NIDHARD João-Everardo, religioso da Companhia de Jesus, depois arcebispo titular de Edessa e cardeal (1607-1681); seu nome também se encontra sob as formas Nitard ou Niedhard. Nascido no castelo de Falkenstein, na Áustria, em 8 de dezembro de 1607, havia sido destinado primeiro à carreira das armas; entra na Companhia em 16 de outubro de 1631, ensina primeiro em Graz a filosofia e o direito canônico, depois é chamado à corte de Viena pelo imperador Fernando III (1637-1657), para ser o confessor da arquiduquesa Maria Ana.
Quando esta partiu em 1649 para desposar Filipe IV da Espanha, o P. Nidhard a acompanhou. Exerceu na corte da Espanha grande influência e foi nomeado inquisidor geral. Sua ação cresceu ainda mais depois da morte do rei, em 1665; como confessor da rainha regente, tornou-se membro do conselho e entrou assim em conflito com dom João da Áustria, bastardo do rei defunto, que havia sido afastado do conselho de regência.
Forte do apoio das tropas e da opinião pública, dom João marchou sobre Madri e forçou a regente a afastar Nidhard (1669). Para atenuar sua derrota, a regente o nomeou embaixador extraordinário em Roma. Feito arcebispo de Edessa em 1671 e elevado ao cardinalato em 1672 pelo papa Clemente X, morreu em Roma em 1º de fevereiro de 1681. Não nos cabe estudar aqui seu papel político, do qual restam em manuscritos numerosos testemunhos na biblioteca de Madri.
Do ponto de vista teológico, o P. Nidhard tomou parte ativa na polêmica levantada contra os dominicanos a propósito de sua atitude em relação à Imaculada Conceição de Maria. Foi ele que, por ordem do rei Filipe IV, respondeu ao requerimento do dominicano Martinez del Prado, o qual havia pedido que seus confrades fossem dispensados de saudar, no início de seus sermões, a Imaculada Conceição: Responsio pro imm. B. M. conceptione M. jussu Philippi IV... data ad rescriptum R. P. J. Jo. Martinez de Prado, O. P. provincialis (1662?).
Composta primeiro em latim, a obra foi traduzida para o espanhol; depois o espanhol retraduzido para o latim, Douai, 1665; publicada também em apêndice à obra do P. Théod. Moret, S. J., De conceptione immaculata B. Virginis, Colônia, 1671.
Da mesma data e da mesma inspiração, um Examen theologicum quatuor propositionum quorundam authorum anonymorum, quibus aspergunt maculam cultui, festo, objecto et sententiæ piæ de immaculata SS. Virg. conceptione necnon constitutioni S. D. N. Alexandri VII (8 dez. 1661) in ejus favorem expeditæ, dado primeiro em espanhol, Madri, 1662, depois em latim, Roma, 1665.
Nidhard compôs também, para entregá-la ao papa Clemente X, uma Informatio, sive allegatio theologica pro tuendo et retinendo juramento universitatis Neapolitanæ de credenda, tuenda et profitenda immaculata conceptione Virginis; ela não foi impressa.
Bayle, Dictionnaire historique et critique, edição de 1711, t. iii, p. 505-508; Moréri, Le grand dictionnaire, edição de 1759, t. vii, p. 1037; Sommervogel, Bibl. de la Comp. de Jésus, t. v, 1894, col. 1716-1722; Hurter, Nomenclator, 3ª edição, t. iv, col. 340-341.
É. Amann.
Autor original: É. Amann.
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