ABELLY

Verbete sobre ABELLY na Enciclopédia Católica

ABELLY, Louis, teólogo francês, nascido em Paris ou nas cercanias de Paris, no Vexin francês, em 1603. Estudou em Paris, e foi talvez nesta cidade que recebeu o barrete de doutor em teologia. Ligou-se a Vicente de Paulo, que o nomeou na qualidade de grande vigário de François Fouquet, bispo de Bayonne. Pouco tempo depois, retornou a Paris; em 1644, foi nomeado pároco de Saint-Josse. Designado para o bispado de Rodez em 1662, sagrado em 1664, renunciou a essa dignidade três anos mais tarde e retirou-se para Paris, junto aos Padres da Missão, na casa de Saint-Lazare. Ali permaneceu até a sua morte (4 de outubro de 1691), partilhando o seu tempo entre a oração e o estudo. Foi um prelado de alta piedade; como São Vicente de Paulo, combateu energicamente o jansenismo.

Abelly escreveu muito. (Ver nas Mémoires de Nicéron, Paris, 1740, t. XLII, p. 183 seg., a lista dos seus trabalhos). Eis as principais das suas obras teológicas: 1° Medulla theologica, ex sacris Scripturis, conciliorum pontificumque decretis et sanctorum Patrum ac doctorum placitis expressa. A primeira edição desta obra (2 in-12, Paris, 1650) foi seguida de muitas outras (7ª edição em 1662, 13ª edição, Antuérpia, 1698). A Medulla é um manual prático para uso daqueles que se preparam para o ministério pastoral; as questões puramente especulativas são excluídas; Abelly quis fornecer apenas as noções essenciais, a "medula" da teologia. Daí o título da obra; daí vem também o epíteto de "medular" (moelleux) que Boileau (Lutrin, canto IV) atribui ao nome do autor. Em moral, Abelly combate o rigorismo dos jansenistas; ele é probabilista. Por isso, os escritores da seita não lhe poupam nem críticas nem escárnios. Tendo o Sr. de la Berchère, arcebispo de Aix, ordenado aos diretores do seu seminário que substituíssem a rígida Teologia de Grenoble pela Medulla, um escritor jansenista queixou-se amargamente; em um libelo aparecido no Luxemburgo, censura Abelly por derrubar, com o seu probabilismo, a regra mais certa da boa consciência; acusa-o de reduzir a quase nada o preceito do amor de Deus e as disposições necessárias para a absolvição. 2° Tradition de l’Église touchant la dévotion des chrétiens envers la sainte Vierge, in-8°, Paris, 1652. 3° Les Sentiments des Pères et des Docteurs de l’Église touchant les excellences, les prérogatives et les cultes de la sainte Vierge são uma resposta ao famoso libelo, Monita salutaria B. V. Mariae ad cultores suos indiscretos, traduzido para o francês pelo beneditino Gerberon. O livro de Abelly provoca uma réplica de Gerberon, logo seguida de uma nova Réponse de M. Abelly à la lettre qu’on lui a écrite au sujet des avertissements, in-8°, Paris, 1674. 4° Défense de l’honneur de la sainte Mère de Dieu, contre un attentat de l’Apologiste de Port-Royal, in-12, Paris, 1666. 5° De l’obéissance due à N. S. P. le Pape en ce qui regarde les choses de la foi, in-8°, Paris, 1654, reeditado em 1870 pelo P. Cheruel. 6° Défense de la hiérarchie de l’Église et de l’autorité du pape, contre un libelle anonyme, in-4°, Paris, 1659. 7° Traité des hérésies, in-4°, Paris, 1661. 8° Eclaircissement des vérités catholiques touchant le très saint sacrement de l’Eucharistie, in-12, Paris, 1667. 9° Les vérités principales de la foi et de la justice chrétienne, expliquées clairement et méthodiquement, in-4°, Paris, 1675. 10° Eclaircissement utile pour la paix des âmes et le soulagement des consciences touchant la nécessité de la contrition ou la suffisance de l’attrition pour l’effet du sacrement de pénitence, in-12, Paris, 1675. 11° La conduite de l’Église catholique touchant le culte du très saint sacrement de l’Eucharistie, in-12, Paris, 1678. 12° La Vie du vénérable serviteur de Dieu Vincent de Paul, in-4°, Paris, 1664. Esta obra, escrita sem arte, sem método, sem elegância, interessa, no entanto, porque o historiador "representa ao ingênuo a figura de Vicente, porque se apaga sempre diante dele e lhe cede o mais que pode a palavra" (Maynard, Saint Vincent de Paul, introdução). Este livro desagradou aos jansenistas. Abelly, t. II, cap. XXVII e XXVIII, não tendo escondido nada do horror que as ideias de Saint-Cyran sobre a Igreja e o concílio de Trento haviam inspirado ao Sr. Vicente, os escritores da seita contestaram vivamente a exatidão do seu relato. Martin de Barcos, sobrinho de Saint-Cyran, publicou uma Défense de feu M. Vincent contre les faux discours du livre de sa vie. Abelly manteve, na sua réplica, a verdade de tudo o que havia avançado. Ver os detalhes desta controvérsia em Maynard, Saint Vincent de Paul, t. V, c. 11.





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