AB INTRINSECO, AB EXTRINSECO

São Domingos

A preposição a, ab, exprimindo ordinariamente a relação que liga uma coisa ao seu princípio, um efeito à sua causa, faz com que a locução ab intrinseco, ab extrinseco seja empregada para indicar a natureza dessa conexão, podendo ser traduzida como "derivado de um princípio intrínseco ou extrínseco". Usado primeiramente para designar o primeiro termo, o ponto de partida de uma série, a palavra "princípio" é dita, em um sentido mais rigoroso, de tudo o que concorre para a constituição interna ou para a produção de uma coisa. Torna-se, então, sinônima de causa e divide-se, como ela, em intrínseca e extrínseca.

Por princípio intrínseco (intra, dentro), entende-se o constituinte íntimo de um ser e, acima de tudo, a sua natureza ou essência que, como se sabe, desempenha nele o papel de primeiro constituinte, base e fonte primordial de todas as suas perfeições. Além disso, e em razão de sua estreita aliança com a essência da qual derivam, as próprias faculdades ativas, assim como suas modificações permanentes, são, por sua vez, consideradas princípios intrínsecos, mas a título secundário e em uma acepção mais ampla.

Tudo o que, ao contrário, contribui para a produção de um ser, sem fazer parte de sua constituição íntima, e reside fora dele, extra, é declarado "princípio extrínseco".

Em resumo, essa expressão tem por objetivo nos fazer conhecer se a razão suficiente, o porquê de um atributo enunciado de um sujeito qualquer, encontra-se neste próprio sujeito ou reside fora dele. De uso frequente em teologia, esta fórmula encontra-se sob a pena dos escolásticos para distinguir com uma palavra a espontaneidade da violência, a operação imanente ou vital da operação transitória, a certeza científica da certeza da fé, a possibilidade absoluta da possibilidade relativa, a imortalidade natural da alma da imortalidade por privilégio do corpo, o ser necessário do ser contingente. Contudo, ela tornou-se célebre sobretudo pela controvérsia famosa que divide os tomistas e os molinistas a respeito da natureza da graça eficaz. Por confissão de todos, ela é o pivô sobre o qual gravita toda essa sábia e ilustre discussão. De fato, perfeitamente unânimes em conceder à graça eficaz, considerada em ato primeiro, o privilégio de uma conexão infalível e absoluta com o consentimento do ato livre, as duas escolas adversas se separam em duas opiniões contraditórias quando se trata de determinar a razão suficiente dessa conexão infalível.

Os tomistas a situam inteiramente na essência mesma, na natureza, na constituição íntima desse auxílio sobrenatural. Para eles, a causa adequada dessa infalibilidade não é outra senão a entidade mesma da graça eficaz: ela não deve ser buscada além dos limites de sua própria realidade. Daí suas expressões efficax natura sua, essentia sua, ex propriis, ex entitate sua, ex sese, ex perfectione intrinseca, ex vi sua, ex pondere suo e, enfim, ab intrinseco, que são todas sinônimas e caracterizam sua doutrina sobre a natureza da graça eficaz, chamada por eles de "premoção ou predeterminação física". Segundo os molinistas, a razão suficiente da conexão infalível da graça eficaz com o consentimento da vontade não pode, sem destruir o livre-arbítrio, residir na natureza mesma da graça. Mas a presciência infalível de Deus, em seu conhecimento certíssimo dos futuríveis, designado sob o nome de "ciência média", previu, antecedentemente a qualquer decreto de sua vontade, que o livre-arbítrio obedeceria de fato a essa graça que não é, de resto, eficaz por sua essência, e que ele lhe estaria assim infalivelmente unido. Desde então, a eficácia da graça não decorre mais de sua entidade, ab intrinseco, como sustentam os tomistas, mas de uma causa que lhe é extrínseca, ab extrinseco. É por isso que é a graça eficaz ab extrinseco, não ex sese, não ex propriis, que defende essa segunda escola.



Autor original: C. Toussaint

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