NIGER (ANTÔNIO)

NIGER (ANTÔNIO)

Em 1474, encontrando-se em Ratisbona, durante as festas da Páscoa, sustentou, a pedido do bispo, contra os rabinos, uma disputa que durou sete dias, na qual teve a vantagem. Nigri adquiriu com isso grande notoriedade. Escreveu sobre isso, quinze meses depois, em 1475, um livro intitulado Tractatus contra perfidos judaeos de conditionibus veri Messiae scilicet Christi vel uncti, raríssimo incunábulo, o primeiro, se não no mundo, pelo menos na Alemanha, a conter caracteres hebraicos. O autor supervisionara ele mesmo a execução dele em Essling. O livro foi reimpresso em Nuremberg, em 1497. Pierre Nigri editou também, no mesmo ano, em Essling, uma versão livre em língua alemã: Der Stern Meschiah.

O rei da Hungria e da Boêmia, Matias Corvino, quis confiar a Nigri a direção das escolas de Buda. Foi lá que Nigri redigiu sua principal obra teológica, o Clypeus Thomistarum in quoscumque adversos... liber acutissimarum quæstionum super artem veteris Aristotelis..., Veneza, 1482, reimpresso em 1504. Esse escudo do tomismo pretende defender o tomismo não só em teologia, mas em filosofia natural. No entanto, mantém-se no gênero da escolástica dessa época, ao nível da lógica formal e do estudo dos predicamentos.

No máximo, acrescenta alguns problemas de psicologia ou alguns elementos de uma teoria do conhecimento: intelecto agente e intelecto paciente, diferença entre a inteligência e a vontade, relações das potências e da alma. Seus inimigos são os escotistas ou então os nominalistas, que ele também chama de terministas e até conceptistas. É, diz ele, «a opinião dos que se chamam conceptistas, que o universal é um conceito do espírito, e portanto devem dizer que o universal é sempre um acidente». Fol. 56 r°.

A querela dos antigos e dos modernos é sobretudo para ele a dos tomistas e dos nominalistas, qui et moderni dicuntur, fol. 11r°. A natureza da lógica, fol. 29-40, interessa-lhe mais que a teologia. No entanto, dá informações interessantes sobre os dois grandes grupos que se enfrentam: de um lado, seus adversários, Duns Escoto, Francisco Mayron, Pedro de Auriol, Pedro de Aquiléia, Guilherme de Occam, Gregório de Rimini, Antônio André e outros dois que, sem ele, ignoraríamos, João Catalão e Landulfo; do outro lado, os que representam para ele o tomismo, Alberto Magno, Hervé de Nédellec, Pedro de La Palud, Capréolo, João de Nápoles e um outro cuja existência ele nos revela, Guilherme de Maricalm.

Nigri é também uma fonte interessante para o estudo dos albertistas de Colônia, como Heymeric de Campo. Ele os havia encontrado pessoalmente em Colônia e estava informado sobre seus vãos debates para opor, por meio de diferenças de matiz, Alberto Magno e Tomás de Aquino.

Prantl, Geschichte der Logik im Abendlande, Leipzig, 1870 e 1927, t. iv, p. 221-223; Morgott, em Kirchenlexikon, t. ix, col. 388-394; Sigism. Ferrarius, De rebus hungaricæ provinciæ O. P., Viena, 1837, t. c, p. 149 sq.; Touron, Histoire des hommes illustres de l'ordre des frères prêcheurs, t. iii, p. 523-529; Quétif-Echard, Scriptores ordinis prædicatorum, t. i, col. 1016-1018; Hain, Repertorium bibliographicum, t. i, p. 506-507; Hurter, Nomenclator, 3ª edição, t. ii, col. 1010.

M.-M. Gorce.

NIGER Antônio, frade menor da Observância. Chamado também Antônio Aretinus ou de Neri ou Nereus. Deve ter vivido durante a primeira metade do século XV. É confundido algumas vezes com Ângelo Reatinus ou de Neri, e alguns autores distinguem Antônio Aretinus de Antônio Niger e fazem deles dois personagens diferentes, quando na verdade é um único e mesmo personagem (cf. L. Wadding, Scriptores ordinis minorum, 2ª edição, Roma, 1906, p. 20, 24, 29, e Sbaralea, Supplementum, t. II, p. 90). Outros o confundem com Antônio de Oculis Nigris, provincial de Aragão, em 1438.

Originário de Arezzo, na Toscana, Antônio estudou em Paris, onde conquistou o grau de doutor em teologia, segundo alguns em 1405, segundo outros em 1413. Ensinou depois teologia na universidade de Florença, onde foi, em 1424, decano da faculdade de teologia. Entrado primeiro na ordem dos frades menores conventuais, passou depois para os frades menores da Observância, sob o generalato de são Bernardino de Sena.

Antônio compôs algumas obras teológicas: 1. Commentarius in Magistrum Sententiarum, fruto de seu ensino em Paris, ou em Florença; 2. alguns Opuscula theologica ou tractatus theologici, e 3. Sermones prædicabiles. Depois de se ter consagrado à pregação, durante os últimos anos de sua vida, morreu, em odor de santidade, segundo alguns, em Arezzo, em 1450, segundo outros, em Sergiani, perto de Senario, em 1470.

L. Wadding, Annales minorum, t. x, Roma, 1734, p. 120; Scriptores ordinis minorum, 2ª edição, Roma, 1906, p. 20, 24, 29; J. H. Sbaralea, Supplementum ad Scriptores trium ordinum S. Francisci, t. I, 2ª edição, Roma, 1908, p. 90; Marc de Lisbonne, Chronicorum ordinis fratrum minorum pars III, l. I, c. xliii; Fr. Haroldus, Epitome Annalium Waddingi, ad ann. 1424 et 1438.

A. Teetaert.

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