ABSOLVIÇÃO entre os protestantes

Verbete sobre ABSOLVIÇÃO entre os protestantes na Enciclopédia Católica

XII. ABSOLVIÇÃO entre os protestantes. — I. Doutrina de Lutero. II. Doutrina de Melâncton e das Igrejas luteranas. Confissão de Augsburgo. III. Fórmulas de absolvição e maneira de proceder segundo os luteranos. IV. Zuínglio e Calvino; Igrejas reformadas.

Ao ler os ataques de Lutero e dos luteranos contra a confissão e a absolvição católicas, contra a tortura das consciências e a tirania do papa e dos padres, imagina-se que eles viam em tudo isso apenas uma invenção humana (ou satânica). Quando, ao contrário, eles abandonam a polêmica para expor suas ideias ou confessar sua fé, estão tão próximos dos católicos que é necessário um olho treinado para ver as diferenças.

I. DOUTRINA DE LUTERO. — Lutero, ao rejeitar toda graça santificante e qualquer outro meio de justificação que não a fé, destruía, de fato, todos os sacramentos. Desde então, não poderia haver questão, em sua doutrina, de uma absolvição propriamente sacramental. Ele manteve, contudo, a confissão privada, com o objetivo principal, diz ele (artigo de Esmalcalda, 3, 8, Miller, obra citada na bibliografia, col. 221), da absolvição, e insistiu muito nesta absolvição, repreendendo sem cessar os católicos por terem reduzido o sacramento da penitência à mera enumeração dos pecados. Textos em Pfisterer, Luthers Lehre von der Beichte, Stuttgart, 1857, p. 72 ss.

Quanto a esta confissão (sem detalhamento dos pecados) e a esta absolvição, ora ele a transforma em um sacramento, ora recusa-lhes o título e nelas vê apenas um simples retorno ao batismo. Pfisterer, p. 7. Em todo caso, a absolvição não deveria ser, em sua doutrina, nada mais que uma declaração do perdão divino levada ao pecador, destinada no máximo a despertar nele a fé de que seus pecados lhe são remidos por Jesus Cristo, um anúncio particular da palavra evangélica de remissão. Ele admite, portanto, dois tipos de absolvições: a absolvição pública e a absolvição privada. Ambas possuem o mesmo conteúdo, a palavra evangélica de remissão, pregada a todos ou dita a cada um em particular; ambas são igualmente eficazes (ou, se quisermos, ineficazes como absolvições, pois não removem nada), desde que sejam recebidas com fé (isto é, com a confiança absoluta do perdão). A absolvição privada, portanto, não é indispensável; mas é muito útil, quase necessária por vezes, para despertar a fé.



Autor original: H. Hyvernart


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