NICÉFORO CALISTO XANTÓPULOS, escritor eclesiástico bizantino do final do século XIII e início do XIV.
I. Vida. II. Escritos.
I. Vida. Sobre a vida de Nicéforo Calisto sabe-se muito pouco, e o que se escreveu até hoje a esse respeito não está isento de erro. É assim que Krumbacher, Geschichte der byzantinischen Litteratur, 2ª ed., p. 293, apoiando-se num contrassenso de Lang na tradução latina do prólogo à Histoire ecclésiastique de Nicéforo, P. G., t. cxlv, col. 620 C, faz com que ele tenha terminado essa obra aos trinta e seis anos, quando Nicéforo afirma simplesmente tê-la começado a essa idade: μήπω ἕκτου καὶ τριακοστοῦ τῆς ἡλικίας ἐπιβάντες ἐνιαυτοῦ, ἡνίκα τῇ πραγματείᾳ ἑαυτοὺς ἐκδεδώκαμεν. O mesmo Krumbacher se engana igualmente ao prolongar a existência de Nicéforo além do ano de 1350, sob o pretexto de que o patriarca Calisto (1350-1354) é o último nomeado numa lista de patriarcas de Constantinopla atribuída a Nicéforo. Mas essa lista em versos políticos não pertence a este último. No cód. 1537 da Biblioteca Nacional de Paris, do século XV, ela é posta sob o nome de Teodoro Pródromo e deve ter sido alongada por um copista. O nosso Nicéforo deixou-nos sim uma lista dos patriarcas bizantinos escrita em prosa; mas ela se encerra no início do segundo patriarcado de Atanásio I (1304-1310). P. G., t. cxlvii, col. 468 D.
Das informações que pudemos reunir, e que outros poderão completar, resulta que Nicéforo deve ter morrido nos primeiros anos de Andrônico III, dito o Jovem (1328-1341), por volta de 1335. Ele aparece, de fato, como autor da Vida de Santo André o Jovem no Paris. graec. 1547 (antigo Mazarinus Regius 2458), que foi copiado em 1286. Cf. Montfaucon, Palaeographia graeca, l. IV, c. ix, p. 323. Se lhe atribuirmos, nessa data, cerca de trinta anos, ele terá nascido em 1256, e terá começado sua Histoire ecclésiastique em 1292. Esta foi terminada, segundo seu próprio testemunho, no final do reinado de Andrônico II o Velho (1282-1328), quando esse imperador já havia restaurado a igreja de Santa Sofia e vários outros edifícios, P. G., t. cxlv, col. 581 sq., e quando ele havia chegado a uma idade muito avançada, ibid., col. 588-589. Ora, a restauração dos monumentos em questão só foi executada depois da morte da imperatriz Irene, ocorrida em 1317.
Acrescentemos outro indício que não é desprezível. O Cod. Miscellaneus graec. 79 da biblioteca Bodleiana de Oxford, que contém as principais obras litúrgicas de Nicéforo, é datado por H. O. Coxe, Catalogi codicum manuscriptorum bibliothecae Bodleianae, pars I, Oxford, 1853, p. 662, do final do século XIII. Krumbacher tem razão de sobra para contestar esse diagnóstico científico, visto que já encontramos o nome de Nicéforo num manuscrito copiado em 1286.
Nesse manuscrito, Nicéforo é qualificado de presbítero da Grande Igreja, isto é, de Santa Sofia. Isso concorda bem com o que ele mesmo nos diz no prólogo de sua História: desde a juventude, foi hóspede da Grande Igreja durante longos anos; foi em sua rica biblioteca que buscou seus documentos; é ainda em Santa Sofia que encontra o sustento e o abrigo, no momento em que termina sua grande obra e em que chegou a uma idade avançada, δίαιταν καὶ καταγωγὴν ἐν αὐτῇ πολλῷ τῷ μέσῳ χρόνῳ δωρησαμένῃ ὡσανεὶ καὶ μαϊευσαμένῃ, καὶ εἰς τόδε ἡλικίας ἡμᾶς καὶ λόγου προαγαγούσῃ. P. G., loc. cit., col. 609 C.
Nicéforo foi, portanto, presbítero, e isso não deve surpreender-nos, já que quase toda a sua obra é de ordem religiosa. Foi também monge, provavelmente no final de sua vida, se devermos crer na subscrição que se lê no Vatic. graec. Reg. Suec. 182, fol. 1, do século XV: Τοῦ μακαριωτάτου καὶ λογιωτάτου κυροῦ Νικηφόρου Καλλίστου τοῦ Ξανθοπούλου τοῦ διὰ τοῦ θείου καὶ ἀγγελικοῦ σχήματος μετονομασθέντος Νείλου (e não Ναλλου, como leu H. Stevenson, Codices manuscripti graeci reginae Suecorum et Pii papae II, Rome, 1888, p. 123) μοναχοῦ Συναξάρια. Talvez tenha tomado o hábito nesse convento de Couzena (ἡ τοῦ Κουζηνᾶ μονή), cujo arquimandrita, chamado Calínico, ele conhecia bem e que foi destinatário de várias de suas obras litúrgicas.
II. Escritos. É impossível dar uma lista completa e definitiva dos escritos de Nicéforo Calisto, enquanto nos faltarem catálogos precisos e detalhados dos manuscritos gregos das bibliotecas do Atos, de Paris, do Escorial e do fundo Vaticano. O que nos é conhecido pode ser classificado sob cinco rubricas: 1° Escritos históricos; 2° Escritos litúrgicos; 3° Escritos exegéticos; 4° Obras oratórias; 5° Obras de literatura profana. O que é digno de nota é que, exceto quanto às obras oratórias, Nicéforo nos deixou nesses diversos gêneros, ao mesmo tempo, espécimes em prosa e espécimes em verso.
1° Escritos históricos. 1. A obra mais considerável e mais importante de nosso autor, aquela que imortalizou sua memória, é sua Histoire ecclésiastique, em dezoito livros, que vai das origens do cristianismo até a morte do imperador Focas (618). As primeiras letras de cada um dos livros formam o acróstico Νικηφόρου Καλλίστου. A obra é precedida de uma longa epístola dedicatória ao imperador Andrônico II Paleólogo (1282-1328). É um elogio pomposo e ditirâmbico de tudo o que fez esse príncipe. Ele é comparado ao grande Constantino por várias razões, entre outras por esta: que fez triunfar a verdadeira doutrina sobre a procissão do Espírito Santo, tal como o filho de Santa Helena fez triunfar a verdadeira doutrina sobre a geração do Verbo. P. G., t. cxlv, col. 592 C. Isso nos faz conhecer a atitude de Nicéforo em relação aos latinos.
O primeiro capítulo do livro I é uma espécie de introdução a toda a obra, escrita depois que o livro XVIII já havia sido terminado. P. G., ibid., col. 603-620. O autor passa aí em revista os escritos dos historiadores da Igreja que o precederam, desde Eusébio de Cesareia até Evágrio, e encontra em todos eles defeitos. Acrescenta que, depois de Evágrio, nenhum historiador escreveu obra de conjunto sobre a história da Igreja, e propõe-se a preencher essa lacuna.
Na realidade, não foi além do reinado de Focas, embora no final de sua introdução encontremos o sumário de outros cinco livros, além dos dezoito, levando o relato até a morte de Leão o Sábio (912). P. G., ibid., col. 617-620. Esse sumário não executado é um fenômeno bastante curioso, para o qual Krumbacher, op. cit., p. 291 e 347, talvez nos dê a verdadeira explicação. Segundo esse erudito, Nicéforo, a despeito de sua declaração sobre a ausência de uma história geral da Igreja para o período posterior a Evágrio, não teria feito mais do que plagiar, fazendo-lhe sofrer algumas leves modificações e interpolações, uma grande obra bipartida escrita no início do século X e que se detinha no ano de 920. Dessa obra anônima descobriram-se vestígios em vários manuscritos, nomeadamente no cód. Baroccianus graec. 142 da Bodleiana de Oxford. Se isso é exato — e trabalhos ulteriores poderão esclarecer esse ponto —, o mérito de Nicéforo seria bastante diminuído, e também sua autoridade, no sentido de que a utilização dos historiadores eclesiásticos, seus predecessores, de que ele fala, seria apenas mediata. Em suma, Nicéforo teria feito, para esse Anônimo do século X, o que Cedreno fez para Escilitzes. O procedimento era corrente entre os bizantinos, e não seria de estranhar encontrar dele um novo exemplo.
Seja como for, a História de Nicéforo é uma obra bastante útil para o conhecimento dos seis primeiros séculos cristãos, a história das controvérsias, a exposição das heresias, sem falar das lendas bizantinas que o autor costurou aqui e ali ao relato de acontecimentos antigos. Extratos às vezes consideráveis de historiadores antigos, cujas obras desapareceram, conservam-se para nós nessa compilação, na qual não se deve buscar o espírito crítico. É assim que se extraíram dos livros de Nicéforo numerosas passagens de Teodoro, o Leitor, escritor do início do século VI. Cf. P. G., t. lxxxvi, col. 165-216. O valor histórico da compilação é, portanto, desigual e deve ser julgado pelo valor da fonte utilizada, quando se pode descobri-la, o que não é sempre fácil.
2. Outro escrito de Nicéforo, relativo à história eclesiástica, é seu opúsculo sobre os bispos e patriarcas de Constantinopla, Διήγησις περὶ τῶν ἐπισκόπων Βυζαντίου καὶ τῶν πατριαρχῶν πάντων Κωνσταντινουπόλεως, editado por Anselmo Banduri em seu Imperium orientale, t. i, p. 190 sq., a partir do cód. Paris. 1630, do século XIV, com notas longas e eruditas, tudo reproduzido em P. G., t. cxlvii, col. 449-510.
A lista dos bispos de Bizâncio, que começa pelo legendário Estáquis, discípulo de Santo André, seguido de uma vintena de outros nomes igualmente legendários, torna-se histórica a partir de Metrófanes, e termina, como já dissemos acima, no segundo patriarcado de Atanásio I (1304-1310). Esse opúsculo em prosa não deve ser confundido com um catálogo em versos jâmbicos dos mesmos bispos bizantinos, também composto por Nicéforo e contido em vários manuscritos juntamente com uma lista igualmente em verso dos imperadores bizantinos. A lista dos patriarcas termina em João XII Cosme (1294-1304); a dos imperadores, em Andrônico II (1282-1328).
3. Pode-se relacionar às obras históricas uma série de outros pequenos poemas em versos jâmbicos ou políticos: a) Um poema sobre a ruína de Jerusalém por Tito: Ἅλωσις Ἱερουσαλὴμ ὡς ὁ Ἰώσηππος ἱστορεῖ, editado na obra intitulada Expositio thematum dominicorum memorabilium, quae et Hierosolymis sunt, Paris, 1620, com tradução latina de F. Morel — reproduzido em P. G., t. cxlvii, col. 601-606. b) Lista das dignidades da corte imperial bizantina, em versos políticos, contida no Paris. graec. 1790, do século XVI, fol. 295. c) Uma lista dos Padres da Igreja, na qual figuram apenas os Padres orientais, publicada na obra intitulada: Cyri Theodori Prodromi epigrammata, etc., Basileia, 1536, sob o título: Οἱ καλλύναντες ἐν λόγοις Ἐκκλησίαν, reproduzida por Fabricius-Harlès, Bibliotheca graeca, t. vii, p. 441, e em P. G., t. cxlv, col. 553. d) Uma lista dos melodas, Οἱ τὰ μέλη πλέξαντες ὕμνων ἐνθέων, publicada na mesma obra editada em Basileia, em 1536, e por Fabricius-Harlès ao final do livro de Alácio, De libris ecclesiasticis Graecorum. e) As seguintes outras listas, igualmente editadas em Basileia em 1536: a. Ἀσσυρίων, Περσῶν, Αἰγύπτου, Σύρων, Μήδων, Ἑλλήνων ἄνακτες; b. Ἀθηναίων καὶ Κρητῶν ἄρχοντες; c. Ῥώμης βασιλεῖς; d. Ἑβδομήκοντα τοῦ Χριστοῦ μυστηπόλοι; e. Εὐαγγελισταὶ καὶ διάκονοι; f. Αἱ μυρροφόροι καὶ μαθήτριαι Λόγου, ou Menológio; g. Συνοπτικὴ σύνοψις ἁγίων χρόνου, em versos, dos santos do ano.
4. Juntamos igualmente às obras históricas os escritos hagiográficos propriamente ditos, a saber: a) Uma Vida de Santo André o Jovem, já assinalada mais acima, transcrita em 1286 no cód. Paris. 1547, ainda inédita. b) Uma história do santuário de Nossa Senhora da Fonte e dos milagres aí realizados, Περὶ συστάσεως τοῦ σεβασμίου οἴκου τῆς ἐν Κωνσταντινουπόλει Ζωοδόχου Πηγῆς (hoje Baloukli, nos arrabaldes de Constantinopla) καὶ τῶν ἐν αὐτῷ ὑπερφυῶς τελεσθέντων θαυμάτων. Essa obra, unida à Vida de São Clemente da Bulgária, de Teofilacto, foi publicada por Ambrósio Pampéris, em Leipzig, em 1802. Um resumo em grego vulgar do escrito de Nicéforo foi publicado em Constantinopla, em 1812, por Pálsios, antigo bispo de Stagos, e teve duas outras edições, em 1835 e em 1842. Ver a descrição dessas edições por L. Petit, Bibliographie des acolouthies grecques, Bruxelas, 1926, p. 160-161; cf. também Papadopoulos-Kérameus, Νικηφόρος Κάλλιστος Ξανθόπουλος, na Byzantinische Zeitschrift, t. xi, 1902, p. 39. c) Um relato em versos jâmbicos da vida e dos milagres de São Nicolau de Mira, contido no Miscell. Oxon. 79 sob o seguinte título: Μετάφρασίς τις ἐν ἰαμβείοις στίχοις εἰς τὸν βίον τε καὶ χάριν τῶν θαυμάτων τοῦ Νικολάου τοῦ προέδρου τῶν Μύρων, fol. 290-344. Papadopoulos-Kérameus deu dele uma edição a partir do cód. 150 do mosteiro de São Sabas, no t. iv dos Ἀνάλεκτα Ἱεροσολυμιτικῆς σταχυολογίας, p. 357-390, sob o seguinte título: Διήγησίς τις ἐν στίχοις ἰαμβείοις τινῶν θαυμάτων τοῦ θείου Νικολάου, ὧν οὐδαμῶς μέμνηται ὁ Μεταφράστης.
Depois da história eclesiástica, 2° Escritos litúrgicos.
Depois da história eclesiástica, é a liturgia que está mais amplamente representada na herança literária de Nicéforo. Encontramos aí obras originais, comentários de hinos e de tropários, poesias em versos métricos e em versos rítmicos, peças em prosa. Eis a lista.
1. Sinaxários para as principais festas do Triódio, explicando a origem e a disposição dessas festas no calendário liturgico, Συναξάρια εἰς τὰς ἐπισήμους τοῦ Τριωδίου, μίαν ἑκάστην αὐτῶν αἰτιολογοῦντα, πῶς ποτε τὸ κατ'ἀρχὰς γέγονε καὶ δι'ἣν αἰτίαν ὡς νῦν ἔχουσι παρὰ τῶν ἁγίων καὶ θεοφόρων ἡμῶν πατέρων ἐτάχθησαν, μετά τινων ἐπιστάσεων μερικῶν, ἀρχόμενα ἀπὸ τοῦ Τελώνου καὶ Φαρισαίου καὶ καταλήγοντα μέχρι τῶν ἁγίων πάντων· ὀφείλει τοίνυν τὸ τοῦ μηναίου συναξάριον ἐν τῇ ἑβδόμῃ ὡς ἔθος πρῶτον ἀναγινώσκεσθαι, μετέπειτα δὲ τὰ παρόντα (título no Miscell. Oxon. 79). Nesses Sinaxários, Nicéforo ensina o adiamento da retribuição para os justos e os pecadores até o juízo final, de acordo nisso com muitos outros teólogos bizantinos. Nas edições venezianas do Triódio, os Sinaxários de Nicéforo foram distribuídos em seu lugar próprio. Encontram-se também nas outras edições não católicas desse livro litúrgico. Além disso, apareceu uma edição especial em grego vulgar desses Sinaxários, devida ao padre cipriota Matthieu Cigalas, sob o título seguinte: Νικηφόρου Καλλίστου τοῦ Ξανθοπούλλου (sic) συναξάρια εἰς τὰς ἐπισήμους ἑορτὰς τοῦ Τριωδίου καὶ τοῦ Πεντηκοσταρίου μεταφρασθέντα εἰς κοινὴν γλῶσσαν, Veneza, 1639 e 1650. Cf. E. Legrand, Bibliographie hellénique du xvii siècle, t. i, p. 404; t. ii, p. 49. Observar-se-á que, nessa edição, aos Sinaxários do Triódio, seguramente autênticos, estão juntos os Sinaxários do Pentecostário do tempo pascal, cuja autenticidade há motivo para pôr em dúvida.
2. Sinaxários para as festas dos santos de todo o ano: Βιβλίον συναξάριον τῆς συνόψεως τῶν ἁγίων τοῦ ὅλου χρόνου, ὅθεν τε ἕκαστος καὶ ἐκ τίνων ἔφυ καὶ ἐν οἷς χρόνοις, καὶ εἴτε διὰ μαρτυρίου, εἴτε τὸν δι'ἀσκήσεως ἐδέξατο στέφανον. Obra duvidosa, atribuída a Nicéforo por certos manuscritos posteriores. Cf. Papadopoulos-Kérameus, art. citado. Desses Sinaxários apareceu uma tradução em grego vulgar feita por Máximo Margúnios, primeira edição, Veneza, 1607. Cf. Legrand, op. cit., século XVII, t. i, p. 49-52.
3. Um tratado sobre a missa dos Pressanctificados, dirigido ao arquimandrita Calínico do convento de Couzena: Πρὸς τὸν αὐτὸν ἐρωτήσαντα διατί προηγιασμένη γίνεται, καὶ διατί τότε εὐαγγέλιον οὐ λέγεται, καὶ πῶς μετὰ λαμπάδος ὁ ἱερεὺς λέγει· Φῶς Χριστοῦ φαίνει πᾶσι. O Miscell. Oxon. 79 só tem o título desse opúsculo, cujo texto nos foi conservado pelo cód. Nanian. 228, fol. 401. Cf. Mingarelli, Catalogus codd. ms. qui in bibliotheca Nanianorum asservantur, p. 121.
4. Carta ao mesmo arquimandrita sobre o significado dos seguintes termos litúrgicos: ἡ ὑπακοή, τὸ κοντάκιον, ὁ οἶκος, τὸ ἐξαποστειλάριον, que designam diversas espécies de tropários: Πρὸς τὸν αὐτὸν ἐρωτήσαντα περὶ τῆς ὑπακοῆς τοῦ κοντακίου, τοῦ οἴκου καὶ τοῦ ἐξαποστειλαρίου, πόθεν οὕτως ἐκλήθησαν. Esse trecho foi editado pelo arquimandrita Cirilo Atanasíades com outros escritos de Nicéforo em sua obra intitulada: Ἑρμηνεία εἰς τοὺς ἀναβαθμοὺς τῆς ὀκτωήχου παρὰ τοῦ Νικηφόρου Καλλίστου τοῦ Ξανθοπούλου, Jerusalém, 1862. Krumbacher declara falsa a interpretação que Nicéforo dá à palavra οἶκος, op. cit., p. 669.
5. Comentário dos tropários ou versículos do Octoico chamados ἀναβαθμοί, precedido de uma epístola dedicatória ao arquimandrita Calínico: Ἐξήγησις εἰς τοὺς ἀναβαθμοὺς τῶν ὀκτὼ ἤχων· πρόλογος πρὸς τὸν αἰτησάμενον ὁσιώτατον ἀρχιμανδρίτην τὸν τῆς Κουζηνᾶς... μόναχον κύριον Καλλίνικόν. Publicado por Cirilo Atanasíades na obra citada mais acima, a partir de três manuscritos do século XVIII. Essa edição precisa ser refeita a partir do texto do Miscell. Oxon. 79.
6. Comentário do hino do tropário de São Cosme o Melode sobre a Santíssima Virgem, começando pelas palavras Τὴν τιμιωτέραν τῶν Χερουβίμ· ἐξήγησις εἰς τὴν Τιμιωτέραν πρὸς τὸν αὐτὸν ὁσιώτατον ἀρχιμανδρίτην τῆς τοῦ Κουζηνᾶ μονῆς κύριον Καλλίνικόν. Igualmente publicado por Cirilo Atanasíades, op. cit. É nesse opúsculo que Nicéforo nega a conceição imaculada da Santíssima Virgem, e insinua que Maria foi purificada do pecado original no dia da Anunciação. É o primeiro bizantino, de nosso conhecimento, que negou o privilégio mariano. É verdade que ele se retrata ao final de seu comentário, tal como se lê no Miscell. Oxon. 79, como já dissemos no artigo Imaculada Conceição na Igreja Grega, deste dicionário, t. vii, col. 949-950, onde se encontrará a exposição completa do pensamento de nosso teólogo sobre a Imaculada Conceição. A edição de Atanasíades não contém a retratação final, prova de que essa edição precisa ser refeita.
7. Resumo do Triódio em versos jâmbicos, publicado por Atanasíades, op. cit., p. μζ'.
8. Acolutia, ou ofício completo da festa de Nossa Senhora da Fonte Vivificante, ἡ Ζωοδόχος Πηγή, que os gregos celebram na sexta-feira da semana de Páscoa. Esse ofício passou por inteiro ao uso litúrgico, e pode-se lê-lo nas edições do Pentecostário, por exemplo, no exemplar de Veneza de 1565; mas falta uma edição crítica. Encontra-se em vários manuscritos, notadamente no Vatic. graec. 769, fol. 242 sq., que é do início do século XV.
9. Uma série de dez peças em poesia rítmica, todas contidas no Miscell. Oxon. 79, salvo uma só, um acróstico alfabético em honra da Santíssima Virgem, que se encontra no Vindobonensis theol. graec. 79 (antigo 299), fol. 360-361 v°, e que começa pelas palavras "Ἄχραντε παρθένε, μῆτερ Θεοῦ, ἡ δεδοξασμένη ὑπὲρ πᾶσαν φύσιν βροτῶν. A estrofe que começa pela letra P foi saltada pelo copista. Dessas 10 peças, 8 são acrósticos alfabéticos, referindo-se todos à Santíssima Virgem, à excepção de um só, de caráter penitencial, intitulado: Στιχηρὰ κατανυκτικά; a 9ª peça é uma breve oração à imagem de Nossa Senhora Hodigitria, e a 10ª, composta de uma única estrofe, uma invocação aos doze apóstolos, que são todos nomeados. Publicamos — IX. todas essas poesias no t. v, 1930, da revista Byzantion. Nicéforo mostra-se nelas um virtuoso consumado da versificação rítmica, e o conteúdo, ao mesmo tempo piedoso e doutrinal, merece atrair a atenção do teólogo.
10. Outra série de breves peças em versos jâmbicos trimetros, cujo assunto seria longo demais indicar. A maioria são epigramas sobre uma imagem, um santo, uma festa, um mistério. Papadopoulos-Kérameus publicou 15 deles na Byzantinische Zeitschrift, loc. cit.
11. Duas orações em prosa, uma das quais intitulada: Εὐχὴ ἐξομολογήσεως πρὸς τὸν ποιητὴν καὶ πλαστὴν ἡμῶν Θεόν, περιέχουσα πάντα τὰ ἀνθρώπινα πάθη καὶ ἐκφαυλίζουσα, impressa primeiro na edição das obras de Teodoro Pródromo, Basileia, 1536, depois reproduzida em P. G., t. cxlvii, col. 591-600. A segunda: Εὐχὴ εἰς τὸν ποιητὴν καὶ πλαστὴν ἡμῶν Θεὸν ἐπὶ τῇ ἀθρόα ἰάσει τοῦ ἀπορρήτου καὶ φοβεροῦ νοσήματος, foi publicada por Papadopoulos Kérameus na Byzantinische Zeitschrift, loc. cit., p. 47-49. Esse mesmo erudito, ibid., assinala uma terceira oração de Nicéforo: Εὐχὴ ἐξομολογήσεως εἰς τὸν Κύριον ἡμῶν Ἰησοῦν Χριστόν, que teria sido editada por Nicodemos o Hagiorita em sua obra: Ἐπιτομὴ ἐκ τῶν προφητανακτοδαβιδιτικῶν ψαλμῶν, Constantinopla, 1799, p. 89-96. Procuramos em vão essa oração no lugar indicado e em todo o resto da obra.
3° Escritos exegéticos. Afora os comentários litúrgicos já indicados, Nicéforo deixou um Comentário dos salmos contido no Paris. 149, copiado em 1560; mas a autenticidade desse comentário não está ao abrigo de toda suspeita. Um resumo em versos jâmbicos dos livros históricos do Antigo Testamento, intitulado Σύνοψις θείας Γραφῆς, é bem dele. Editado primeiro em Basileia, em 1536, op. cit., está inserido em P. G., t. cxlvii, col. 605-624. Segue-se um resumo igualmente em versos jâmbicos da história judaica posterior aos Macabeus, segundo o historiador Josefo, e que leva o título de Συνοπτικὴ πρὸς θείαν Γραφήν, P. G., ibid., col. 623-632. Escólias sobre os 30 discursos de São Gregório de Nazianzo trazem o nome de Nicéforo Calisto Xantópulos nos mss. 76 e 77 da Marciana de Veneza.
4° Obras oratórias. Bandini, Catalogus codd. mss. bibliothecae Mediceae Laurentianae varia continens opera graecorum Patrum, t. i, Florença, 1764, p. 446 sq., publicou sob o nome de Nicéforo um discurso sobre Santa Maria Madalena (Εἰς τὴν ἁγίαν καὶ ἰσαπόστολον μυροφόρον Μαρίαν τὴν Μαγδαληνήν), que parece autêntico. É menos um sermão do que uma espécie de notícia misturada de história, de exegese escriturística e de lenda. Reproduzido em P. G., t. cxlvii, col. 539-576. Dois outros discursos lhe são atribuídos no Paris. graec. 1190, de 1568, um para a festa da Ortodoxia, o outro para o Natal (fol. 1-32); mas há motivo para perguntar se essas peças não pertencem ao patriarca de Constantinopla Calisto I (1350-1363), com quem Nicéforo foi por vezes confundido. É assim que as Orações tiradas do Euchologium Graecorum de Goar e postas em P. G., t. cxlvii, col. 575-590, sob o nome de Nicéforo, são, na realidade, obra do patriarca Calisto. O mesmo se passa com uma homilia sobre João, o Jejuador, que, segundo o Paris. 767, pertence ao patriarca.
5° Obras de literatura profana. O Miscell. Oxon. 79, fol. 281-289 v°, contém um pequeno poema em versos jâmbicos de Nicéforo sobre o vinho, dedicado ao imperador. Ainda está inédito. Incip. Ὦ φαιδρὸν ἐντρύφημα τῆς ἁλουργίδος. O Paris. Graec. 2988, do século XIV, atribui-lhe igualmente Progymnasmata rhetoricae. É tudo o que encontramos de literatura profana na herança literária de nosso autor.
Autor original: M. Jugie
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