
ABAUDO tinha o título de abade; mas ignora-se que mosteiro ele governou. Ele devia ser contemporâneo de Abelardo, que parece ter combatido, e vivia, por conseguinte, na primeira metade do século XII. Ele só é conhecido por uma obra muito curta: Tractatus de fractione corporis Christi, que foi publicada por Mabillon, Analecta, Paris, 1675, t. III, p. 442-445, e reproduzida por Migne, P. L., t. CLXVI, col. 1341-1348.
Berengário, não admitindo que o pão fosse mudado para o corpo de Cristo pela consagração, concluía que o corpo do Senhor não é nem tocado, nem partido pelas mãos do sacerdote, senão em seu sinal sacramental. É por isso que o fizeram reconhecer no concílio de Roma de 1059, que, após a consagração, o corpo de Jesus Cristo é tocado pelas mãos do sacerdote e que ele é partido sensivelmente e em verdade e não apenas em seu sinal, sensualiter non solum sacramento, sed in veritate manibus sacerdotum tractari, et frangi. Mansi, Concil. ampliss. collectio, t. XIX, col. 900. Em uma refutação de Berengário que escreveu pouco tempo depois, Guitmundo, De corporis et sanguinis Domini veritate, l. I, P. L., t. CXLIX, col. 1430, 1434, explicava que se se diz que o corpo de Cristo é partido, é porque ele está na hóstia que se parte, que ele permanece impassível e inteiro sob cada uma das partes desta hóstia, e que, por conseguinte, a hóstia sozinha é dividida pela fração. Cf. S. Tomás, Sum. theol., IIIa, q. LXXVII, a. 7; Suárez, In IIIam partem, dist. XLVII, sect. IV, n. 14; Opera, Paris, 1872, t. XXI, p. 63. Ver EUCARÍSTICOS (ACIDENTES).
Mas esta explicação não foi admitida por todos. Abelardo devia crer que a fração se aplica apenas às espécies sacramentais, porque pensava que estas espécies são inerentes ao ar ambiente. Capitula heresum Petri Abelardi, c. IX, em S. Bernardo, Opera, P.L., t. CLXXXII, col. 1052. Por um erro oposto, Abaudo estimava que elas são inerentes ao corpo de Jesus Cristo, como os outros acidentes são inerentes à sua substância. Embora afirmando que este corpo permanece inteiro sob cada partícula, após a fração, ele dizia, portanto, que é o corpo de Cristo que é partido pelas mãos do sacerdote. Ele não pensa em invocar como prova a fórmula subscrita por Berengário em 1059 (é erroneamente que lhe atribuem este argumento). Ele se apoia sobretudo nas palavras do Evangelho. É de se notar, aliás, que seu sentimento lhe era pessoal; pois ele escreveu para defendê-lo, porque contestavam sua ortodoxia.
Notícia de Mabillon, à frente do tratado de Abaudo, P. L., t. CXLIX, col. 1430; Ceillier, Histoire générale des auteurs sacrés, Paris, 1863, t. XIV, p. 345; Histoire littéraire de la France, Paris, 1830, t. XII, p. 444.
Autor original: A. VACANT