I. Texto e tradução. II. Histórico. III. Interpretação. IV. Importância.
I. TEXTO E TRADUÇÃO. — Eis, primeiramente, o texto, no qual imprimimos em letras maiúsculas as partes das quais possuímos o original, inclusive sobre o mármore.
ΕΚΛΕΚΤΗΣ ΠΟΛΕΩΣ Ο ΠΟΛΙΤΗΣ ΤΟΥΤ’ ΕΠΟΙΗΣΑ
ΖΩΝ ΙΝ’ ΕΧΩ ΠΑΤΡΑΣ ΣΩΜΑΤΟΣ ΕΝΘΑ ΘΕΣΙΝ
ΟΥΝΟΜ’ ΑΒΕΡΚΙΟΣ ΩΝ Ο ΜΑΘΗΤΗΣ ΠΟΙΜΕΝΟΣ ΑΓΝΟΥ
ΟΣ ΒΟΣΚΕΙ ΠΡΟΒΑΤΩΝ ΑΓΕΛΑΣ ΟΡΕΩΝ ΠΕΔΙΟΙΣ ΤΕ
ΟΦΘΑΛΜΟΥΣ ΜΕΓΑΛΟΥΣ ΕΧΕΙ ΠΑΝΤ’ ΕΠΟΡΩΝ
ΟΥΤΟΣ ΓΑΡ Μ’ ΕΔΙΔΑΞΕ... ΓΡΑΜΜΑΤΑ ΠΙΣΤΑ
ΕΙΣ ΡΩΜΗΝ ΟΣ ΕΠΕΜΨΕΝ ΕΜΕΝ ΒΑΣΙΛΕΙΑΝ ΑΘΡΗΣΑΙ
ΚΑΙ ΒΑΣΙΛΙΣΣΑΝ ΙΔΕΙΝ ΧΡΥΣΟΣΤΟΛΟΝ ΧΡΥΣΟΠΕΔΙΛΟΝ
ΛΑΟΝ Δ’ ΕΙΔΟΝ ΕΚΕΙ ΛΑΜΠΡΑΝ ΣΦΡΑΓΙΔ’ ΕΧΟΝΤΑ
ΚΑΙ ΣΥΡΗΝ ΠΕΔΟΝ ΕΙΔΟΝ ΚΑΙ ΑΣΤΕΑ ΠΑΝΤΑ ΣΥΡΙΗΝ
ΕΥΦΡΑΤΗΝ ΔΙΑΒΑΣ ΠΑΝΤΗ Δ’ ΕΣΧΟΝ ΣΥΝΟ-
ΠΑΥΛΟΝ ΕΧΩΝ ΕΠΙ... ΠΙΣΤΙΣ ΠΑΝΤΗ ΔΕ ΠΡΟΗΓΕ
ΚΑΙ ΠΑΡΕΘΗΚΕ ΤΡΟΦΗΝ ΠΑΝΤΗ ΙΧΘΥΝ ΑΠΟ
ΠΑΝΜΕΓΕΘΗ ΚΑΘΑΡΟΝ ΟΝ ΕΔΡΑΞΑΤΟ ΠΑΡΘΕ-
ΝΟΣ ΑΓΝΗ
ΚΑΙ ΤΟΥΤΟΝ ΕΠΕΔΩΚΕ ΦΙΛΟΙΣ ΕΣΘΙΕΙΝ ΔΙΑ ΠΑΝΤΟΣ
ΟΙΝΟΝ ΧΡΗΣΤΟΝ ΕΧΟΥΣΑΝ ΚΕΡΑΣΜΑ ΔΙΔΟΥΣΑ ΜΕΤ’ ΑΡΤΟΥ
ΤΑΥΤ’ ΑΒΕΡΚΙΟΣ ΩΔΕ ΘΕΟΙΣ ΕΓΡΑΨΑΝ
ΕΒΔΟΜΗΚΟΣΤΩ ΕΤΕΙ ΚΑΙ ΔΕΥΤΕΡΩ ΗΓΟΝ ΑΛΗΘΩΣ
Ο ΔΕ ΝΟΩΝ ΕΥΞΑΤ’ ΥΠΕΡ ΑΒΕΡΚΙΟΥ ΠΑΣ Ο ΣΥΝΩΔΟΣ
ΟΥ ΜΕΝΤΟΙ ΤΥΜΒΩ ΤΙΣ ΕΜΩ ΕΤΕΡΑΝ ΤΙΝΑ ΘΗΣΕΙ
ΕΙ Δ’ ΟΥΝ ΡΩΜΑΙΩΝ ΤΑΜΕΙΩ ΘΗΣΕΙ ΔΙΣΧΙΛΙΑ ΧΡΥΣΑ
ΚΑΙ ΧΡΗΣΤΗ ΠΑΤΡΙΔΙ ΙΕΡΟΠΟΛΕΙ ΧΙΛΙΑ ΧΡΥΣΑ.
Tradução:
Cidadão de uma cidade distinta, fiz este túmulo enquanto vivo, a fim de ter nele um dia um lugar para o meu corpo; meu nome é Abercio; sou o discípulo de um pastor puro, que apascenta os seus rebanhos de ovelhas pelos montes e pelas planícies, que tem olhos muito grandes que veem tudo. Foi ele quem me ensinou as escrituras fiéis, quem me enviou a Roma para contemplar a cidade soberana e ver a rainha de vestes de ouro, de sapatos de ouro. Vi lá um povo que traz um selo brilhante. Vi também a planície da Síria, e todas as cidades, e Nísibe, para lá do Eufrates. Por toda parte tive companheiros, tinha Paulo por... E a fé, por toda parte, me guiava. Por toda parte ela me serviu um peixe da fonte, muito grande, puro, que uma virgem pura pescou. Ela o dava sem cessar a comer aos amigos, ela tem um vinho delicioso, ela o dá com o pão. Abercio, ordenei que estas coisas fossem escritas aqui, na idade de setenta e dois anos, verdadeiramente. Que o companheiro que compreende reze por Abercio. Ninguém deve colocar um túmulo sobre o meu; caso contrário, pagará duas mil peças de ouro de multa ao fisco romano e mil à minha cara pátria, Hierápolis.
II. HISTÓRICO. — Tillemont expressa-se assim a respeito de São Abercio: "O nome de São Abercio é célebre entre os gregos, que lhe dedicam um ofício solene no dia 22 de outubro. Os latinos não o conheceram, e seu nome não se encontra nos antigos martirológios. Barônio inseriu-o no Romano no mesmo dia em que os gregos o celebram. Ele diz ter tido em mãos uma carta deste santo a Marco Aurélio, traduzida do grego e plena de um espírito apostólico. Promete publicá-la em seus Anais; mas, em vez de o fazer, queixa-se de que ela lhe escapara das mãos e de que não a pôde reencontrar." Mém. hist. eccl., Paris, 1701, t. I, p. 299. E mais adiante, p. 621, o mesmo crítico, recordando que Barônio assegura que se deslizaram na vida grega de Abercio várias coisas que não se poderiam aprovar: "Poderia bem, diz ele, ter tido particularmente em vista o epitáfio que se pretende que o santo tenha ditado ele mesmo. Pois é bastante estranho que um santo bispo, com setenta e dois anos e prestes a morrer, que nos é retratado como um homem totalmente apostólico, ordene gravar em seu túmulo que foi enviado a Roma para ver palácios, uma imperatriz toda coberta de ouro até os pés, e um povo ornado com magníficos anéis; que ele proíba enterrar alguém sobre si; e que ordene que quem o fizer pagará duas mil peças de ouro ao tesouro imperial e mil à cidade de Hierápolis. Não são esses os pensamentos ordinários dos santos quando se preparam para a morte." Se reproduzimos estas linhas de Tillemont, não é pelo jogo fácil de zombar da crítica interna, mas para observar que os críticos eclesiásticos, no estudo do epitáfio de Abercio, tiveram como primeiro sentimento a desconfiança.
Dom Pitra foi o primeiro a julgar corretamente o valor deste epitáfio, que De Rossi qualificaria mais tarde de epigramma dignitate et pretio inter christiana facile princeps. Boissonade, Anecd. græc., Paris, 1833, t. V, havia publicado o texto grego da Vita Abercii. Dom Pitra superou os escrúpulos jansenistas de Tillemont como um sábio que, como se disse, encontrava no epitáfio da Vita "um sabor de simbolismo primitivo desconhecido aos apócrifos"; isolou-o da prosa em que estava encerrado e não teve dificuldade em descobrir um texto métrico que não deixava de ter analogias surpreendentes com a inscrição de Pectorius de Autun; publicou-o em seu Spicilegium Solesmense, Paris, 1855, t. II, p. 533. Os bolandistas, em 1858, no t. VII dos Acta sanctorum de outubro, p. 515-519, reeditaram o texto grego da vida de Abercio e comentaram o epitáfio no mesmo sentido que dom Pitra. O autor da Vida grega não teria tido forças para inventar de raiz o epitáfio métrico de seu santo. Não se pode sequer duvidar que ele tivesse uma inscrição real diante dos olhos quando escreve (n. 40): "Abercio preparou seu túmulo, uma pedra quadrangular de altura igual à largura, e sobre esta pedra o altar... sobre o qual gravou o epitáfio que aqui segue." Renan, que não acreditava poder dar crédito a uma menção a este epitáfio, limitava-se a notar que os "atos fabulosos" de Abercio pareciam ter sido fabricados à vista de epitáfios de Hierápolis. Orig. du christ., 1879, t. VI, p. 432.
Três anos mais tarde, uma primeira descoberta epigráfica trazia um primeiro controle em favor de nosso epitáfio. O Sr. Ramsay, explorando um pequeno cantão da Frígia, o vale de Sandukly, encontrou ali os restos de três cidades antigas, das quais a segunda era conhecida na história do montanismo, Brouzos, Otrous, Hierápolis; e no pequeno vilarejo de Keleudres, sobre uma coluna de pedra diante da mesquita, recolheu uma inscrição grega métrica, da qual eis o texto e a tradução:
ΚΛΕΚΤΗΣ ΠΟΩΣ Ο ΠΟΛΙΤΟΥΤ’ ΕΠΟΙΗΣΑ
ΖΩΝ ΙΝ’ ΕΧΩ ΦΑΝΕΡ ΣΩΜΑΤΟΣ ΕΝΘΑ ΘΕΣΙΝ.
ΟΥΝΟΜ’ ΑΛΕΞΑΝΔΡΟΣ ΑΝΤΙΟΥ ΜΑΘΗΤΗΣ ΠΟΙΜΕΝΟΣ ΑΓΝΟΥ
ΟΥ ΜΕΝΤΟΙ ΤΥΜΒΩ ΤΩ ΕΜΩ ΕΤΕΡΑΝ ΤΙΝΑ ΘΗΣΕΙ
ΕΙ Δ’ ΟΥΝ ΡΩΜΑΙΩΝ ΤΑΜΕΙΩ ΘΗΣΕΙ ΔΙΣΧΙΛΙΑ
ΗΟ ΠΑΤΡΙΔΙ ΙΕΡΟΠΟΛΕΙ
ΕΓΡΑΨΕΝ ΕΡΩΤΙΚΩΣ ΖΩΝΤΟΣ ΕΜΟΥ.
ΣΙΩΝΗ ΠΑΡΑΓΟΥΣΑ ΚΑΙ ΜΗ ΕΧΟΥΣΙΝ ΤΕ ΑΑΝ.
"Cidadão de uma cidade distinta, preparei-me este monumento para que meu corpo nele repouse nobremente. Chamo-me Alexandre, filho de Antônio; sou discípulo de um pastor puro. Ninguém deverá colocar outro túmulo sobre o meu, sob pena de multa: para o fisco romano, duas mil peças de ouro; para a minha nobre pátria, Hierápolis, mil peças de ouro. Escrito no ano 300, no sexto mês, enquanto eu vivia. Paz aos passantes e àqueles que se lembram de mim."
O ano 300 da era adotada em Hierápolis, correspondendo ao ano 216 da era comum, fornecia ali um texto de comparação para autenticar e datar o epitáfio de Abercio. Pois o epitáfio de Alexandre, filho de Antônio, era em sua parte métrica um grosseiro plágio do epitáfio de Abercio. Além disso, era o epitáfio de um cristão. Pois a aclamação "Paz aos passantes" é especificamente cristã. Ramsay, Bull. de corresp. hellénique, t. VI, p. 518; Duchesne, Bull. crit., t. I, p. 135.
Esta primeira descoberta foi seguida, no ano seguinte, por uma segunda, mais decisiva. Tendo retornado à Frígia em 1883, o Sr. Ramsay encontrou, próximo a Hierápolis, no muro de um banho público, dois fragmentos epigráficos que não eram outros senão uma porção do epitáfio de Avércio. Desses dois fragmentos, o Sr. Ramsay levou um para Aberdeen. Quanto ao outro, De Rossi sugeriu ao patriarca dos armênios católicos que o fizesse oferecer a Leão XIII, por ocasião de seu jubileu episcopal, pelo sultão Abdul-Hamid II, o que ocorreu em fevereiro de 1893. Tendo o Sr. Duchesne sugerido um pensamento semelhante ao Sr. Ramsay, os dois fragmentos encontram-se atualmente reunidos no museu do Latrão.
Os eruditos, sejam católicos, anglicanos ou luteranos, apressaram-se a estudar com mais cuidado a inscrição, cuja autenticidade acabava, assim, de ser posta fora de dúvida. Ressalvadas algumas diferenças de interpretação — divergências insignificantes —, foram unânimes em considerar o epitáfio como um monumento do final do século II e como um testemunho de primeira ordem da fé católica, notadamente no que tange ao batismo, à eucaristia e à concepção virginal.
Mas não há conclusão tão assegurada à qual certa crítica não hesite em substituir as mais paradoxais conjecturas. A Academia das Ciências de Berlim ouviu, em 11 de janeiro de 1894, a leitura de uma memória do Sr. Ficker, jovem professor da Universidade de Halle, na qual o autor se aplicava a demonstrar que o epitáfio de Avércio era uma inscrição pagã, epitáfio de um sacerdote de Cibele. O Sr. Duchesne, cujo nome estava desde então ligado à exegese do epitáfio de Avércio, ridicularizou impiedosamente a hipótese do jovem professor. «O Sr. Ficker, pôde concluir, sem dúvida quis rir e divertir também a Academia de Berlim.» Bull. crit., 1894, t. XV, p. 117. «Como tratar em tom sério», escrevia, por sua vez, o Sr. De Rossi, «e discutir como dignos de controvérsia científica tais sonhos?» Bull. di archeol. crist., 1894, p. 69. Naquele momento, o Sr. Harnack julgou dever propor uma distinção. Havia no epitáfio de Avércio traços cristãos, incontestavelmente, mas esses traços eram contraditos por outros que não o eram ou que o eram menos: o que é este pastor «de grandes olhos cujos olhares alcançam tudo»? Não seria um mito solar? Por que ele envia Avércio a Roma para ver um rei (βασιλέα) e uma rainha? Por que o pastor não seria Átis-Hélio e a virgem pura Cibele? Dessas dúvidas, o Sr. Harnack acreditava poder induzir que o epitáfio de Avércio representava um sincretismo dos mistérios cristãos e de um culto solar, sincretismo sem outra atestação alhures: Avércio deveria ter sido um pagão gnosticizante. Teria sido fácil dissipar as dúvidas do Sr. Harnack e mostrar-lhe que a identificação do pastor com Átis não repousava sobre nenhuma base, o que fizeram da melhor forma o Sr. Duchesne e o Sr. Wilpert; mas um novo sistema apareceu. O Sr. A. Dieterich, professor de arqueologia na Universidade de Marburgo, imaginou que, tendo o imperador Heliogábalo feito celebrar em 220 o casamento de seu deus sírio Elagábalo com a Astarte de Cartago, Avércio, sacerdote de Átis, teria sido enviado a Roma por seu deus para tomar parte na cerimônia das núpcias do sol e da lua. Ele veio a Roma; viu uma pedra (λίθον) marcada por um selo brilhante, a pedra negra de Emesa, o deus Elagábalo; viu o grande deus e a grande deusa, o rei e a rainha. Quanto a ele, era da confraria dos παρθένων ποιμένος ἁγνοῦ, Átis, como o era seu contemporâneo Alexandre, filho de Antônio; foi conduzido por toda parte por Néstis, que é o nome de uma divindade siciliana, divindade das águas, que alimentou Avércio com peixe em refeições cultuais misteriosas. A explicação adequada estava finalmente encontrada, o que fez o Sr. Salomon Reinach dizer, não sem aticismo: «É o Sr. Dieterich quem tem razão: ele acertou em cheio.» Revue critique, t. XLII (1896), p. 447.
A essas extravagâncias, basta opor: 1º a identificação do Avércio do epitáfio com Avércio Marcelo, bispo antimontanista assinalado por Eusébio, H. E., IV, 16, 3, naquele cantão da Frígia, na época contemporânea; 2º a anterioridade do epitáfio de Avércio em relação ao epitáfio de Alexandre, filho de Antônio, sendo esta última cristã e datada de 216; 3º a interpretação dada pela Vita Abercii, que data de um tempo em que pagãos e cristãos sabiam perfeitamente diferenciar-se; 4º o inegável sentido cristão dos traços mais marcantes do epitáfio, manifestando-se alguma vagueza de expressão apenas em epítetos de ornamento, defeito facilmente perdoável a um texto métrico; 5º as laboriosas e excessivas inverossimilhanças textuais ou mitológicas acumuladas pelos novos exegetas. Estes dois últimos considerandos serão justificados no comentário que daremos do epitáfio de Avércio.
III. INTERPRETAÇÃO. — Ἐκλεκτῆς πόλεως κτλ. Espantaram-se de que um cristão tivesse afetado chamar-se cidadão e que tivesse qualificado sua cidade com o epíteto ἐκλεκτῆς, distinta, assim como no verso 22 a qualificará de nobre pátria, εὐνομήτου πατρίδος. É certo que a Epístola aos Hebreus, XIII, 14, poderia ter-lhe ensinado que «não temos aqui cidade permanente, mas buscamos a que há de vir». Cf. Ef., II, 19. Mas o desapego cívico não é obrigatório, e se Avércio, que havia viajado muito, não era menos fervorosamente ligado à sua pequena cidade frígia, sua consciência cristã nada tinha a objetar. Mas por que tratar Hierápolis de ἐκλεκτῆς? A isso se responde que as cidades têm o costume de receber epítetos desse gênero, honestissime, auguste, felicissime, sanctissime, inclyte. Se ἐκλεκτῆς, que, na língua cristã, quer dizer eleita, é dito mais de uma igreja que de uma cidade (veja a subscrição da epístola de Santo Inácio aos cristãos de Trales), pode-se supor que o termo é suscetível de uma acepção mais banal, como quando Santo Inácio faz dele o epíteto de um de seus companheiros, ἀνὴρ ἐκλεκτός. Philadelph., XI.
Οὖν. Ἀβέρκιος kτλ. Com os versos 3-5 surge o simbolismo, mas que simbolismo? Aquele que a arqueologia cristã nos mostra como o mais popular entre os fiéis; as pinturas das catacumbas romanas não fornecem menos de quinze representações do bom Pastor apascentando o seu rebanho (para nada dizer do bom Pastor carregando a ovelha sobre os seus ombros), representações que remontam aos séculos II e IV. Wilpert, Fractio panis, Paris, 1896, p. 99-100. De Rossi reencontrou e publicou uma medalha cristã, que ele atribui ao século II ou III, representando um rebanho de sete cordeiros, uns pastando, outros saltitando, e, à esquerda, à sombra de uma oliveira, de pé com um cão aos seus pés, o pastor apoiado em seu bastão. Kraus, Realencyklopädie, t. 1, p. 692. Abercius diz-se discípulo, mathētēs, um termo evangélico que permaneceu familiar à língua cristã, à língua de Santo Inácio de Antioquia, por exemplo, Magnes., IX, 2, 3; X, 1. Ele é discípulo do pastor puro, hagnos, um epíteto muito cristão, e cuja fortuna foi grande particularmente no tempo em que as ideias encratitas estavam mais em voga, isto é, no século II. Este pastor apascenta os seus rebanhos por montes e por planícies: alusão às Igrejas que Abercius encontrará na "planície síria", assim como nas montanhas da Frígia. E este pastor tem grandes olhos cujo olhar alcança tudo: verso puramente descritivo, mas que marca bem o que este pastor tem de sobre-humano, não fosse apenas em seu olhar. O simbolismo cristão dá, portanto, a explicação adequada destes versos 3-5: pode-se dizer o mesmo da arqueologia dos Srs. Ficker e Dieterich? Attis é qualificado de boiadeiro (boukolos), de cabreiro (aimolos), de homem aos mil olhos (myriōmatos), e ele é comparado ao sol que vê tudo (panoptēs): mas não nos dizem, e com razão, que Attis, o jovem boiadeiro de Cibele, tenha tido o direito de ser qualificado de casto: o historiador eclesiástico Sócrates, após ter citado um oráculo que identificava Attis e o "casto Adônis" (hagnon Adōnin), ridiculariza esta confusão lembrando que Attis per amoris insaniam seipsum exsecuit. H. E., III, 20, P. G., t. LXVII, col. 448.
Ousai gar m’edidaks... grammata pista. Qual palavra falta? Pitra supunha ta zōa; Zahn, logous kai; Harnack suspeita que o hagiógrafo tenha omitido ali alguma palavra malsonante. Dieterich renuncia a suprir algo. Mas grammata pista é bastante claro. Se grammata é uma palavra incolor, Act., XXVI, 24, até o ponto em que poderia se aplicar a escrituras secretas, órficas, mágicas, ainda é que Fílon a entende das santas escrituras, ta hiera grammata, Ant. jud., II, 7, 6, e que o Novo Testamento faz o mesmo, II Tim., III, 15; Joa., V, 47. De resto, ela é determinada aqui pelo epíteto pista, que é especificamente cristã, testemunha os logoi pistoi do Apocalipse, XXI, 5, e o pistos logos das Pastorais, I Tim., I, 15; III, 4; II Tim., II, 11. Quando nos dizem que os grammata pista são análogos aos legomena dos mistérios, não se pode citar nenhum exemplo em apoio para motivar esta analogia.
Eis Rhōmēn de m’epempsen euodē hē basileian idein kai basilian idēin chrysostolon. A pedra da inscrição porta somente BASIA de basileian. O hagiógrafo leu basileian, do qual os copistas fazem indiferentemente basileian, reginam, ou basileian, regnum. Wilpert compreende basileian como uma aposição a Rhōmēn, mas então o verbo epempsen resta sem objeto. Zahn corrige e lê basilea (basilea) anabēnai, que é uma conjectura tão gratuita quanto a de Dieterich, basileian, forma poética insólita, ou, como diz M. Reinach, "acusativo bárbaro" para basilea. O mais seguro é ater-se ao texto do hagiógrafo e traduzir: o Pastor me enviou a Roma contemplar "uma soberana e uma rainha". É aqui que o pensamento de Abercius se obscurece. A soberana, nos diz M. Duchesne, é a cidade-rainha, a cidade eterna, com seu sagrado senado e o imperador, a "soberania". Seja. Roma, com efeito, é muito naturalmente qualificada de rainha: H BASILEUOUSA RŌMĒ TON BASILEUONTA TŌN LOGŌN, lia-se em uma inscrição do século IV, erguida em Roma a Proairésios e que nos conservou Eunápio, Vit., édit. Didot, p. 492. Cf. Batiffol, em Revue hist. des relig., 1897, t. XXXV, p. 113. Se a basileia é a cidade de Roma, que será a basilian? M. Duchesne responde: "A Igreja comparada tão frequentemente nas Escrituras e nos Padres a uma rainha aos brilhantes atavios." No Pastor, a Igreja não aparece ela para Hermas sob os traços de uma mulher idosa, vestida de um vestuário brilhante, en himatiō lamprotatō? Vis., I, 2. Sem dúvida, mas então por que opor esta rainha brilhante ao povo que, ao verso seguinte, vai representar a comunidade dos fiéis de Roma (laos eidōn ekei)? O contraste é marcado bem mais entre a basileian e o laos, que entre a basileian e a basilian. Portanto, contrariamente ao sentimento de arqueólogos como Duchesne e Wilpert, hesitaríamos em reconhecer no verso 8 uma alusão à eminente dignidade da Igreja de Roma. Os versos 7 e 8 falariam de Roma, nada mais que da cidade de Roma; eles falariam dela com ênfase e deselegância, o que seria um sentido plausível, senão muito elevado. Nos dizem que é bem extraordinário que o "Pastor puro", isto é, o Salvador, tenha enviado Abercius a Roma para contemplar o esplendor imperial de Roma. Mas ignora-se com que religiosos olhares os cristãos contemplavam Roma? Não se sabe que, para eles, o fim de Roma deveria ser o sinal do fim do mundo? Etiam, res ipsa declarat lapsum ruinamque rerum brevi fore, nisi quod incolumi urbe Roma nihil istiusmodi videtur esse metuendum; at vero cum caput illud orbis occiderit et gvun esse coeperit, quod Sibylle fore aiunt, quis dubitet venisse jam finem...? Illa est civitas que adhuc sustentat omnia. É Lactâncio que se exprime assim, Inst., VII, 25, P. L., t. VI, col. 812.
Πίστις δὲ πάντη με προῆγεν. Este hemistíquio é muito obscuro. Zahn lê πάντη δ’ ἔσχον συνοδίτην Πίστιν, "tive por toda parte a Fé como companheira de viagem"; depois coloca um ponto e, em seguida, ζῶν ἐκέκτημην, "eu, vivendo, possuía". Mas o deslocamento de Πίστιν é bizarro. A forma dórica ἐκέκτημην é ainda mais inesperada; além disso, por que ἐκέκτημην está sem complemento? O hagiógrafo leu apenas Πίστιν ζῶνθεν, que não tem sentido algum. A pedra aqui está quebrada: lê-se pela metade ΠΑΥΛΟΝ ΕΧΟΝ ΕΠΙ e restaura-se ἐπόχον: mas ἐπόχος significa "aquele que está sobre um carro", e não se compreende nada mais. M. Dieterich, numa ficção pura, imagina que ἐπόχος seja o título de uma função no culto ao qual teria sido, segundo ele, iniciado Avércio; o epochos seria algo como o episcopos cristão: bizarra função, essa função cultual de lacaio! Quanto a Paulo, a quem Avércio aproxima da Fé, seria o apóstolo São Paulo? É preciso o prodigioso espírito filológico de M. C. Weyman para compreender que Avércio carregava consigo uma edição das Epístolas de São Paulo. Na falta disso, traduzir-se-á corajosamente com M. Zahn: "Tinha São Paulo sentado no veículo". O que é cômico. Digamos simplesmente com M. Reinach que este hemistíquio permanece por explicar.
Πίστις δὲ πάντη με προῆγεν. Avércio marca que a Fé o guiou, o conduziu por toda parte. É em um sentido análogo que, em uma inscrição romana (fim do século II ou início do III), o autor do epitáfio diz à morta, Maritima: εὐσέβεια γάρ σε πάντοτε ὧδε προῆγεν ("Pois a Piedade te conduziu sempre por aqui"). De Rossi, Inscr. chr., t. II, p. XXVI. Assim como a "Piedade" conduziu por toda parte Maritima, assim faz a Fé para Avércio. Personificar a Fé não é uma imagem singular.
Mas será mesmo ΠΙΣΤΙΣ que se deve ler na pedra? O hagiógrafo leu, mas não se terá enganado? A pedra está quebrada aqui: lê-se distintamente ΠΙΣΤ e, diante dessas quatro letras, a parte inferior de duas hastes verticais, das quais se pode fazer um iota e uma metade de Π, tanto quanto um H. É desta incerteza que M. Dieterich se vale para conjecturar NHNTIX ou NINTIN, que é o nome de uma deusa "que figurava na teologia de Empédocles". Uma "concepção religiosa" teria "podido passar dos escritos de Empédocles para os cultos místicos da Ásia Menor!" E M. Reinach, resumindo Dieterich, acumula as provas: "Néstis, divindade das águas, foi identificada pelos gregos sírios às deusas orientais Atargatis e Derceto. Esta última tinha a forma de um peixe: ora, νήστις é o nome de um peixe. Derceto era adorada em Hierápolis, na Síria: ora, encontramos a deusa Néstis em uma cidade homônima". E eis toda a demonstração!
Καὶ παρέθηκεν τροφὴν κτλ. Os versos 13-16 são uma descrição do banquete eucarístico ao qual, por toda parte em sua rota, foi convidado Avércio. É um convite semelhante que São Policarpo recebe do papa Aniceto, durante sua estadia em Roma: "Na igreja, Aniceto deu a eucaristia a Policarpo", escreve Santo Irineu ao papa Vítor. Eusébio, H. E., v, 24, 17. Sob que espécies a Fé dá a eucaristia a Avércio? Do vinho que ela dá misturado com água e com pão. São Justino, na descrição que faz das sinaxes eucarísticas, menciona "o pão, o cálice de água e de vinho" (ἄρτον καὶ ποτήριον ὕδατος καὶ κράματος). Apol., I, 65, P. G., t. VI, col. 428. As duas palavras κρᾶμα e κρᾶσις são sinônimas. Será preciso lembrar, a este propósito, as pinturas que as catacumbas romanas nos apresentam da fração do pão, a começar pela bela pintura, do século II, trazida à luz na catacumba de Priscila? Wilpert, Fractio panis. Quanto à relação deste pão ou deste vinho com o próprio Salvador, é pela menção do ΙΧΘΥΣ que, naquela época, expressava-se da melhor forma, e Avércio não faz diferente: a Fé lhe deu por toda parte como alimento o ΙΧΘΥΣ. Assim se exprime o epitáfio de Pectorius (ver este verbete): "Ó raça divina do ΙΧΘΥΣ celeste... recebe o alimento doce como o mel do Salvador dos santos: come, bebe, tu tens o ΙΧΘΥΣ nas tuas mãos": ὄψον μιμνώσκῃ ἰχθὺν ἔχων παλάμαις. De Rossi, Inscr. chr., t. I, p. XIX. Por que a Fé dá este alimento aos "amigos", ἁγίοις, e por que este termo vago? O termo é vago, sem dúvida; ainda assim, não só não tem nada de não cristão (III Joa., 15), como nós o relevamos na inscrição de Pectorius: τὴν σὴν, ἄναξ, θάλπω ψυχήν. Por que dizer que este peixe é um peixe de fonte, ἰχθὺν ἀπὸ πηγῆς? Aproximou-se esta imagem daquela que consiste em representar os batizados como peixinhos que nascem na água do batismo: Nos pisciculi, secundum ΙΧΘΥΝ nostrum Jesum Christum, in aqua nascimur, diz Tertuliano. De bapt., 1, P. L., t. I, col. 1198. Mas, se é verdade que o fiel nasce nas fontes batismais, não é assim o próprio Salvador. Esta fonte deve ser, portanto, uma fonte mais alta; e por que não pensar "nos fluxos eternos da Sabedoria", dos quais fala a inscrição de Pectorius (ἀθανάτοις κρήναις σοφίης)? É, com efeito, nesses fluxos eternos que a Virgem pura o pescou com a mão (ἐδέξατο).
Em contrapartida à interpretação cristã, nossos bons humanistas desenvolvem sua exegese: «Nestis, deusa dos peixes, alimentou Abercius com seus peixes sagrados; o peregrino, asceta pagão, absteve-se da carne dos animais, comeu peixe, pão e vinho (Νῆστις significa também aquele que jejuar). Estamos aqui na presença de fórmulas tão difíceis de compreender para nós quanto as de Elêusis: ἐνήστευσα, ἔπιον τὸν κυκεῶνα, ou a dos mistas de Átis: ἐκ τυμπάνου βέβρωκα, ἐκ κυμβάλου πέπωκα. Mas parece que o sentido geral é claro . A virgem santa que pescava os peixes destinados ao alimento de Abercius era uma sacerdotisa; do mesmo modo, em Elêusis, somente os sacerdotes podiam tomar os peixes sagrados...»
Os últimos versos (17-22) requerem duas observações. É muito possível que esses versos constituam uma fórmula epigráfica que não seja pessoal a Abercius e que Abercius tenha utilizado por tê-la encontrado em uso em Hierápolis: notar-se-á, com efeito, que os versos só se tornam incorretos pela introdução dos nomes próprios, Ἀβέρκιος, Ἀβερκίου Ῥωμαίων. Original ou comum, esta fórmula epigráfica contém um dado teológico muito interessante: ταῦθ’ ὁ νοῶν εὔξατο ὑπὲρ Ἀβερκίου πᾶς ὁ συνῳδός. A palavra συνῳδός, «aquele que canta comigo», é uma expressão pouco natural, ainda que se possa encontrar analogia com uma passagem de uma epístola de Santo Inácio de Antioquia, Efés., IV, 1, 2. A expressão ταῦθ’ ὁ νοῶν, «aquele que compreende», não é uma alusão à pretensa disciplina do arcano: Abercius, que acaba de expressar-se por símbolos — símbolos que todos os cristãos entendem —, faz agora um apelo aos cristãos, simplesmente. Mas a esses cristãos, seus irmãos, Abercius pede que rezem por ele: expressão do uso da oração pelos defuntos, um uso desconhecido ao paganismo. E este é um último traço que confirma a interpretação estritamente cristã do epitáfio de Abercius.
IV. Importância. — A importância desta inscrição é manifesta. — 1° Quis-se ver nela um argumento em favor da primazia da Igreja romana. Nesse caso, a viagem de São Policarpo, em 154, a respeito da Páscoa, teria seu paralelo na de Abercius, verossimilmente a respeito do montanismo. Abercius, efetivamente, na controvérsia montanista, ocupa um lugar à parte, não por ter convocado um concílio como Sotas, bispo de Anquíalo na Trácia, ou Apolinário, bispo de Hierápolis na Frígia, para condenar Montano e seus sectários, mas porque, a exemplo de Zótico de Comana, de Juliano de Apameia, de Melitão de Sardes, de Serapião de Antioquia, ele pôde intervir pessoalmente no debate, o que ignoramos. Em todo caso, é a ele que são dirigidos três livros sobre a discussão pública que ocorreu, em Ancira, entre um anônimo de Eusébio, H. E., v, 16, P. G., t. xx, col. 464 sq., e os montanistas. Era, portanto, um bispo de valor e sua visita a Roma, qualquer que tenha sido o motivo, não deixa de ter importância.
2° O simbolismo do Ἰχθύς já foi assinalado; esta é aqui a sua referência mais antiga. Sabe-se que as cinco letras desse nome formam o acróstico desta fórmula cristã: Ἰησοῦς Χριστὸς Θεοῦ Υἱὸς Σωτήρ; sabe-se também que o Ἰχθύς é uma alusão ao batismo e à eucaristia. Ao batismo, primeiramente, pois ele é a água salutar, onde o homem purificado, regenerado, torna-se o pisciculus secundum Ἰχθύν de Tertuliano, apanhado pelos apóstolos, «pescadores de homens», na «rede» da Igreja. Clemente de Alexandria aconselhava aos cristãos de seu tempo que mandassem gravar a imagem do Ἰχθύς em seus anéis e não esquecessem sua origem. E os Padres fizeram do Ἰχθύς objeto de múltiplas aplicações morais. À eucaristia, em seguida; pois, nas duas multiplicações dos pães, figuras da eucaristia, assim como nas duas refeições de Nosso Senhor ressuscitado com seus discípulos, figurava o peixe. Figurou igualmente nos vasos sagrados, nas lâmpadas, nas pinturas das catacumbas. Jesus Cristo é o Ἰχθύς; donde «filho do Ἰχθύς», como diz São Jerônimo de Bonoso, e «discípulo de Jesus Cristo» serem sinônimos na língua cristã. O fiel é da raça do Ἰχθύς, como recorda a inscrição de Pectorius. Do mesmo modo, receber o Ἰχθύς e comungar são sinônimos.
3° A comunhão é a τροφή da inscrição, o alimento sagrado, dado aos «amigos», composto de οἶνος e de ἄρτος, da mistura misteriosa, κέρασμα; linguagem que recorda a de São Justino em sua descrição da sinaxe, a da Didaqué a propósito do κρᾶσμα, e que era perfeitamente inteligível para os fiéis.
4° Se a παρθένος ἁγνή deve ser entendida como Maria, mãe do Verbo encarnado, e não como a Igreja, é uma alusão às palavras do símbolo, e uma prova da crença primitiva dos cristãos na perpétua virgindade de Maria, tal como a encontramos sob a pena de Santo Inácio e de Santo Irineu.
5° Finalmente, o pedido de orações feito a todo συνωδός em favor de Abercius é estritamente cristão; é a expressão mesma da oração pelos mortos, como vemos tantos exemplos na literatura e na epigrafia do século III. Anteriormente a Tertuliano, não encontraríamos senão o epitáfio de Abercius, se não tivéssemos nos Acta Pauli et Theclæ essa curiosa passagem onde uma jovem, já falecida, aparece em sonho à sua mãe Trifina e lhe pede que Tecla consinta em rezar por ela e que, graças à oração da mártir, ela possa passar ao lugar do refrigério. O desejo da filha de Trifina é exatamente o mesmo que o de Abercius. Ora, tal desejo é especificamente cristão. Wilpert mostrou que os pretensos sentimentos dessa espécie, atribuídos a inscrições pagãs, são uma ilusão do Sr. Ficker: a epigrafia pagã, segundo o testemunho de Gatti, não conhece um único exemplo de oração pelos defuntos. Wilpert, Fractio panis, p. 110.
BIBLIOGRAFIA: Tillemont, Mém. hist. eccl., Paris, 1701, t. II; Boissonade, Anecdota græca, Paris, 1833, t. V; dom Pitra, Spicilegium Solesmense, Paris, 1855, t. III; Acta sanctorum, t. VIII octobris, 1858; Ramsay, em Bull. corresp. hellénique, 1882, t. VI sq.; Duchesne, em Bulletin critique, 1882, t. III, 1894, t. XV; Revue des quest. historiques, 1883, t. XXXIV; Mélanges d’archéologie et d’histoire, Roma, 1895; De Rossi, Inscriptiones christianæ, 1888, t. I; Bull. di archeologia cristiana, 1894; J. Wilpert, Principienfragen der christlichen Archäologie, Friburgo-em-Brisgóvia, 1889; Lightfoot, Apostolic Fathers, Londres, 1885, t. II; Zahn, Forschungen zur Geschichte des N.-T. Kanons, Erlangen, 1893, t. V; Harnack, Zur Abercius-Inschrift, Leipzig, 1895; Dieterich, Die Grabschrift des Aberkios, Leipzig, 1896; S. Reinach, em Rev. crit., 1896, p. 447; Analecta bollandiana, 1894, t. XII; 1896, t. XV; 1897, t. XVI; P. Lejay, em Rev. du clergé franç., 1897, t. XII; P. de Grandmaison, em Etudes, 1897, t. LXXI, p. 483; Dict. d’arch. chrét., t. I, col. 66-87.
G. BAREILLE
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