NYDER, NIDER ou NIEDER, João, dominicano, nascido em Isny, na Suábia, nos últimos anos do século xiv. Depois de estudos em Viena e em Colônia, João Nyder veio a Constança (1414) para acompanhar os debates do concílio, ensinou teologia em Viena, trabalhou na reforma dos conventos dominicanos da Alemanha do Sul e pregou. Era partidário das ideias de reforma conciliar e era prior em Basileia no momento em que ali se abriu o concílio. Já em 1431 foi enviado aos hussitas para convidá-los a participar dele. Embaixador hábil, conseguiu seu intento, insistindo, ao menos durante os primeiros anos, para que o concílio se mantivesse, a despeito do desejo do papa. Mais tarde, Nyder ensinou em Viena e morreu em Nuremberg, a 13 de agosto de 1438. É sobretudo conhecido por ter composto uma coletânea de anedotas e diabruras intitulada Formicarium seu Myrmecia bonorum, impressa em Estrasburgo, 1517, Paris, 1519, Douai, 1602. Por meio de um diálogo entre Piger e Theologus, o autor propõe constantemente aos cristãos o exemplo da laboriosa formiga. A obra contém diversos traços plenos de interesse para a história religiosa e até política da primeira parte do século xv. Seus longos desenvolvimentos sobre os malefícios demoníacos fizeram Touron dizer, caridosamente, que Nyder falava deles para repelir essas «superstições». Parece, antes, ceder aos gostos de sua época nesse Formicarium, que é sobretudo feito de anedotas para uso dos pregadores.
Nyder é também conhecido como autor de um De reformatione religiosorum, Paris, 1512; Toulouse, edição parcial, 1609; Antuérpia, 1611, interessante para a história da reforma religiosa do século xv. Possuem-se os seus Sermons, Estrasburgo, 1489, Paris, 1500. Suas cartas, Monum. conc. gener. saec. xv, Viena, 1857, interessam à história do concílio de Basileia e à dos hussitas. Seus escritos místicos compreendem o Alphabeticum divini amoris, atribuído a Gerson, e uma paráfrase de Cassiano, Vierundzwanzig guldin Harfen.
Nyder é talvez sobretudo digno de interesse como moralista. Não só compôs, entre outros escritos (De lepra morali in c. xiii Levit., 1470, Nuremberg, etc.; De modo bene vivendi, 1495, Paris), um Tractatus de contractibus mercatorum, muitas vezes editado numa época em que o desenvolvimento econômico dava grande importância a esse problema; mas redigiu também, sob o título de Praeceptorium divinae legis, i. e. de decem praeceptis, Basileia, 1473, etc., um importante tratado de moral, no qual se põe um grande número de questões, que são geralmente resolvidas por um substancial resumo das opiniões de santo Tomás.
Sobretudo, Nyder escreveu um Consolatorium timoratae conscientiae, Paris, 1487, etc., importante para a história da teologia moral. O autor não pretende fazer obra original e diz, ao fim de seu livro: a cujusmodi compilatione si quisque suum quod est recipere velit, nihil aut modicum auctori manebit.
Os autores utilizados são, depois de santo Tomás (e mais do que os Padres da Igreja: Gregório ou santo Agostinho), Filipe o Chanceler, Hugo de São Vítor, Alberto Magno, a Suma teológica dita de Alexandre de Halès, Raimundo de Penhafort, Guilherme de Paris, Durando, Escoto, Pedro de La Palud, João de «Erdenberch». Do conjunto desses autores reunidos num espírito geral de tomismo, Nyder extrai uma teoria da consciência muito oposta ao probabilismo e baseada no fato de que o provável é, em matéria contingente, um certo exclusivo das outras opiniões menos prováveis e que governa a consciência: «Certitudo triplex est in genere: una supernaturalis, altera naturalis, tertia moralis seu civilis... Certitudo vero moralis seu civilis tangitur una cum praecedenti certitudine a philosopho in Ethi., suo principio, cujus sententia haec est. Disciplinati est in unaquaque re certitudinem quaerere, juxta exigentiam materiae. Aeque enim vitiosum est, inquit, persuadentem quaerere mathematicum et moralem demonstrantem. Non enim consurgit certitudo moralis ex evidentia demonstrationis, sed ex probabilibus conjecturis grossis et figuralibus, magis ad unam partem quam ad alteram. Dicitur autem probabile quod pluribus et maxime sapientibus apparet verum, III, 14.»
J. Meyer, Buch der Reformacio Predigerordens, édit. Reichert, Leipzig, t. ii, 1908; t. i, 1909; Quétif-Echard, Scriptores ordinis praedicatorum, t. i, p. 752-754; A. Touron, Histoire des hommes illustres de l'ordre de Saint-Dominique, t. iv, 1743, p. 218-246; J. Aschbach, Geschichte der Wiener Universität im ersten Jahrhundert ihres Bestehens, t. i, Vienne, 1865; K. Schieler, Magister Johannes Nider aus dem Orden der Prediger-Brüder, Mayence, 1885; K. Schieler, Nider, dans Kirchenlexikon, t. ix, 1895, col. 342-348; A. Mortier, Histoire des maîtres généraux de l'ordre des frères prêcheurs, t. iv, Paris, 1909, p. 123, 213-343, 480; N. Valois, Le pape et le concile (1418-1450), t. i, Paris, 1909, p. 398; G. Löhr, Die Teutonia im XV. Jahrhundert, dans Quellen und Forschungen zur Gesch. der Dominikaner, Leipzig, 1924.
M.-M. Gorce.
A extração e a tradução foram feitas por IA e em caso de algum erro podem entrar em contato com o editor