OBERNDORFER, Celestino, beneditino bávaro (1724-1765). Nascido em 20 de setembro de 1724 em Landshut, professou na abadia de Obernaltaich, onde ensinou teologia dogmática e moral até por volta de 1752. Por essa época, tornou-se professor de lógica no liceu episcopal de Freising, depois professor ordinário, prefeito das escolas, por fim conselheiro eclesiástico do mesmo bispado. Embora seu nome ainda figure, por erro, no Addresskalender, publicado em Erlangen em 1768, e no de 1769, deve-se manter, com H. Hurter, que ele morreu, ainda jovem, em 18 de setembro de 1765.
Suas funções o levaram a tratar do método teológico, e a defender primeiramente, contra os doutores protestantes da Alemanha, J. Brucker, Wolf, Gottscheid e João Ernesto Schubert, o procedimento dialético usado em filosofia e em teologia escolástica. Nos dez últimos anos de seu ensino, advertido por suas próprias apologias contra os excessos do método dedutivo, esforçou-se por conciliar em suas obras a escolástica e a teologia positiva. Não fosse essa orientação feliz que tentou dar ao ensino teológico nas escolas episcopais de seu país, seria preciso confessar que as realizações que dele apresentou pouco merecem sair do esquecimento.
Eis as principais obras saídas de sua pena fecunda: De caritatis initio, dissertação teológica sobre a qualidade da contrição necessária para a absolvição sacramental, in-4°, publicada em Ratisbona em 1754; De usu formæ conditionalis, in-4°, editada em Freising em 1752, reeditada em 1757. São esses dois fragmentos de seu curso de teologia moral em seu mosteiro.
De seu ensino de lógica no seminário de Freising saíram dois opúsculos polêmicos: Scholæ catholicorum tum philosophiæ, tum theologiæ propter dialecticam quam in docendo usurpant, nota pedantismi, contra heterodoxos... vindicatæ, Freising, 1754. O autor havia anexado à sua apologia da dialética espécimes de argumentações sustentadas por seus alunos no seminário de Freising. Levou mais adiante sua investida em suas Vindiciæ continuatæ, quibus J. Bruckeri duo asserta, unum quo S. Gregorium M. melioris philosophiæ ruinam, alterum quo Lutherum reformatæ philosophiæ ducem scribit, falsa ostenduntur, Freising, 1757.
Nos anos seguintes, prelúdios de seu curso de dogmática, Oberndorfer deu à luz: Resolutiones ex psychologia et theologia naturali, Freising, 1758, in-4°; De sacramento ordinis, 1759, reeditado em 1761. Em 1760, estuda os três primeiros lugares teológicos: a Escritura, a Tradição e a Igreja, e com isso faz um justo volume: Brevis apparatus eruditionis, Viena, 1760; em 1762, elabora uma lista dos melhores teólogos a consultar, e a faz imprimir sob este título: Systema theologico-dogmatico-historico-criticum, Freising, dois vol. in-8°.
Esses opúsculos marcavam a intenção do jovem professor de juntar ao rigor do raciocínio uma séria informação positiva; vinham a seu tempo completar logicamente sua bagagem metodológica. Esse justo equilíbrio fazia bem presagiar de seu ensino magistral, o qual, contudo, não nos traz senão mais uma decepção, neste século de decadência teológica.
Fixou-se em doze vol. in-8°, publicados em Freising, sob o título Theologia dogmatico-historico-scolastica ad usum episcopalis lycæi Frisingensis; apenas os cinco primeiros tomos foram editados pelo autor, nos anos de 1762 a 1765, com a mesma regularidade que até então pusera em suas publicações. O primeiro tomo continha uma exposição das ideias do autor sobre as fontes theologiæ; os sete últimos volumes da coleção apareceram segundo suas notas, mas sob os cuidados de seu colega, dom Anselmo Zacherl, de 1768 a 1780, em Freising. Tudo o que se pode dizer em favor deste tratado é que as prerrogativas do sumo pontificado são nele vigorosamente afirmadas, e entre outras a infalibilidade do papa.
Jöcher-Rotermund, Gelehrten-Lexicon, t. V, 1816, col. 893; Meusel, Lexicon, t. X, p. 150; H. Hurter, Nomenclator, 3ª édit., t. V, col. 29.
P. Séjourné.
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