta, estão as vidas dos confessores e das virgens.» No conjunto, o Sanctoral de Bernardo Gui contém, em resumo, os atos de 272 santos. Todavia, Bernardo não se contenta em copiar ou abreviar as antigas lendas; insere aqui e ali acontecimentos relativamente modernos e indicações topográficas bastante interessantes.

cita suas autoridades e remete frequentemente a relatos que não receberam grande publicidade e que, por vezes, só se encontram com ele. E, como conclusão, o Sr. Delisle afirma que «o Sanctoral não é uma coleção vulgar de lendas e que a crítica e a história têm muito a colher ali em informações úteis». Quétif e Echard, Scriptores, t. 1, p. 579, assinalam um manuscrito de Toulouse que consideram como uma quinta parte do Sanctoral composto por Bernardo Gui. É um erro: este manuscrito, cuja cópia pode ter sido feita sob a direção do autor do Sanctoral, não é senão a segunda parte de um grande lecionário. Mas existe uma outra coleção de vidas de santos (ms. de Toulouse, n. 72 e n. 4985 da Biblioteca Nacional de Paris) que é obra de Bernardo Gui. Ver L. Delisle, op. cit., p. 294-296. Por volta da mesma época (por volta de 1316), florescia na Inglaterra João de Tinmouth, autor de um Sanctilogium sive de vitis et miraculis Sanctorum Angliæ, Scotiæ et Hiberniæ. Esta coleção é uma seleção de cento e cinquenta e seis vidas. «Não há, diz dom Pitra, senão um sentimento sobre o mérito do autor na extensão de suas pesquisas, na boa ordenação de seu plano, na escolha judiciosa e na crítica dos atos.» Op. cit., p. 102. Este julgamento dificilmente será ratificado. Pedro de Natali, em latim de Natalibus, que ainda vivia em 1376, é o autor de um Catalogus Sanctorum et gestorum eorum ex diversis voluminibus collectus. Este trabalho é totalmente desprovido de crítica; vê-se nele figurar até mesmo Rolando e Olivier, mas há lendas de santos cujos vestígios não se encontram em outro lugar.

Por volta da mesma época, florescia em Milão Boninus Mombritius, que pode ser classificado entre os melhores hagiógrafos. Ele não tem nada em comum com os compiladores e abreviadores de quem acabamos de falar. É um editor de textos no verdadeiro sentido do termo. Mombritius reuniu, em sua redação primitiva, a partir dos manuscritos, um número considerável de atos de santos, e sua obra em dois volumes, que se tornou muito rara, é ainda hoje uma mina preciosa a ser explorada para a hagiografia. Deve-se a John Capgrave (1393-1464) uma coleção de vidas intitulada Nova legenda Angliæ, que foi impressa em 1516 sob os cuidados de Winand de Worde. Como dissemos, este trabalho não é uma obra original, mas, na maioria das vezes, uma simples transcrição dos textos redigidos por Jean de Tinmouth. Entre os hagiógrafos do século XV, são dois flamengos, cônegos regulares de Rouge-Cloître, perto de Bruxelas, que levam a palma: Jean Gielemans e Antoine Gheens. Jean Gielemans (1427-1487) é autor de quatro grandes volumes respectivamente intitulados: Sanctilogium em dois volumes, Hagiologium Brabantinorum em dois volumes, Novale Sanctorum também em dois volumes e Miracula Brabantinorum, que tem apenas um volume. Longamente extraviados, estes volumes foram recentemente, em 1894, reencontrados em Viena pelos bolandistas. Voir Analecta de codicibus hagiographicis Johannis Gielemans, Bruxelles, 1895, p. 587. A obra de Gielemans é imensa; os quatro volumes do Sanctilogium encerram sozinhos mais de um milhar de vidas, onde, mesmo após tantas publicações hagiográficas, pôde-se respigar novamente. A maioria dos textos transcritos por Gielemans no Sanctilogium não passa de resumos; em suas outras coleções, há um certo número de atos completos. Antoine Gheens, mais conhecido pelo nome de Ghenart (1479-1543), compôs quatro volumes de Vies de saints. Restam apenas três hoje; o primeiro tomo (ms. n. 7798 da biblioteca real de Bruxelas) contém vidas de santos dos meses de janeiro e de fevereiro; o segundo, que está perdido, encerrava documentos hagiográficos relativos aos meses de março e abril. O terceiro tomo (n. 982 dos manuscritos da biblioteca real de Bruxelas) percorre, no ano, do mês de maio ao mês de agosto; o quarto tomo (n. 7198 da biblioteca supracitada) compreende os quatro últimos meses. Voir Analecta bollandiana, t. IV, p. 31-34. O século seguinte viu nascer dois grandes hagiógrafos: Aloisi Lipomani e Laurent Surius. O primeiro, sucessivamente bispo de Modon, de Verona e de Bérgamo, fez publicar, de 1551 a 1560, oito volumes de vidas de santos. Encontram-se neles, entre outros (t. V, VI, VII), uma tradução dos atos gregos redigidos por Métaphraste. O tomo VIII da coleção apareceu, após a morte de Lipomani, sob os cuidados de seu sobrinho Jerônimo. De 1570 a 1575 apareceu a obra de Surius em seis volumes. As vidas dos santos estão dispostas ali segundo a ordem do calendário romano. Surius tomou como base as vidas publicadas por Lipomani, todavia acrescentou muitas peças inéditas. O cartuxo de Colônia não é um editor crítico, a obra de seu predecessor não saiu melhor de suas mãos, e dom Pitra pôde dizer, com razão, que é « uma infeliz restauração dos monumentos primitivos ».

III, DESDE O SÉCULO XVII. — 1° Os bolandistas. — Chegamos ao século XVII, que deveria ver surgir a gigantesca empresa que foi e que será, cremos nós, a maior jamais tentada relativamente aos atos dos santos. Há mais de um século, a era da documentação estava encerrada, o momento havia chegado de levar a luz da crítica ao emaranhado da literatura hagiográfica e de realizar ali uma indispensável triagem. É ao P. Héribert Rosweyde (1569-1629), nascido em Utrecht e falecido em Antuérpia, que se deve o plano da obra bolandista. Tratava-se de « pesquisar de todas as partes as vidas conhecidas e desconhecidas dos santos, de colacioná-las com os manuscritos e os livros mais antigos, de restituir-lhes seu estilo primitivo e suas partes integrais; de ilustrá-las com notas, de dissertar sobre os autores, os ritos sagrados, a cronologia, a corografia, o glossário ». Rosweyde esperava realizar este plano em dezessete volumes in-folio, dois para as festas de Cristo e da Virgem, um para as festas solenes dos santos, outro para as festas não feriadas de outros santos, doze para os Acta sincera dos santos de todos os meses, um para os martirológios e, enfim, dois para oito categorias de notas e treze tabelas. Como bem se pensa, Rosweyde não pôde, sozinho, levar a bom termo o programa que havia esboçado. Não resta dele, em termos de hagiografia, senão sua edição das Vitæ Patrum. À morte de Rosweyde, em 1629, um de seus confrades, o P. Jean Bolland, nascido em 1596, na aldeia de Bolland, retomou a obra esboçada; durante cinco anos trabalhou nela sozinho, mas associou então a si os PP. Godefroid Henschen (1600-1681) e Daniel Papebroch (1628-1714). Em 1643, apareceram os dois primeiros volumes da famosa coleção dos Acta sanctorum dos bolandistas: eles encerravam as vidas dos santos do mês de janeiro. À morte de Bolland, em 1665, três novos volumes haviam visto a luz do dia, contendo os atos dos santos honrados no mês de fevereiro. Com pouco intervalo, seguiram-se até 1705, data da aposentadoria do P.

Papebroch, tornado cego, três volumes para o mês de março, três outros para o de abril, oito para o mês de maio e sete para junho. Após a morte dos primeiros bolandistas, apareceram, até 1773, época da supressão dos jesuítas, trinta novos volumes que levaram a obra até 7 de outubro. A abadia dos premonstratenses de Tongerloo acolheu os bolandistas; eles terminaram ali o sexto volume de outubro, que era o quinquagésimo oitavo de toda a coleção. A Revolução Francesa pôs fim, em 1796, pela secularização da abadia de Tongerloo, aos trabalhos dos bolandistas. Estes não os retomaram senão em 1838 com os PP. Vander Moere e Van Hecke, aos quais se juntaram sucessivamente os PP.

Benjamin Bossue, Victor De Buck, Antoine Tinnebroeck, Victor Carpentier, Charles De Smedt, Remi De Buck, Henri Matagne, Joseph De Backer, Guillaume van Hoof, Charles Houze, Francois Van Ortroy, Joseph Van den Gheyn, Hippolyte Delehaye e Albert Poncelet. O primeiro volume publicado pela nova geração dos bolandistas apareceu em 1845 e o último (tomo II de novembro), formando o LXIVe da coleção, viu a luz do dia em 1894. Os Acta sanctorum dos bolandistas foram reeditados em Veneza, 1734 sq. em 43 volumes, até 18 de setembro, e em Paris, 1866-1887, em 63 volumes, mais um volume suplementar, até 31 de outubro.

Desde 1881, os bolandistas publicam uma coletânea periódica, os Analecta bollandiana (um volume por ano), destinada a preencher as lacunas dos volumes precedentes dos Acta sanctorum e a preparar o trabalho do futuro. Esta revista adquiriu, há alguns anos, uma nova importância pelo boletim regular que oferece das publicações hagiográficas. Nela se informa, à medida que aparecem, com uma severa, mas imparcial crítica, sobre todos os trabalhos que surgem no campo da hagiologia. Os novos bolandistas também colocaram a mão em uma obra tornada absolutamente necessária pela centralização dos documentos nas bibliotecas públicas e pelas exigências da crítica moderna. Outrora, era preciso contentar-se com o primeiro texto que aparecesse, encontrado em alguma abadia ou fornecido por obrigados correspondentes. A dispersão dos documentos e a dificuldade das viagens não permitiam ir à procura do melhor texto. Não é mais assim. Para chegar a este resultado, era preciso proceder à análise metódica dos milhares de manuscritos hagiográficos reunidos nas principais bibliotecas da Europa. Os novos redatores abordaram resolutamente esta tarefa, e já publicaram os catálogos dos manuscritos hagiográficos dos principais depósitos públicos da Bélgica e da Holanda, de Paris, de Milão, de Chartres, de Roma. Além disso, neste século sobretudo, os bolandistas encontraram émulos um pouco por toda parte e estão na necessidade de saber quais textos são ou não inéditos. Eis por que organizaram sua Bibliotheca hagiographica græca ou lista de todas as vidas de santos publicadas em língua grega. Um trabalho análogo para as vidas de santos editadas em latim está em curso de publicação sob o título de Bibliotheca hagiographica latina mediæ et infimæ ætatis. Vê-se que, se a publicação dos volumes dos Acta sanctorum parece ter experimentado um pequeno tempo de pausa, bem justificado pelas exigências que impuseram, nestes últimos tempos, os progressos da erudição histórica, os bolandistas não negligenciam nenhum meio de manter sua obra à altura desses progressos.

2° Dom Ruinart. — A obra dos bolandistas fez surgir, desde sua aparição, trabalhos similares sobre algumas das partes do vasto campo da hagiografia universal desbravado por eles. Pode-se dividir estes trabalhos em três categorias: hagiografia monástica, hagiografia nacional e vulgarização da hagiografia. Somente a obra de Ruinart, Acta primorum martyrum sincera, 1689, escapa a esta classificação. O sábio beneditino, inspirando-se nos princípios dos bolandistas, procurou separar, na multidão das lendas e dos relatos apócrifos e fictícios, o bom grão do joio. Falta contudo muito para que todas as peças publicadas por ele mereçam o título que lhes deu de Acta sincera, e mesmo nesta coleção, resta fazer uma triagem; além disso, bom número de documentos perfeitamente autênticos e dignos de fé foram descobertos desde então.

3° Hagiografia monástica. — Na hagiografia monástica, a grande obra de Mabillon, Acta sanctorum ordinis S. Benedicti, 9 vol., Paris, 1688, ocupa o primeiro lugar, pela erudição firme e segura que seu autor nela desdobra. Eis agora, dispostas segundo a ordem alfabética das ordens religiosas, as principais coleções de vidas dos santos que se ilustraram no claustro. Esta lista e as seguintes não visam de modo algum esgotar a bibliografia do assunto. AUGUSTINS : Staibano, Templo eremitano de’ santi, beati dell’ ordine agostiniano, Nápoles, 1608; Maigretius, Martyrographia augustiniana, Antuérpia, 1625; L. Torelli, Ristretto delle vite degli uomini e delle donne illustri in santità dell’ agostiniano ordine, Bolonha, 1649; A. Arpe, Pantheon augustinianum, Gênova, 1709; — BENEDICTINS, além de Mabillon de quem falamos: J. Bosco, Floriacensis vetus bibliotheca benedictina, Lyon, 1605; Bucelinus, Menologium benedictinum, Feldkirch, 1655; — CARMES : Alegre, Paradisus carmelitici decoris, Lyon, 1639; Oliverius a S.

Anastasia, Lusthof der Carmeliten, Antuérpia, 1659; Daniel a Virgine Maria, Speculum carmelitanum, Antuérpia, 1860; — CHARTREUX: Havensius, Relatio martyrum carthusianorum, Ruremonde, 1608; Tromby, Storia... del S. Brunone et del suo ordine cartusiano, 10 vol., Nápoles, 1773; — CISTERCIENS: Ch. Henriquez, Fasciculus sanctorum ordinis cisterciensis, Colônia, 1631; Cl. Chalamot, Series sanctorum ord. cist., Paris, 1666; M. Carretto, Santorale del sacro ordine cisterciense, Turim, 1705; Ménologe cistercien, par un moine, Thymadeuc, Saint-Brieuc, 1898; — DOMINICAINS: L. Alberti, De viris illustribus ordinis prædicatorum, Bolonha, 1517; M. Mancano, Insigne martyrio relig. de la orden de S. Domingo, Madri, 1629; — FRANCISCAINS: F. Gonzaga, De origine seraphicæ religionis franciscanæ, Roma, 1587; M. de Gubernatis, Orbis seraphicus, 6 vol., Roma, 1682; S. Minutius, Cronica de la provincia de S. Diego, Madri, 1619; B. de Kortessem, Relatio martyrum ord. minorum S. Francisci, Ingolstadt, 1582; Leydanus, Historia martyrum ord. S. Francisci, Ingolstadt, 1588; F. Hueber, Heilige des Ordens des hl. Franciscus, Munique, 1693; Ben. Mazzara, Leggendario francescano, 2° Veneza, 1676; Aremberg, Vitæ fratrum capucinorum, 1690; G. Modigliana, Leggenda capuc., Veneza, 1767; P. Lechner, Leben der Heiligen aus den Orden der Kap., Munique, 1863; — JÉSUITES: Ph. Alegambe, Mortes illustres et gesta eorum de Soc. Jesu, Roma, 1657; Id., Heroes Soc. Jesu, Roma, 1658; M. Tanner, Societas Jesu vigilans, Munique, 1675. Várias revistas periódicas e grandes coleções, ainda em curso de publicação, contêm para a hagiografia das ordens religiosas documentos preciosos. Citaremos sobretudo Miscellanea francescana, 16 vol., Foligno; Revue bénédictine, 16 vol., Maredsous; Annales fratrum Prædicatorum, 3 vol., Roma; L’année dominicaine, 14 vol., Lyon; Studien und Mittheilungen aus den Benedictiner und Cistercienser Orden, 19 vol., Raigern; Monumenta historica Societatis Jesu, 12 vol., Madri; Monumenta ordinis servorum B. M. V., 1 vol., Bruxelas; Spicilegium benedictinum, 2 vol., Roma.

4° Hagiografia nacional. — Para a hagiografia nacional, listamos, por ordem alfabética de país, as principais obras seguintes. ALLEMAGNE: M. Raderus, Bavaria sancta, 3 vol., Munique, 1615; Chr. Browerus, Sidera sanctorum virorum qui Germaniam gestis rebus ornarunt, Mogúncia, 1646; Westphalia sancta, Neuhaus, 1715; Andr. Schottius, Prussia christiana, 1738; M. Strunk-Giefers, Westphalia sancta, 1855; J. B. Stamminger, Franconia sancta, Wurtzbourg, 1878; — ANGLETERRE: Britannia sancta or the lives of saints, Londres, 1745; Rees, Cambro-British Saints, Landovery, 1853; Liebermann, Die Heiligen Englands, Hanôver, 1889; — BELGIQUE: A.

Sanderus, Hagiologium Flandriæ, Antuérpia, 1625; J. Ghesquiere, Acta sanctorum Belgii, Bruxelas, 1783; F. X. de Ram, Vies des saints belges, hagiographie... dans les anciennes provinces belges, Louvain, 1864; Hillegeer, Belgie en zijne heiligen, Gand, 1868; — BOHÊME: Legenda ss. patronorum, Bohemiæ, Cracóvia, 1507. — ÉCOSSE: Colgan, Acta sanctorum Scotiæ, Louvain, 1647; Pinkerton, édit. Metcalfe, Lives of the scottish Saints, Paisley, 1889; — ESPAGNE: J. Marieta, Historia de todos los Santos de España, Cuenca, 1596; J. Tamayo, Commentarius sanctorum Hispanorum, Lyon, 1651; Florez, España sagrada, Madri, 1747-1866; J. Troncoso, Triunfos de la iglesia de España, Madri, 1848; — FRANCE: V. Barralis, Chronicon SS. sanctæ insulæ Lerinensis, Lyon, 1613; J. Rinaldus, Flores Galliæ sanctæ, Dijon, 1643; Verny, Les Saints de France, 2 vol., Paris-Lille, 1893-1896; J. Branche, Vies des Saincts et Sainctes sur l'Auvergne et du Velay, Le Puy, 1652; Lobineau, Vies des Saints de Bretagne, Rennes, 1725; Albert le Grand, édit. Morice, Vies des Saints de la Bretagne, Brest, 1837; Garaby, Vies des Bienheureux et des Saints de Bretagne, Saint-Brieuc, 1839; Hunckler, Histoire des Saints d’Alsace, Estrasburgo, 1837; Destombes, Vies des Saints des diocèses d’Arras et de Cambrai, Cambrai, 1851; Nadal, Histoire hagiologique du diocèse de Valence, Valence, 1855; Corblet, Hagiographie du diocèse d’Amiens, Amiens, 1869; Pigeon, Vie des saints du diocèse de Coutances et Avranches, 2 vol., Avranches, 1892-1898; — HOLLANDE: J. Foppens, Batavia sacra, Bruxelas, 1714; — HONGRIE: Legenda sanct. Hungariæ, Estrasburgo, 1486; Acta SS. Hungariæ ex J. Bollandi opere excerpta, Tarnopol, 1743; — IRLANDE: Th. Messingham, Vitæ et acta SS. Hiberniæ, Paris, 1624; Tachet de Barneval, Légendaire d’Irlande, Paris, 1856; O’Hanlon, The Lives of the Irish Saints, 9 vol., Dublin, (em curso de publicação); De Smedt et De Backer, Acta SS. Hiberniæ ex codice Salmanticensi, Bruxelas, 1888; cultu, Nápoles, 1753; C. Flaminius, Hagiologium italicum, 2 vol., Bassano, 1773; Cajetanus, Vitæ SS. Siculorum, Palermo, 1657; Pirrus, Sicilia sacra, édit., Leyden, 1720; — SUÈDE: J. Vastovius, Vitis Aquilonia, Upsália, 1708.

5° Vulgarização da hagiografia. — É à vulgarização da hagiografia que se referem as publicações seguintes: Fr. Agricola, Leben und Sterben der Heiligen, Colônia, 1618; Am. Bonnefons, Les fleurs des vies des saints, Paris, 1656; Heiligenlexikon, Colônia, 1719; A. Baillet, Les vies des saints, 4 vol., Paris, 1703; Martin von Cochem, Verbesserte Legenda, 1726; Raccolta delle vite de’santi, Veneza, 1727; M.

Vogel, Leben und Sterben der Heiligen Gottes, Bamberg, 1770; Alban Butler, The lives of the Martyrs and other principal Saints, Londres. Esta obra teve um grande sucesso; há duas traduções francesas, uma de Godescard, Paris, 1786, a outra de Msr de Ram, Bruxelas, 1846, bem como uma tradução alemã de Riiss e Weiss, Mogúncia, 1823. Neste século, é preciso citar sobretudo as obras de Foxe, History of christian Martyrdom, Londres, 1834; Dictionnaire hagiographique (coleção Migne), 1850; J. Stadler, Heiligenlexikon, 1858; Alban Stolz, Christliche Sternhimmel, 6ª ed., Friburgo, 1875; Guérin, Les petits bollandistes, 7ª ed., Paris, 1876. Desde 1897, a livraria Lecoffre, em Paris, publica, sob a direção do Sr. Henri Joly, uma coleção de vidas de santos destinadas à vulgarização, mas, contudo, tratadas de forma crítica. Cf. Dictionnaire d’archéologie, t. I, col. 373-446.

Autor original: J. Van den Gheyn

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