
O relato começa abruptamente no momento em que Paulo chega a Icônio, fugindo de Antioquia. Recebido na casa de Onesíforo, parte o pão e profere um discurso que o autor qualifica como um discurso de Deus sobre a continência (ἐγκράτεια) e a ressurreição: «Felizes os puros de coração, felizes os que guardam casta a sua carne, felizes os continentes, felizes os que, tendo mulheres, vivem como se não as tivessem, felizes os corpos das virgens, pois estes agradarão a Deus e não perderão a recompensa de sua continência» (5-6). Estamos aqui em pleno encratismo. Ora, Tecla, noiva de Tamíris, ouve o discurso do apóstolo e passa a desejar viver somente segundo a sua lei. Segue-se a cólera do noivo e de sua família contra o estrangeiro que ensina «que é preciso temer a Deus somente e viver na pureza» (9), que «as núpcias não devem ser» (11) e que «não há ressurreição se não se permanece puro» (12). O apóstolo retira-se e Tecla parte com ele para Antioquia. É em Antioquia que Tecla terá de combater no anfiteatro contra as feras, saindo incólume desse combate.
Recentemente, foi aventada a hipótese de que os Acta Pauli et Theclae não passam de um fragmento das Περίοδοι Παύλου originais do século II, e que a essas mesmas Περίοδοι pertenceriam a correspondência apócrifa de São Paulo aos Coríntios e o Μαρτύριον Παύλου, publicado por Lipsius nos Acta apostolorum apocrypha, t. I, p. 104-117. Dissemos alhures, no Dictionnaire de la Bible, t. II, col. 1900-1901, que essa hipótese não nos parecia plausível no que tange à correspondência apócrifa; quanto ao Μαρτύριον, a hipótese é simplesmente verossímil. No mais, a história das doutrinas nada tem a registrar neste Μαρτύριον.
Autor: P. Batiffol
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