
1º Fiéis. — Segundo seu grande doutor Vartan, os armênios devem não apenas observar as prescrições do concílio de Jerusalém e abster-se das carnes imoladas aos ídolos ou provenientes de animais sufocados, bem como do sangue (At 15,29), mas também evitar comer de todos os animais declarados imundos pela Lei de Moisés, a qual pretendem estar sempre em vigor. O concílio de Florença, em seu decreto para os jacobitas (1441), condenou esse rigorismo, declarando que a lei antiga e os decretos do concílio de Jerusalém não obrigam mais: “O concílio declara, pois, que não se deve reprovar nenhum dos alimentos admitidos pela sociedade humana e que ninguém, nem homem, nem mulher, deve fazer distinção entre os animais, nem inquietar-se sobre a maneira pela qual foram mortos, embora, para a saúde do corpo, para o exercício da virtude e para a regularidade da disciplina eclesiástica, muitas coisas possam e devam ser deixadas, porque, segundo o Apóstolo, tudo é permitido, mas nem tudo convém”. Hardouin, Acta conciliorum, Paris, 1714, t. IX, col. 1026. Os armênios, como as outras comunidades orientais, recebem o cânone 68 (ou 69) dos Apóstolos, Mansi, Concil. ampliss. collectio, Florença, 1759, t. I, col. 44, que prescreve o jejum e a abstinência todas as quartas e sextas-feiras do ano e durante toda a Quaresma. Os canonistas gregos Zonaras e Balsamon colocam no mesmo patamar a abstinência da quarta e sexta-feira e a da Quaresma. Ora, a Quaresma exige o que se chama xerofagia (ver II ABSTINÊNCIA entre os gregos, col. 263), isto é, que nela se pode usar apenas de alimentos secos, a saber: pão, sal, legumes, Const. apost., l. V, c. xvi (ou xvii), P. G., t. I, col. 889, e água. A carne, os ovos, a manteiga, o queijo, os peixes, o leite, o vinho e o azeite são proibidos. No curso dos séculos, essa disciplina sofreu diversas mudanças.
Hoje, os armênios conservam a abstinência da quarta e sexta-feira, exceto durante a oitava da Epifania (do Natal, entre os armênios unidos) e durante todo o tempo pascal, desde a Páscoa até a Ascensão. Os armênios possuem, além disso, durante o ano, numerosos tempos de abstinência. O principal é a Quaresma, que começa no dia seguinte à quinquagésima e termina no Sábado Santo. A partir da quarta-feira de cinzas, os armênios observam a xerofagia até a Páscoa, exceto nos sábados e domingos, quando o consumo de laticínios é permitido. O jejum e a abstinência de dez dias antes do Pentecostes, instituídos no século XII, caíram em desuso há muito tempo. Todavia, há uma semana de jejum antes da festa de São Gregório, outra antes da Transfiguração, uma terceira antes da Assunção e uma quarta antes da festa da Santa Cruz. Como essas festas se celebram sempre no domingo, a abstinência termina na sexta-feira, porque o sábado e o domingo rompem o jejum. Enfim, outrora era abstinência por todo o Advento até a Epifania; agora, há uma semana de abstinência para o Advento, uma para o jejum de São Tiago e uma imediatamente antes da Epifania. Nas outras semanas, a carne é permitida. Enfim, os armênios possuem ainda a abstinência do Artziburion, que os gregos lhes reprovam.
2º Monges. — Os monges armênios nunca comem carne; possuem muitos dias de abstinência rigorosa; nos dias em que os fiéis podem comer carne, os monges comem peixe.
BIBLIOGRAFIA: N. Nilles, S. J., Kalendarium utriusque Ecclesiae Orient. et Occid., Inspruck, 1881, t. I, p. 61, 62, 230, 270, 329; t. II, p. 557, 559, 563, 564.
Autor: J. Lamy
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