NINGUARDA Feliciano, dominicano do século XVI. Originário de Morbegno, na Valtelina, tomou em Milão o hábito de São Domingos. Foi primeiro enviado à Alemanha para restabelecer a observância nos conventos de sua ordem, a título de vigário geral. Depois ensinou teologia em Viena e foi orador e teólogo do arcebispo de Salzburgo nas sessões de 1562-1563 do concílio de Trento. Em setembro de 1562, aconselhou ali a maior prudência na delicada questão da comunhão sob as duas espécies.
Esse passado e as qualidades que trazia fizeram com que fosse designado por Pio V, de comum acordo com o imperador Maximiliano II, para ser comissário e visitador apostólico dos conventos de todas as ordens na Alemanha. A partir de 1567, Ninguarda desempenhou essa missão com habilidade e, sobretudo, com grande energia. Foi considerado como um dos que mais contribuíram para o fortalecimento e a manutenção do catolicismo numa parte da Alemanha.
Ninguarda foi então nomeado (1576) bispo de Scala, na Sicília. Foi transferido de lá para a sé episcopal de Santa Águeda (1583). Em 1588, Sisto IV fê-lo passar para o bispado de Como, que necessitava de um prelado hábil para evitar o protestantismo e acolher a disciplina de Trento.
Ninguarda também se interessava pelas lutas religiosas na França. Como, depois da execução do conselheiro-clérigo do Parlamento de Paris, o padre Anne du Bourg, pendurado e queimado em 20 de dezembro de 1559, os protestantes haviam feito desse correligionário um de seus mártires, não se encontrou, por assim dizer, ninguém na França para justificar por um escrito suficientemente firme a condenação do conselheiro-clérigo, que no entanto havia sido considerado culpado de heterodoxia. Sua sorte não fora senão aquela que era, naquele tempo, costumeira aos dissidentes em matéria religiosa. No entanto, um livro huguenote lhe atribuía milagres.
Depois da atitude religiosa intransigente dos protestantes franceses no colóquio de Poissy em 1561, e de sua entrada em guerra na sequência do tumulto de Vassy em 1562, importava tirar-lhes seu mártir Anne du Bourg e retirar todo prestígio a esse nome. Feliciano Ninguarda empenhou-se nisso, enquanto se encontrava no concílio de Trento em 1562, a título quase oficial.
Sua obra apareceu em 1563, in-4°, 210 fólios, em Veneza, na casa de Dominici Nicolini: Assertio fidei catholicse adversus articulos ulriusque confessionis fidei Annse Bargensis juris doctoris, et in academia Aurelianensi olim professoris ac postremo Parlamenti Parisini senatoris quam ipse eidem Parlamento obtulit, cum propter hxresim diu in carcere inclusus paucis pont diebus ad supplicium esset dedactus, necnon adversus pleraque id genus alia. Prseterea contra ejusdem morlis historiam quæ martyrium inscribitur, Lutetias editam, deque hxreticorum miraculis specialis additur articulas auctore Feliciano Ninguarda a Morbinio, dominicano, doctore theologo, Rev. et lll. archiepiscopi ac principis Salisburgensis consiliario et in sacro Tridentino concilio oratore, salvo semper S. E. R. judicio cui me in his et cseteris omnibus cum omni humilitate submitto.
Do grande esforço feito por Ninguarda para manter o catolicismo na Alemanha do Sul temos dois testemunhos diretos: sua Oratio de eo habita synodi XV provincialis Salisburgensis initia, die marlii 1569, Dillingen, in-4°, e sobretudo sua Defensio fidei majorum nostrum, Antuérpia, Plantin, 1575, obra apontada por Echard e ignorada por Hurter, 3ª edição.
Ninguarda deixou ainda três outras obras que interessam tanto à teologia pastoral quanto ao direito canônico e
Autor original: M.-M. Gorce
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