ABSOLVIÇÃO NAS IGREJAS RUSSA, SÍRIA, ENTRE OS JACOBITAS, ARMÊNIOS E COPTAS

Verbete sobre ABSOLVIÇÃO NAS IGREJAS RUSSA, SÍRIA, ENTRE OS JACOBITAS, ARMÊNIOS E COPTAS na Enciclopédia Católica

A absolvição é considerada na Igreja Russa como remissora de todos os pecados, se tiverem sido sinceramente confessados e se houver um verdadeiro arrependimento. Todos os teólogos russos concordam que ela seria nula se o penitente tivesse escondido uma falta ou se estivesse disposto a recair em seus pecados. O padre raramente recusa a absolvição, mas o faz quando o penitente mostra essa disposição. Nesse caso, o padre recebe, contudo, o honorário que é devido pelos penitentes.

A fórmula de absolvição é esta: "Que nosso Senhor e Deus Jesus Cristo absolva, pela graça misericordiosa de seu amor, de todos os teus pecados, meu filho N.N., e eu, seu padre indigno, em virtude da autoridade que me foi dada, eu te absolvo também e te declaro liberto de todos os teus pecados em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo." Ao terminar estas palavras, o padre, que segurava sua estola e sua mão sobre a cabeça do penitente ajoelhado, o levanta para mostrar que ele foi restabelecido na inocência.

Os rituais indicam perfeitamente que, em caso de pressante necessidade, deve-se omitir todas as outras orações e exortações e limitar-se à fórmula de absolvição que acabamos de traduzir. O padre não saberia omitir nada dela, sob pena de pecado mortal. Contudo, o sacramento é eficaz se o padre pronunciar apenas as palavras: "Eu te absolvo", que são a forma do sacramento.

Ver o texto da absolvição em Maltzew, Die Sakramente der orthodox-kathol. Kirche, in-8°, Berlim, 1898, p. 219.



IX. ABSOLVIÇÃO ENTRE OS SÍRIOS


I. Crença no poder de absolver os pecados. II. Rito da absolvição entre os jacobitas. III. Rito da absolvição entre os nestorianos. IV. Rito da absolvição entre os sírios unidos.

Os sírios chamam a absolvição de hisoio ou hisaid, perdão, remissão, e mais explicitamente hisoio dahtohe, perdão dos pecados. Como observa Abraão Ecchellensis, Notae ad catal. Hebed Jesu, Roma, 1685, p. 291, a palavra hisoio designa, também, em um sentido mais amplo, o sacramento da penitência por inteiro, ou ainda as orações que se recitam para a admissão dos penitentes, ou, finalmente, os sufrágios pelos mortos.

I. CRENÇA NO PODER DE ABSOLVER OS PECADOS. — Sempre foi aceito nas Igrejas sírias que os cristãos culpados de pecados graves cometidos após o batismo não podiam aproximar-se dos santos mistérios se, anteriormente, não tivessem sido purificados e reconciliados com Deus pela penitência e pela absolvição de seus pecados, dada pelo padre em virtude do poder recebido de Jesus Cristo. Mas os documentos antigos são pouco numerosos e os teólogos sírios nunca distinguiram a matéria e a forma como fazem os latinos. Eles sequer empregaram essas palavras que trazem tanta precisão e clareza sobre este assunto. Eles misturam as diferentes questões; unem as palavras da absolvição às orações que a acompanham, de modo que não é fácil distingui-las; falam do poder de absolver, ao mesmo tempo em que da confissão, do arrependimento e das penitências a serem impostas.

Possuímos, além dos textos gregos, reportados ao começo do artigo II ABSOLVIÇÃO no tempo dos Padres, col. 146, o testemunho em siríaco de dois escritores que precederam a separação das Igrejas sírias. O primeiro é Afraates, cognominado o sábio Persa, cujos escritos foram encontrados recentemente. Ele escreveu, em 337, uma homilia inteira sobre a penitência: fala do arrependimento, da confissão e da absolvição, mas em termos metafóricos. Assim, o penitente é um infeliz ferido, vítima de sua fraqueza ou de sua imprudência na guerra que as paixões travam contra o homem. Se ele quer curar-se e viver, deve descobrir suas feridas ao médico espiritual, estabelecido por Jesus Cristo, e empregar os remédios que este prescreverá para curá-lo. Patrol. syriaca, edit. Graffin, Paris, 1894, t. 1, p. 313, 300. O segundo é santo Efrém, o grande doutor que todos os sírios invocam. Ele fala assim em seus Madraschés contra as falsas doutrinas: "Eles (os maniqueus) não remitem os pecados: são uns extraviados que é preciso repreender. Pois um só pode perdoar aos pecadores. Eles opuseram sua vontade ao Verbo da verdade que ordenou aos seus discípulos remir uma vez pela água santa os pecados dos homens e que lhes deu o poder de desligar e de ligar. Que aquele que foi ligado peça, pois, a remissão completa; que aquele que perdoa tudo, nos perdoe em nossa dor. Pois é justo que aquele que se repousou no pecado seja sacudido. Ora, se aquele que perdoa, nos perdoa por causa de nossa dor, é absurdo querer perdoar-nos por causa de pedaços de pão." S. Efrém, Opera syr. lat., Roma, 1740, t. II, p. 440, traduzido do siríaco.

Ebed-Jesu, bispo nestoriano, morto em 1318, em sua exposição da doutrina cristã intitulada Margarita (Pérola), tr. IV, c. 1, enumerando os sete sacramentos, diz: "O quinto é o perdão dos pecados." E mais adiante, no capítulo VII, sob o título: Do perdão dos pecados e da penitência, ele acrescenta: "O gênero humano é frágil e sujeito ao pecado, e é quase impossível que não experimente alguma enfermidade espiritual. Por isso, o sacerdócio foi estabelecido como médico para curar gratuitamente: Se perdoardes a alguém seus pecados, eles lhe serão perdoados. Por isso o Salvador diz: Os homens sãos não precisam de médico, mas os que estão mal. Os fiéis, que se sentem sobrecarregados de faltas por causa da fraqueza da natureza humana incapaz de tudo superar, devem ir à casa... da medicina cristã e descobrir suas feridas aos médicos espirituais a fim de obter, pelos perdões e pelos cânones penitenciais, a cura espiritual e a fim de se aproximar com pureza da mesa do Senhor." Em Mai, Scriptom. vet. nova collect., Roma, 1825, t. x, p. 334. Ebed-Jesu, como se vê, reconhece que a absolvição remete os pecados e que o padre é o seu ministro, mas não nos dá a fórmula. Ele requer a confissão, que os nestorianos negligenciaram mais tarde, assim como a satisfação ou o cumprimento dos cânones penitenciais impostos pelo confessor. Afraates e santo Efrém ensinam a mesma coisa. O diácono de Edessa exige também a contrição ou o arrependimento: "Quando tu tivesses pecado milhares de vezes, se recorrer à penitência, serás purificado de tuas sujidades e de tuas faltas. E como tu podes cair, tu podes também, se quiseres, levantar-te. Qualquer um que tenha pecado, se se arrepende e pede perdão, a porta do médico está aberta e ela nunca é fechada ao arrependimento." S. Efrém, Op. syr. lat., Roma, 1748, t. III, p. 391.

Encontramos a mesma doutrina entre os jacobitas. O patriarca Miguel, o Grande, em seu tratado da Preparação para a comunhão, ensina que qualquer um que sinta sua consciência em estado de pecado deve, primeiro, fazer sua confissão a seu pai espiritual e receber e cumprir a penitência imposta. Ele poderá, então, aproximar-se dos santos mistérios. O patriarca levanta-se contra os coptas que negligenciavam a confissão. Ver Renaudot, Liturg. orient. collect., Paris, 1716, t. II, p. 448; Perpétuité de la foy, Paris, 1713, t. v, l. III, c. vi. Antes dele, Jacques, bispo de Edessa († 710), havia posto esta questão: "Suponham que se encontre um secular que, em seus erros, se sujou com numerosos pecados a ponto de dizer diante de todos que não há pecado no qual ele não tenha caído por palavra ou por ação. Depois disso, ele livre e legalmente tomou uma esposa; ele entrou em si mesmo, cessou todas as suas tolices e arrependeu-se delas; agora ele se lembra de suas faltas passadas; ele as detesta do fundo de sua alma, ele jejua e reza. Será ele libertado por essa maneira de agir se, por vergonha, não ousa mostrar sua ferida ao médico?" Jacques responde: "A primeira e a principal penitência de um pecado, seja qual for, é não mais cometê-lo; se se acrescenta a oração, o jejum, as lágrimas e os suspiros do coração, pode-se obter que ele seja completamente apagado. Mas se se traz a esse câncer fétido a abstersão excelente pela graça proporcional às necessidades, o pecador poderá ser reerguido ao seu estado primeiro. E para dizê-lo em poucas palavras, não há pecado que resista à penitência. Ninguém é privado da salvação; se aquele que pecou quer cessar e se arrepender, e isso por causa da grande misericórdia de Deus que não quer a perda do homem que ele criou." Ver minha Dissertat. de Syrorum fide et discipl. in re eucharistica, Lovaina, 1859, p. 167.

Jacques de Edessa, na questão anterior, havia resolvido no mesmo sentido o caso do padre que se enrubesce de confessar sua falta ao seu bispo, mas se arrepende sinceramente de sua falta. "Deus, diz ele, não rejeita nenhuma penitência, e é uma grande penitência arrepender-se. Mas, contudo, aqueles são semelhantes aos feridos que cuidam de suas feridas, mas recusam o socorro do médico." O bispo jacobita não olha, portanto, a confissão e a absolvição como necessárias para os pecados vergonhosos, mas apenas como muito úteis.

O patriarca Miguel, que acabamos de citar, não admite essa restrição. Pois ele diz: "É impossível que ninguém possa ser libertado do pecado, senão pelo ministério dos padres que ocupam o lugar de Jesus Cristo com relação à remissão dos pecados." Ele cita, como prova, as palavras de Jesus Cristo: Recebei o Espírito Santo, etc. Depois ele acrescenta que "a confissão feita aos padres é um batismo para a remissão dos pecados"; que "o penitente deve se conduzir com relação ao seu confessor com a simplicidade de uma criança, não lhe esconder nada do que cometeu de pecado por pensamento, por palavra e por ação, submeter-se com humildade às suas instruções e fazer tudo seguindo o conselho deste mestre espiritual." Citado por Renaudot, Perpétuité de la foy, Paris, 1718, t. v, l. III, c. vi. Segundo este patriarca, a absolvição dada pelo padre é, portanto, absolutamente requerida para a remissão dos pecados.

Como todas as Igrejas sírias recebem com os gregos os cânones e as constituições apostólicas, assim como os cânones dos concílios de Niceia, de Constantinopla, de Neocesaréia, de Gangres, de Laodicéia e de Antioquia, pode-se concluir que sua disciplina mal diferiu da dos gregos durante os cinco primeiros séculos para a administração do sacramento da penitência. Mas no curso dos séculos seguintes, fizeram-se mudanças e deslizaram graves abusos entre os nestorianos e entre os jacobitas.



II. RITO DA ABSOLVIÇÃO ENTRE OS JACOBITAS


O bispo jacobita de Amida, Denys Bar-Salibi, escreveu no século XII um Ritual da penitência, intitulado: Cânones da maneira de receber os penitentes no sacramento da confissão, baseado na disciplina anterior da Igreja síria monofisita e abrandando o rigor dos cânones penitenciais. J. S. Assémani, Biblioth. or., Roma, 1719, t. II, p. 175, 176; Renaudot, Perpétuité de la foy, Paris, 1743, t. v, l. IV, c. I, IV; Denzinger, Ritus Orientalium, Wurzburgo, 1863, t. I, p. 443, 447, nos fizeram conhecer este precioso documento. Eis o começo:

"Quando alguém quer confessar-se, seja de inimizade, de embriaguez ou de qualquer outra prevaricação, o bispo, o arquimandrita ou o padre deve, primeiro, tomar cuidado de não se ferir com o que ouve, depois de não revelar nada da confissão, de não conceber interiormente desprezo por aquele que se confessa, mas de estimá-lo como antes; enfim, de não fazer atenção nem à amizade, nem aos dons recebidos. Pois ele é o médico das almas e deve prescrever aos doentes os remédios que lhes convêm.

"Para ouvir as confissões, o confessor deve sentar-se à porta da igreja. O penitente, a cabeça descoberta, as mãos juntas sobre o peito, o olhar baixado para a terra e flexionando o joelho direito, confessará, sem ruborizar-se e sem esconder o que quer que seja, seus pensamentos e tudo o que ele fez de bom e de mau, enquanto o confessor desvia seu olhar dele. Depois que ele se tiver confessado e tiver revelado sua falta, o confessor o repreenderá, dizendo: Presta atenção para não mais fazer essas ações; eu te perdoo aqui e Deus no céu, e a ação que revelaste aqui não será revelada no dia do juízo e tu não sofrerás a danação por causa dela."

Depois disso, o bispo, ou o padre delegado para este fim, recita salmos com Gloria Patri, antífonas, orações, lições e hinos; junta-lhes as orações próprias a cada pecado, impondo a mão sobre o penitente ajoelhado (Denzinger dá todas essas orações após a tradução de Renaudot); depois ele lhe impõe as penitências canônicas. As orações que o confessor recita para cada pecado são muito diferentes umas das outras. Eis aquela que se diz para os pecados da carne e a mentira: "Senhor, fazei misericórdia à minha oração, escutai minhas súplicas. Eu vos invoco por vosso servo N. que pecou, irritou vosso Espírito Santo e transgrediu vossos mandamentos. Contudo, minha fraqueza é tranquilizada pelas promessas que fizestes aos vossos santos apóstolos dizendo: Tudo o que desligardes sobre a terra será desligado no céu. Nós vos pedimos, pois, Senhor, de desligar, de apagar, de remover as dívidas e as faltas de vosso servo cometidas voluntariamente ou involuntariamente, conscientemente ou por ignorância, os adultérios, etc. Apagai-as, Senhor, removei-as, e livrai-o da danação que ele incorreu por essas faltas. Arrancai de seu coração, de seu corpo e de seu espírito, os laços desses pecados, a fim de que ele obtenha o perdão pela infusão de vosso Espírito Santo; que ele seja, Senhor, reconciliado convosco; pois ele recorre à vossa misericórdia e ele promete de todo o seu coração fazer penitência. Não entreis, Senhor, em juízo com ele por causa de seus crimes, a fim de que nós vos glorifiquemos de coração, de boca e de palavra, Pai, Filho e Espírito Santo, agora e sempre, nos séculos dos séculos." Denzinger, loc. cit., p. 453.

Depois disso, o confessor impõe a penitência determinada pelos cânones penitenciais. Quando o penitente cumpriu sua penitência, ele vem novamente apresentar-se ao padre, que lhe impõe a mão sobre a cabeça e sopra três vezes sobre seu rosto dizendo: "Este pecado será apagado de tua alma e de teu corpo em nome do Pai, amém; tu dele serás purificado e santificado em nome do Filho, amém; ele te será perdoado e remido em nome do Espírito Santo, amém." Depois disso, o penitente é admitido à participação dos santos mistérios. Traduzimos palavra por palavra as palavras do padre sobre o texto siríaco dado por Assémani, loc. cit., p. 174. Como os Sírios não têm nos verbos o modo que chamamos de subjuntivo, eles expressam esse modo pelo futuro. Pode-se, portanto, traduzir também com Assémani e com Renaudot dado por Denzinger, loc. cit., p. 448: "Que este pecado seja apagado, etc." Desta forma, essa fórmula torna-se deprecativa. Denzinger conclui que a forma da absolvição é deprecativa entre os jacobitas.

As primeiras palavras que o padre pronuncia tocando a absolvição são aquelas onde se encontram estas palavras: "Eu te perdoo aqui e Deus no céu." Elas não parecem conter a forma mesma da absolvição, mas, antes, o anúncio de que ela será dada. Elas parecem totalmente semelhantes às dos gregos, ἐγὼ σε συγκεχωρημένον (eu te tenho por absolvido), que Arcudius toma por uma forma indicativa. Não poderia haver questão das orações e fórmulas que seguem senão da oração prolixa: "Senhor, Deus misericordioso e clemente," que termina o ofício, e da fórmula que se recita após o cumprimento da penitência canônica. A bem dizer, esta poderia ser considerada como a absolvição da penitência canônica, absolvição que Morin, De pœnitentia, l. VIII, c. x, n. 10, Antuérpia, 1682, p. 548, admite entre os gregos para os excomungados após a absolvição sacramental. Seria, assim, a dupla reconciliação, antigamente em vigor: a primeira, inferior à outra, que admitia à comunhão e não à oblação e era feita pela imposição das mãos; a outra, a perfeita, que admitia a ambas. Renaudot, sem ousar pronunciar-se, pende para as palavras: "Que este pecado seja apagado, etc." É aí que ele acredita encontrar, antes, a forma da absolvição. Em favor deste sentimento, poder-se-ia trazer esta razão que fornece Abraão Ecchellensis, a saber, que, entre os maronitas, se o pecado exige uma longa penitência com exclusão da recepção dos sacramentos, dá-se absolvição após a penitência cumprida. Daí, segundo Denzinger, resulta que a forma da absolvição é deprecativa entre os sírios. Op. cit., t. I, p. 103, 104.

Renaudot, Perpétuité de la foy, t. V, l. XV, c. 1, como Denzinger notou, é menos afirmativo; ele não ousa pronunciar-se. Ele nota que os sírios jacobitas admitem que os pecados são remidos pela absolvição dada pelo padre que tem o poder para tanto; mas ele não trata a questão em que consiste a forma da absolvição; se ela consiste nas palavras pronunciadas imediatamente após a confissão dos pecados: "Eu te perdoo aqui e Deus no céu," certamente ela não é deprecativa. Se, ao contrário, ela se encontra nas palavras que o padre pronuncia após o cumprimento da penitência canônica, ela é deprecativa, segundo a tradução de Assémani e de Renaudot.

Ela é indicativa, se traduzimos, conosco, pelo futuro, como o permite o gênio da língua siríaca. Penso que esse futuro pode ser entendido neste sentido: "O pecado será desde agora apagado." O que se refere à ação presente do padre e o que a língua siríaca expressa ordinariamente pelo particípio presente. Destas observações resulta que é duvidoso se a forma dos jacobitas é deprecativa ou não.

III. RITO DA ABSOLVIÇÃO ENTRE OS NESTORIANOS. — Este rito foi composto no século VII por Jésuiab de Adiabene, que foi patriarca dos nestorianos do ano 650 ao 660. Em suas partes principais, ele reproduz os antigos ritos. Este ofício foi dado em resumo por Renaudot e, por inteiro, segundo outra fonte, por Badger, The Nestorians and their Rituals, t. II, col. 29. Denzinger, ibid., t. I, p. 467, 471, dá ambos em latim. O patriarca Timóteo II fez um comentário que Assémani, Biblioth. or., t. I, a, p. 287, reproduz. Ele diz que a absolvição, htisad, compreende três consignações ou sinais da cruz feitos sobre o penitente; as duas primeiras quando o padre diz: "Que as misericórdias que tiveram piedade da herdeira e a trouxeram de volta à casa paterna, me tragam de volta a ti, ó nosso Salvador." A terceira quando ele impõe a mão sobre a cabeça do penitente dizendo: "Senhor nosso Deus, bom e cheio de misericórdia, que espalhais vossa graça e vossa misericórdia sobre todos, espalhai a graça de vossa benignidade sobre vosso servo e mudai-o pela esperança de uma renovação à vida da graça. Renovai nele vosso Espírito Santo, em quem ele foi assinalado para o dia da salvação; e purificai-o por vossa clemência de toda sujidade; dirigi sua conduta nas vias da justiça e fazei-o participar com os santos de vossa Igreja da esperança de vossa glória adotiva e da suavidade de vossos mistérios vivificantes; ajudai-o pelo socorro de vossa misericórdia a guardar vossos mandamentos, a cumprir vossa vontade e a confessar, ó Senhor, vosso nome, a adorá-lo e a louvá-lo sempre."

Esta fórmula, como as outras duas, é deprecativa. É preciso concluir que a forma da absolvição é deprecativa entre os nestorianos, qualquer que seja a consignação na qual a coloquemos. Contudo, para a absolvição daqueles que renegaram a fé e para os jacobitas convertidos ao nestorianismo, o padre lhes faz na fronte a unção do óleo santo, dizendo: "P. é assinalado, santificado e renovado em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo." Estas palavras estão em siríaco no particípio; elas não podem traduzir-se em francês pelo subjuntivo, mas bem pelo indicativo, como eu fiz com Assémani e Denzinger. Como elas parecem conter a forma de absolvição dos apóstatas, pode-se pensar que, para estes, a forma é declarativa.

IV. RITO DA ABSOLVIÇÃO ENTRE OS SÍRIOS UNIDOS. — No Ordo chaldaicus da Igreja síria do Malabar, impresso em Roma em 1845, a fórmula de absolvição é emprestada do Ritual romano. É também aquela que tinha prescrito o sínodo de Diamper. De resto, os nestorianos tinham abolido a confissão nesta Igreja. Para os maronitas, o sínodo realizado no Líbano em 1736 e aprovado pelo papa, estatui, c. IV, can. 3, Conciliorum collectio lacensis, Friburgo em Brisgóvia, 1869, t. II: "Embora nos antigos rituais siríacos e nos outros eucológios das Igrejas orientais a forma da absolvição se encontre expressa por palavras deprecativas, este santo sínodo ordena, contudo, e prescreve a todos os padres, não se servir de nenhuma outra forma senão desta que é expressa por palavras indicativas: Ego te absolvo a peccatis tuis in nomine Patris et Filii et Spiritus Sancti. Quanto às outras... orações, etc." As mesmas prescrições são feitas aos sírios unidos e aos Caldeus.

Renaudot, Perpétuité de la foy, Paris, 1718, t. v, l. III, c. vi; Denzinger, Ritus Orientalium, Wurzburgo, 1863, t. 1, p. 443 sq., e os autores indicados no artigo.

J. LAMY.



X. ABSOLVIÇÃO ENTRE OS ARMÊNIOS


O Ritual armênio, chamado Maschdotz, do nome do patriarca que fez uma revisão dele no final do século IX, contém o ofício da absolvição entre os armênios. Denzinger, Ritus Orientalium, Wurzburgo, 1863, t. 1, p. 472-474, dá dele uma tradução latina feita por Richter sobre a edição de Constantinopla de 1807.

O penitente, ajoelhado ao lado do confessor, que lhe impõe a mão, faz primeiro uma confissão geral, da qual o padre lhe sugere todos os detalhes.

"Depois ele confessa cada uma das faltas que cometeu, arrastado pela dominação do corpo ou pelas astúcias de Satanás. Após ter aceitado a penitência que o padre lhe ordenou fazer, ele dirige ao confessor este pedido: Padre santo, vós sois o mediador de minha reconciliação e meu intercessor junto ao Filho único de Deus; peço-vos, pois, de me absolver dos laços de meus pecados pelo poder que vos é dado.

"O confessor diz: Que o Deus muito clemente tenha piedade de ti e que ele te conceda a remissão de todos os teus pecados que tu confessaste e de todos aqueles que tu esqueceste. E eu, em virtude da ordem sacerdotal, pela autoridade e o mandamento de Deus expressos nestas palavras: Tudo o que desligardes sobre a terra será desligado no céu, eu te absolvo (alguns rituais armênios tinham o pretérito: eu te absolvi em lugar de eu te absolvo: ver Galanus, Conciliatio Eccl. armen. cum rom., Roma, 1661, t. II, p. 624) de todo laço dos pecados, eu te absolvo dos pensamentos, das palavras e dos atos, em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, e eu te rendo ao sacramento da santa Igreja. Que tudo o que tiveres feito de bem seja para ti um aumento de mérito e para a glória da vida futura. Amém."

O Ritual armênio contém, como o dos sírios jacobitas (ver IX ABSOLVIÇÃO entre os sírios, col. 208), uma oração particular para cada pecado. É inútil dar uma como modelo. Pois é claro que a forma da absolvição se encontra nas palavras do padre que acabei de citar. Esta forma é, portanto, declarativa e de modo nenhum deprecativa. Ela é a mesma nos rituais publicados por Jean de Serpos e pelos missionários americanos Smith e Dwight. O ritual dos armênios unidos não difere senão por variantes sem importância. Ver Denzinger, loc. cit.

Já desde o século XI Vartan citava esta forma em seu livro das Advertências, c. VII, e Gregório de Dattevi fazia o mesmo em seu tratado do Sacramento da penitência. O testemunho de Vartan é importante não somente porque ele é antigo, mas porque Vartan se esforçava de suprimir o sacramento da penitência pretendendo que ele não era distinto da extrema-unção. Contudo, a fórmula do Maschdotz, segundo Vartan, não era empregada por todos os armênios; certos confessores diziam: "Deus te remete teus pecados." Galanus combate com razão esta maneira de agir, porque essas palavras não expressam o ato do confessor que dá a absolvição em virtude dos poderes que recebeu de Deus por intermédio do bispo de quem ele mantém sua jurisdição.

Galanus, Conciliatio Eccles. armen. cum rom., Roma, 1661, t. II, 9-4, § 4, sect. I-IV, p. 614 sq.; Denzinger, Ritus Orient., Wurzburgo, 1863, t. 1, p. 472-474.



XI. ABSOLVIÇÃO ENTRE OS COPTAS


O ritual da penitência não é dado, como tal, em nenhum livro litúrgico copta manuscrito. O Padre do Bernat (veja a bibliografia) se expressa assim a respeito do sacramento da penitência entre os coptas: "Tocando o sacramento da penitência, é ainda uma grande conformidade de crença conosco, com a diferença do rito e do uso. Eles se creem obrigados à confissão auricular e a declarar seus pecados segundo as espécies e o número. A confissão finada, o padre recita sobre o penitente uma oração que se diz também ao começo da missa, para pedir a Deus o perdão e a remissão dos pecados, mas, em vez de que na missa ela se diga geralmente pelo padre que vai celebrar e pelo povo [que vai comungar], ela é aqui restrita ao penitente, mudando-se nela algumas palavras. O confessor acrescenta uma segunda oração que eles chamam de bênção, e que retorna àquela que nós pronunciamos após a absolvição. Chamo de diferença de rito esta forma deprecativa da qual se servem os coptas, do mesmo modo que os gregos, para dar a absolvição. Quis esclarecer-me e inquirir dos padres coptas se, na administração deste sacramento, eles não expressam nada em termos absolutos; o que aprendi é que o penitente, antes de se retirar, diz: "Pequei, meu Padre, dai-me a absolvição," e que o padre lhe responde: "Sede absolvido de todos os vossos pecados."

Será suficiente acrescentar algumas palavras de comentário a este precioso testemunho do P. do Bernat para esclarecer, tanto quanto pode sê-lo, a questão da fórmula da absolvição entre os coptas. Esta oração que se diz ao começo da missa não é outra senão a oração da absolvição [endereçada] ao Filho. Ela corresponde ao Confiteor que, entre nós, o padre e os assistentes recitam. Ela é seguida imediatamente de outra oração, que não traz nenhum título especial nas rubricas, mas que se pode justamente chamar de bênção. Ela começa, com efeito, pelas palavras "Abençoai-nos", e o padre que a recita se sinaliza a si mesmo e sinaliza também o celebrante, os outros oficiantes e a multidão. Encontrar-se-ão essas duas orações em copta e em árabe no Missal de Tuki, que serve aos coptas unidos, Roma, 1736, p. 28, 32 (algarismos coptas); elas foram traduzidas para o latim por Renaudot, Collectio, etc., t. 1, p. 103 (notas, p. 181, 182); em inglês por Brightman, Liturgies, etc., p. 148. Tuki as inseriu também em seu Ritual para os coptas unidos, Roma, 1764, p. 135, 188 (algarismos coptas) sob o título de Akolouthia da confissão ou da penitência; mas além das mudanças necessitadas pelo fato de que essas orações deviam então recitar-se sobre uma única pessoa de cada vez, a bênção está nela fortemente condensada e, por assim dizer, reduzida à sua mais simples expressão. Encontrar-se-ão sob esta forma traduzidas para o latim em Denzinger, Ritus Oriental., Wurzburgo, 1863, t. 1, p. 439. Não será inútil dar aqui por inteiro a absolvição ao Filho e a bênção da qual se trata.

Eis, pois, a tradução completa da absolvição ao Filho e da bênção tais como estão impressas no missal dos coptas unidos publicado por Tuki. Elas não diferem em nada do que se lê nos manuscritos dos quais se servem os cismáticos que se contentam de inserir na bênção os nomes de Severo e de Dióscoro e de suprimir a palavra consubstancial e a menção do concílio de Calcedônia. Os colchetes indicando as omissões do ritual, os parênteses indicam as substituições.

[Absolvição ao Filho:] (Akolouthia do mistério da confissão, isto é, do mistério da penitência. Após a confissão dos pecados o padre pronunciará esta absolvição sobre o penitente:) Mestre, Senhor Jesus Cristo, Filho único e Verbo de Deus Pai, que por vossos sofrimentos salutares e vivificantes rompestes todos os laços de nossos pecados; que soprastes sobre o rosto de vossos santos discípulos e dos santos apóstolos: "Recebei o Espírito Santo: aqueles a quem perdoardes seus pecados, eles lhes são perdoados, aqueles a quem os retiverdes... eles lhes serão retidos;" agora, pois, nosso Mestre, por vossos santos apóstolos dignastes conceder àqueles que se sucedem no trabalho do sacerdócio, no seio de vossa santa Igreja, a faculdade de remir os pecados sobre a terra, de ligar e de desligar todos os laços da iniquidade; agora ainda, nós oramos e suplicamos vossa bondade, ó vós que amais os homens! em favor de [vossos servos] (vosso servo) [meus Padres e meus Irmãos e minha enfermidade que inclinamos nossas cabeças] (que inclina sua cabeça) em presença de vossa santa Glória; concedei-[lhes] (lhe) [e concedei-nos] vossa misericórdia e desligai todos os laços de [nossos] (seus) pecados, [que tenhamos] (que ele tenha) pecado contra vós conscientemente, inconscientemente, ou por medo, em palavra, em ação ou por fraqueza. Vós, o Mestre, que conheceis a fraqueza dos homens, em Deus bom e que ama os homens, concedei-[nos] (lhe) a remissão de [nossos] (seus) pecados.

Bênção. — [O padre sinaliza-se. Abençoai-nos; ele sinaliza os ministros: purificai-nos; libertai-nos; ele sinaliza a multidão: libertai todo vosso povo; ele faz memento de quem ele quer e acaba: enchei-nos de vosso temor, e dirigi-nos em vossa boa santa vontade, porque vós sois nosso Deus, e a glória, a honra e a potência vos convêm com vosso bom Pai e o Espírito Santo vivificador e consubstancial convosco agora, etc. Ele diz, em último lugar: Que teus servos que oficiam hoje. Ele os nomeia e os sinaliza um por um por ordem de dignidade, depois sinaliza-se de novo a si mesmo e diz: e minha Enfermidade sejam absolvidos.] (Que ele seja absolvido) pela boca da Santíssima Trindade, o Pai, o Filho e o Espírito Santo, [e pela boca da única e santa igreja católica e apostólica; e pela boca dos doze apóstolos; e pela boca do intérprete divino, Marcos, apóstolo, evangelista e mártir, do apostólico santo Atanásio, e de João Crisóstomo; e de são Cirilo, e de são Gregório e de são Basílio; e pela boca dos trezentos e dezoito Padres que se reuniram em Niceia, e dos cento cinquenta de Constantinopla; e dos duzentos de Éfeso e dos seiscentos trinta de Calcedônia; e pela boca de nosso Pai honrado o arcebispo abba N. e de seu auxiliar o bispo abba N.] e pela boca de minha Pequenez. Pois bendito e glorioso é vosso santo nome o Pai e o Filho e o Espírito Santo agora, etc. Amém.

Nada mais natural que esta fórmula seja deprecativa; seria até surpreendente que fosse de outra maneira vista a antiga tradição que representa a liturgia copta. — Mas não há nenhuma dúvida que, precedida da confissão auricular e detalhada, ela não seja considerada pelos coptas, cismáticos ou uniatas, como operando a remissão dos pecados.

Não sei por que o P. do Bernat compara a bênção ao Passio Domini, etc., pois não há nenhuma relação entre essas duas orações senão que uma e outra seguem imediatamente a fórmula da absolvição. Quanto ao que ele acrescenta a propósito das palavras trocadas, quando o penitente vai retirar-se: "Pequei... Sede absolvido de todos os vossos pecados," isso é bastante duvidoso. Em todo caso, o teor das palavras que o padre pronunciaria então é igualmente deprecativo. Mas, além disso, pode-se dizer que, como Denzinger supõe, Ritus Orientalium, t. 1, p. 101, 102, essas palavras não são senão um resumo da fórmula da absolvição ao Filho, que as contém. Em todo caso, elas não são senão acessórias aos olhos dos próprios coptas, uma vez que Tuki não as incorporou em sua Akolouthia.

Não é de se espantar, aliás, que o cerimonial da penitência não se encontre nos rituais coptas compostos independentemente da Igreja latina. Os Orientais, e, na espécie, os coptas não têm de modo nenhum a maneira metódica de proceder que nós temos agora. Para eles, o ritual não deveria conter senão o que não pertencia naturalmente a nenhum outro livro litúrgico; ele deveria, portanto, excluir não somente a eucaristia, mas também a penitência que é a preparação para a recepção da eucaristia e que, como este sacramento, faz realmente parte do missal. É por isso que adicionei, mais acima, às palavras do P. do Bernat as palavras: [que vai comungar]. O leitor fará bem de consultar o artigo CONFISSÃO.

Denzinger, a quem esta observação parece ter escapado, deu-se muito trabalho para reencontrar o verdadeiro rito copta da penitência. Ele acreditou tê-lo descoberto no tratado manuscrito de Renaudot sobre a penitência. Não nos demoraremos a refutar argumentos, que o leitor encontrará em sua obra, t. 1, p. 434 sq. Digamos brevemente: 1° que o próprio Renaudot acreditava que o rito em questão pertencia à Igreja síria, não à Igreja copta; 2° que a bênção deste mesmo rito precede, em vez de seguir, a absolvição como diz o P. do Bernat; 3° seria improvável que este rito, se ele tivesse sido copta, não se encontrasse em nenhum dos numerosos manuscritos coptas ou árabes de proveniência egípcia.

Denzinger, Ritus Orientalium, etc., Wurzburgo, 1863, t. 1, p. 100, 102, 434, 489; du Bernat, Lettre au P. Fleuriau, nas Lettres édifiantes [Paris, 1780], t. IV, p. 457 sq.; Renaudot, Collectio liturgiarum orientalium, Frankfurt, 1847, t. 1, p. 3, 181, 182; Brightman, Liturgies Eastern and Western, Oxford, 1896, t. 1, p. 148; J. B. Dollerius, Appendix ad seriem patriarchalium, n. 218, nas Acta sanctorum dos bolandistas, t. VII, do mês de junho.

H. Hyvernart.



Autor original: N. Toustoy


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