ACROPOLITA, JORGE

Verbete sobre ACROPOLITA, JORGE na Enciclopédia Católica

2. ACROPOLITA, Jorge. Jorge Acropolita (Γεώργιος ὁ Ἀκροπολίτης), nascido em Constantinopla em 1217, educado na corte dos imperadores gregos em Niceia pelos mestres mais renomados, Teodoro Hexapterigos e Nicéforo Blemmides, tornou-se, em 1244, grande logóteta. O imperador João III Ducas encarregou-o, em 1246, da educação de seu filho, Teodoro II Láscaris. Este, ao tornar-se imperador, nomeou-o generalíssimo na guerra contra Miguel do Epiro (1257). Entretanto, Jorge Acropolita foi feito prisioneiro; seu cativeiro durou até 1260; ocupou-se escrevendo sobre a procissão do Espírito Santo dois tratados que são, talvez, pela elevação dos pensamentos e das considerações morais (posta de parte a questão das divergências doutrinais), os melhores e mais característicos de suas obras. O imperador Miguel VIII Paleólogo empregou seus talentos diplomáticos em negociações civis ou religiosas, delegando-o, em 1274, ao Concílio de Lyon. Em nome do imperador, Acropolita subscreveu ali a união das Igrejas, a qual havia combatido até então. Faleceu em agosto de 1282, deixando a reputação de um grande estadista e um ilustre sábio. Historiador, escreveu os Anais — Χρονικὴ συγγραφή — desde a tomada de Constantinopla pelos latinos até a restauração do império bizantino (1204-1261): é uma obra sóbria, séria e digna de fé, mesmo quando o autor parece esquecer sua promessa de não escrever nada «sob a inspiração do ódio ou da benevolência, do ciúme ou do amor», Anais, c. 1, P. G., t. CXL, col. 976. Como teólogo e orador, compôs, além do tratado já mencionado sobre o Espírito Santo, várias obras de polêmica contra os latinos, diversos escritos de retórica ou de teologia, um panegírico de São Jorge e um elogio fúnebre de João Ducas. Deve-se a ele também várias obras em verso, entre outras, um prólogo às cartas que publicou de seu discípulo imperial Teodoro Láscaris. Contudo, não é o autor das escólios de São Gregório de Nazianzo, que geralmente lhe são atribuídos. Os Anais ou a Χρονικὴ συγγραφή de Jorge Acropolita foram reproduzidos por Migne, P. G., t. CXL, col. 970-1220. Quase todas as outras obras ainda permanecem em manuscrito. Uma edição completa está em preparação pela editora Teubner, em Leipzig.

K. Krumbacher, Geschichte der byzantinischen Literatur, 2ª ed., Munique, 1897, p. 286-288, e A. Ehrhard, ibid., p. 94.



Autor: E. Marin



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