
Acácio (Ἀκάκιος), bispo de Melitene (431-488), que não se deve confundir com outro Acácio, bispo de Melitene e taumaturgo, a quem os gregos honram em 11 de março e 17 de abril, governou a sua Igreja com tanta sabedoria que, após a sua morte, os seus diocesanos chamavam-no apenas de «o grande Acácio, nosso pai e nosso doutor». Embora tivesse sido amigo de Nestório, compôs, já em 431, um tratado contra os seus erros; no Concílio de Éfeso, tentou, por todos os meios de persuasão, tanto em particular como em público, reconduzi-lo à ortodoxia, porém foi em vão. Possuímos de Acácio uma homilia que proferiu na presença do concílio: nela, confere diversas vezes à santíssima Virgem o título de θεοτόκος, Mãe de Deus; nela, distingue claramente as duas naturezas em Jesus Cristo. Contudo, numa carta dirigida a São Cirilo de Alexandria, parece acreditar que é um erro dizer que, após a união do Verbo com a humanidade, existem duas naturezas e que cada uma delas tem a sua operação própria; mas aqueles em quem censura estas fórmulas pareciam-lhe confundir as expressões «duas naturezas» e «dois filhos». Quanto a ele, reconhecia «um Filho em duas naturezas, nascido do Pai antes de todos os séculos, e nascido segundo a carne nos últimos tempos, o mesmo Senhor Jesus Cristo, impassível segundo a sua divindade, e que sofreu voluntariamente por nós na sua humanidade».
A homilia de Acácio no Concílio de Éfeso encontra-se em Mansi, Coll. concil., Florença, 1761, t. V, col. 181-186, e na P. G., t. LXXVII, col. 1468-1472. Existem duas cartas suas a São Cirilo, entre as obras de Teodoreto, P. G., t. LXXXIV, col. 693, 838. Cf. Ceillier, Hist. générale des auteurs sacrés, Paris, 1747, t. XI, p. 445-448.
Autor: E. Marin
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