OLAVIDÉ Paulo Antônio José, conde de Pilos (1725-1803), homem de Estado e economista, nasceu em Lima, em 1725; foi auditor da província de Lima e se dedicou ao bem público, por ocasião do terremoto que destruiu a maior parte da cidade, em 29 de outubro de 1746. Acusado de dilapidação e de impiedade, por ter simultaneamente feito erigir uma igreja e um teatro, foi chamado a Madri.
Depois de aventuras romanescas, que resultaram em seu casamento com dona Isabel de los Ríos, viúva opulenta, entregou-se à vida de prazer e a hábeis especulações comerciais, que lhe valeram grande celebridade. Trabalhou pela expulsão dos jesuítas em 1767, e tornou-se intendente das quatro províncias da Andaluzia. Nessa função, enriqueceu o país tanto quanto se honrou a si mesmo, mas suas zombarias e seus ataques contra as práticas da religião católica o fizeram suspeito de heresia; foi encerrado nas prisões do Santo Ofício, em 1770, julgado em 21 de novembro de 1778 e condenado; em 1780, conseguiu escapar da Espanha e refugiou-se na França, onde foi acolhido como um mártir da intolerância, e celebrado pelos poetas.
Retirou-se para Toulouse, depois para Paris, e, durante a Revolução, viveu às margens do Loire. Voltou mais tarde para a Andaluzia, onde morreu em 1803. Reconduzido à religião de sua infância, empreendeu fazer sua apologia ao mesmo tempo que narrava sua própria história, num escrito que teve grandíssimo sucesso na Espanha: El Evangelio en triunfo, 1798. Esse escrito tem por finalidade defender a religião católica contra a incredulidade; teve numerosas edições e foi traduzido para o francês por Buynaud des Echelles, 4 vols. in-8°, Lyon, 1805, e 3 vols. in-8°, Lyon, 1821, sob o título: Triomphe de l'évangile ou Mémoires d'un homme du monde, revenu des erreurs du philosophisme moderne.
Michaud, Biographie universelle, t. XXXI, p. 222-224; Hoefer, Nouvelle biographie générale, t. XXXVIII, col. 588-591; Quérard, La France littéraire, t. VI, p. 478; Feller-Weiss, Biographie universelle, t. VI, 1849, p. 278; J.-F. Bourgoing, Tableau de l'Espagne moderne, 4ª ed., Paris, 1807, t. I, p. 376-387; t. II, p. 407; t. III, p. 83-84, 150, 385, 408; t. IV, p.; L'Ami de la Religion de 6 de fevereiro de 1822, t. XXX, p. 385-390, e de 15 de junho, t. XXXII, p. 145-148.
J. Carreyre.
Autor original: J. Carreyre.
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